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Caminho da Vitória 🥊 2
🫨😤🥵o tatame 3🥵😤🫨
2383 palavras • 13192 caracteres • ⏱ 9 min 32 s

🫨😤🥵o tatame 3🥵😤🫨

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Muita coisa mudou no tempo que eu fiquei treinando, não apenas eu, mas muitos dos meus “rivais” ficaram bem mais fortes, os treinos que eu tive com o mestre ficaram bem mais intensos. Eu perdi muitos “direitos”, como gostava de debater com minha nova.


Sim, cada aluno tinha direitos diferentes, uma mulher novata teria mais direitos do que um homem novato, por causa da diferença de massa e foça, mas mesmo sendo homem, existiam vários direitos. 


Os direitos de novato de todos precisarem pega leve com eles, de poder parar os exercícios pela metade, respirar um pouco e voltar a fazer os treinos, mas o mais importante e ao mesmo tempo o mais simples: o direito de não passar pelas corridas na praia, treinos de academia e várias “sessões de tortura” que o mestre chamava de treino.


Um por um, de faixa em faixa, eu me desfiz de cada um dos meus direitos, quanto mais forte eu ficava, até eu conseguir finalmente lutar de igual pra igual com pessoas como a Artemis e o Sansão, os dois eram faixas pretas que ganharam as pretas assim que eu peguei a roxa. E eles não tinham um pingo de piedade quando lutaram comigo.


Não tinha vergonha ou medo de ter perdido meus direitos, porque eu ganhei algo muito maior, força, força pra conseguir lutar em grandes torneios, torneios ainda sem dinheiro, mas com uma boa reputação a ponto de eu participar de um torneio com um grande prêmio dessa vez.


Meus pais, meus amigos, meus colegas, as pessoas que implicam comigo, cada um deles mudou muito, alguns foram consequência da minha mudança e muitos mudaram sem eu me intrometer…


E mesmo assim, eu não pensei que o meu templo, o lugar onde eu treinava teria alguma coisa a esconder, e pra variar, eu estava errado.


João: espera, como assim nível 3 do tatame:


Mestre: o lord Guaracy tem uma forma bem peculiar de se entreter, existe uma forma única de aprender a Aura de combate mais avançada, e depois de treinar comigo por tanto tempo, você está pronto para ser ensinado pelo próprio Deus do Sol.


João: eu já conheci a Deusa da Lua, tenho certeza que o Deus do Sol não deve ser muito complicado pra mim


Mestre: não se esqueça, ele vai ir até você como um Mestre e não como um Sábio


João: sim Mestre.


Apesar de estar absurdamente empolgado pra entender o que o Mestre quis dizer com isso, fiz o que ele falou, e apenas fiquei na minha, e preparando pra ver o que o Deus do Sol tinha preparado pra mim.


E no dia em que eu finalmente iria para o “terceiro tatame”, cheguei sem problemas na ilha onde o dojo ficava. 


Era uma ilha que ficava dentro de um redemoinho enorme e interminável, sendo protegido por um pequeno pedaço de terra, que ainda conseguia se manter seco, sem ter um pingo de água em todo o templo.


Eu entrei no templo sem problemas, vestindo meu uniforme, sentindo uma grande força espiritual nele, orgulho misturado com disciplina e liberdade, por aquele ser um dos lugares onde eu podia ser minha versão mais violenta sem machucar ninguém. Além de um uniforme, ele era quase minha armadura e minha faixa era minha espada.


Uma faixa roxa, estando apenas uma faixa (a marrom) de distância da preta, mas além da faixa, existia 1 listra nela, uma listra que simbolizava que eu já era um expert em aura do primeiro nível…e quando pensei naquilo eu não me aguentei e comecei a gargalhar.


João: hahahahahahaha, aquilo tudo era o primeiro nível, me faz ter medo de pensar no que vai ser a aula de nível 2.


Me tirando dos meus próprios devaneios, eu entrei na sala, e como sempre, eu e vários alunos chegaram primeiro que o mestre, pra botar o papo em dia sem interromper a aula no meio do caminho quando ele chegasse. Tinham alguns rostos novos, e tinham alguns que já tinham ido pro tatame nível 3, algo que eu não fiz ainda, por não saber como é que faz.


Eu vi muita gente ali, mas enquanto eu olhava todo o lugar, alguém veio até mim antes de eu pegar minha atenção em qualquer outra coisa. Ela correu até mim, e se arremessou na minha direção como um míssil.


Eu a abracei com força, porque mesmo nós dois tendo a mesma idade, quando a abracei com força, sentia apenas que eu tava abraçando uma criancinha feliz que sua baba favorita finalmente apareceu.


João: você demorou bem menos tempo pra perder essa vergonha de agir como criança perto de mim, Taina


Tainá: não é minha culpa se você é confortável a ponto de que minha vergonha desapareça


João: não esquece que eu tenho dona, tá?


