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Caminho da Vitória 🥊 2
☀️Filhos do sol ☀️
2658 palavras • 14822 caracteres • ⏱ 10 min 38 s

☀️Filhos do sol ☀️

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Só tinham se passado 6 meses, só tinham passado 6 meses, eu falava aquilo na minha mente, quase como se fosse um mantra, porque além das batalhas surreais e as dores constantes, ainda tinha o treino super doido do dojo.


O treino do Guaracy era surreal, após passar tanto tempo lá dentro do reino dele, aprendi muito sobre a Aura, a ponto que eu logo iria te dar o segundo Dan da minha faixa, mas antes de eu conquistá-la, eu precisava passar por um teste, um que eu sabia que não tava pronto pra participar, ainda.


Descendo com minha prancha até onde ficava o dojo, entrei pela porta de papel, a guardei dentro de uma salinha e andei bem devagar dentro do corredor.


Para eu conseguir chegar no ponto do Guaracy cedo, eu tinha que chegar antes de todos os alunos do tatame 1 e 2…o que me dava um aperto no coração, o Luca e a Tainá estavam no tatame 2, enquanto eu estava no tatame 3.


que do, a loira se esforçou tanto pra ir pro tatame 2, e agora eu tava me afastando dela de novo, e o Luca, era bem divertido ver ele melhorando cada vez mais, haaa, o tatame 3 não seria a mesma coisa sem esses 2 doidos, mesmo que a Artemis e o Sansão estivessem lá, não era a mesma coisa que meus doidinhos favoritos.


E quando eu entrei na sala de meditação, onde (pra surpresa de ninguém) a Ártemis, o Sansão e vários outros veteranos já estavam meditando.


E respirando fundo, me sentei em uma das almofadas na posição da borboleta. E não importa quantas vezes isso acontecesse comigo, eu sempre achava muito incrível quando rolava, entrei em estado de meditação, respirei e me concentrei por um bom tempo, e bem devagar, senti como água quente, digna de uma banheira de hidromassagem, começou a circular por todo meu corpo, e depois da água cobrir toda a minha cabeça, ela começou a me fazer flutuar.


No meio do voo, abri os olhos pra ver a cena da minha alma saindo do meu corpo, passando pelo teto, me dando uma vista panorâmica de todo o arquipélago do mar azul.


Segundos depois, passei pelo “teto” do céu, e atravessei tudo até ter uma vista panorâmica das grandes montanhas do mar branco, onde os dragões habitam com suas jóias e tesouros, mas eu continuei subindo até chegar no espaço, passei pela lua, e atravessei 8 gigantescos planetas, tudo enquanto minha alma é jogada com mais força e velocidade até o sol.


A 6 meses atrás, sempre que eu entrava naquela dimensão, eu sentia muita dor, porque aquele sol era o verdadeiro, e era tão radioativo, quente e pesado quanto deveria ser. 


Antes, apenas a força gravitacional conseguia quase me esmagar, mas o tempo passava 12 vezes mais devagar ali do que no mundo real, um único treino de 2 horas se tornava um treino de 24 horas, ou seja, um dia inteiro poderia ser treinado em uma única aula. 


E como eu tinha 21 dias de treino em cada mês (já que eu treinava 3 dias da semana) não era exagero dizer que eu treinei por mais ou menos 126 dias, eu já vi histórias onde pessoas treinavam por anos e ade décadas em salas assim.


Mas com o treinador certo, eu não precisei de anos e nem décadas, só precisei de alguns dias, dias apenas de esforço e pura dedicação, um esforço que me fez dominar a Aura, e que me permitiu ficar frente a frente aos grandes dragões na minha frente.


Diferente do segundo tatame, no terceiro tatame o grande Guaraci conectava nossas almas com as de outros seres meditando, como aqui era seu reino, tudo era permitido. 


E numa graciosidade que beirava o divino, em meio as chamas o magma, radiação e calor puro de toda a força do arquipélago, o Guaracy se desenvolveu no meio de todos. 


