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Caminho da Vitória 🥊 2
😞teimosia idosa😞
1706 palavras • 9458 caracteres • ⏱ 6 min 49 s

😞teimosia idosa😞

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Existiam vários tipos de contraste, o calor da areia comparado ao frio do mar, a maciez da grama comparada a dureza da terra, a fofura de vários mamíferos, mesmo tendo garras e presas longas o bastante para matar mais de uma pessoa de uma única vez. Mas o contraste mais doido que eu conhecia era o contraste da minha avó pro meu avô.


Eu visitava minha avó constantemente, por vários motivos, principalmente porque a minha criatividade de pinturas ficava maior quando eu ficava perto dela. E sempre que eu a visitava, ela me perguntava sobre o vovô, e eu sempre respondia da mesma forma.


João: ele tá ótimo, só com medo de machucar você


Vovó: ele nunca me machucaria


João: ele não tem certeza disso.


Meu avô tinha virado um lobisomem a três anos atras, e desde então ele parou de morar e ate falar com a vovó direito, com medo de machucá-la, e sabendo muito bem quanto lobisomens podem ser imprevisíveis, principalmente quando entrava em idades avançadas, minha avó esperou. 


Ela sabia muito bem o quão complicados lobisomens eam, e também sabia como seu próprio homem era complicado…não, era melhor dizer que ela sabia perfeitamente e quem era meu avô, sempre que ela falava sobre o vovó dava pra perceber que ela parecia falar do “verdadeiro vovo” não a máscara de “vovó legal “ que ele deixava transparecer na maioria das vezes.


Aconteceu muita coisa nesses 3 anos, eu fi da verde para a azul, e da azul da roxa, junto com várias partidas de boxe, partidas o bastante pra eu ter meu nome no ramo, junto com muitas partidas com o Ivan, um ogro lobisomem e o Marcio, um vampiro zumbi…partidas o bastante pra muitas mídias nos descreverem como rivais, o que tecnicamente nós éramos mesmo.


Mas isso não era importate agora, o que realmente importava era esse tempinho que eu passava com a minha avó, e quanto mais eu desenhava, mais eu senti que fui um idiota por ter ficado tanto tempo sem falar com ela, com minha criatividade em alta, eu criei um peixe cheio de pinturas abstratas…é…é…aquele peixe não era nem um pouco realista, mas esse era apenas uma das pinturas não realistas que eu fiz junto da minha avó.


A Vovó se aproximou de mim, com um sorriso que apenas uma mulher que passou por tudo na vida, descobriu a verdade por traz de muitas mentiras que ouviu em toda a sua vida e que ainda escolheu ser boa no meio de tudo, e falou.


Vovô: é um peixinho dessa vez


João: pois é


Vovô: é um peixe bem bonito.


João: ah, você nem viu o que dá pra fazer com ele.


E colocando um pouquinho de Aura dentro da pintura, um truque que eu aprendi a fazer a bastante tempo, eu comecei a criar o peixinho de tinta na vida real, e quando ele foi totalmente manifestado, ele começou a voar pelo céu, estando em feliz por ter recebido a vida. Ele nadou pelo ar, fez carinho em mim, passou por baixo do meu bracinho, e fez a vovó e eu rimos por bastante tempo, até que ele começou a soltar várias bolinhas pula pula e jogar várias listrinhas pra todo lado.


Vovô: você melhorou bastante


João: é…eu melhorei.


Esses 3 anos significaram muito pra mim, tanto no boxe quanto na vida em geral, no fim, o meu pai tava certo, ter ficado naquele curso de tinta realmente me ajudou a conseguir um dinheiro extra pra ajudar em casa, eu só tenho feito um trabalho aqui e ali pra ajudar em casa, enquanto minha carreira de boxeador não saia do lugar, algo que eu sentia que estava prestes a mudar. 


E como se lesse a minha cabeça, a Vovó falou.


Vovô: e ai querido, você já ta ganhando dinheiro como um boxeador?


Joao: tô quase, eu passei por poucas e boas nesses 3 anos, mas agora vou participar do meu primeiro torneio valendo dinheiro


Vovó: jura? Que legal querido, quando vai ser?


João: daqui uns 5 meses, eu tenho tempo


Vovô: pra se preparar:


João: me preparar…passar um tempo com a Elena, ver alguns jogos de futebol, ver alguns desenhos, eu tenho meses bem cheios


Vovó: e você vai visitar seu avô?


João: vou sim


Vovô: e como ele tá? Acha que ele tá finalmente (fala com voz debochada) pronto pra me ver?


João: ah, eu tenho certeza que sim, tenho certeza que ele vai te chamar


Vovô: seu avô? hehe, acho que não, ele não consegue fazer isso, ele sempre precisou que eu desse o primeiro passo


Joao: talvez ele só não quisesse entender algo errado, desculpa vovó, mas os sinais que as mulheres dão às vezes são muito confusos


Vovó: não vou contra argumentar sobre isso, mas nós já somos casados agora, não tem como ele entender algo errado com meus sinais


João: nos dias de hoje ser casado ou não, não importa muito pra certos casos.


