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Caminho da Vitória 🥊 2
😍outro tipo de amor😍
1597 palavras • 8874 caracteres • ⏱ 6 min 23 s

😍outro tipo de amor😍

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Antigamente, eu via aquelas peças apenas pensando nos sentimentos por trás da Aura, mas agora, quando eu via aquela peça, eu conseguia ver algo muito melhor que apenas o sentimento, a força, a precisão, o trabalho por trás, as dificuldades em cada movimento, seja ela como obstáculos e/ou como motivadores, e isso era apenas o começo das doideiras que meus olhos podiam ver agora, havia dias que eu imaginava se chegaria a ver o bater das asas de um beija-flor da forma que a minha visão estava mudando.


Em meio aos meus devaneios, quase fui pego de surpresa, mas em uma reviravolta interessante de tudo, meus sentidos super aguçados, de alguma forma se aprimoraram pra saber sempre quando a Elena tava por perto, e saindo dos meus devaneios, eu olhei pro lado e vi aquele esvoaçante e lindo cabelo encaracolado e pele morena, já em seu vestido incrível de gatinhos raivosos.


João: eu amo esse vestido


Elena: obrigada, é o meu favorito também.


E colocando as mãos atrás do corpo, a Elena moveu um pouco pra me mostrar com cuidado o vestido favorito dela.


João: eu gosto de quando você interpreta “a dançarina”, por mais épico que os papéis de “rainha”, “comandante” e “fada madrinha” sejam, ter um pouquinho do simples às vezes também é bom


Elena: o que eu posso fazer? Sou a estrela desse lugar


João: e ai: ta pronta pra gente ir no SPA semana que vem?


Elena: só falta isso pra gente fazer, né?


João: só isso, e mais outra coisinha, mas ainda precisamos esperar mais. 


E com um rosto vermelho, mas que não tinha nenhum pouco de medo e vergonha, ela falou.


ELena: uma coisa de cada vez João, não esquece que temos que aprender mais coisas se quisermos realmente fazer isso


João: eu sei, eu sei, mas me fala, já tá num templo grande?


Elena: ficou mais fácil com minha corda preta, mas ainda não to em nada grande, vou precisar de mais tempo.


E fazendo carinho na cabeça dela, falei.


João: todos nós Elena, todos nós


Elena: e ai? a minha peça te fez aprender alguma coisa


João: muito mais do que antes…mas não é apenas por causa da peça.


A ELena não ficou ofendida com o que eu falei, ela parecia entender até bem demais o que eu falava, e quando eu comecei a pensar demais naquilo, afastei a mão da cabeça da Elena, e olhando pra minha própria mão, eu falei.


João: desde que lutei com o meu avô, sinto que eu estava cego o tempo todo, e apenas agora eu consigo ver claramente tudo a minha volta…as lições que eu aprendi vendo sua peça antes…parece fichinha perto das coisas que eu aprendo agora…fico imaginando se uma hora isso vai parar


Elena: eu te garanto, que não vai.


Um pouco surpreso, olhei pra Elena, tentando entender o que ela quis dizer, e me olhando de forma bem séria, ela falou.


Elena: você não está usando óculos João, você cresceu, como um adolescente que consegue pegar o pote de biscoitos que não conseguia quando criança, aquela batalha fez você entender um pouco melhor tudo a sua volta, e por mais que você possa regredir um pouco, já que afinal, isso parece informação demais pra você entender agora, sei que você irá aprender algo que irá te mudar completamente


João: de qual templo você aprendeu isso:


Elena: de nenhum, um raciocínio doido que eu mesma fiz


João: hum, isso deixa mais fácil de perceber que você tá com informações faltando


Elena: (cruza os braços) eu tô?


João: você fala como se eu ainda tivesse só arranhando a superfície do que aprendi, como se não conseguisse ver o que tem dentro, mas agora eu já to indo pra cima de dragões, dragões de verdade, não aqueles alunos que estão aprendendo com o Guaracy…


Aqueles últimas palavras saíram com mais empolgação do que eu pensei, e antes de eu perceber, eu tava agarrando os ombros da Elena e a sacudindo pra frente e pra trás.


João: EU JÁ TÔ NO TOP 5 ENTRE OS 5 MELHORES CONTRA DRAGÕES COM NADA ALÉM DAS MINHAS PRÓPRIAS MAOS…


Eu tava muito empolgado, até eu ver que eu tava segurando ela bem forte, ela não parecia incomodada, mas eu ainda a soltei com cuidado. E como se amasse o pequeno medo que eu tava no meu rosto depois de ver o que eu fiz, ela falou, ficando beeeeeem perto de mim.


Elena: realmente impressionante, é quase impossível acreditar que você tá incompleto.


