O meu avô era um veterano de guerra, quando eu era mais novo, ele sempre gostava de me falar que ajudou muito o país na grande luta contra os cavernosos, mas apenas agora eu sentia na pele o que os cavernosos tiveram que enfrentar…e apenas pensando que essa era a versão enfraquecida do meu avô, anos aposentado e velho, so pude pensar que ele deveria ser uma espécie de deus marcial em seu auge.
Ele fez exatamente o que eu tava fazendo, antes, colocando toda a força de suas joias em pontos específicos do corpo, com a pequena diferença que ele era muito melhor nisso que eu.
Naquele momento eu tinha certeza que iria morrer, a ponto que eu saltei pra trás do grande pilar que nós estávamos e cai pra baixo, pensando que a queda iria ser menos dolorosa do que sentir na pele o que o meu avô iria fazer.= comigo.
Mas é claro que meu avô me seguiu, ele saltou, pronto pra me acertar no ar, e o meu senso de sobrevivência me acertou no mesmo momento, porque quando tudo parece perdido, segundos antes do golpe, minha Aura se concentrou em meus pés e disparou tantos raios que eu saltei pelos céus, não por muito tempo, claro, só o bastante pra desviar do golpe do meu avô, e conseguir chegar no chão.
E sentindo bem o que eu precisava fazer, decidi usar esse novo poder que eu estava ainda tentando entender pra concentrar meus raios nos meus pés e nos meus ombros, deixando meu corpo totalmente de carne ainda no lugar e inteiro, mas bem mais rápido, isso eu esperava pelo menos.
Eu respirei muito, e ao invés de ir pra cima do meu avo, ele que veio até mim, e com o soco dele raspando no meu nariz, desviei pra direita no tempo perfeito pra dar um uque, um aper, um lowkik, e depois sair para bem longe de onde o vovô estava.
Uma vez afastado, senti direitinho como o lado esquerdo do meu rosto estava ardendo, e colocando minha mao ali de forma breve, senti como eu tinha perdido metade da pele do meu rosto naquele golpe, mas eu tava tao preocupado em ganhar que eu nem liguei.
Sim, mesmo no meio de tudo aquilo, uma voz bem doida, que eu estava considerando começar a ignorar, me fez sentir que aida tinha chances de vencer, e com a minha adrenalina trabalhando a mil por hora pra me manter vivo, eu acreditei naquela voz.
O vovô foi até mim com força, um chute que eu sabia não dar pra desviar, então saltei pra trás, o vovô foi atrás de mim, sempre mirando em meus pontos vitais, meu corpo começou a doer e ficar mais fraco, não pelos golpes do meu avô, mas pelo meu corpo não estar aumentando tantos raios sem descanso por tanto tempo.
Eu não tinha um segundo pra descansar, então só podia desviar, desviar e desviar ainda mais, eu não queria parar, meu corpo suplicava pra parar ou eu desmaiaria e eu sentia que meu corpo não tava blefando, ele iria me fazer parar, mas eu preferia ser destruído pelo meu próprio corpo do que ser acertado pelo golpe do meu avo.
E enquanto eu corria, fugia, e fazia uma grande tempestade de ventos acima de mim, o vovô começou a pisar no chão com muita força, criando pilares de pedras, tentando impedir meus movimentos, mas eu desviava das grandes pedras, e as vezes até pulando pra cima e caindo de forma que meus pés sangrarem.
Com a troca de mais alguns golpes, eu cortei meu avô no ombro com um soco, um chute faca no peito, mais um soco no rosto e um lowkick na perna. Cada soco que eu dava fazia o velhote sangrar, mas esse sangue era apenas gotas, algo que eu sabia que não seria comigo na hora que ele me acertasse.
Até que ele finalmente me acertou, naquele momento, mais uma vez meu corpo entrou num modo de sobrevivência, ele não tentou aguentar o impacto, como um instinto de sobrevivência, eu decidi jogar todo meu corpo pra trás, para ir junto com a força do impacto.
