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Caminho da Vitória 🥊 2
🙂‍↕️🙏🙂‍↕️olhos brancos🙂‍↕️🙏🙂‍↕️
2363 palavras • 13245 caracteres • ⏱ 9 min 27 s

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Não demorei muito pra chegar em casa depois de todos os papos doidos que eu tive com meu pai…porque além de passar um tempo com meus velhos, eu também tinha pensado bastante em fazer desenhos novos, eu ainda estava no grande dilema se eu deveria apenas deixar minha imaginação fluir ou se eu deveria só fazer algo com mais calma, e no fim, eu fiz uma grande mistura dos dois. 


Pra começar, eu fiz um círculo, um círculo que eu ainda não tinha ideia como fazê-lo simetricamente, mas depois de uma cota de 1000 desenhos ultrapassados, eu cheguei à conclusão que eu nunca chegaria em um desenho simétrico, então só deixei assim.


Depois comecei a decorar o desenho com várias ondulações em estilos diferentes, um vermelho que era quase uma fita, ia do ponto A ao ponto B sem fazer cerimônias, o azul, que era todo torto, parecendo quase a linha de uma criança que estava desenhando, mas era propositalmente torta também, e com simples pontinhos irregulares no meio de tudo, quase como se fossem pequenas ilhas no meio de toda a confusão de cores e liguei tudo pintando o resto com amarelo. E sem nenhuma cerimônia, fiz pequenas ondinhas, de amarelo e vermelho, como grandes labaredas, consolidando esse desenho como um “sol clássico” por mais imaginativo que as cores fossem.


Joao: ei, olha, eu consegui, eu…


E mais uma vez eu percebi, que eu tava sozinho…acho que eu fiquei tão acostumado em ter sempre alguém aqui do meu lado, que eu nunca pensei no que fazer quando não tivesse ninguém.


Bom, enquanto mudava minha paleta de cores principal e começava a desenhar de forma quase desengonçada, comecei a pensar que, mesmo se eu quisesse, não tinha muito o que fazer, o ser humano era um ser sociável, afinal, a muito tempo atrás, quando literalmente tudo nesse lugar queria nos matar, ficar “isolado do bando” não era apenas questão de ser taxado de esquisitão, ser o “isolado do bando” significava ficar mais fácil de predadores te matarem, e mesmo depois de milhões ou até bilhões de anos desde aquilo, esse medo ainda estava incrustado em nosso DNA, o medo de que “se eu ficar isolado de tudo e todos, eu irei morrer”...e não tinha nada que eu podia fazer pra mudar isso, esse instinto manteve minha espécie viva por tempo demais para eu fazê-lo desaparecer assim.


João: realmente não tem nada que eu possa fazer?


Eu falei isso mais em voz alta, não pensando muito que alguém fosse responder, falar em voz alta torna pensamentos bem melhores, e quando eu voltei finalmente minha atenção ao desenho, vi que eu tinha feito um desenho de uma bigorna imensa com a palavra “solidão” em cima de um bonequinho sem nome…ah não, não não não, e não gostei disso, nem um pouco.


E frustrado demais que o meu pintor inconsciente desenhou, virei as páginas, e comecei a desenhar de novo.


Dessa vez, eu pintei a “solidão”, mas não como um grande peso, mas como um guarda chuva, que deixava que um bonequinho dormisse, enquanto um grande sol, que tinha o nome de “atenção” tentava queimar o bonequinho.


E depois de fazer aquilo, comecei muitas vezes a fazer outros desenhos, por exemplo um desenho que um bonequinho estava correndo numa esteira, enquanto  um bonequinho laranja, com a palavra “ansiedade” no peito, o motivava a continuar correndo.


Haha, fazer esses bonequinhos ficou bem divertido, depois eu fiz um desenho bem romântico, onde um bonequinho da tristeza, dava dicas pra um rapazinho pra se aproximar de uma garotinha, que tava sendo confortada pela própria tristeza também.


E finalmente, eu desenhei uma pintura super pessoal, onde eu pintei um grande boxeador sendo motivado pela ansiedade, enquanto a raiva dele jogava baldes de água na cara dele e a determinação massageava os ombros dele, o impedindo de parar…



Mas assim que eu terminei esse último desenho, percebi que…eu ainda tinha um tempo absurdo sobrando…e olhando em volta, vi que não tinha nada pra arrumar, eu já tinha varrido a casa por mais profundo tédio…e por algum motivo, eu nao tava muito no clima pra ver desenho hoje…

Percebendo o quão difícil tava sendo ficar naquela casa, decidi me arrumar e sair pra dar uma volta, mas de novo, parecia estranho demais sair sozinho…ao mesmo tempo que…eu ainda queria fazer isso, pra entender melhor como é viver sozinho de verdade.


