Aviso, capítulo com 3000 palavras
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Eu senti com muito cuidado cada centímetro de meu poder, depois senti cada centímetro da minha vontade de lutar com o vovô, pra garantir que não estava sendo apressado.
Mas não era apenas questão de ser apressado, fazia muito tempo que lutei com o vovô, e mesmo sendo velho agora, ele já foi uma das pessoas mais fortes do mundo, e eu queria saber o quão forte eu fiquei comparado aquela arma de guerra humana que foi desgastada com o tempo.
Entendendo bem melhor o que sentia, peguei minha prancha com cuidado, criei uma grande onda de Aura abaixo dela e depois surfei pelo ar a toda a velocidade até chegar a parte da alcateia do arquipélago.
Demorei 10 minutos pra chegar no arquipélago, 3 minutos para encontrar a ilha-cidade certa, e mais 5 minutos para encontrar a casa do meu avô. E antes de bater na porta, senti minha Aura, ou melhor, minha selvageria, que eu pensava estar a tanto tempo no controle, saindo das minhas mãos, como se estivesse mais ansiosa que seu próprio nome pro combate frenético que iria rolar.
Depois de todos os combates que eu tive ultimamente, fiquei impressionado que ainda possuía tanto desejo de violência em mim...mas pensando um pouco, comecei a entender que provavelmente esse desejo de violência era especial, um desejo que só poderia ser gasto com meu avô e com mais ninguém, e chegar nessa conclusão me deixava 10 mil vezes mais animado que antes.
Mesmo assim, consegui me conter o bastante pra bater a porta com gentileza, e quem atendeu foi a vovó.
Avó: ah, oi querido, o que foi?
João: ah, oi vovó, eu vim aqui ver o vovô, quero brigar com ele
???: é, eu sei.
E bem atrás da vovó, já com seu short de batalha, sua forma de lobisomem completa a mostra e parecendo tão sedento por sangue quanto eu, o vovô se mostrou.
Avô: eu senti sua sede de sangue a quilômetros de distância...(respira bem fundo) eu ainda sinto o sangue dos caras que você espancou em voce
João: jura? Eu ainda tô cheio de perfume, e tomei uns 3 banho antes de vir pra cá
Avô: não precisa falar mais nada, só saber que vamos lutar já é o bastante.
A Vovó recuou um pouco depois de ver aquilo, não por medo, mas sim porque eu e o vovo estávamos começando nossa conexão neto e avó, e ela não queria se intrometer, desde sempre fomos assim, desde que eu era um pirralho melequento, ele sempre gostou de "brincar de lutinha" comigo, mas agora, não era mais brincadeira.
Vovô: ah, que dor, você podia ter pelo menos trazido a Elena aqui, pra termos um momento das garotas
João: ela ta muito cansada vovó, acabou de fazer algo bem intenso, vocês não iam conseguir fazer muita coisa juntos.
E um pouco emburrada, a vovó entrou em casa, enquanto eu e o vovô fomos para fora, mais especificamente, eu subi em cima do grande corcel dele, e nós dois viajamos para a ilha das batalhas.
Uma ilha de areia pura e com nenhum recurso natural, mas com solo bom o suficiente para ser o canto perfeito para batalhas intensas, graças a isso, ela tava sempre cheia e coberta de pessoas que queriam "acertar os conflitos no ringue", como o vovô gostava de dizer.
Mas ao mesmo tempo, a ilha era tão grande que tinha sempre um espacinho ali para um grupo super poderoso de pessoas conseguir ficar no lugar certo.
E quando eu e meu avô ficamos "sozinhos" nós não nos escondemos mais, meu avô logo e colocou na posição de muay thai, e dessa vez ele criou pra si próprio um grande quantidade de Aura em seu corpo, virando um ser não de ferro ou pedra, mas pedras preciosas puras.
Ele parecia indestrutível, mas eu sabia muito bem que ele não era nada indestrutível, não importa se ele tinha grandes joias mais afiadas que espadas por todo o corpo, principalmente nas partes defensivas dele, ou o quanto a Aura dele parecia me engolir bem devagar, ou como eu quase conseguia ver o grande exército de pessoas que aquela forma já derrotou bem atrás dele, ou como cada pedra preciosa diferente no corpo dele parecia uma morte certa caso me atingisse...mesmo com a sensação que o mundo todo, concentrado em um único ser, estava contra mim, não ia recuar.
Eu me coloquei em guarda, criando com o cuidado mais cirurgico do mundo meus cocos ingleses, e caneleiras com espinhos, fazendo que deixá-los os mais mortais e perigosos possíveis, por que eu sabia que, a menos qe usasse tudo que eu tinha com meu avô, eu não ia sequer tocá-lo.
