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Caminho da Vitória 🥊 2
😵‍💫os que realmente merecem😵‍💫
2084 palavras • 11682 caracteres • ⏱ 8 min 20 s

😵‍💫os que realmente merecem😵‍💫

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Já haviam se passado mais de 4 anos desde a minha luta com o vovô, e quanto mais eu lutava, mais eu percebia que mesmo perdendo pra ele de novo, eu tinha mesmo aprendido algo maior que qualquer gosto de vitória poderia me dar…


Era difícil explicar o que eu ganhei, era mais fácil explicar a sensação, a forma como meu corpo se movia, caminhos pra transportar minha Aura que eu sequer conseguia pensar antes, movimentos arriscados que eu tinha medo de fazer antes da batalha…


E esses eram apenas os exemplos mais fáceis de explicar, por milhares de vezes, eu sentia coisas em meu corpo que eu sequer podia nomear, mas pros meus oponentes, eu só fiquei mais forte, mais rápido e mais ágil, do nada, e pra mim isso funcionou muito bem.


A mídia ficou surpresa com a minha mudança, do dia pra noite, eu passei de um Sapien forte, mas que pros padrões da elite do lugar ainda era um lutador de terceira categoria, pra uma força da natureza que conseguia fazer vampiros fugirem da luta por terem suas regenerações canceladas.


E usando e abusando desse novo poder, querendo descobrir todos os detalhes desse meu novo poder, me transformei em uma aberração capaz de ir mano a mano com dragões. 


Mesmo que eu ainda não conseguisse ganhar uma medalha de ouro no mar branco, eu tava constantemente no top 5, e considerando que era apenas eu e mais um vampiro totalmente doido naquele top 5, (os outros 3 lugares sempre tinham dragões), isso significava muita coisa.


Minha casa ficou com tantas medalhas, que com o tempo tive que deixar uma sala separada pra elas…mas apesar de eu amar bastante aquelas medalhas, eu tava bem mais interessado nas intensas batalhas, onde a cada dia eu me machucava menos, deixando de sangrar tanto quanto antes.


Depois de lutar, apanhar e “morrer” tantas vezes, o meu corpo se acostumou, renasceu muitas vezes, até ser capaz de receber um soco de corpo todo de um dragão e sair sem nenhum arranhão, e mesmo quando me machucava, meu corpo não se machucava mais tanto quanto antes 


Não importa o quão felizes ou duros sejam os dias, Homo Sapiens foram geneticamente modificados e aprimorados pra se adaptarem e se acostumarem, era a carta na manga da minha raça, e uma que eu usei e abusei desde que eu entendi qual era o meu sonho.


Mas talvez a coisa mais doida que aconteceu nesse meio tempo foi minha relação com meus rivais, ou melhor, rival, sim, o Ivan, apesar de tudo, ainda lutava comigo, e nós dávamos um show de hostilidade em frente os jornalistas, mas longe dos holofotes, nós éramos grandes amigos. 


Na verdade, as vezes, pela forma como ele falava comigo as vezes, parecia que eu era o amigo mais próximo que ele tinha, e considerando o quanto lobisomens levavam o lance de “união” a sério eu sabia que isso significava muita coisa.


Nessa nova paz que ganhei após me acostumar a dor, mesmo que um pouco, eu sempre encontrava um tempinho pra passar com meu avô, e por causa disso eu encontrava o Ivan muitas, mas muitas vezes, já que os dois eram lobisomens, e então eles viviam no mesmo canto da alcatéia.


Mas agora, o Ivan não vinha pra mim pra lutar, não não não, ele vinha até mim todo tempo para beber.


Bom, ele bebia, eu apenas ficava com meus sucos enquanto ele ficava bêbado e reclamava sobre tudo, enquanto chorava profundamente.


E a choradeira da vez foi que ele terminou com a namorada dele, mas estava com problemas pra partir pra outra…não sei se deveria falar aquilo em voz alta, mas pelo que ele me contava da namorada dele, eu só podia pensar “já tava na hora”.


Ivan: É QUE, TIPO ELA SEMPRE PARECEU A GAROTA CERTA, SEMPRE TAVA ALI, ELA ME FEZ TÃO BEM, E UMA NOITE EU SIMPLESMENTE, ENLOUQUECI, TERMINEI COM ELA, E AGORA NAO SEI O QUE EU FAÇO


João: você vai continuar vivendo, provavelmente vai ficar sozinho por um bom tempo, mas no fim pode acabar encontrando alguém legal…


Ivan: AH NÃO, NÃO NÃO NÃO JOÃO, JÁ CANSEI DE FÊMEAS POR ENQUANTO, A PARTIR DE AGORA VOU SER CASADO COM MEUS PUNHOS.


