O Mestre me guiou pelo dojo, por uma grande quantidade de portas que eu nem sabia que existiam, até nós chegarmos em uma salinha pequena de meditação, aquele lugar era bem diferente por não ter um teto, nem nuvens (mesmo estando nublado lá fora).
Aquele ponto do céu tudo estava limpo e apenas uma jogada absurdamente forte e concentrada se sol estivesse ali, como se o céu tivesse sido aberto pelo próprio Guaraci, e considerando o que iria rolar, não era doideira pensar daquela forma.
Mestre: você precisa de ajuda? Ou já tem experiência com isso?
João: eu quero tentar sozinho por enquanto.
E com o mestre perto de mim, eu escolhi uma das várias almofadas desocupadas, tinham tantos rostos conhecidos nas almofadas ocupadas, como a Artemis e o Sansão, quanto rostos desconhecidos, outros faixas roxas e azuis que eu não conhecia direito, mas sinto que conheceria bem eles logo logo.
Sentado na posição de borboleta na almofada, fiz o mesmo método que usava pra entrar no mundo da Deusa da Lua, fechei os olhos e comecei a meditar, e em menos de 10 segundos, começou.
Aaaaah, lá vinha ela, aquela sensação incrível de ter a minha própria Aura inundando meu corpo, me fazendo flutuar pra fora do meu corpo, como se estivesse apenas boiando em uma grande piscina aquecida.
Em meio a grande alegria e tranquilidade daquela meditação, abri os olhos pra ver a grande vastidão espacial ao meu redor, um escuro quase infinito, decorado por grandes estrelas que estavam tão distantes que seus brilhos já podiam ter se apagado, mas elas ainda brilhavam mesmo bem longe, pensando assim, não ficava surpreso que tinha uma fé tão forte que guerreiros mortos habitavam essas estrelas.
Também havia a pequena lua à esquerda, apenas não sendo mais impressionante que os milhares de planetas que existiam além da terra,às vezes eu me perguntava se existia alguma vida nesses outros planetas, mas enquanto eu me aproximava cada vez mais do Sol, eu pensava que precisava cuidar do meu planeta antes de querer explorar os outros.
Quando cheguei no domínio de Guaracy, precisei de um tempinho pra me adaptar, por que o reino do Deus do Sol era a grande superfície de uma estrela, um lugar radioativo, com pouco oxigênio e com uma gravidade absurdamente alta, claro, nada que alguém do meu nível não pudesse aguentar, mas ainda era preciso muito esforço pra ficar ali.
Assim que cheguei ali, vi alguem se aproximando de mim, era um grande homem negro, com uma calça feita de couro de crocododilo, uma blusa feita de pele de onça e um kokai na cabeça. Junto de várias pinturas amarelas em seu corpo, pinturas que se destacavam na pele escura dele.
Eu não deveria me surpreender depois de ter me encontrado de forma tão casual com a Deusa da Lua antes, mas ele tinha uma presença tão diferente que era como encontrar Deus pela primeira vez.
Guaracy: olá João, você demorou muito pra aparecer, venha, vamos ver os outros
João: ah, claro, claro.
E sendo guiado pelo próprio Guaracy, cheguei no novo “tatame" sem muitos problemas. E olha só, novo tatame, mesma atitude, enquanto o Guaracy não estava lá, todo mundo estava rindo e brincando, e quando ele apareceu, todo mundo entrou em formação de forma instantânea.
E quando eu entrei na posição, logo ele falou.
Guaracy: antes de eu falar qualquer coisa pra vocês, queria dizer que nós temos uma nova estrela aqui conosco.
E o Deus do Sol falou aquilo enquanto ergueu a mão na minha direção.
Guaracy: muito bem, agora vamos para a batalha, façam suas duplas.
E enquanto todo mundo se organizava, fui direto para o Sansão, o vampiro ficou surpreso deu ir direto até ele, mas eu não, meu corpo finalmente ganhou aquela “força de hormônios” os músculos que eu lutei a tanto tempo pra ter finalmente estavam se desenvolvendo, e eu queria testar a minha força nova nesse grande vampiro que literalmente significava “força”, e o vampiro aceitou isso muito bem.
