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Caminho da Vitória 🥊 2
🥺🥰😨a hora certa😨🥰🥺
1950 palavras • 10992 caracteres • ⏱ 7 min 48 s

🥺🥰😨a hora certa😨🥰🥺

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Alguns dias depois, reservei um dia no SPA com a minha garota, eu respirei bem fundo e apenas aproveitei. 


Era sempre a mesma coisa, eu via como muita gente ali via, mas não parecia feliz, e sinceramente, não entendo essas pessoas, alguém não conseguir ficar feliz em um lugar desses era um dos maiores mistérios da humanidade pra mim.


Claro, era a mesma massagem, a mesma massagem com massagista profissionais, que conseguiam apertar, dobrar e até torcer meu corpo nos pontos certos, onde nenhum resquício de stress e dor conseguia se manter em meu corpo.


Sim, era a mesma sauna, a mesma sauna que tinha o cheiro mais bonito do mundo pela mistura de plantas medicinais que queimava junto do vapor, que me deixavam em transe a ponto que eu conseguia esquecer até as preocupações mais persistentes em minha mente perturbada.


E sim, era o mesmo banho de hidromassagem, a mesma hidromassagem que me fazia sentir que os próprios deuses estavam me segurando nas mãos deles, como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo pra eles.


Pra muitos, isso não era o suficiente, muitos entravam ali apenas querendo uma fórmula mágica pra eles do nada ficarem felizes, mas eles não conseguiriam ficar felizes, porque eles abandonaram os próprios sentimentos a tanto tempo que até a felicidade ficava escondida, mesmo em um lugar de felicidade como aquele.


João: é sinistro como muita gente consegue o que quer…mas perde o que tinha no caminho


Elena: nós também conseguimos o que queríamos e perdemos muito o que tínhamos pelo caminho


João: pode até ser, mas nós não perdemos o que fez nos começarmos e continuarmos nessa jornada pra começar. Você pode perder muitas coisas, mas perder o motivo que fez você começar tudo e perder o seu amor pelas coisas simples é a prova que você já não está vivo, pelo menos não o suficiente


Elena: hum, tem gente que só começa a ter o amor pelas coisas simples depois de velho


João: bom, antes tarde do que nunca


Elena: verdade.


E numa risadinha, nós estamos na banheira de hidromassagem, e eu respirei fundo quando entrei naquela banheira de novo, e na calmaria da banheira, pensei como mesmo que a minha força tivesse aumentado, meu stress diminuindo e meus ferimentos tivessem ficado mais simples, ao invés de diminuir, meu anseio para vir aqui se tornou um milhão de vezes maior que antes, meu anseio de ir nesse SPA, aquele lugar nunca deixou de ser meu paraíso, o mesmo lugar que parecia lavar minha alma de toda a dor, toda a fraqueza e todas as sensações ruins que eu trouxe junto comigo.


E como um ritual também, eu apenas comecei a conversar com a Elena quando nós estávamos na banheira.


João: é engraçado sabe


Elena: o que é engraçado?


João: eu pensei que…depois que eu ficasse mais forte, eu ia apenas parar de vir pra cá, quando meus ferimentos pararam de aumentar, e quando meu corpo começou a curar mais fácil através de todos os meus machucados, pensei que pararia de vir…mas agora, parece que ele lugar se tornou algo bem maior que uma necessidade, se tornou um privilégio, um privilégio de relaxar depois de um mês árduo e honesto sendo boxeador


Elena: e você só sente isso agora? Eu sempre senti que esse SPA era isso, bom pelo menos pra mim


Joao: voce ta no balé desde que era criança, você já deve ter passado da sua fase de “necessidade de descanso” a muito tempo


Elena: é verdade…pros meus pais o que eu precisava era um bom conjunto de sorvete todo o mês, e funcionou muito bem, até eu começar a engordar, então eles mudaram o plano e começaram a comprar muitas bonecas pra mim


João: ah, por isso que seu quarto parece um exército de bonecos?