Tainá: E como poderia esquecer, eu amo ela também.


Depois de falar aquilo, a Tainá se afastou um pouco, eu olhei ao redor pra ver como ninguém mais ligava, depois de todo esse tempo, todo mundo meio que entendeu bem a relação pai e filha que eu tinha com a Tainá, e apesar de não ser o que esperavam, todo mundo achava aquilo super ultra fofo.


A Tainá era uma Sapien loira e muito bonita, mas que possuía uma maldição terrível, a maldição das vozes falsas, uma maldição que fazia ela ver, ouvir e até sentir coisas que não existiam. Muitas vezes a Taina até imaginava pessoas de verdade com rostos distorcidos, rindo, gritando e até dizendo coisas como “eu vou te matar”, era uma maldição que pessoas com mente fraca não conseguiriam aguentar.


Pessoas que carregam maldições como essa são duronas por natureza, e a Tainá chegou até aqui depois de procurar uma “dureza” extra, pra aguentar os impulsos que a maldição dela a fazia ter, e com o sorriso que ela tava dando agora, mesmo comigo sabendo que ela ainda tinha um caminho imenso pela frente, ela parecia bem mais feliz.


Ver a Tainá feliz era algo que me enchia de orgulho, eu sempre dava uma dica pra ela quando eu podia, além de ter bastante calma, e entender bem até demais quando ela tava tendo um dos “episódios” dela, a ponto que eu conseguia esvaziar o lugar antes de alguém se machucasse, porque querendo ou não, depois de tudo que eu ajudei a garota a passar, comecei muito a vê-la como minha filha, e ela me vê como seu pai, apesar da gente ter a mesma idade.


Os pais dela não eram pessoas ruins, mas ela sempre deixava claro o quanto realmente “olhava pra cima” quando falava comigo, o que sempre me enchia de orgulho. E com a Elena como uma mãe, sentia que tava bem preparado para o grande dia onde eu ia ter um filho, mesmo que ele estivesse bem longe ainda.


E quando eu olhava pra ela, tudo que eu conseguia sentir era um grande amor e carinho dela, o cabelo loiro dela preso em um coque, as mãos já calejadas pela quantidade de pessoas que ela sentou a mão, um sorriso tranquilo e aquele maldito olhos azuis, mas agora nublados, que dizia que as vozes estavam falando com ela agora. 


O uniforme dela era idêntico ao meu, uma bermuda amarela, com uma listra simples preta, e o nome FENRIR gravado em branco na listra preta. Com uma regata térmica laranja e com listras pretas pra completar. 


A única coisa no uniforme dela diferente do meu era a faixa, e quando olhava a cor dela agora, a cor de uma faixa antiga que eu mesmo dei a ela, não me contive e falei, parecendo muito um pai orgulhoso da filha.


Joao: 3 anos, você foi da branca para a amarela em 3 anos, não é todo mundo que consegue fazer uma transição assim


Tainá: pois é, mas você fez a mesma coisa


João: humpf, muita gente não consegue fazer isso, seja por doenças, preguiça, ou coisas de fora que eles não podem controlar.


Eu falei aquilo enquanto eu olhava pro Rony, um faixa verde como eu, mas estava preso na faixa verde a quase 4 anos depois que o filho dele nasceu. 


Ele até tinha melhorado um pouco depois de entender como ser pai, mas depois que o garotinho começou a engatinhar e quase falar, ele entrou numa nova espécie de pesadelo. 


Nem pode dizer que ele era preguiçoso ou despreparado, porque muitos lutadores quando tinham filhos, saiam do treino pra cuidar da criança, crianças não eram brincadeira, elas eram realmente destruidoras de sanidade, mas o Raony, sacrificando seu sono, sua saúde. (e talvez sua sanidade mental). Ele continuava aqui, tentando.


Tainá: e tem gente que só não tá pronta pra isso.


A Tainá falou aquilo enquanto olhava pro Luca, ele já era um faixa laranja a dois anos, mas nesse, ele tentaria uma verde. O Luca tinha a maldição do gigante feliz, uma maldição dele o fazia ter um atraso mental, deixando bem difícil dele aprender, crescer e amadurecer em geral, por isso o nome “gigante feliz”.


Muitos com essa audição mal conseguiam escrever direito, e lutar parecia um sonho impossível, mas tinham 3 fatores que fizeram possível o Luca estar ali, o amor imenso que o Sapien tinha pelo esporte, a paciência quase de Buda que o Mestre tinha e ainda tem com ele, e principalmente o grande apoio que a mãe, pai e irmão mais novo dele davam. 


Muitos que o viam agora podiam dizer que ele tinha alguma coisa, mas se falassem que ele tinha a maldição do ligante feliz, eles não acreditariam, tudo pelo quão “bem” ele parecia pra alguém com essa maldição.