Depois que todo mundo se organizou, o Guaracy começou a explicar o treino, com um movimento dele próprio.
Guaracy: muito bem, para facilitar as coisas pra nossa nova estrela, será uma sequência simples dessa vez, jab, direto, peito, peito perna de trás. Usando a Aura com a propriedade de explosão.
Hehe, nossa, ele realmente tava tentando facilitar minha vida, a explosão de aura foi uma das primeiras coisas que eu aprendi, tanto como usar quanto pra me defender dela, então não tive medo e me preparei, já que o Sansão com certeza iria atacar primeiro.
O vampiro não falou nada, ele nunca falava, mas ele mostrou no rosto como ele tava com medo de ir primeiro.
João: não se preocupa Sam, eu to nesse tatame também, não precisa se segurar.
E sorrindo com minha confirmação, Sansão me deu um Jab normal, mas com o punho recheado de tanta Aura, que quando ele me atingiu, o puho dele explodiu uma pequena bomba de Aura coberta de água pressurizada, que me jogou pra trás, atingindo todo meu corpo, depois veio o direto, depois os chutes.
E a cada golpe eu conseguia sentir, além da explosão e da água, era como se uma grande quantidade de óleo frito tivesse tentando me fritar, queimava, fritava e ainda tinha o grande impacto de uma explosão, que me jogou no chão e me derrubou muitas vezes.
Sempre que eu caia, o Sansão ficava preocupado, mas comigo sempre garantindo que eu estava bem, o Sansão ficava tranquilo e voltava a me bater.
WOW, isso foi incrível, era um golpe pesado, potente, e que podia me nocautear se não tivesse cuidado, mas nada que eu não conseguisse aguentar com os cuidados certos.
O Mestre me ensinou a me defender das explosões primeiro, então para cada explosão que atingia meu corpo, eu fazia uma explosão inversa bem onde o punho atingiu, mas eu ainda não conseguia acertar as explosões direito e meu poder bruto puro era muito inferior ao do Sansão, então eu ainda ficava muito machucado.
Mas a Aura não era o único problema, nem de longe, eu já estava acostumado a sentir dor, mas os socos do Sansão me faziam me lembrar de uma dor antiga, uma que apenas o Raony fazia em mim quando eu ainda era um adolescente.
E com cada soco do Sansão, eu me lembrava daquilo, meus músculos queimando, meus ossos tremendo como vara verde e meus ossos chacoalhando dentro de mim, uma sensação que eu sempre pensei que nunca iria sentir, mas assim que eu evolui, o mundo inteiro parece ter evoluído também, e não pude me impedir de sentir muita raiva e injustiça com isso, mas eu não podia parar, não agora, não mais.
Pelo menos eu conseguia aguentar, assim que o Sansão entrou em guarda para receber meus golpes, dei meu primeiro Jab concentrando toda a raiva, frustração e sentimentos negativos que eu tinha acumulado apenas nos 3 dias no intervalo das aulas, e aqueles sentimentos de apenas 3 dias foram o bastante para criar uma explosão concentrada onde a Aura mudou pra cor azul, e jogou o Sansão um pouco pra tras.
E depois dei o direto, e mais dois chutes, criando explosões que fizeram o Sansão vascular.
Eu conseguia ver claramente a surpresa no rosto dele, mas eu não me permiti ficar surpreso e continuei atacando, até o meu tempo de atacar acabar, ou meu corpo vacilar, e apesar da dor e cansaço que eu sentia, a primeira opção que veio primeiro.
Hehehe, era engraçado ser explodido por Aura tantas vezes, meu corpo ficou dormente e formigando, até me fazendo rir.
Parecia que séculos haviam passado enquanto fazia a primeira sequência, nesse reino do Deus do Sol, eu não precisava comer, dormir e nem ficava cansado, eu precisava apenas lutar, e depois do que pareceu horas, o Deus do Sol nos mandou, na hora.
