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Caminho da Vitória 🥊 2
🥰Muito mais que um amigo🥰
2268 palavras • 12570 caracteres • ⏱ 9 min 04 s

🥰Muito mais que um amigo🥰

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Quando o Nilo chegou finalmente no parque onde nós sempre conversávamos, ele conseguiu ver, em seu grande tamanho, em seus cabelos loiros, rosto achatado, e corpo absurdamente grande, lá estava o Lucas.


Nilo ficou impressionado em ver o irmão ali, até que o Luca correu bastante até abraçar o irmão com muita força.


Luca: MANO


Nilo: mano.


Logo depois o Luca soltou o Nilo, mesmo com o Sapien estando bem confuso pelo por que o irmão estava ali.


Nilo: irmão, o que você tá fazendo aqui?


Luca: você vai falar com a mamãe e o papai hoje, não é? O Luca também tem muita coisa pra falar pra eles.


O Nilo ficou olhando um bom tempo pro irmão, parecia que uma conversa telepática estava sendo feita entre eles, até que depois de alguns segundos, o Nilo apenas aceitou, e deixou o Lucas ficar sentado ao lado dele, quase como se ele fosse um advogado do diabo.


Eu e a Elena ficamos ao lado dele, apenas esperando que eles falassem alguma coisa, eu tava preparado pra me impor a qualquer momento, mas a Elena me mantinha sob controle, segurando minha mão, como uma prova que estava tudo bem, pelo menos por enquanto.


Nilo: (respira fundo, e solta) então, o que vocês querem ouvir primeiro?


Senhor: bom, primeiro, você deixou o Lucas sozinho?


Nilo: não, só deixei ele com o titio, ou essa era a ideia, mas pelo fato dele estar aqui mostra que o titio não é bom em cumprir promessas


Senhor: e você chegou a deixá-lo sozinho nos treinos de boxe?


Nilo: sim


Senhor: a quanto tempo?


Nilo: não tenho a data exata, mas (das contagem de dedos) deve ser pelo menos 3 ou 4 anos e meio se minha memória estiver boa.


E com uma atuação digna de um filme de drama, a Mãe dos irmãos deu um suspiro, quase como se tivesse tomado um cálice envenenado e começou a lentamente morrer, então ela correu para o Luca é o abraçou, tocando no rosto dele, como se tivesse ouvido que ele voltou de uma guerra.


Senhora: AH, MEU DEUS LUCA, VOCÊ TA BEM? VOCÊ PASSOU POR MUITAS DIFICULDADES, VOCÊ…


Luca: AH, MÃE, PARA DE GRITAR!


Aquela ação deixou a mãe dos irmãos impressionada, já que o Lucas nunca gritou assim com ela antes.


A mãe pensou que o filho estava prestes a passar por um ataque de raiva, e se afastou devagar, mas não, ele apenas gritou por que ela tava gritando no ouvido dele basicamente, e quando ela se afastou, ele falou.


Luca: mamãe, papai, o Lucas não é mais uma criancinha, o maninho não precisa ficar perto dele o tempo todo


Senhor: Luca, você não tá pronto pra ficar sozinho


Luca: o Luca nunca disse isso, o Luca aprendeu muito por causa do papai e da mamãe, e por causa disso o Luca quer aprender mais, mas vocês não deixam, por não verem como o Luca cresceu


Senhora: e como você tem certeza que melhorou filho?


Luca: porque o Luca mentiu pra vocês, por mais de 3 anos e alguma coisa.


Aquela fala deixou novamente os pais abalados, e depois de todas as revelações apenas daquele dia, os pais dos irmãos estavam com muitas confusões na cabeça para conseguirem falar qualquer coisa coerente, então, o Luca continuou.


Luca: o maninho confiou no Luca para não contar pra vocês onde ele estava indo enquanto o Luca tava no treino, e o Luca conseguiu lutar, treinar, e manter esse segredo por mais de três anos, isso não é uma prova que o Luca cresceu?


E com aquela simples pergunta, os pais dos irmãos não tinham resposta, apenas continuaram olhando pro filho mais velho, ainda com problemas para vê-lo como uma criança.


Mas nem eu e nem o Nilo culpavam os pais, a Maldição do Luca sempre foi algo complicado, porque era uma Maldição incurável, a maldição do gigante feliz, era uma maldição que deixava mais devagar o cérebro se desenvolver, deixando a criança como uma criança mesmo depois de crescer, além de várias deformações do corpo, o rosto achatado, que era o que o Lucas tinha, era uma das deformações mais comuns.


Nilo: sei que vocês tiveram motivos de darem atenção extra pro Lucas, e eu não tô dizendo que vocês devem focar apenas em mim e esquecer o Luca…é que…vocês conseguiram, o Lucas tá melhor, não no ponto de sair de casa e tentar a própria sorte, mas ele tá melhor a ponto de não precisar de uma babá 24 horas por dia, ele já tá bom o bastante pra vocês lembrarem que tem 2 filhos…mesmo que isso seja algo difícil de entender.