Enquanto eu falei aquilo, me peguei lembrando de vários casos, casos em que mulheres bateram em seus maridos e depois colocavam a culpa neles. 


Ou quando um marido era preso, quando na verdade ele só teve uma discussão com a esposa, onde ele sequer encostou nela. 


Ou o caso mais nojento, casos onde as mulheres se machucavam só pra ter provas de que o marido a machucou. 


Esse tipo de coisa me dava vontade de vomitar sempre que eu ouvia falar.


Vovó: as coisas eram mais fáceis na minha época, as garotas esses tempos tão cheias de frescuras


João: sim e não vovó, sim, tem casos maus e falsos, mas tem casos verdadeiros…de abuso real de mulheres…e por isso eu sei que, apesar de tudo, esse sistema que agente fez, mesmo com muitas falhas, realmente é algo muito melhor do que antigamente.


A minha avó olhou pra mim com um olhar analítico, ela com certeza tava pensando no que ela podia falar para argumentar contra aquilo. 


E enquanto isso, eu pensei em todos os exemplos de mulheres com medo demais para sair de seus parceiros. 


Ou que tinham tão pouca liberdade que os guardas desenvolveram um código pra mulheres conseguirem chamá-los sem deixar o “parceiro” desconfiado. 


Ou o caso em que elas tinham uma autoestima tão baixa que elas sequer conseguiam pensar que valiam alguma coisa sem os monstros de seus parceiros com elas.


João: homens e mulheres sofrem, mas tem muito descerebrado por aí que pensa que só mulher sofre…hoje uma mulher pode te prender sem que você sequer tenha olhado pra ela, e por isso a maioria dos homens está com medo, mesmo um cabeça dura como o Vovô entende isso. É melhor permanecer solteiro a vida toda do que ganhar a fama de…você me entendeu.


Minha avó não falou nada, ela apenas continuou pensando, olhando pro horizonte, até que ela olhou para mim de novo, e falou.


Vovô: estão dando mais liberdade pra um gênero que ainda tenta entender o que fazer com essa liberdade, os mais revoltados estão tentando separar os dois gêneros, e os ainda esperançosos estão tentando se curar…e existem aqueles pego no fogo cruzado, sem ter ideia que estão num campo de batalha…nossa, você chegou num tempo muito ruim pra viver


João: humpf, pior que não, antigamente um monte de caras se juntavam pra espancar e às vezes até matar um cara quando ele fazia algo assim, mesmo que a reputação seja mais danificada, acho que fizemos progresso


Vovó: agora você foi contraditório


João: foi mal…acho que eu só to tentando entender o vovô


Vovo: isso vai levar tempo, querido.


No meio da frase, a Volvo fechou os olhos, e levou o rosto para o horizonte, e falou.


Vovô: o seu avô aprendeu desde bem cedo que ele não podia sentir coisas, e que sentir era ruim, ele teve minha ajuda pra sair desse pensamento, seu pai é a prova viva disso, mas ele ainda tem problema pra se abrir, só a paciência vai te fazer entender seu avô


João: só a paciência se aprende, apenas a paciência cura, a paciência te dá quase tudo


Vovo: tudo menos as coisas que você quer na hora.


Agente deu uma risadinha boba quando ouvimos aquilo, mas apesar da risada, o clima ficou meio pesado, era além das simples coisas que eu falei, era o que não foi dito. 


“Aquela” guerra que nunca acabou, só ficou mais discreta, aquela maldita bandeira que se recusava a desaparecer, não importa quantas vezes nos a queimassemos, e aquele sentimento que aqueles doidos estavam ganhando.


Vovô: não estão não.


Nem questionei como minha avó sabia o que eu tava pensando, a essa altura eu só aceitava.


João: como você tem tanta certeza disso:


Vovô: não é óbvio? Por que você existe


João: o que?


A minha avó então fez carinho na minha cabeça um pouquinho e falou.


Avó: sim, ficou mais complicado de participar dessa batalha, por isso eu, seu avô e seus pais te preparamos, apenas homens que não cresceram e mulheres que não cresceram participam dessa guerra interna, a maioria das pessoas que sofrem disso são pessoas que são desligadas demais para perceberem o que está acontecendo, e eu sei que você não é assim João


João: às vezes ter cuidado não basta


Avó: então fica tranquilo, porque eu, o vovô e os seus pais vão estar aqui com você, tá legal?


Eu tava com a cabeça baixa, mas eu ainda sorri e falei.


João: sim vovô.


Pior que ela tava certa, nao queria generalizar, mas dava muito bem pra saber quando uma mulher era uma feminista extrema e quando um homem era machista ao extremo, e o quanto era facil escapa dessas pessoas, isso se voce nao ligasse de parar de paticipar de certos lugares.


Eu não queria participar dessa guerra de gêneros, mas eu me preparei caso eu fosse colocado dentro dela a força, ou melhor, me prepararam pra isso, olha só, depois de tanto tempo, já tava chegando na hora, então me levantei e falei.


João: desculpa vó, mas tenho que ir


Vovô: claro querido, dá um beijo na Elena por mim


João: claro vovô.


E sorrindo pra ela, sai da casa da minha avó, preparado para aguentar todo o barulho fora da casa dela.


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