Elena: não chama eles de exército, pelo que eles viram eu fazendo naquele quarto, eles com certeza vão fugir de mim se ganhassem vida


João: nossa, eu já to imaginando cenas em alta definição que fizeram seus bonecos odiar estarem vivos


Elena: por que só imaginar? Que tal eu te dar uma demonstração?


Um pouco surpreso com o que ela falou, fiquei sem falar nada por alguns segundos, até que eu olhei com muito cuidado pra ela, e falei


João: você, tem certeza?


A Elena demorou pra responder, vendo que eu não recuei, a confiança que ela tava mostrando a alguns segundos atrás, começou a desmoronar, de uma forma que me pegou bem de surpresa.


Elena: sim.


Não era que eu não confiasse nela, mas tinha algo no rosto dela que me deixava claro que ela tava mentindo, mas eu deixei pra lá, tava na cara que ela não queria falar aquilo agora.


Uma vez já de roupões e indo para o nosso armário de coisas, vimos um funcionário no meio do caminho.


Funcionario: bom dia senhor e senhorita, me digam, vocês gostariam de testar uma nova sala de sonoroterapia aqui do SPA?


João: isso vai ser acrescentado na nossa conta?


Funcionário: ah não, só estamos testando a nova sala, pensem como uma cortesia até nós soubermos o quão eficaz a sala é


Elena: (sussurrou) quer apostar quanto que foi um lobisomem que sugeriu isso?


João: (sussurra) um pulmão, e um rim


Funcionário: então, o que me dizem?


João e Elena: nos aceitamos.


Eu tinha alguma ideia do que uma terapia de som deveria ser, mas mesmo assim eu entrei de cabeça totalmente branca, esperando de tudo dali. 


E assim como eu pensava, era uma sala beeeeeeem gelada, era incrível como ela era gelada da maneira perfeita pros roupões que estavamos usando, e assim que agente se sentou em cima de umas cadeirinhas que estavam na sala, nós só fechamos os olhos e curtimos a música um bom tempo.


Hummm, a música estava ooooooootima, eu não fazia ideia de quem era o compositor, mas ele sabia muito bem o que estava fazendo, era uma música que as batidas sempre pareciam tocar na hora certa, o baixo deslizava pelo ritmo, quase como se estivessem passando um rolo de massas na minhas costas, (no bom sentido). As batidas dos pratos eram discretas, mas elas criaram uma harmonia junto com cada ritmo que novamente era difícil de descrever, apenas de sentir.


Eu tava tão relaxado, que junto com o frio, eu tive que abrir os olhos pra não acabar dormindo, e em um tempo que pareceu algumas piscadas pra mim, o funcionário abriu a porta e falou.


Funcionário: a 1 hora de testes acabou.


Nós ainda estávamos um pouco tontos pela experiência, bem felizes, mas bem tontos também.


Funcionários: então, o que acharam da experiência?


João: eu gostei muito.


Eu queria falar em detalhes o que eu gostei, mas eu ja nao conseguia falar mais coisas coerentes já tinha muito tempo, mas a Elena parecia ter bem mais controle do que eu, porque logo ela falou.


Elena: nós gostamos bastante, mas acho que você deveria tentar dar uma forma de controlar o frio da sala, pra impedir que as pessoas lá dentro acabem dormindo


Funcionário: iremos levar isso em conta, obrigado.


E fazendo uma reverência, o funcionário deixou que nós saíssemos, então pegamos nossas coisas e saimos.


E uma vez fora do SPA, nós andamos um pouquinho por aí, até que nos encontramos uma barraquinha de espetinhos e compramos um pra cada, e depois de andarmos um pouco por aí, e falando de brincadeira um pro outro, vimos que tava ficando meio escuro…e então eu comecei a perceber que…já tava na hora, bom, pelo menos na hora em que eu podia dizer sem medo que eu estava pronto, com uma mistura de antecipação e bastante medo, arrisquei.


Joao: entao…voce quer ir pra minha casa, ou pra sua?


A Elena não respondeu imediatamente, como se tivesse processando o que eu acabei de falar, ela se virou pra mim, sorrindo.