Naquela simples frase estavam carregados anos, muitos anos apenas aceitando que ele sempre ficaria em segundos plano, conseguir falar em voz alta que “eu existo” era algo tão estranho para o Nilo, que mesmo agora, ele ainda se segurava, com cuidado pra não explodir com toda a raiva que acumulou por tanto tempo. 


Mas com muito cuidado, fui até as costas dele e segurei com cuidado os ombros dele, quase fazendo uma massagem, mas era apenas um carinho simples, enquanto a Elena apenas segurava a mão dele com muito cuidado.


E aqueles simples gestos, conseguiram acalmar bastante o Nilo.


Nilo: mãe, pai, eu gosto de futebol, eu sempre gostei, eu gostei a ponto que eu fiquei anos escondendo de vocês que eu jogava, porque eu sabia que se eu falasse pra vocês o que eu estava fazendo, vocês iriam falar “filho, estamos felizes que você goste de algo, mas pode ser complicado cuidar do seu irmão se você fizer isso”. Porque no fundo, era apenas isso que vocês veriam, apenas o Luca, o Luca, e mais do Luca.


A voz do Nilo estava estranhamente calma, mas quanto mais eu mexia nos ombros dele, mais eu sentia como eu tinha um grande pilar na mente dele, esperava ser forte o bastante pra ele não desabar agora. E exibindo sua medalha, como uma prova final de um caso de investigação, ele falou.


Nilo: por isso eu esperei e me preparei pra essa conversa. Treinei até meus pés sangrarem, ganhei e perdi mais vezes do que posso contar, e já tropecei, cai no chão e já levei mais boladas do que eu posso contar, tudo apenas por aquele troféu e por aquela medalha…eu não estou fazendo isso por brincadeira, nem porque eu quero apenas me afastar do Lucas, eu realmente amo futebol, e estou disposto a dar tudo por ele…EU NÃO LIGO SE EU TIVER QUE SAIR DE CASA, MAS SE VOCÊS REALMENTE PODEM ME OLHAR NOS MEUS OLHOS, PROS OLHOS DO LUCA E DIZER QUE ELE NÃO É INTELIGENTE O BASTANTE PRA NÃO PRECISAR DE UMA BABÁ 24 HORAS POR DIA, ENTÃO EU VOU SAIR DE CASA!...


O Nilo respirou fundo, vendo como ele passou do limite…mas eu não abandonei ele, soltei um dos ombros dele, e fiquei apoiando em apenas um, enquanto a Elena se apoiou no outro ombro dele.


Os pais dos irmãos olharam pra nós, depois pro Nilo, depois pro Lucas, e continuaram trocando os olhares, eles estavam entendendo algo, a cada segundo que se passava, dava pra ver os olhares deles mudando, demonstrando surpresa, culpa, depois raiva, raiva de si mesmos, depois tristeza, muita tristeza, até terminar em empatia.


E quando aquela espiral intensa de pensamentos passou, tudo que eu vi o casal se aproximando do Nilo primeiro.


Não fazia ideia do que eles poderiam fazer, mas confiei nos adultos e me afastei do Nilo, os adultos olharam pro próprio filho por um bom tempo, até que eles se ajoelharam, e abraçaram o Nilo ao mesmo tempo.


Senhor: me perdoa


Senhora: nós sabemos que você é nosso filho, mas…é muito difícil com o Luca…oas crises…o stress, desculpa.


O Nilo ficou em silêncio total por algum tempo, como se aquele resultado fosse o último que ele tava esperando, e quando ele viu que estava tão perto assim dos próprios pais, ele falou, com a voz e vos chorosa que tinha, e ela não era muito convincente.


Nilo: eu sei…(funga)...eu….sei…(choraminga)...eu sei disso.


O Nilo tentou se controlar, mas era inútil, porque ele já tava chorando, chorando alto, o Lucas, vendo o Nilo chorando, decidiu se afastar um pouco, deixando ele ter aquele momento com os pais, até que ele os abraçou de volta, com muita força, ele não conseguia falar, apenas conseguia se dar o direito de conseguir chorar como uma criança, depois de muito tempo.


Luca: quanto tempo o mano vai ficar assim?


João: difícil dizer, ele tem guardado muita coisa por muito tempo, melhor esperar que ele fique naquela posição por alguns minutos.


Nós vimos a cena, e ela se desenrolou bastante, com os pais abraçados com o Nilo por alguns minutos, até que eles começaram a conversar sobre tudo, sobre o que o Nilo tem feito para manter o segredo, como ele conseguiu fazer todos aqueles movimentos de zagueiro, como ele…como ele praticamente viveu, por anos, escondido deles, mas eles não estavam nem com raiva, eles estavam apenas ansiosos para entender como o filho tem vivido tanto tempo.