E com um gesto que não era nem um deboche, mas como uma "cortesia do mais forte", meu avô esperou que eu terminasse minha transformação, bem animado pra ver o que o netinho dele conseguiu, e de certa forma, eu também estava curioso pra ver o que eu consegui criar.
Eu saltitei por alguns segundos, com minha guarda no lugar, a cada segundo, meus raios foram mais espalhados pelo lugar, e com cuidado eu andei devagar até o meu avô.
O vovô se aproximou de mim devagar também, me sentia como um cowboy, em um combate onde tudo podia ser decidido em um único golpe.
Tudo junto com o próprio Vovô, aquele que sempre precisava se conter, mas agora, parecia pela primeira vez que eu o veria...não, que eu sentira na pele como é o velhote lutando pra valer, e com empolgação, medo e adrenalina, combinados em meu coração, ataquei primeiro.
Disparei pra frente, começando com um Jab bem no rosto, o golpe acertou em cheio, a ponto de dois sons, que não pareciam carne batendo com carne, foi ouvida no impacto, mas o vovô nem se moveu.
Eu já esperava que isso não fosse nada pra ele então continuei com minha sequência de socos, chutes e mais socos neles, socos e chutes que eram tão fortes que eu conseguia fazê-los de forma perfeita em um nível instintivo, e ainda mais do som sinistro de meu punho colidindo com o dele ecoava, e quanto mais eu acertava, mais eu ouvia melhor...era quase como...um martelo de ferro batendo em um escudo limpo de ferro também.
Em minha sequência, o atingiu nas costelas, braço esquerdo, coxa direita e rosto de novo. Meus socos ingleses continuavam o acertando com tudo, jab, direto, faca, peito, direto, cruzado, aper, faca, faca, cobertura, ura, direto, frontal, mas o vovô nem se mexia.
E quando ele se moveu pela primeira vez, já desfiz meu corpo dm raios, esperando o pior, mas o soco do meu avô, feto de puras joias, possuia tanto poder, tanta aura, e tanto...calor de puro diamante que meu corpo de forma instintiva se repartiu, assim como a Débora.
Eu nunca tinha conseguido fazer aquilo de forma proposital como a Débora, mas enquanto meus raios partam meu rosto em dois, fazendo o punho do vovô me atravessar como um fantasma, percebi que os ataques do vovô eram tão letais, que meu corpo aprendeu a se dividir daquela forma, como uma forma de sobrevivência e autopreservação, incrível.
Não sabia quanto tempo o senso de autopreservação iria durar, mas usei a oportunidade pra colocar toda a forḉa eletricidade que eu tinha em meus golpes, e mas uma vez, uma grande tempestade de raios ficou acima de nós enquanto o chão inteiro tremia e os raios começaram a envolve-lo como uma grande espiral de relâmpagos, enquanto em meio a todos meus golpes, a armadura de diamante do vovô continuavam intactos, como um monumento.
Nossa luta ficou tão intensa a ponto de milhares de lutas pararem apenas para ver a nossa.
O vovô dava apenas dois socos e dois chutes por sequência, enquanto eu dava milhares, mas a cada troca de golpes entre nós, mais eu sentia que os espinhos em minhas canelas e nos meus socos ingleses tavam se fragmentando ao invés de eu fragmentar a armadura. E em um dos meus golpes, eu vi os espinhos se fragmentando quanto mais eu afundava meu punho, bom, pro azar do meu avô, eu tinha forças pra regenerar de forma quase instantânea meus espinhos quantas vezes fosse necessário, então assim que recuei meu soco inglês com espinhos quebrados, ele se reconstruiu antes mesmo de voltar por completo pra minha guarda.
Meu avô me chutou no rosto, no corpo, no corpo de novo, e a cada golpe, mais eu entendia que o vovô não estava mais se contendo, ele estava usando cada fibra de seu poder para me atingir, me atacando pra matar, porque ele sabia que eu não iria morrer, não mais, e eu queria muito poder concordar com ele, mas quanto mais a luta avançava, menos eu tinha certeza disso.
Desviei de todos os golpes que eu conseguia, o chutes do meu avô eram impossíveis de desviar, era absurdo que algo tão forte e rápido quanto a perna do meu avô pudesse existir, mas ela existia. Já os golpes de mão eram mais fáceis, mesmo intangível, eu não queria esquecer minhas defesas e desvios, então muitas vezes, voltava a carne apenas para conseguir desviar direito.