Saindo com a minha prancha, mas ainda bem disposto a caminhar um pouco mais, eu andei um pouco pelo arquipélago, eu não sei até que ponto eu fiz aquilo de forma consciente e quanto eu fiz inconscientemente, mas de alguma forma, acabei dentro daquela grande minhoca de pedra imensa que ia direto para o mar vermelho.


Quando desci para o arquipélago dos vampiros, apesar de todo o calor, radiação e milhares de coisas que ouriçavam meus sentidos ao máximo. Existia uma sensação que fazia todas as outras se calarem, como um chamado…e o chamado vinha exatamente do grande prédio que os vampiros deram permissão pra eu entrar…ou melhor, o templo que a Deusa da Escuridão permitiu que eu entrasse.


???: venha me encontrar.


Eu nunca tinha visitado aquele templo, e apenas recebi permissão pra ir lá, e quando cheguei, achei irônico como o templo era absurdamente parecido com o templo que ficava no mar azul, só que a diferença era que aquele templo era uma grande pirâmide feita completamente de lava.


Mas eu não senti medo, confiando que a pirâmide não iria me queimar, assim como a pirâmide de água no Mar branco não conseguia me molhar, confiante, mas anda com um pouco de medo, pisei no primeiro degrau daquele lugar, e como eu imaginei, a lava não encostava em mim, como se uma barreira invisível estivesse entre mim e a lava.


Após ver que eu estava certo, entrei sem medo no no templo, vi que era bem fresco lá dentro, como se um feitiço de frio tivesse sido instalado ali, existiam muitas salas e eu entrei na mesma sala que eu sempre entrava quando eu ia pra esse templo no mar azul, e a maior diferença até agora, foi ver como tinham 5 almofadas ali, ao invés de só uma almofada vazia…


Mas eu não liguei, só me sentei na almofada vazia e comecei a meditar, ah, e começou, aquela sensação mágica, que eu nunca me cansava, bem devagar, minha aura começou a cobrir todo meu corpo, dos pés até o fio mais fino da cabeça…

Eu já tava esperando que minha alma fosse jogada de novo pro espaço, bom, não aconteceu, eu sai do meu corpo e comecei a flutuar como sempre em forma de alma, mas eu me senti exatamente no mesmo lugar.


Com um pouco de medo que eu fiz algo errado, abri os meus olhos, vi que não estava mais na terra, eu estava em…um espaço escuro, eu estiquei minhas mãos e pés, tentando ver se tinha algum lugar pra eu me apoiar, mas não tinha, bom, pelo menos até eu desejar bem forte um lugar de apoio, então, comecei logo a pisar em um chão, mesmo que eu sentisse que aquele chão, na realidade não existia.


???: tudo pode existir aqui, ao mesmo tempo que não precisa existir


Aquela voz, aquela voz mandou um gelo na minha espinha, mas por mais sinistra que a voz parecesse, de forma contraditória, meu coração me dizia que essa não era uma voz maligna, tinha um certo carinho que eu podia apenas entender por causa do meu poder.


???: fico feliz de não ter sido apressada em mandar você pra cá.


Eu olhei ao redor, tentando entender de onde vinha aquela voz, mas tudo que eu conseguia ver eram duas luzes estranhas na minha frente…até que eu entendi…não eram luzes, eram olhos, olhos imensos, que mostravam que eu era só uma formiga pra ela, ou talvez até menos que isso.


Fiquei com um pouco de medo e olhei pras duas faíscas imensas de luz ao meu redor…nossa, ela era enorme, milhões de vezes maior do que dragões, ela facilmente poderia devorar planetas com essa forma


???: e essa nem é a minha forma fial hihihihihihihi.


E com um carinho de escuridão na minha cabeça, os olhos brilhantes imensos no meio das sombras brincaram comigo, um pouco sem palavras pela incredulidade de poder que os deuses podiam manifestar na frente dos vampiros, tentei me acalmar, dizendo pra mim mesmo “se acalma, nada mudou, ela é a mesma Jacy que cuidou de você por muito tempo, ela ainda é a Jaci.


???: sim e não, eu ainda sou a Jacy, mas como você descobriu, os vampiros me chamam de, Una


Joao: eu…sei…(respira fundo) por que voce me chamou?


Una: ah, por favor, não fique com medo de mim, eu fiz o grande favor de te levar até aqui, pelo menos fique grato de eu confiar essa forma a você, não é qualquer um que virá a exceção de ver essa forma além dos meus filhos.


João: é só questão de costume Una…voce é apenas…enorme


Una: é, tô acostumada a ouvir isso, mas me fale, você pode me mostrar seus desenhos?

João: ah, claro, claro.


Depois de falar sobre meus desenhos, eu acabei de imaginar um pouco das coisas que eu fiz, e criei eles ali, no vazio do escuro, e quando os desenhos foram em direção dos olhos gigantes, Una falou.


