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Caminho da Vitória 🥊 2
🐱☕café e gatinhos☕🐱
1590 palavras • 8564 caracteres • ⏱ 6 min 22 s

🐱☕café e gatinhos☕🐱

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Andei até minha casa, naquele mesmo dia, totalmente renovado, disposto a passar o resto do meu dia com a minha mãe, e quando entrei em casa, vi que ela tava fazendo o jantar já.


Mãe: e aí campeão, você pode me ajudar?


João: ah mãe, eu não sou mais campeão já tem um bom tempo


Mãe: você sempre será um campeão pra mim, vem cá ajudar sua velha


João: eu nunca disse que não queria ajudar.


E depois de limpar minhas mãos, eu comecei a ajudar minha mãe na cozinha, eu fazia coisas simples, como cortar batatas, cortar as cebolas e cortar os limões, ela só não deixava eu cortar a carne, porque era algo difícil de se fazer com as carnes que ela comprava.


João: e aí mãe, quer fazer o que?


Mãe: como assim?


João: bom, faz um tempo que eu e você não vamos a lugar nenhum junto, alguma ideia?


A minha mãe olhou pra cima, contemplativa, até que ela falou.


Mãe: bom, que tal nós irmos naquele cat café que eu ouvi tanto falar


João: tá combinado.


E depois dela ferver, fritar e cozinhar a comida toda, nós dois nos arrumamos, eu pus uma roupa mais casual para um café cheio de gatinhos e depois fui até lá junto com a minha mãe.


Enquanto nós andávamos na rua, percebi que o cat café ficava na nossa ilha, o que me fez dar uma risada sem graça.


João: hehe, é engraçado, eu tenho ficado tanto tempo só viajando pra todo lugar que não fosse essa ilha, e eu não conheço nada da cidade


Mãe: não se preocupe querido, não tem muita coisa interessante por aqui


João: isso eu que vou decidir, depois de andar por aí com cuidado


Mãe: mas não agora, né?


Minha mãe falou aquilo colocando o braço dela em volta do meu ombro.


João: ah não, não agora, hoje eu sou todo seu.


E com muito carinho, chegamos no cat café pouco tempo depois.


E o lugar era exatamente o que eu pensava, uma cafeteria fofinha, rosa, cheia de frufrus e desenhos fofinhos, recheada de gatinhos.


E eu fiquei mais feliz do que nunca pela Mamãe ter me trazido até aqui, pensando que se ela não tivesse me chamado, eu provavelmente teria ido até aqui sozinho.


O café e os biscoitos tinham um preço meio grande, mas considerando que eu estava pagando pelo ambiente e pelos gatinhos, valeu a pena.


O lugar era bem espaçoso, tinha 5 mesas com 5 cadeiras cada, cada uma com um grupinho de clientes, e pela cara deles, os 4 grupos eram clientes bem regulares ali.


Haha, só pelos gatinhos já valia bastante a pena, eles eram bem amigáveis, se esfregando em mim bastante. 


Claro, também tinham os gatos “chefões” da casa, que dava pra ver de cara que eles não deixavam muitos clientes os tocarem.


Também tinham os gatos tímidos, que eram aqueles que ficavam desconfiados dos novos clientes, mas eram bem amigáveis com os regulares.


Tinham até alguns gatinhos de apoio emocional, que conseguiam sentir a energia negativa no ar e ronronar perto de pessoas que dava pra ver que estavam mal.


João: nossa, eu sei que animais são mais inteligentes do que nós damos crédito, mas ver esse tipo de completamento deles ainda é muito doido pra mim


Mãe: é, além que os biscoitos daqui são muito bons.


Os biscoitinhos daqui tinham o formato de gatinhos, dava quase pena de comer, mas eu não tinha piedade.


João: hummm, existem 3 tipos diferentes de chocolate nesse biscoito, mas cada um deles está posicionado no lugar certo pra dar pra sentir cada um deles, mesmo que a pessoa coma o biscoito inteiro de uma vez, e cada chocolate parece de primeira qualidade, não é atoa que é tão caro vir pra cá


Mãe: não se preocupa querido, eu pago


João: ah, obrigado mãe, eu ia ter que ficar trancado em casa se eu tivesse que pagar isso tudo.


E com um rosto bem incrédulo, minha mãe analisou meu rosto por um segundo, até que ela se aproximou e fez carinho na minha cabeça e falou.


Mãe: do que você tá falando filho? Eu que te convidei pra vir aqui, deixa que a mamãe paga tudo, tá bom?


João: tem certeza mãe?


Mãe: não me sentiria bem pegando o dinheiro que você tá guardando com tanto carinho.


Ah, a minha mãe sabia, bom, não era como se eu tivesse tentando esconder, mas ainda era incrível pra mim que ela tivesse percebido de algum jeito.


João: bom, vamos comer um pouco mais de biscoitos


Mãe: concordo.