Elena: eu quero te mostrar a minha primeiro.


Ela tentou parecer a mais calma possível, mas eu conseguia ver o nervosismo no sorriso dela, mas mesmo assim, com um caminhar confiante, ela começou a me guiar pelos prédios…com ela até me levando pelo ar, em ilhas diferentes…e pela forma como ela tava nervosa, já dava pra ver que ela sabia o que iria acontecer, mas tava tentando se manter calma.


João: você tá com medo?


Elena: você só vai visitar a minha casa nova, não tem nada demais nisso.


E depois dela falar isso, ela ficou sem falar nada por algum tempo, e no meio do caminho, eu falei.


João: Elena, você sabe que eu não sei ler mentes, se você quer isso, é só dizer…mas se você não quiser, irei respeitar sua decisão.


A Elena respirou fundo depois de eu falar aquilo, eu quase conseguia ouvir o rosto dela fervendo pela cara que ela tava fazendo.


Elena: e você quer?


João: sim.


A franqueza das minhas palavras pegou a Elena de surpresa…tanto que ela parou no meio do caminho.


João: toda a preparação que eu fiz toda a minha vida, ela tá pronta, se você quiser…“tentar” a partir de agora, por mim tudo bem.


O rosto que a Elena fez nessa hora me pegou muito de surpresa, ela sempre parecia tão pronta pra nós “tentarmos”, mas agora, ela parecia uma gatinha assustada.


Elena: achei que você queria aprender a viver sozinho antes de passar a vida inteira comigo 


João: e ainda estou aprendendo, mas depois de tudo que fiz, sinto que posso deixar esse ensinamento por último…mas de novo, eu só vou fazer isso se você quiser.


E de novo, aquele rosto de garotinha assustada apareceu, ela estava confusa, não por não me amar, mas porque…talvez, apenas talvez, esse momento, onde agente “tentava” que agente realmente ficasse junto de uma forma que nenhum anel poderia significar algo, era de uma forma bem especial pra ela, a ponto que ela nunca chegou a pensar muito fundo na “coisa real”. E agora que ela tava tão perto, ela tava literalmente sendo obrigada a olhar tudo aquilo, e com vários pensamentos confusos a noite, ela falou.


ELena: ah não, eu não quero


João: tem certeza?


Elena: sim, eu tenho.


E depois de falar aquilo, nós continuamos andando, com meus sentidos um pouco mais fortes depois de todas as coisas doidas que eu fiz, e conseguia ouvir o coração da Elena batendo forte, e o meu também tava.


A casa da Elena era bem tranquilinha, ela era cheia de bonequinhos, tanto bebês quanto ursinhos, ela tinha um quadro bem grande no quarto, daqueles que transmitiam desenhos, e a sala dela não tinha sofá, parecia apenas um lugar onde ela praticava o balé e a capoeira.


Agente ficou um bom tempo conversando sobre…bom, coisas que agente teria que conversar alguma hora, sobre quem iria fazer as tarefas por vez (será dia sim dia não) quem ficaria em casa pra cuidar do bebe (ela) quem iria ficar com o bebe quando nós dois tivéssemos ocupados (meus pais ou os pais dela), e outras bobagens assim. Quando terminamos, eu falei.


João: eu até perguntaria se poderia dormir aqui, mas acho que não é uma boa ideia


Elena: unhm, desculpa.


E com muito cuidado, me aproximei e fiz carinho na cabeça dela, era bem raro eu ver esse lado dela, normalmente ela era sempre tão confiante, mas ali, ela parecia tão frágil.


João: não se preocupa, momento certo vai chegar


Elena: sim sim, claro.


Eu já tinha visto muitas histórias, muitas mesmo, onde quando uma pessoa dizia que “não era a hora” era porque ela estava escondendo alguma coisa…mas eu arrisquei quebrar a cara e confiar nela…mas assim que eu saí da casa dela…não consegui ir pra minha casa…não, eu precisava de um pouco de…conselho espiritual


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