E dessa vez nao neguei a fala da Elena, porque ela estava certa, essa busca incessante que eu tinha pela força que eu busquei quanto mais tempo se passava, mais eu sentia que eu estava a quilômetros de chegar na linha de chegada, mas eu não ligava, ser “o mais forte do mundo” era um bônus, um sonho infantil de criança, meu objetivo era muito maior que isso, e quando pensei naquilo, aproximei a morena de mim pra dar um beijo nela, e depois falei.


João: não preciso ser o mais forte do mundo, só precisa ser forte o bastante pra proteger você


Elena: você sabe que não dá pra saber se você vai conseguir me proteger, você pode ser o segundo homem mais fraco do mundo e tentar me proteger do primeiro mais fraco, ou você pode ser um campeão mundial, mas a pessoa mais forte do mundo pode me ameaçar amanhã, nunca se sabe.


Ela falou aquilo enquanto enrolava os braços em meu pescoço, como se tivesse medo que eu a soltasse, mas eu apenas a segurei pela cintura, me levando pra mais perto dela.


João: é por isso que eu treino todo dia, porque quando esse campeão poderoso vier até mim, eu vou estar pronto


Elena: tá bom, se você diz.


Depois de falarmos aquilo, nós saímos do teatro, e ficamos andando por um tempo.


João: aaaahn, você realmente tá tranquila em vir morar comigo?


Elena: ah, por favor João, comparado no que agente tem planejado, morar junto é de longe a última coisa que você devia se preocupar


João: é que tem tanta mulher por aí que roubam as casas dos maridos, não fica com raiva de eu estar paranóico


Elena: pff, com uma avó como a sua…(sua frio) duvido que eu conseguiria sua casa mesmo se quisesse


Joao: hehehe…é mesmo…tenho certeza que a vovó conseguiria convencer até um chefão da máfia se tentasse


Elena: e que garantia você tem que ela já não fez isso?


João: nenhuma, por isso que é tão legal.


E mesmo depois de tudo aquilo, ainda tinha algo não dito, algo que nós sabíamos que precisávamos falar alguma hora…não importa o quão doloroso fosse.


Joao: entaaaaaaao, você quer que o nosso casamento seja como?


Elena: depende, de que modo você quer?


Joao: pra mim tanto faz, nunca liguei muito pra casamentos


Elena: eu também não…


Ela falou aquilo enquanto apertava minha mão com mais força, mas não com medo, mas sim com empolgação.


Elena: quero mostrar de outra forma pras pessoas que eu te amo.


Eu sorri ao ouvir aquilo, pra mim, casamentos sempre foram complicados demais, cerimônia demais, compromisso demais, emoção demais, tudo demais. Eu amo a Elena e ela me ama, e pra mim issos basta, e o pirralho que agente teria logo seria a maior prova do nosso amor, não um papel com nosso nome ou um anel no dedo, mas sim uma criança. 


E quanto mais eu pensava nisso, mais eu entendia melhor o problema real que o Ivan tava passando com a namorada dele, porque apenas imaginar o inferno que era discutir o dia todo com alguém tão diferente de você deve ter sido bem complicado.


João: entaaaao, falta quanto pra você se sentir segura?


Elena: eu já tenho o bastante pra ter minha própria casa, só to esperando aprender a cuidar de mim mesma, sabe, pra conseguir cuidar direito de uma criança


João: claro, eu ainda nem desempcotei todas as minhas coisas


Elena: meu deus, você realmente tem muito o que fazer


João: é, mas nós temos tempo


Elena: é…nós…temos.


A Elena era uma garota durona, eu sempre admirei muito isso nela, mas apesar do quão empolgados estavamos, eu conseguia sentir entre nós o medo de estarmos quase conseguindo, porque não importa o quanto nós queríamos isso, uma criança ainda é uma criança, ela ia acabar com agente, esgotando nosso dinheiro, energia e ate nossas almas.


Mesmo assim ainda queria tentar a sorte, queria acreditar que eu estava pronto pra cuidar dela e do bebe, mas com esse momento quase chegando, só conseguia pensar, “será?” “e se eu falhar?”. E vendo como a Elena segurava a barriga com cuidado, sabia que ela devia pensar a mesma coisa, mas então falei.


João: ai, fica mais calma, vamos guardar o desespero pra quando ele vier, ta bom


Elena: é, tem razão.


Mesmo que ela dissesse aquilo, ela ainda colocou a mão no ventre de novo, pelo que ela tinha que passar, o desespero dela com certeza era algo beeeeeeeem compreensível, mas ajudando da melhor forma que tinha, segure forte a mão dela e isso pareceu acalmá-la.


João: lembra, “tudo vai ficar bem enquanto estivermos juntos”


Elena: é…é…tudo vai ficar bem…enquanto estivermos juntos.


Nós teríamos ajuda da minha familia e a família da Elena, mas no fim de tudo, nós dois teríamos sempre que contar um ao outro primeiro antes de contar com mais alguém. 


Na maioria das vezes era a morena que me lembrava disso, mas eu até achava legal eu ter que lembrar aquilo pra ela pela primeira vez, hehe.


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