E depois eu e minha mãe ficamos fazendo carinho nos gatinhos, comendo biscoitos e sentindo um pouco de alegria naquele ambiente, até que minha mãe perguntou.


Mãe: e aí, como é que tá nos torneiros?


João: HORRÍVEL.


E com meu grito, o gatinho que eu tava fazendo carinho se afastou, com medo.


João: tá horrível, eu tô lutando com dragões agora, mas é quase como se eu fosse uma formiga pra eles, é sempre que eu fico forte a ponto de ganhar de um dos dragões eles apenas me jogam na frente de um dragão 100 vezes mais poderoso que o último.


Eu ainda tava muito nervoso pelo treinamento doido que o Guaraci e o Mestre me colocaram, então tentei preencher meu nervosismo com doces, café e gatinhos, é, foi realmente uma boa ideia eu pedir ajuda pra minha mãe.


Mas a minha velha ficou me olhando por um tempo, como se tivesse tentando entender um quebra cabeça pela metade, até falar.


Mãe: espera aí, você já ganhou de outros dragões?


João: sim, eu já ganhei de 5, mas apenas os dragões do treino, sempre que eu entro num torneio pra lutar com um dragão competidor, eu perco.


A minha mãe então jogou o corpo tanto pra trás, que por alguns segundos, pensei que ela ia cair da cadeira, mas o gatinho que tava no colo dela não deixou.


Mãe: filho, você sabe que dragões são intocáveis, né?


João: pfff, só pra quem não tenta de verdade, e eu tô tentando, muito


Mãe: e depois você se pergunta por que eu te chamo de campeão


João: mas foram todos dragões falsos, eu só posso dizer que eu realmente consigo lutar com eles quando eu ganhar de um de verdade


Mãe: não fala como se você não tivesse ganhado alguns torneios aqui e ali, claro, prata e bronze podem não ser muita coisa, mas você tem sua cota de ouros também 


João: pois é…mas e você mãe? Como tá indo o trabalho de costureira?


Mãe: ah, sabe como é, o de sempre, milhares de costuras comuns é uma costura especial no fim do mês, não tem nada pra se falar


João: você não tem nenhuma fofoca do trabalho pra comentar?


E quando eu perguntei aquilo, minha mãe mudou completamente a expressão, virando quase uma serpente de tão sinistra que ela ficou.


Mãe: bom, você não ouviu isso de mim, mas parece que a esposa do Enzo fez ele entrar em uma dieta, mas ele tem fugido de casa de noite pra comer hambúrgueres, e pelo jeito ele tem um cumplice


João: meu deus


Mãe: e também tem alguém colocando milhares de desenhos de borboleta na mochila da Marli, e a melhor parte é que ninguém consegue encontrar esse pintor misterioso, nem com câmeras


João: santo Deus


Mãe: e ainda tem o Paulo, que fez a façanha de estragar 5 máquinas de costura ao mesmo tempo enquanto costurava


João: ah não, ele com certeza fez de propósito, não tem como isso ter sido um acidente


Mãe: eu, meus colegas, meu chefe, todo mundo pensa o mesmo que você, mas não temos provas.


 O trabalho da minha mãe era o lugar onde as maiores doideiras aconteciam, pelo que ela me falava de vez em quando, eu tinha certeza que tudo que ela falou podia facilmente ser alguma história sobre como um dos funcionários tentou esquentar a marmita e quase incendiou a loja toda.


João: e aí, alguma fofoca do seu chefe?


Mãe: nada demais, só que ele e a esposa tão tentando ter filhos…e que por causa disso ele não tá trabalhando muito bem com agente 


João: humpf, ele precisa melhorar, porque se ele tá com problemas antes da gravidez e antes do pirralho nascer, quando ele realmente nascer ele vai se demitir do mais profundo desespero


Mãe: vamos orar pra que isso não aconteça.


A minha mãe segurou minha mão com muita força, ela não gostava que as pessoas mudassem no trabalhos porque nunca se dava pra saber quando uma funcionário ou chefe novo era bom ou não, e no meio do desconhecido, a mamãe sempre tentava se manter no que ela conhecia, além de que o chefe dela era uma pessoa muito boa, e ela não aguentaria que ele se demitisse e fosse substituído por um chefe horrível.


João: se você quiser, posso pedir a ajuda de um colega pra dar uma ajuda a ele


Mãe: obrigada campeão, mas vou ter que negar, não quero que ele descubra que eu sei do que tá rolando entre a mulher dele e ele


João: do jeito que você falou, parece que todo mundo já sabe


Mãe: ao contrário, campeão, pouca gente sabe, a mamãe tem olhos e ouvidos bons.


E com um sorriso tranquilo, ela deixou aquela frase no ar.


Tentando não pensar muito no que ela quis dizer com isso, apenas pensei como eu amava quando ela me chamava de campeão, realmente era algo bem legal.


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