Ele falou aquilo enquanto dava um beijo em suas mãos fechadas, e com um tapinha nas costas, falei, tentando esconder meu orgulho da decisão dele.


Joao: esses ai nunca vão te trair


Ivan: hic…ela nunca me traiu…hic…agente só não se dava bem…hic…e por causa disso que agente terminou


João: é o melhor mesmo, sem ofensas cara, mas você não tá em condições de escolher uma boa parceira


Ivan: ela era horrível, não é?


João: pela frequência que você lutava comigo? Tava na dúvida como você aguentou ela por tanto tempo


Ivan: EU ACREDITEI QUE ERA AMOR VERDADEIRO…mas eu tava errado.


A língua do lobinho sempre ficava mais solta quando ele bebia, ao mesmo tempo que os punhos dele, então eu também vinha aqui pra garantir que ele não acabasse fazendo nada idiota, e considerando que muitas vezes ele quase começou uma briga de bar, acho que eu estava sendo de boa ajuda.


João: todo mundo erra Ivan


Ivan: é, mas eu insisti no erro, agente sempre foi muito diferente, eu gostava de lugares doidos e agitados, ela gostava de lugares quietos e calmos, eu gostava de festas e farras, ela era uma coruja noturna, eu amava filmes de pura adrenalina, ela amava romance e drama, ela não queria ter filhos, eu queria ter um time de futebol…mas agente se amava, e pensamos que se agente tentasse bastante, iríamos dar um jeito, mas quanto mais tempo se passava, agente só descobriu o quanto agente tava errado


João: vocês sequer pensaram em se casar?


Ivan: agente até tentou, mas as nossas ideias de felicidade de casamento, assim como todo o resto, eram diferentes demais, e nenhum de nós queria desistir dos próprios sonhos, e mesmo não sendo mais minha garota, eu tenho um respeito bem grande dela por isso. No fim, agente apenas conversou, como adultos, e decidimos que ia ser mais fácil se nós fossemos só amigos


João: vocês realmente conseguem ser amigos? Depois do que passaram?


Ivan: na verdade, foi ainda melhor nos sermos só amigos do que agente tentar continuar sendo namorados, sem o peso de “compartilhar tudo com ela”, “concordar sempre com ele” e “vocês precisam sonhar a mesma coisa sobre ter filhos” os papos ficaram mais fáceis.


E com uma claridade possível apenas com o álcool, ele falou.


Ivan: muitos se perguntam se dá pra homens serem só amigos de mulheres, mas tem certas relações que só dão certo se for amizade, e nada mais


João: você virá um filósofo quando tá bêbado Ivan


Ivan: tem certas coisas que você só entende quando alguns de seus sentidos estão desligados, monges antigos apenas chegavam a iluminação depois de alucinar após ficarem em jejum por muito tempo, muitos rituais de meditação e iluminação usam ervas, plantas e insetos que fazem a consciência ir pra lugares bem longe do corpo, o entorpecimento de certos sentidos, se feito da maneira certa, pode iluminar o caminho para o grande barco de pensamento, como um farol no meio da névoa densa


João: mas nem todo mundo entende como fazer isso do jeito certo


Ivan: sim, por isso na minha opinião, só os sábios deveriam ter o direito de ficarem entorpecidos, porque a usa-lo direito


João: e o que se diferencia um sábio de quem não é sábio? Realmente dá pra colocar uma régua entre pessoas que merecem uma cerveja e quem não merece?


Ivan: Nós já criamos esse padrão João, jovens de menos de 20 anos, ou o que é considerado adulto pra cada espécie não podem beber. E sabe por que?


(ex: 80 anos de vampiro=20 anos sapiens)


João: sei, é porque crianças que bebem normalmente não se desenvolvem direito


Ivan: essa é a explicação científica, mas a espiritual é a seguinte. Uma pessoa jovem está em formação, ficar entorpecido, no fim de tudo, é se soltar das suas amarras cerebrais, e apenas alguém que conhece suas amarras cerebrais, ou um grupo que reconhece suas amarras cerebrais deveria ter esse direito de ficar entorpecido, porque apenas pessoas assim conseguem realmente desbravar o mundo dos sentidos alterados e distorcidos sem acabar machucando ninguém.