E mesmo assim, eu senti, o golpe na minha guarda foi tão poderoso que eu senti meu pulso esquerdo quebrando, os ossos rasgando minha carne, até que o golpe acertou minha cabeça, e a rachou levemente mesmo que eu tenha defendido.
E ironicamente, o golpe que veio depois disso doeu menos do que tudo que eu defendi do meu avô, minha queda no chão não foi fácil, a velocidade com que eu me joguei no ar, me fez bater no chão e quicar duas vezes, mas no meio do caminho, eu posicionei minha pernas no lugar certo, e com seus ossos implorando misericórdia, e com a ardência do meu rosto aumentando mais pela sujeira jogada nele, e mesmo com tudo isso, ainda tive força pra voar na direção do meu avô.
EU respirei fundo, sentindo meus ossos serem momentaneamente realinhados, como se a minha Aura tivesse criado um gesso dentro dos meus músculos, mas mesmo assim, e não conseguia mais desviar, a cada soco e chute do meu avô, eu fui enviado para pontos diferentes da grande ilha, sendo cada vez mais cheio de Aura.
Até que o meu corpo ser envolvido com tanta Aura que eu me senti novamente naquele estado de fantasma, mas eu não queria expulsar minha Aura, não agora, sentia que eu ia morrer se fizesse isso, meus ossos, todos eles estavam quebrados, deslocados ou rachados, eu ia morrer se tirasse todos eles em um golpe agora.
Mas quando eu fiquei frente a frente com meu avô…decidi que valeria a pena, e que eu poderia confiar nos curandeiros, pensando que eles poderiam me manter vivo caso eu usasse minha aura nesse golpe, mesmo que eu me sentisse uma carne moída de ossos por dentro.
E quando eu disparei uma última vez, e desviou do soco insano do meu avô, eu tive uma grande revelação: provavelmente o vovô passou por isso também, essa sensação insana de dor, o desespero de um corpo tão destruído, cansado e revirado que apenas a pura vontade de continuar podia fazer o corpo continuar
O vovô passou por isso e muito mais quando lutou nas guerras, com apenas uma diferença, ele não tinha a garantia que ele seria salvo depois, cada golpe que meu avô deu em sua juventude que era parecido com os meus agora, eram golpes que acreditavam no futuro, que seu sacrifício criaria um mundo melhor, onde ninguém precisaria passar por tudo isso, a menos que ele quisesse, claro.
E pensando em tudo o que me avô teve que passar, o sentimento final em meu punho ao aceitá-lo foi empatia pura, e mais uma vez eu ouvi, o som do carvalho mais antigo do mundo, que aguentou todo o tipo de provação, dor e testes da natureza, se quebrado bem na minha frente. E dessa vez, foi o ombro direito do vovô que quebrou.
E aquele foi meu último golpe, depois daquilo eu ia desabar, e mesmo assim, sem piedade, meu avô me deu um soco que eu sabia que nao arrancou minha cabeça por que no fim de tudo, meu avô ainda teve a força pra se controlar no final…haha, meu avô realmente era incrível.
Enquanto minha aura se desfazia e saia bem devagar do meu corpo, eu sentia que iria morrer antes de chegar na água, mesmo que tivesse uma parte de mim que também tinha certeza que não iria chegar nesse extremo.
Até o final, acreditei que um dos curandeiros que estava nos vendo iria me salvar, e eu estava certo, antes de atingir a água, alguém me agarrou pela camisa, (ou o que restou dela) assim que o desconhecido me agarrou, a Aura do curandeiro circulou em mim, fazendo com que meu corpo inteiro fosse envolto em um gesso parecido com o que eu fiz antes, mas muito mais bem feito, meus ossos, por mais ruins e quebrados estivessem, estavam mais inteiros do que nunca agora.
Eu respirei aliviado, porque seja lá quem esse curandeiro fosse, ele até diminuiu muito a minha dor, eu só tinha que agradecer a ele…eu não me importava quem tinha me pego, minha mente já tava tão ruim que o simples fato de ter sobrevivido aquilo já me dava alívio o bastante pra já perder a consciência.