A Tainá não tava falando do Luca, mas sim do Nilo, o irmão mais novo que sempre ficava perto dele, mas a dois anos atrás, ele parou de ir nos treinos, mesmo que os pais dele não soubessem disso.


Nilo, o irmão mais novo, entendeu bem cedo o quão “insignificante” ele era quando comparado ao seu irmão mais velho, desde cedo ele entendeu que seu irmão precisava de mais “cuidado” do que ele, o Luca poderia está bem agora, mas isso foi apenas depois de muitas conversas, tratamentos e várias outras coisas que só foram possíveis com o Nilo deixando o que ele mesmo queria de escanteio.


E o mais doido dessa situação era como o Nilo parou de ser o qarta costas do irmão, não por raiva ou rebeldia, mas sim por ele conseguir ver melhor do que ninguém o quanto seu irmão estava se tornando independente depois de tanto tempo, e esse grande salto de independência do mais velho, fez o mais novo ter coragem de ser egoísta e pensar um pouco mais nele mesmo. 


Um egoísmo que seus pais não entenderiam, por ainda verem o Luca como um bebe que não conseguia fazer nada sozinho. 


Graças a isso, o Nilo se tornou muito bom em mentir, ele convenceu o Mestre em uma grande conversa a não falar o que tava rolando pros pais enquanto ele gastava o dinheiro em treinos de futebol. (algo me dizia que o fato dos treinos de futebol serem bem fáceis de ver através do corpo dele deixou mais fácil pro mestre acreditar nele).


Tainá: eu ainda me impressiono que depois de 2 anos, os pais deles não perceberam nada.


Foi a 2 anos que o Nilo começou a fazer isso, e mesmo com muitas coisas “estranhas” que o Nilo fazia, os pais do Nilo normalmente não percebiam, por sempre estarem preocupados demais com o Luca. 


Mas nem o Nilo e nem eu tínhamos raiva dos velhos dele, eles tinham motivos pra perceberem mais no Luca que no Nilo, afinal, eles cuidaram do Luca em seu pior momento, só que eles não precisavam cuidar mais tanto dele agora, algo que seria difícil deles entenderem, mas iríamos fazê-los perceber uma hora ou outra.


João: bom, não é tão estranho de pensar nisso, quando se pensa onde a “paixão” do Nilo estava


Taina: como aquele que mais o apoiou nesse sonho, voce deve ser um especialista nisso


João: é, pode se dizer que sim.


O Nilo era um doido por futebol, alguém tão fissurado pelo esporte que ele fez treinos noturnos por 1 ano, junto dos treinos de boxe, até que eu consegui o convencer a falar com o mestre, e agora ele apenas ficava treinando no futebol enquanto o treino rolava


Eu e o Nilo tínhamos um plano de longo prazo, nós contaríamos a verdade pros pais dos irmãos depois de ele ganhar um torneio grande, ah, nós já imaginávamos o quão terrível seria esse dia, mas eu tava pronto pra ficar com ele, como meu “filho de consideração” apesar da gente ter a mesma idade.


João: (suspiro) tempestades furiosas chegaram na vida dos irmãos


Taina: ainda bem que você já tá preparado pra entregar um guarda chuva pra eles


Joao: hehe, é, verdade.


A Artemis e o Sansão não estavam ali, eles deviam estar já no terceiro tatame, só esperando mais tempo, e enquanto pensava naquilo, a Tainá cruzou os braços, já empolgada pro que iria acontecer


Tainá: (cruza os braços) tá empolgado pra ir “praquele lugar”


Joao: sim, e com um pouco de medo também


Tainá: humpf, normal.


Apesar de falar aquilo, a Tainá tava tentando contar com bastante força a raiva se manifestando dentro dela, de uma forma que me impressionava bastante ainda.


Tainá: eu fiquei tão empolgada quando eu peguei uma faixa colorida, e foi dito que eu poderia ficar no o treino junto com vocês…até que eu descobri que você iria po “nível 3” do treinamento…hehehehe eu fiquei com tanta raiva de você, como se a minha raiva me fizesse te alcançar mais rápido, mas quando eu entendi aonde você iria, só pude sentir que, mais uma vez estávamos em níveis totalmente diferentes.


E colocando minha mão no ombro dela, como uma forma de acalmá-la, eu falei.


Joao: nao se preocupe, tenho certeza que nao tem um quarto nível, depois dessa você vai me encontrar logo depois


Tainá: é, eu espero.


E com aquelas palavras, vimos o mestre entrando na sala, e pra variar, assim que o vimos, entramos em formação, da menor faixa para maior faixa,e depois de cumprimentarmos o Mestre, nos alongarmos, e nos aquecermos, o mestre deixou o Raony para puxar o treinamento enquanto me levava para outro lugar.


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