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Caminho da Vitória 🥊 2
🤫o segredinho 🤫
1905 palavras • 10527 caracteres • ⏱ 7 min 37 s

🤫o segredinho 🤫

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Alguns dias depois, eu estava com uma dúvida estratosférica se eu deveria passar um tempo com os meus pais ou não, meus ferimentos poderiam esperar, mas eu nem sabia quando poderia passar um tempo com meus velhos ainda, mas assim que perguntei isso a eles, eles me falaram algo que me impressionou profundamente.


Pai: do que você tá falando filho? Ai pro SPA


João: sério pai? Eu pensei da gente passar um tempinh…


Mas antes de eu terminar minha fala, meu pai cutucou um pouco meu bíceps esquerdo, e por mais leve que o toque fosse, eu contorci de forma tão violenta pela dor que eu quase virei uma bola no meio da sala.


Pai: olha isso, você mal consegue se segurar em pé, eu quero que você me ajude com os gaviões reais outro dia, mas nao vai dar com o corpo assim, além de que você precisa se esforçar mais, senão a minha Nora Elena pode acabar te deixando.


AGH, pior que era verdade, tinha um bom tempo que eu não falava com a Elena direito, sabia que ela nao ia estar irritada comigo, mas com certeza nós dois precisávamos daquela sessão de SPA, ainda mais com aquele “lance” que eu sabia que ela tinha, mas que não me contava.


Então eu fui pro meu quarto e chamei a morena no meu grimório, levou só alguns segundos pra ela atender, e logo as páginas do livro começaram a virar numa extrema velocidade, até que a Elena apareceu.


E nossa, ela parecia péssima, ela tava suada, cansada, e usando uma…roupa de bale? Usei todo meu controle pra não perguntar ela da roupa, e pelo olhar dela através da projeção, dava pra ver que ela tava bem grata.


João: oi Elena


Elena: oi João


João: olha, sei que é meio do nada, as voe ta afim de ir no SPA comigo hoje:


Elena: CLARO CLARO, NADA ME DEIXARIA MAIS FELIZ!


Eu tava bem curioso sobre a roupa de Balé, mas não falei nada, porque eu só tava feliz que ela parecia muitas coisas na projeção, mas irritada não era uma delas.


Bem feliz, me arrumei, tomando bastante cuidado com meus machucados ainda abertos, e fui com calma até o SPA. 


Pensei que iria encontrá-la na entrada, e ela iria deixar que eu tava atrasado, como sempre, mas dessa vez, a morena voou até mim, e ficou surfando com a prancha de aura dela bem do meu lado.


Ela não falou nada, como eu pensei, ela não tava irritada, ela só queria aproveitar aquele momento comigo…te pela forma como ela tinha cuidado pra não se mover muito de certas movas, sabia que ela deveria estar precisando daquilo tanto, ou até mais do que eu.


Elena: João? Que milagre, você não se atrasou


João: é que eu não queria te deixar irritada


Elena: relaxa, eu perdi qualquer poder pra ficar irritada com você se atrasando a muito tempo…e é meio difícil ficar com raiva de alguém que tá assim.


Ela falou aquilo apontando pra todos os meus machucados, é, eu tava errado, meus ferimentos eram bem mais serios que eu pensei, tanto que, mesmo com tratamentos e descanso, muitos dos maiores ainda tavam bem frescos. 


Conseguia sentir como eles continuariam algumas semanas no meu corpo se não fizesse algo rápido, mas o SPA era realmente o que eu tava precisando, mas enquanto eu viajava devagar no meio de todo o caos do territorio, eu falei.


João: então, desde quando você faz balé?


A Elena não Negou, ela apenas parecia triste de eu ter descoberto.


Elena: desde a minha infância


João: eu não sabia


Elena: não queria que você soubesse, desde que eu era criancinha, sempre fui muito apaixonada por balé, então eu convenci meus pais a me colocarem numa escola de balé, e eu fui a melhor por um bom tempo


Dava  pra ver a genuína felicidade da Elea num grande sorriso, depois de ser transformado em tristeza.


Elena: mas com o passar do tempo, todo mundo começou apenas a me reconhecer por isso, “ei olha, é a garotinha do balé” e por mais orgulhosa que eu estivesse com isso, não queria ser conhecida apenas por isso.


João: unhum, continua


Elena: então eu meio que comecei a me apresentar pras outras pessoas escondendo o Balé, e contando todo o resto, não fica chateado, eu ia te contar sobre o Balé, só que, bem depois


João: ue, assim você me ofende, eu te mostrei o meu lado frágil bem antes


ELena: hehe, é, desculpa por isso, as pessoas não tendem a me levar muito a sério quando eu começo a convivência dizendo que eu faço balé, eles acham que é uma coisa tranquila e super mole de fazer


João: pfff, essas pessoas são burras, eu iria ter muito mais respeito pro você se soubesse que você faz balé


ELena: jura? Por que?


João: eu já vi o raio x de uma bailarina uma vez…


Aquilo foi o suficiente pra fazer a Elena se calar, ela fechou os olhos, como se falar aquilo trouxesse outras memórias nada legais.


Elena: eu ainda nao sei como meus pés se quebraram quando eu fazia certos movimentos


Joao: hm, depois de ouvir isso, eu até entendo melhor porque seus chutes são tão fortes.


Eu nem me lembrava qual foi o contexto que me fez descobrir aquele raio x, mas o medo que senti ao ver aquilo foi algo que ficou intacto até hoje.


O raio x do pé de uma bailarina é algo sinistro, mesmo no mundo doido que nos viviamos, sentir o peso de todo o corpo e alguém, não importa o  quão pesado ele seja, apoiado naquela ponta do pé, parecia apenas não natural demais, não importa o quanto de magia se usasse naquilo.