Em um momento de loucura, euforia e um pouquinho de desespero, joguei toda a minha eletricidade pro meu braço esquerdo, tentando defender um golpe do vovô, mas segundos antes do golpe acertar, senti como aquilo não iria ser o bastante e eu concentrei ainda mais meus raios, até que eles pareceram apenas uma bolinha no meu braço, defendendo o pé do vovô.
E o impacto foi tão sinistro que o raio teve o barulho de 100 explosões absurdas bem no pé do meu avô, foi uma explosão tão grande que eu mesmo tive medo de perder os meus tímpanos, mas aquilo tava longe de acontecer. Além daquilo ter desestabilizado meu avô, mesmo que só um pouquinho.
Agarrando aquela oportunidade como uma corda salva vidas, voltei a ter um corpo de carne, e concentrado todo o meu poder em um soco inglês, fiz a troca de golpes mais intensa eu já fiz em toda a minha, vida: aprer com a mão da frente, depois uma transferência de raios, pra dar um direto com o braço de trás, depois mudei pra perna dando um peito do pé com a perna da frente, e com um giro, transferindo o máximo de raios pa minha perna esquerda, eu dei um chute faca, com tudo que eu tinha, bem na barriga do vovô.
Eu tava bem feliz com o que eu fiz, mas logo me afastei e tentei me recuperar, mesmo um pouco, mas meu avô veio atrás de mim e me atacou, um, dois, três golpes que forçaram meu corpo a ficar todo em raios e se repartir em vários pedaços.
Meu corpo foi dividido em 2 pedaços pra 4, que viraram logo 16 pedaços, apenas para não serem pegos pelos socos e chutes assassinos do meu avô, eu fiquei muitos minutos apenas na forma elétrica, tão apertado que tive medo de não voltar a ser inteiro, mas assim como medo de perder os tímpanos, foi um medo desnecessário, pois no momento em que eu parava de me dividir, eu conseguia voltar a ser inteiro como se nada tivesse acontecido.
Segundos depois, voltei a atacar o vovô, mas enquanto eu jogava toda a minha eletricidade bem na cara do meu avô, apenas conseguia sentir mais frustração quando via que, mesmo com o soco inglês com o maior poder que eu já senti em toda a minha vida (até agora), eu apenas conseguia fazer o vovô se mexer um pouquinho pra trás.
Eu senti, depois de tanto tempo apenas batendo no grande corpo de jóias que haviam se tornado o corpo do vovô, ele tava sendo arrastado pra trás, mesmo que um pouquinho só.
E quanto mais intensamente eu batia, senti as joias se deformarem um pouco, e quando o meu avô percebeu isso, vi o desespero no rosto dele pela primeira vez no combate.
Ver meu avô, alguém que eu considerava intocável, com medo, me deu muito mais motivação pra jogar cada gota de Aura que eu ainda tinha nesses golpes, obrigando meu avô a se defender bem mais pra nao ser jogado pra multidão de milhares de pessoas que o lugar inteiro tinha se tornado...
E mesmo assim...ele não tava sangrando...ele não...tava...sangrando...ELE NÃO TAVA SANGRANDO!
João: POR QUE VOCÊ NÃO SANGRA!?
Vovô: LEGIÕES DE CAVERNOSOS ME PERGUNTARAM A MESMA COISA NETINHO, POSSO SER VELHO, MAS EU DOU PREJUÍZO
João: EU SEI!
Desviei de novo de um soco do meu avô que quase me atingiu, mas com um desvio normal, não me desfazendo em eletricidade. E com meu corpo inclinado, subi pra cima com um aper destruído, com a mesma técnica de manter a Aura concentrada em um único ponto, almejando arrancar a cabeça do meu avô.
É claro que eu falhei e a cabeça dele só foi jogada pra trás, mas quem deve ter mais se machucado deve ter sido eu, porque eu já tinha passado do ponto em que minhas mãos estavam doendo de tanto bater nele, mas eu não podia parar, EU NÃO QUERIA PARAR.
João: EU NÃO QUERO PARAR!
Vovô: Eu TAMBÉM NÃO NETINHO, EU TAMBÉM NÃO!
E no meio da minha frustração de não conseguir bater em um idoso aposentado, eu também demonstrava a mais profunda raiva de que todo o meu treinamento e batalhas até agora não havia significado nada, tudo junto com a alegria de eu...no fundo, estar ainda "brincando" com meu avô.
Sim, no fundo, sempre foi isso, sempre brincávamos assim, ele sempre brincou de lutinha comigo, mas ele sempre se segurava, mesmo com esse poder absurdo, enquanto eu jogava todo meu poder em um cruzado bem na lateral do rosto dele, eu conseguia sentir sem nenhuma dúvida que ele AINDA tava se segurando.