Una: ah, é muito lindo, você quer falar alguma coisa sobre eles? Eu gostei principalmente desse desenho do sol


João: foi o único desenho que pude fazer antes de entrar na espiral da solidão…ficar tanto tempo sozinho em uma casa é bem mais difícil do que pensei


Una: e qual é a dificuldade que você está passando?


João: bom, é que antes eu sempre tinha alguém pra conversar, alguém sempre pra mostrar as coisas que fiz, alguém pra apenas perguntar coisas aleatorias, alguem sempre tava ali do meu lado pra qualquer doideira que eu estivesse fazendo…mas agora, eu só ouço o silêncio, não um desesperador que faz as pessoas ficarem loucas, ou os perigosos que era quando os pensamentos pessimistas dominam as pessoas, mas é um simples silêncio de só pensr que eu estou por conta própria, quando eu faço algo bom ou ruim e ninguém está lá pra compartilhar esse momento comigo…com meus planos, sei que esse sentimento não vai durar muito, mas eu ainda quero muito dar um jeito nesse sentimento de desconforto quando eu to sozinho, para eu ter certeza que “isso” não irá se tornar algo perigoso no futuro..


A Deusa da Escuridão ficou alguns segundo olhando pra mim, e então fechou os olhos, me jogando na escuridão total, e se ela estava pensando, só iria dizer que foi uma via de mão dupla, porque eu também pensei bastante enquanto ela não voltava, e quando voltou, ela falou.


Una: esse sentimento de solidão que você tá sentindo não é perigoso, nem uma aberração, é apenas o desejo de validação, você se acostumou tanto tempo que sempre teria alguém do seu lado pra compartilhar sua alegria, felicidade e conquistas em tudo, que você não sabe o que fazer quando está sozinho


João: então, o que eu deveria fazer?


Una: aprenda a viver sozinho, quando esse sentimento vier, não o rejeite, ou pense que pode destruí-lo, apenas o abrace, tente entender o que exatamente você sente falta naquele momento, apenas aprenda a ter um sentimento parecido, mas sem a companhia de ninguém


João: é realmente possível aprender a fazer isso?

Una: você aprendeu a treinar sozinho, a cozinhar sozinho, a lavar roupas sozinho, e até a arrumar suas coisas sozinho, por que aprender a se divertir e passar o tempo consigo mesmo seria tão diferente de todas essas coisas?


E com uma epifania absurda, eu fiquei tão impressionado com aquela fala que o chão que eu coloquei em meus pés desapareceu, e eu apenas fiquei flutuando no escuro de novo, apenas olhando aquele gigantesco ser de olhos brilhantes e voz sinistra na minha frente.

E tudo que eu conseguia pensar era “como algo tão sinistro conseguia ser tão bonito?”


Una: ah, para, você vai me fazer corar.

João: tendo uma deusa como a senhora, eu entendo como os vampiros tem uma Aura tão poderosa


Una: ah, mas eu sou a mesma Jaci de sempre, você mesmo disse isso, os vampiros apenas aguentam a minha divina presença um pouco mais que outras raças


Joao: algo me diz que não será a última vez que verei a senhora


Una: isso e espero, conversar com você como a Lua foi tão divertido, me faz pensar como será lindo conversar com você como a própria Escuridão, agora João, acorde.


E assim que ela falou isso, ela fechou os olhos e me deixou no escuro, bom, depois daquilo eu respirei fundo, fechei os olhos, e quando os abri de novo, de novo, de forma tão instantânea quanto eu tinha entrado, voltei ao meu corpo real.


Quando me levantei, foi doido como mesmo com todo aquele papo da Una sobre ser uma versão bem maior e mais poderosa do avatar Jacy, meu corpo não sentia que eu tinha ficado frente a frente com um ser superior, mas como se eu tivesse sido jogado em uma grande banheira de pura água sagrada. Eu não estava mais fraco, cansado ou desgastado depois de encontrar a Deusa da Escuridão, não, meu corpo, na verdade, parecia bem mais forte depois de eu ter encontrado a Deusa…e testado um pouquinho esse poder, eu dei um soco no ar, sentindo uma grande potência…


OOOOOOOH, é mesmo, eu quase tinha me esquecido de algo bem importante, teria um torneio no reino dos vampiros, e eu teria uma boa chance de me encontrar com um grupo de pessoas que eu não via já tinha um bom tempo…na verdade, esse torneio com certeza teria muitas chances e eu ter uma conversa de punhos com muitos amigos meus.


Mas quanto mais eu pensava nisso, mais eu pensava que tinha um templo do mar azul que eu ainda precisava visitar, eu ainda teria uns dias antes do torneio, e todo mundo com certeza estaria mais disponível amanhã, eu só precisava chamá-los com calma.



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