Ou melhor, o avatar dele, aquela não era a verdadeira forma do Deus do Sol, era apenas um avatar, um fantoche do verdadeiro deus, eu não podia esquecer isso. 


Não importa o quão magnífico o terno de pele de onça e calças de pele de elefante dele parecia, ou como as pinturas tribais se destacavam na pele morena dele, aquilo era um avatar…ERA UM AVATAR.


Guaracy: João, dê um passo à frente.


Depois de ficar naquela dimensão a tanto tempo, o nível de respeito que comecei a ter pelo Deus do Sol, por carregar e trazer tanto poder pra nos era tanto, que tive que me esforçar pra não agir como um servo perto dele, por que isso era algo que o Deus do Sol não gostava por algum motivo. Então só dei um passo a frente, e aguardei novas ordens.


Guaracy: você se esforçou bastante, por mais de 4 meses do tempo da minha dimensão, e agora, está na hora de você lutar contra ele novamente.


E falando aquilo, um grande portal foi criado no chão, e dentro dele, um dragão imenso, com várias pinturas no corpo e um corpo clássico de dragões ocidentais, saiu dele…e quando eu vi o rosto da criatura, minha admiração pelo Guaracy foi substituída pelo intenso e poderoso ódio daquele dragão.


O dragão saiu de dentro do sol como se fosse uma grande borboleta, ainda dá crisálida, abrindo as próprias asas, mostrando asas vermelhas sangue, tentando me intimidar, mas quando o encarei, eu não senti nada além de raiva.


E mesmo com um rosto bem diferente do humano, eu conseguia perceber cada emoção do dragão, e entender que ele estava sorrindo.


João: nos encontramos de novo Ron


Ron: pensei que tivesse te matado da última vez


João: ah, Ron, você não aprende, eu sou um Sapien…


Eu falei aquilo enquanto eu colocava muita força nas minhas mãos.


João: …eu sou muito difícil de matar


Ron: eu sei, mas eu sou um dragão, e dragões são especialistas em matar Sapiens


João: jura? Então você deve ser um dragão com defeito, já que ainda não me matou.


E quando o Ron ouviu o que eu disse, ele avançou com tudo na minha direção, um punho gigantesco que era do tamanho do meu próprio corpo, veio até mim, mas eu não tive medo, eu pisei fundo no chão, joguei minhas mãos no chão e depois as puxei pra cima, fazendo minha Aura criar uma grande montanha de poder a minha volta, e dessa montanha, dois braços gigantescos de pura Aura e poder, surgiram.


Os dragões possuíam a magia de encolhimento para enfrentar sapiens mais fracos, mas sapiens fortes, sapiens como eu, usavam a magia de aumento, ou criavam projeções para conseguir brigar contra os grandes Dragões. E EU ESCOLHI A SEGUNDA OPÇÃO.


Com minha projeção gigantesca de Aura formada, me mantive na posição de lótus dentro do peito da minha projeção, com as mãos nos joelhos, enquanto minha versão gigante se colocou na posição de boxe e deu um soco no Ron, ele recebeu meu soco com uma cabeçada, mas eu ainda consegui joga-lo bastante pra trás.


Ele então começou a jogar sua clássica baforada de fogo em mim, mas depois de tudo que eu já passei com ele, aquilo só servia pra me atrasar.


O atraso era para que ele reajustasse as juntas do próprio corpo, trocando sua forma quadrúpede para a forma bípede, e se pondo em forma de um boxeador. 


Cara, eu nunca deixava de pensar o quanto essa “realocação” era sinistra, mas quando o punho, do agoa bípede Ron, veio pra mim, nao tive muito tempo de pensar que isso era sinistro, apenas pude pensar que eu tinha que bater mais forte e controlar mais meu próprio corpo ainda mais.


Os socos do Ron, assim como todo o dragão possuía uma letalidade de aura diferente de qualquer outra espécie, diferente das outras raças que conseguiam controlar elementos até um certo limite, dragões como o Ron conseguiam colocar a radiação pura na palma de suas mãos.


