O segundo tempo com certeza ia ser tão intenso, ou talvez até mais intenso do que o primeiro, dava pra ver nós dois times que, se eles estavam brincando a princípio, com certeza a brincadeira acabou agora.
Bom, isso eu já sabia, mas pensar que eles usariam o truque de arremessos de forma tão doida me pegou de surpresa.
As Araras Áridas que começaram o jogo dessa vez, e eles logo começaram a jogar a bola bem pro alto, eu pensei que eles queriam deixá-la cair bem perto da lateral preta, mas não, assim que a bola foi lançada, o verde 6 pegou o verde 3 e o jogou na direção da bola com apenas um braço.
Mas a loucura estava longe de parar, em seguida, o preto 7 pegou o preto 8 e o arremessou no ar também.
No momento da colisão dos dois jogadores, o verde 3 tentou apenas desviar do preto 8, mas o preto 8 abriu os braços e usou a própria aerodinâmica pra conseguir acertar o verde 3 mesmo assim.
Mesmo com o preto 8 só acertando o verde 3 pela mão, ainda foi o bastante pra desestabilizá-lo e deixá-lo com dificuldades para mirar a bola no ar.
E mesmo assim, mais jogadores foram lançados no ar, tentando pegar a bola, que através de toques, continuava sendo passado pelos jogadores, roubada pelo time rival, e sendo atirada no gol, mas com os jogadores nunca usando aura, e apenas sendo lançados no ar.
Eu já tinha visto o time das Ariranhas Áridas fazendo isso várias vezes, mas não era nem perto da maestria da técnica agora, os Zagueiros pegavam os atacantes e os jogavam no ar como se eles não pensassem nada, e enquanto os atacantes não podiam controlar totalmente os movimentos, eles conseguiram modificar a direção deles com a forma que eles abriam os braços e pernas, usando e abusando da resistência do ar ao redor deles.
Ah, e as batalhas aéreas que eles faziam pela bola era incrível, eu nem conseguia dizer exatamente o que eu estava vendo.
Em uma das jogadas, o preto 6 foi arremessado sem rodeios pelo preto 1, em direção a bola, que agora tava voando em pleno ar, e o verde 1, que ainda estava no ar, foi agarrado pelo verde 5 e arremessado na direção do preto 6.
O preto 6 disputou o controle da bola com o verde 1, e depois de 10 segundos, onde eles ficaram segundos de acertar o chão, o preto 6 conseguiu o ângulo perfeito para dar um chute no gol.
O verde 5, assim que caiu no chão, foi pego pelo verde 4, e no segundo que o verde 4 viu o goleiro segurando a bola, o verde 4 arremessou o verde 5 em um ângulo perfeito, pro plano que ele fez apenas olhando os olhos do goleiro verde.
E entendendo de cara o que o verde 4 queria fazer, o verde 2 arremessou o verde 1 em um outro ponto, e o verde 6 arremessou o verde 3 para a frente também.
Os 3 criaram um grande caminho. No meio do arremesso, os pretos 8, 6 e 1 foram jogados pra cima, pra tentar interceptar os verdes.
Mas no meio do voo dos verdes, o verde 1 agarrou o verde 3 e o arremessou na direção do preto 6. Dando uma colisão tão grande que os dois começaram a cair.
Abaixo deles, o verde 2 e preto 3 foram onde eles iriam cair, tentando ver se conseguiriam jogá-los de volta pra cima.
Enquanto isso, o verde 3 pegou a bola, sendo atingido em pleno ar pelo preto 8, e os dois lutaram pela bola em plena queda, parecendo dois pássaros brigando por um inseto.
Até que o verde 2 conseguiu chutar a bola no ar novamente, a jogando na direção do verde 1, que pela distância que foi jogado, ainda estava no ar, e o preto 6 estava quase interceptando a bola.
Mas o verde 1 era uma isca, na hora, o verde 6 arremessou o verde 5 na direção da bola. O verde 5 disputou com o preto 8 por ele ser arremessado na mesma hora, mas o verde 5 conseguiu tocar a bola de volta para o verde 3, que chutou a bola de volta para o verde 1, segundos antes dele ser atingido por um golpe de corpo do preto 1.
O verde 1 estava em meio a uma queda, e mesmo assim, ele se preparou para chutar, ele chutou para o gol, e o goleiro preto tentou parar a bola, mas o verde 1 fez o impossível, que foi jogar a bola no chão, entre as pernas do goleiro…e fazer a bolaentrar no gol.
Um gol…um gol com golzinho ainda, foi algo tão surpreendente que toda a plateia, os apresentadores e os jogadores ficaram em silêncio.
Os jogadores pararam de cair, toda a arena ficou em silêncio, e com o segundo tempo a alguns segundos de acabar, cada um apenas pensou em se recuperar o máximo possível, antes daquela doideira toda ficar ainda maior, porque todos sentiam que tudo só ia ficar ainda mais doido a partir daqui.
E depois de muito tempo, onde eles não conseguiram recuperar aquela diferença, o juiz deu o jogo como encerrado…deixando todos os jogadores parados mais uma vez…era um 2 a 1…as Ariranhas ganharam, foi uma partida acirrada, mas eles ganharam, ELES GANHARAM.