Eu realmente não sabia que tipo de coisas o Ivan tinha na cabeça, mas o fato que ele conseguia ter esses papos doidos comigo sempre que tomava uma cerveja sempre me deixava animado quando passeava com ele, mesmo que eu só fosse o “amigo do bêbado que vai levá-lo pra casa”, era divertido ir ali.


João: eu me conheço bem o bastante pra saber que eu não quero ficar bêbado, porque meu “eu” com amarras soltas seria perigoso demais pra ficar solto


Ivan: o que tecnicamente te torna um sábio também, muitas pessoas gostam de se iludir, pensando que estão no controle “eu paro quando quiser” “eu só faço isso quando tô de mal com a vida”. Bom, apesar de todo esse papo que acabei de dar, eu sou um viciado, e admito isso, e você, você não quer sentir isso porque tem outras formas bem melhores e bem diferentes de ver e melhorar sua própria vida, e não tem nada de errado com isso também…hic…todo mundo tem o direito de escolher como desejam enxergar o mundo…HIC…pra mim, o mundo parece mil vezes melhor com bebida, mas tá na cara que…com você…é diferente….


E depois de falar aquilo, o Ivan quase caiu pra trás, mas eu o segurei e enquanto ele caia no sono depois do…acho que era o décimo quinto copo, olhei pra mesa e tive certeza, foi o décimo quinto, e com um suspiro, coloquei ele em cima do meu ombro e sai do bar. 


Ninguém estranhou eu carregando o grande ogro nos meus ombros, eles apenas olharam mais um tempo enquanto eu saia pela porta, pegava minha prancha e voava pra cima em uma grande onda de Aura que eu mesmo fiz.


Eu já me perguntei muitas vezes se eu deveria comprar uma carruagem, eu tinha mais do que o suficiente para comprar uma, mas quanto mais eu pensava nisso, mais eu pensava que não valeria a pena, não ainda pelo menos.


E depois de surfar no ar por alguns minutos, sempre prestando atenção pra ver se o Ivan tava perto de vomitar, pensei que o meu sonho estava bem mais perto do que imaginava, e pensar nisso me deixava bem feliz.


Então cheguei a casa do Ivan, um lugarzinho que lembrava uma grande fortaleza de tanta segurança que tinha ali, mas como ele nunca saia de casa sem ser cercado de fãs, e sabendo que muitos fãs não batem bem da cabeça também, entendia porque essa segurança toda.


Depois de apertar a campainha, uma empregada velhinha abriu a porta, e com a tranquilidade de alguém que já fez isso várias vezes, (coisa que ela realmente fez), eu entreguei o Ivan pra ela e fui pra casa.


João: ele bebeu umas 15 garrafas


Empregada: obrigada senhor João, agora pode deixá-lo comigo.


E assim fui embora, de volta pra minha casa. Sim, MINHA casa. 


Aquilo foi uma das maiores doideiras que eu fiz em meio a minha jornada, mas quanto mais pensava nisso, mais eu pensava que estava fazendo a coisa certa, eu tinha 24 anos de idade e ainda morava com meus pais, parecia algo normal, mas depois de todo o dinheiro que eu ganhei, tava querendo me arriscar e tentar ser mais independente, não importa o quanto eu quebrasse a cara fazendo isso.


A minha casa ficava em um canto bem calminho tranquilo do arquipélago, bem longe das loucuras e barulheiras da minha vida, rapidamente se tornando meu lugar feliz, ela não era grande, era só uma casa de 2 quartos, 1 banheiro e uma cozinha beeeeeem equipada pra eu pôr em prática o que minha mãe me ensinou ao longo do tempo. Eu não tinha o costume de fazer muitas coisas na sala, então ela era bem pequenininha também.


Muito das minhas coisas ainda estavam empacotadas, mas minha cama, fogão e tudo “essencial” já tava no lugar, então não tinha problema, pelo menos na minha cabeça, de vez em quando, quando eu chegava em casa e olhava pra minha casa, eu apenas olhava ao redor de todas as coisas inacabadas e ainda em construção, tanto fisicamente quanto na minha vida, e só conseguia pensar…


João: muito bem, eu to quase lá.


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