Guaracy: ok, já é o bastante, agora 100 flexões e 100 agachamentos.
Eu me impressionava com o quão normal era aquilo, mas assim que eu fiz a primeira flexão, senti meu corpo ficando 10 vezes mais pesado, eu me surpreendi, mas respirei fundo e me empurrei pra cima novamente, eu fazia 1000 flexões sem dar pausa, mas no meio daquela gravidade extrema, eu apenas conseguia fazer 100, não tinha vergonha disso, considerando o tipo de força que estávamos lidando, ninguém iria me julgar.
Guaracy: muito bem agora a próxima sequência é, jab, cruzado, uque, direto, cobertura, faca. Ainda a Aura de explosão.
O veterano Sansão olhou pra mim com um sorriso de aprovação, como se tivesse gostando de fazer apenas explosões de aura essa semana. O Sansão nunca falou muito, mas ele conseguia compensar muito isso com as incríveis expressões faciais dele.
Depois de tudo que passamos, a técnica em si era fácil pra nós dois, talvez o maior problema que eu passei foi entender quanto de poder eu precisava botar em minhas explosões, porque mesmo com todo o treinamento do Mestre antes de vir para cá, as vezes eu usava força demais em uma explosão, e o meu cruzado ficava tão poderoso que explodia antes de alcançar o Sansão.
O Sansão não me dava dicas, mas com meus erros, bem devagar eu tava entendendo melhor como usar cada movimento, o Sansão era bem diferente do Raony, que era um bruto que descontava toda a frustração de ser pai nos treinos.
Eu conseguia ver como o Sansão jogava um monte de coisas acumuladas no treino, mas era além de força, era técnica, experiência e força. Uma sequência tão letal que me fazia ser derrubado sempre que me distraía, como agora.
Era meu primeiro treino, e tinham rolado apenas duas sequências, mas depois de acertar e ser acertado por golpes de Aura explosiva que pareciam quase infinitos, eu me senti ficando dormente, mas fiz o possível pra tentar me manter acordado, e mais uma vez, terminei em mais uma sequência de golpes.
Mais um exercício absurdamente simples, mas limitado pelo ambiente, e logo voltei a sequência. Mesmo não entendendo a extensão em que isso se desenvolvia, sentia como o ambiente estava mudando minha alma. Os minutos se tornaram horas, as horas se tornaram dias, e os dias se tornaram semanas…
E quando agente parou, me senti lutando por meses, e com um olhar cheio de compaixão, de alguém que entendia muito bem o que eu tava passando, Sansão segurou minha mão e me ajudou a ficar na posição certa. E com todos nós ajoelhados de frente para o Guaracy, pudemos ver bem melhor a força imensa que exalava do Deus do Sol.
Guaracy: eu quero apenas dizer que estou bem feliz com o desempenho de vocês hoje, consigo ver bem o grande show que vocês farão quando estiverem prontos, agora, até a próxima aula.
E acenando como um adeus pra nós, o Guaracy fez nós descermos e flutuarmos bem devagar e tranquila de volta pra terra.
Eu sempre fiz aquela transição sozinho quando visitava a Deusa da Lua, então ver milhares de pessoas comigo, algumas tranquilas, outras cheias de medo e outras fascinadas com o espetáculo da transição. Me deixando bem feliz e empolgado pra ver ainda mais dos meus veteranos.
Apesar de já estar acostumado em transacionar mundos, quando voltei pro meu corpo, fiquei um bom tempo parado na mesma posição, por não estar acostumado com o mundo do Deus do Sol.
Existia um efeito interessante no mundo dos deuses, onde efeitos de treinamento se refletiam no corpo real, agora mesmo, todos os golpes que recebi, todas as flexões, agachamentos e polichinelos que dei naquele mundo se reuniam em meu corpo, e depois do primeiro treino, meu corpo já estava implorando por misericórdia, algo que eu ignorei, por senti que era apenas meu corpo sendo fraco de novo.