E mesmo com tudo que eu aprendi sobre radiação com o mestre, receber um soco desses na cara fazia minha defesa vascular bastante. E isso sem nem contar a força pura do dragão, que fazia minha forma gigante quase se ajoelhar muitas vezes.


Mas eu não desisti, derrotei 5 dragões apenas para chegar perto do Ron, então eu aguentei o Jab, defendi a sequência de 2 pares, e defendi com tudo que podia o frontal na barriga e o chute faca no rosto. 


Consegui defender tudo, mas mesmo defendendo, a força e a radiação ainda conseguia me deixar cambaleante, e mesmo com uma dor absurda, ainda fiquei atento pra quando o dragão recusasse. 


E no momento em que ele recuou, eu saltei até o Ron e dei uma grande sequência de golpes, uma sequência tão rápida, tão surreal, e tão frenética que meus golpes faziam parecer que uma grande tempestade de puros trovões em espiral aconteciam em volta de nós dois.


Mas no fundo, nada mudou, em meio a cada explosão elétrica que criava a esfera, os golpes continuavam os mesmos, Jab, direto, peito, direto, faca, aper, cruzado, lowkik, jab, cruzado, aper, swing, uque, peito dois tempos em cima em baixo, jab, direto, cobertura, frontal com a mesma perna sem deixar cair, jab, peito com a mesma perna, troca de guarda, jab, direto, cruzado, faca, frontal em impacto, faca de novo, e com a mesma perna, um faca que empurrou o Ron pra bem longe.


Eu respirei profundamente, enquanto olhava o grande dragão, e sem nem cair, ele apenas enfiou suas garras no chão, foi até mim e começou a sequencia dele, e logo uma energia digna de nível nuclear veio até mim, jab, direto, faca, peito, jab embaixo, cobertura , crusado, uque com a mesma perna, shibarai seguido de faca, dentro, joelhada perna da frente, peito do pé saltado, e sequência de jab, direto, peito faca, aper aper, ura faca, aper aper cobertura frontal.


Apesar do quão bom eu fiquei em fugir, ainda era impressionante pra mim como eu consegui desviar de quase todos aqueles golpes, cada um dos 4 golpes que me atingiram quase me deixaram paralizado, mas eu tive uma resistência boa o bastante pra começar com minha sequência de eletricidade giratória a novamente. 


A minha eletricidade tentava ao máximo possível passar pelas camadas de escamas duras do Ron, mas as escamas dele eram muito duras, e combinado com a Aura, ele parecia uma verdadeira fortaleza que conseguia cuspir fogo.


Enquanto ele tentava me atingir de jeito com a grande manifestação radioativa da Aura dele, mas eu aprendi com as 30 vezes que ele me derrotou que eu não deveria deixar aqueles golpes devastadores me atingirem, não importa o quão difícil ficasse desviar, a dor nas pernas dava pra dar um jeito, a dor dos golpes não.


Quando desviei de mais uma sequência de jab, direto, cobertura, eu fiz a defesa de cobertura pra ficar bem colado com ele, e dar uma sequência absurda de 10 apers, 10 uques, 10 cruzados, e quando ele tentou descolar de mim, eu me mantive colado, impedindo que ele saísse de perto de mim a qualquer custo.


Até que ele deu o chute sbarai mais curto que e ja vi, eu me desequilibrei, e sem me dar chance de respirar, ele fez um chute giratório pra me acertar, mas mesmo naquele ângulo absurdamente ruim pra mim, eu chutei o chão, de uma forma que machucou minha perna, mas consegui me equilibrar no ar e escapar por pouco do chute do Roon, apenas não consegui escapar da sequência de golpes longos que eram os jabs, diretos, e chutes variados do Ron.


Me aproximar do Ron foi difícil, ainda mais quando senti que os golpes dele tavam me afetando cada vez mais…a radiação me deixva tonto, e meu grande gigante vacilava cada vez mais…mas não senti medo, eu olhei com cuidado pro Dragão, tentando achar alguma brecha, e então, entrei.