Mas eu não ligava, uma hora, eu faria ele lutar a serio, por enquanto, eu continuaria desviando dos absurdos chutes que poderiam facilmente me matar se eu não fosse cidadoso, e tudo enquanto o nosso poder mudava o ambiente em nossa volta.
Era doido, nossos golpes ficaram tão absurdos que, sem recuar e sem mais fugir, nos colocamos tanta pressão no chão que ele começou a subir, como se nós dois tivéssemos virado grandes placas tectônicas, criando um grande pilar de pedra bem abaixo de nós.
Quanto mais pra cima nós íamos, mais intensa minha tempestade ficava, até que raios começaram a cair apenas em cima do meu avô, como se ele fosse um pára-raios, e mesmo depois de tudo isso, o velho ainda não me atacava com toda a força que ele tinha.
Qual era meu nome? Quem eu era? Por que eu estava fazendo isso? Eu já não sabia mais, fui tão mergulhado dentro da minha própria Aura que em algum momento, no meio dos milhares de golpes, perdi a sensibilidade nas minhas mãos, meu corpo ficou cada vez mais poderoso, como se minha Aura não estivesse se esgotando, mas transbordando dentro de mim...
Sim, na minha frente, porque do nada, comecei a olhar meu próprio corpo lutando com meu avô em terceira pessoa, eu não estava morto, não não não, era mais como se minha euforia, alegria e amor pelo momento tenha ficado tão grande que minha alma não aguentou se conter mais em meu corpo.
E no meio de toda essa confusão, eu acertei um soco no meu avô, não foi algo automático, eu comandei meu corpo a fazer aquilo, mesmo fora dele, igual um jogo, igual mesmo, porque eu já não tava sentindo dor nenhuma.
Controlar meu corpo em terceira pessoa foi uma das coisas mais maneira que eu já fiz em toda a minha vida, eu ainda consegui controlar meus raios a ponto que eu dei um jab embaixo na barriga dele, dividi meu corpo em relâmpagos, e sem me preocupar com a defesa, eu chutei o rosto do meu avô...ainda não tirando uma única gota de sangue dele.
Mas eu não parei, eu tava bem longe de parar, eu dei um chute lowkick na perna dele, tentando o desequilibrar, mas a perna dele parecia de ferro, depois fiz meu corpo se desmontar pra desviar de 4 chutes e 2 socos. Mas no soco final, fiz ele se reconstruir abaixo do meu avô.
E com um controle corporal que eu achava doido demais pra alguém que estava vendo o próprio corpo em terceira pessoa, senti minha alma lentamente voltando pro corpo, isso porque toda essa Aura acumulada dentro de mim, como se tivesse me afogando, começou a lentamente ser encaminhada através dos meus movimentos.
Primeiro minhas pernas se fundiram novamente, depois foi subindo até a cintura, mas assim que subiu até o peito, minha cabeça e meu punho direito se fundiram primeiro, e com minha visão lentamente voltando ao normal, senti todo aquele poder em meu punho esquerdo, enquanto cada vez mais poder chegava na ponta, me enchendo de bastante força e poder.
Meu punho esquerdo teve tanta aura dentro dele que ele quase explodiu, mas não, os músculos físicos, mentais e espirituais que eu criei até aquele momento, se mantiveram firmes enquanto eu girava meu corpo de forma perfeita, até atingir o rosto do meu avô...
E então eu ouvi um som diferente, o trovão com certeza foi ouvido, mas junto do som, tinham duas coisas diferentes, o som...de joias se estilhaçando...mas esse não era o som mais estranho e diferente dali, mas sim o som dos ossos do vovô se quebrando, não era o som de ossos normais, parecia bem mais o som de uma árvore com milhões de anos de idade sendo finalmente quebrada...quebrada, não derrubada.
Naquele momento, tudo parou, a tempestade se silenciou, a adrenalina em meu corpo parou por alguns segundos, era como se o mundo inteiro tivesse ficado em silêncio apenas para presenciar aquele momento.
O vovô, tendo apenas a cabeça descoberta por joias, ficou tão surpreso quanto eu, ele estava com o nariz quebrado, mas ele mesmo não parecia entender o que aconteceu, e quando ele passou a mão no nariz, e viu o vermelho, com uma grande mistura de raiva e animação ele falou.
Vovô: tudo isso por umas gotinhas de sangue.
Eu me preparei pro proximo golpe, porque eu com certesa nao sairia inteiro depois de fazer aquilo.