Mas quando tentei levantar, meu corpo se recusou a me obedecer, e ali eu entendi como eu tava realmente cansado, muito cansado mesmo, eu realmente subestimei a do que o treino do Guaracy.
E enquanto pensava nisso, senti um soco no meu braço, e com a fragilidade do meu corpo naquela hoa, eu caí no chão e comecei a gritar tanto quando meus pulmões fracos permitiam, e depois que eu gritei bastante, (com ninguém ligando pra mim pelo quão comum isso era pra novatos) eu me acalmei, e olhando pra cima, eu vi a Ártemis me olhando.
A Artemis era uma Veterana minha, com uma pele escura, um corpo redondo e uma força que a fazia ser bem mais rápida do que ela parecia.
Ártemis: eu to impressionada garoto, não é qualquer um que consegue aguentar esse treinamento completo de primeira
João: ah, foi só um treinozinho de 2 horas, sim, o lugar era bem perigoso, mas nada que eu não pudesse dar conta.
Enquanto eu pegava minha garrafa, eu vi a Artemis com um olhar de confusão, mostrando nitidamente que não fazia ideia do que eu tava falando.
Artemis: duas horas: ai ai João, podem ter parecido apenas 2 horas, mas o reino do Guaracy tem uma grande distorção de tempo, você ficou ali por 2 meses inteiros.
A força abandonou as minhas mãos, minha garrafa caiu no chão, mas novamente, ninguém ficou impressionado com o que eu fiz.
Artemis: na minha primeira vez, eu também consegui de primeira, mas o Sansão não, não é normal que alguém aguente ficar 2 meses inteiros naquele lugar
João: wow, tô meio orgulhoso de mim, mas mudando de assunto, me fala, você vai tentar encontrar sua prima agora?
A Artemis queria muito, muito mesmo encontrar de novo a sua prima, uma lutadora de jiu jitsu absurdamente letal, ela me falava que ela apenas iria atrás dela quando se tornasse uma boxeadora faixa preta, ela tinha até chegado no segundo Dan.
O Dan, antes significava apenas uma especialidade maior na arte marcial que apenas faixas pretas poderiam ter, mas agora eles significavam a maestria na Aura.
Ártemis: eu encontrei ela, irei lutar com ela primeiro, mas relaxa, eu já consegui ingressos pra você
João: uuuuh, é bom ter amigos nos lugares certos
Artemis: não fica tão feliz assim, ao são acentos muito bons
João: quantos ingressos você conseguiu?
Artemis: 3
João: humpf, tenho certeza que as pessoas que irei trazer não vão ligar.
E dando um soquinho na mão dela, eu e ela fomos direto para a parte da frente do dojo, ficando novamente frente a frente com o mestre. E depois de fazermos uma oração básica, que demonstrava a verdadeira dedicação do esporte e das divindades.
Todos: OBRIGADO JACI, POR TER NOS GUIADO NA ESCURIDÃO, E NOS DAR TEMPO PARA DESCANSARMOS
Todos: OBRIGADO GUARACY, POR TER NOS DADO A ENERGIA PARA MELHORARMOS EM SUA PRESENÇA.
Todos: MUITOS NUNCA ABANDONAM AS TREVAS.
Todos: MUITOS QUEIMAM NA GRANDE LUZ
Todos: NÓS CRESCEMOS NAS TREVAS E APRECIAMOS A LUZ.
Todos: E É POR ISSO QUE TE ABENÇOAMOS, JACI E GUARACI
Mestre: amém.
Depois nos levantamos, cumprimentamos o mestre uma última vez e nos aprontamos para sairmos, e no meio do caminho, o Mestre foi até mim e falou.
Mestre: João
João: ah, sim mestre
Mestre: você vai participar da corrida, certo?
João: com meu torneio chegando, como eu não poderia?
Mestre: ok, e o Nilo? Como ele está?
João: ah, ele tá ótimo, muito bem.
Mesmo não sendo mais aluno daqui, o mestre ainda se preocupava muito com o Nilo, algo que eu achava muito legal nele, mas eu ainda tinha um lugar pra ir antes de me encontrar com o Sapien.