Logo quando tentei avançar, ele tentou me dar um chute frontal, eu fiz a defesa de frontal, dando um tapa na perna dele e a jogando pra longe, e da forma que ele ficou aberto, dei um jab e um cruzado, que o fizeram defender tudo na mesma hora, e depois de uma joelhada bem na barriga dele, e com a gigantesca eletricidade que transferi naquela aura, vi várias escamas do Ron voando por aí.


Eu fiquei muito feliz quando vi aquilo, mas logo depois o Ron me acertou um direto, eu consegui defender, (vendo como não ia dar pra desviar), mas defender ou não, não importou, não com alguém com uma Aura radioativa, porque aquele foi o último golpe antes do meu corpo ficar mole, fraco, e mal conseguir aguentar a manter a própria forma gigante.


E o pior foi que nem isso fez o Ron parar, mesmo quando me enfraqueci e perdi minha guarda o Dragão continuou me atacando, até que o meu grande gigante de Aura pura fosse totalmente desfeito, e ele não parou ainda, quando minha forma gigante foi desfeita, ele concentrou cada um dos golpes poderosos de Aura radioativa dele no meu corpo verdadeiro.


O punho dele era grande o bastante pra cobrir meu corpo por completo, junto da radioatividade, eu não fazia ideia do que poderia acontecer se ele continuasse, mas não desisti, de forma teimosa, usei toda a força que ainda tia para defender meu corpo e aguentei cada golpe o máximo que conseguia, desafiando meu próprio corpo pra ver onde ele poderia ir.


No meio daqueles golpes destruidores que facilmente matariam muitos novatos e até alguns veteranos do tatame 2, me lembrei como eu perdi pra ele apenas por um soco na nossa primeira batalha, um…soco. 


Mas agora, eu já tinha perdido a conta de quantas vezes ele me acertou nessa batalha, e apesar da dor absurda da radiação e dos golpes que minha alma sofria, não me contive e fiquei alegre demais quando notei o quanto fiquei mais forte, de novo.


E no segundo em que eu estava prestes a perder a consciência, o Guaracy falou.


Guaracy: chega.


E seguindo a ordem do Deus à risca, o Ron se afastou, e apesar de eu estar claramente bem mais machucado que ele, o Guaracy ainda tava ofegante, com a queimadura de raios que eu fiz no peito dele parecendo bem mais feia vendo de bem perto.


E no rosto que antes tinha apenas deboche, agora existia dor e o medo…ha, ele reconheceu, ele tava me vendo como um igual.


Ron: (arfa, arfa) tá, eu admito, você realmente me pegou nessa


João: (fala com dificuldade) tá, isso vindo do cara que ganhou 


Ron: por enquanto, (arfa, arfa) Joao, não sei quanto tempo levará, mas saiba que Romontium, da linhagem da terra, estará lhe esperando no plano mortal.


E se realocando sua cintura e ombros pra se por novamente na forma de quadrúpede, o Romontium (que eu carinhosamente chamava de Ron), fez uma reverência como um quadrúpede(que pelos costumes dragões, era algo bem mais respeitoso que a reverência bípede), e se despediu de nós. E com apenas eu e o Guaracy ali, falei.


João: ele é um carinha legal


Guaracy: todos os dragões são, eles se intitulam “filhos do sol” afinal, eu ficaria bem envergonhado se meus filhos fossem mal educados 


João: é, faz sentido.


E com o Guaracy me ajudando a levantar, e criando uma cadeirinha pra eu me sentar, ele falou.


Guaracy: você já está bem acostumado com a forma de “avatar gigante” para lutas com humanos grandes, mas me fala, quer treinar um pouco mais comigo?


João: bem, se não for nada demais, nós podemos treinar a técnica do Mestre?


Guaracy: ah, claro, afinal, você tera mais uma partida bem intensa logo


João: é, partida.


Eu realmente levava as partidas muito a sério, mas eu não tava querendo aprender isso por causa das partidas, não, eu queria aprender isso porque a “técnica secreta” do mestre era muito incrível para não querer entender ela por completo.


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