E depois de ver como a Elena devia passar por sessões de treino não só do Balé, mas na capoeira e no trabalho dela como guardiã, dava pra ver que ela tinha muita coisa pra relaxar no SPA como eu, o que me deixava bem melhor em trazê-la ali comigo.


O SPA parecia uma grande entrada pro paraíso, ele era maciço, tendo 3 andares, e ocupando o lugar de 3 casas, junto do fato dele ser tão branco, mas tão branco, que eu precisei usar um óculos escuros pra ver com detalhes todas as esculturas de lobos cuidando de outros lobinhos, pássaros carregando seus passarinhos no bico e lontras agarrando com força seus filhotes.


João: eu nunca me canso de olhar essa entrada


Elena: já dá uma paz de espírito só de ver a entrada, né?


Assim que entramos lá, a recepcionista me cumprimentou, porque eu já tinha ido lá tantas vezes que eu facilmente fui reconhecido por vários funcionários.


Pra começar, fomos pra uma massagem, eu tava com um pouco de medo dos meus ferimentos estavam pesados demais até pro SPA resolver, mas pelo jeito eu me preocupei atoa, porque antes mesmo dos machucados chegarem na minha ferida, o massagista começou a apertar minhas costas em pontos de pressão perfeitos para atingir os lugares onde a Aura invasora dos meus inimigos se mantinha como um veneno, e ela saiu do meu corpo como uma gosma preta, nossa, e eu tava vivendo com isso no corpo por dias, eu realmente sou incrivel.


O ferimento que me causou tanta dor antes estava tão dormente que parecia que eu tomei 15 litros de morfina, mas não, era apenas uma massagem que expulsou todo o veneno do meu corpo, e permitiu que minha Aura fechasse devagar as feridas.


Elena: haaaaa, esse lugar é o paraíso


João: agora conta uma novidade.


Depois da massagem, nos fomos pra sauna, juntos, e respirando bem fundo, eu abracei a Elena e apenas deixei que o vapor quente da sala, vapor esse que estava cheio de ervas medicinais, acelerar a cura dos meus ferimentos, fazendo cortes, ossos quebrados e vários ferimentos desaparecerem lentamente, como se nunca tivessem existido.


Elena: já pensou no que eles teriam que passar pra aprender a fazer essas coisas?


João: eu gosto de pensar que a maioria das vezes foram acidentes, e eles apenas aprenderam a fazer de propósito


Elena: hiihi, é uma forma bem bonitinha de pensar nisso.


E depois de ficarmos mais um tempinho dentro daquela sala, saímos com nada além de uma simples manchinha de dor e feridas para curar, logo depois daquilo fomos pra sauna, que limpou e tirou qualquer ferimento que ainda restasse em nós…eu tava precisando tanto daquilo que eu afundei meu corpo inteiro na água, e dormi por alguns minutinhos, e quando acordei, perguntei a Elena.


João: ai, quer voltar pra sauna?


Elena: quero.


Depois de eu estar normal de novo, voltamos pra Sauna, o cheiro das ervas medicinais era muito bom, nenhuma delas causava alucinações, mas eram tão relaxantes que agente tinha que ter cuidado para não dormirmos dentro dela.


João: desculpa por não ter passado tanto tempo com voce


Elena: gente tem passado bastante tempo junto


Joao: é, e sei, mas nao como um casal, agente ficou tanto tempo junto com o Nilo, depois foi você vendo meus torneios, depois…eu visitando você nos templos, até agora, tirando ese SPA e a visita nos templos, sinto que agente nao tem ficado muito tempo juntos…


Continuei falando enquanto eu segurei com cuidado a mão da Elena, e então ela olhou com mais cuidado pra mim.


João: …eu quero passar um tempo sozinho com você, sem o Nilo, se a Taina, sem o Luca, apenas eu e você


Elena: não é isso que agente tá fazendo agora?


João: sim, mas eu quero passar esse tempo sozinho com você em um lugar que não seja apenas um ponto de recuperação pra mim, isso se tiver tudo bem pra voce.


A Elena olhou pra mim, com um cuidado e uma análise que eu não conseguia esperar da garota naquela situação, até que ela falou.


Elena: nesse caso, você pode ver minha apresentação de balé amanhã?


Joao: capoeira e balé…eu ainda nao acredito que você faz os dois


Elena: humpf, quando você aprende o balé, a capoeira até que fica fácil…


A Elena falou aquilo enquanto apertou bem forte as minhas mãos


Elena: o bale não foi feito pra meros mortais.


Joao: eu nao entendo muito sobre balé, apenas que ele era igual ao karatê em várias áreas. Primeiro: é uma arte tão difícil que você tem que começar-lá desde criança, é muito difícil de começa-lá já adulto, nao impossível, mas muito difícil; Segundo: se você quiser ficar é melhor estar preparado de sentir dor e sofrer machucados que parecem complicados e ruim ate pras outras artes marciais, e Terceiro: todos os maiores mestres dessas artes não batem bem da cabeça


Elena: todas as suas afirmações estão corretas


João: eu falei isso alto? É sério, eu tenho que aprender a controlar isso melhor


Elena: tudo ao seu tempo João, tudo ao seu tempo…apenas…não espere uma gigantesca apresentação com muita coreografia e super detalhada, sou melhor num campo de batalha do que num palco.


E com ela me falando tudo aquilo, enquanto agente ainda tava na Sauna, eu me aproximei dela e dei um beijo nela, apenas me afastando porque ela estava de biquine, eu de shorte e nós dois estávamos numa sauna.


João: já vou preparar o buquê de flores.


E ficando meio mal por ter que deixar meu pai como segundo plano de novo, eu já me preparei para ir ao grande show da minha querida namorada.


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