João: meu deus, tantos anos, sem ter ideia do que o próprio filho esta fazendo, você acha que vamos cometer erros assim?


Elena: não erros assim, mas com certeza vamos cometer erros como pais de primeira viagem, mas tá tudo bem, (segura minha mão) enquanto estivermos juntos, tudo vai dar certo no final.


Eu não queria acreditar que a minha família iria deixar que eu cometesse um erro tão grande quando tivesse um filho, mas era bom sempre pensar em todas as possibilidades, principalmente quando se tratava de crianças. Mas olhando como o casal e o filho conversavam, sentia que, seja lá o que acontecesse no futuro, a gente conseguiria dar um jeito.


E no meio da conversa dos pais com o filho, eles decidiram finalmente perguntar.


Senhor: nossa Nilo, como você fez isso tudo?


Nilo: eu tive uma ajudinha.


O Nilo falou, enquanto apontou pra mim e pra Elena. Bom, eu sentia que os pais do Nilo sabiam, mesmo que apenas superficialmente, tudo que nós fizemos com o Nilo, mas ter aquela confirmação do próprio filho fez os dois se aproximaram devagar de nós, e…bom, a mãe do Nilo abraçou bem forte a Elena, enquanto o pai apenas segurou minha mão com força, e falou.


Senhor: obrigado


João: não tem de que


Senhor: sei que você e meus filhos são amigos, mas…me fala a verdade, por que você quis ajudar tanto ele? Os favores que ele te pediu não eram nada fácil.


Eu nunca tinha pensado nisso, até agora, tudo que eu fiz foi algo instintivo, meu lado mais primitivo, ao mesmo tempo que era meu lado mais são também, mas mesmo com uma diferença tão grande nos pensamentos da minha cabeça, a resposta veio de forma tão imediata, que eu nem acreditei no que tava saindo da minha boca por alguns segundos.


João: porque eu quis, o Nilo precisava de ajuda, e porque eu queria que ele crescesse tanto como eu sabia que ele podia, por isso eu o ajudei


Senhor: nossa, falou como um pai agora


João: é, eu sei


Senhor: mas, só isso?


João: só


Senhor: não teve nada mesmo a mais que você queria dele?


Nilo: PAI!


João: não Nilo, tá tudo bem…afinal, entender que uma pessoa apenas quer ajudar, é muito difícil.


O pai do Nilo ficou impressionado com o que eu falei, minha voz não tinha deboche ou tom de mentira, eu realmente acreditava no que falava, e assim continuei.


João: pessoas psicóticas, ruins e malignas são algo que é muito naturalizado, muitos já sabem que existem pessoas naturalmente más no mundo…então, é tão estranho assim que existam pessoas que são naturalmente boas, e só querem ajudar?


Senhor: você se chama naturalmente bom então: Isso é meio pretensioso


Joao: (sorri) essas palavras, você pode acreditar nelas ou não, mas não se preocupe, não pretendo me basear nelas, quero me basear nas minhas ações. Agora se me dá licença, preciso ficar um tempo sozinho com o Luca e a Elena


NIlo: bom, se me derem licença, tenho uma comemoração de pizza pra ir


Senhora: ah, claro filho, divirta-se


Nilo: sim mamãe.


E enquanto eu olhava pro Nilo, eu vi como o Sapien estava com um sorriso de criança, e mais uma vez senti meu coração ficando quentinho e feliz por dentro. E depois de nos afastarmos um pouco dos pais do Luca, uma prancha veio até nós, era o tio dos irmãos, mas antes do Luca entrar, ele me deu um abraço e falou.


Luca: obrigado por ajudar o mano


João: de nada, ah, e não se preocupe, nós vamos gravar o campeonato pra levar pra você


Luca: obrigado Joãozinho, e obrigado Lele, não sei se o Mano teria chances de falar direito com a mamãe e o papai se vocês não estivessem ali.


Ainda nao entendia se ele realmente não conseguia aprender a falar direito ou se ele só conseguia falar assim, mas não importando qual era a resposta, fiquei feliz com o que ouvi, mesmo com o Luca ainda tendo um grande caminho pela frente, apenas saber que os pais os levariam a sério de agora em diante com certeza faria ele melhorar muito nos testes.


E com o Luca partindo, com as minhas mãos ainda enlaçadas na da Elena, eu falei.


Joao: nós vamos ser ótimos pais


Elena: unhum, fala isso depois de falar com a Tainá


João: claro claro.


E dando um beijo bem demorado, me separei da Elena, já me preparando pras doideiras que a Tainá iria me fazer passar amanhã.


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