E depois de um momento de choque de 10 segundos, a primeira vuvuzela foi assoprada, e como uma reação em cadeia, todo mundo começou a ficar bem animado, e começaram a gritar bem forte.
Os pais do Nilo falaram alguma coisa, mas eu nem ouvi eles direito, eu apenas consegui gritar e ficar feliz, ele conseguiu.
João: AQUELE DOIDINHO TINHA REALMENTE CONSEGUIDO.
Eu não tinha certeza se eu falei aquilo alto ou não, mas eu nem ligava, logo logo eles entenderiam o que estava acontecendo, porque eu os chamei aqui, porque eu fiz tanta questão que eles vissem essas finais, e porque eu pedi que eles viessem ali…
Depois de cumprimentarem seus adversários, pouco tempo levou para a semana de premiação acontecer.
Cada um dos jogadores do time ganhou uma medalha, mas logo depois, eles ganharam um grande troféu, e ninguém além do jogador verde número 2 que segurou ele, por mais triste que eu estava pelo Nilo não segurar o troféu, depois da jogada que aquele jogador fez, eu meio que entendia porque foi ele o escolhido de segurar o troféu…
Mas então eu vi o jogador trocando de mãos, entregando o troféu pro número 4…o Nilo. E quando ele gritou com todo o ar de seus pulmões, eu senti tanto orgulho que eu senti que poderia morrer feliz, mesmo que ainda tivesse muitos sonhos pra realizar ainda.
Senhora: nossa, aquele jogador número 4 realmente é bem forte
João: você acha?
Senhora: se eu acho? Você viu os movimentos dele, eram movimentos de pessoas que podem parar balas, sei que não sou a maior especialista em futebol, mas a defesa desse jogador é impressionante
João: você nem faz ideia, quer conhecê-lo?
Senhora: eu posso?
João: bom, o jogador número 4 é um amigo meu, tenho certeza que ele não ligaria de dar uns minutinhos do tempo dele pra conversarmos
Senhor: hummm, não sei não João, pelo que eles conseguiram, sinto que a comemoração por essa vitória vai ser grande
João: talvez, mas o jogador número 4 tem uma ideia de recompensa bem diferente de uma festa
Senhor: e como você sabe disso?
João: simples, eu o ajudei a chegar até aqui, agora venham.
Os dois adultos não pareciam entender por completo o que eu quis dizer, mas com muita calma, eu só chamei eles com um sinal, e o Senhor e Senhora Dister me seguiram, ainda meio céticos com o que iria acontecer, enquanto a Elena tava com uma câmera na mão, preparada pra registrar pra sempre a reação dos pais quando vissem a “surpresa”.
Chegar no ponto onde os jogadores campeões estavam indo foi ironicamente bem fácil, apesar do quão grande o campeonato tinha se tornado, o Nilo tinha me falado onde o time dele iria passar (um lugar onde eles não iriam ser pegos por paparazzi), e quando chegamos lá, o time ficou bem animado, já que eu era alguém bem conhecido no time, de um jeito bom.
E assim que ficamos frente a frente com eles, o jogador número 4, agora com suas roupas comuns, saiu do meio dos jogadores.
E as roupas, junto com uma vista bem melhor do que a vista do estágio, o Nilo estava em plena vista dos pais. A cara de espanto do senhor e senhora Dister não me decepcionou, foi realmente algo digno de se tirar uma foto, e como uma garantia de que eles não estavam imaginando nada, o Nilo falou.
Nilo: mãe? pai? Sou eu, o Nilo.
Eles estavam chocados demais pra falar, mas eles ainda tentaram, eles reclamaram, fizeram sinais com as mãos, mas os cérebros deles, que tinham a informação de que o Nilo estava com o Luca naquele momento em uma das seções de terapia dele, não conseguiam entender o que o Nilo estava fazendo ali.
Senhor: ah, Nilo, o que você tá fazendo aqui? Cadê o Lucas?
Nilo: pai, eu vou responder todas as suas perguntas, mas primeiro podemos ir pra um lugar mais particular?
E como se eles tivessem cegos todos esses anos, e apenas agora conseguindo ver direito, eles começaram a ver melhor o próprio filho deles, e viram o quanto ele tinha crescido, e pra alegria deles, o Nilo não tava pronto pra desistir deles.
Nilo: por favor.
Depois do choque inicial de verem o garotinho de antes como um homem finalmente, eles seguiram o Nilo, e quanto mais nos aproximávamos do lugar, mais nós entendíamos que nem todo o discursos do mundo poderia nos preparar pro que iria acontecer daqui a pouco.
Nilo: {ainda bem que você tá aqui, não iria conseguir fazer isso sozinho}
João: {é, eu sei,relaxa que tudo vai dar certo}.
E com um pouco de nervosismo bem pesado dentro dele, o Nilo andou, ainda se preparando, enquanto tentava chegar no lugar certo.
Com certeza ele ficaria surpreso quando visse o nosso reforço, mesmo que ele continuasse bem irritado quando o visse.

