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Caminho da Vitória 🥊 2
🏆😴🏆é hora de descansar🏆😴🏆
1921 palavras • 10717 caracteres • ⏱ 7 min 41 s

🏆😴🏆é hora de descansar🏆😴🏆

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Não sabia exatamente quanto tempo tinha passado, mas pra mim, parecia que tinha sido apenas uma piscada, no tempo de uma piscada, eu fui chamado de volta pro palco…e quando eu cheguei lá, vi que tinha um pequeno pódio, do primeiro ate o quinto lugar, e subindo no estagio por uma pequena escadinha que ficava no fim dela, eu olhei com cuidado pra todo mundo na minha frente.


E ali, frente a todos, eu me sentia uma verdadeira estrela, milhares de pessoas olhavam pra mim e me davam aplausos, apenas porque eu me fortaleci, lutei e aguentei até chegar naquele ponto, o ponto onde eu podia apenas ficar ali, no topo onde eu almejei por tanto tempo.


Mas eu não podia tirar meus pés do chão, olhei pra direita, vendo o Ivan, que apareceu tirado do transe de toda a plateia quando me olhou, e quando me viu, ele apontou pra mim, e fez um sinal garantindo que teria uma revanche, e olhando para a esquerda, eu vi o Marcio, e ele apenas olhava pra frente, he, parece que eu acendi as chamas de vingança em mais alguém.


Eu nem tive chance de olhar pros outros, não sem perceber que o grande premiador desceu ao chão. 


E bem na nossa frente, algo incrivelmente bonito aconteceu, não era fora do normal o Guaracy dar prêmios em torneios, na verdade, ser o premiador parecia ser um dos maiores passatempos do Deus, mas ainda era incrível pra mim que um Deus, um ser superior, se dava o trabalho de descer a terra a cada jogo completado apenas pra entregar uma medalha para pessoas tão comuns como eu.


Guaracy: jovem João, você pegou uma grande estrada pra chegar até aqui, se alimentando de segredos antigos, experiências ancestrais, de desejos, de violência e de calmaria para se preparar, você chegou no ponto onde você conseguiu essa medalha, voce não teve oponentes fáceis


João: {foram mais fáceis que os que vieram antes de mim}


Guaracy: {sempre são}.


Não fiquei impressionado que o Guaracy ouviu meus pensamentos, eu tinha quase certeza que ele sabia muito bem porque eu falei aquilo, e apenas não queria me falar nada.


No fim, ele apenas me deu a medalha com bastante cuidado, e depois me deu um abraço bem demorado, aaaaah, o abraço do Guaracy era igualzinho a ser enrolado por um cobertor na temperatura perfeita, a ponto que eu fiquei com necessidade de mais assim que ele se afastou de mim, mas consegui me controlar e apenas ficar feliz com a grande medalha que eu consegui, eu consegui, eu realmente consegui.


Mas tinha algo que chamava bem mais a minha atenção do que a medalha, o simples fato de que o Guaracy não desprezava ninguém, eu vi ele indo, do Ivan até o quinto lugar, olhando pra todos com o mesmo entusiasmo  e falando com o mesmo cuidado que deu a mim, o primeiro lugar. 


E depois que todos receberam as medalhas, cada um foi ovacionado por milhares de pessoas, e nós apenas levantamos nossos braços, deixando tudo aquilo vir até nós, e novamentente jogaram flores em nós, e em pleno ar, eu peguei uma, já pensando que iria dar aquela para a minha mulher especial.


Depois da premiação, eu fui levado pros bastidores, e recheado de todos os lados por vários patrocinadores, e como eu já imaginava que iria ser, eles foram até mim como um bando de piranhas famintas indo atrás de um pedaço de carne, mas eu me recusei a falar com qualquer um deles até chegar no Mestre.


E assim que eu cheguei nele, fiquei impressionado com a forma de debate dele, eu já sabia que o Mestre tinha ajudado alguns alunos, mas não esperei que ele conseguisse fazer uma guerra de argumentos com vários patrocinadores diferentes, e depois dele conversar um bom tempo com o bando de piranhas famintas, um deles se destacou, mas o Mestre deixou eu ouvir o que ele queria fazer primeiro.


Patrocinador: ola, então, o que me diz de tentar um lugar no “vale sussurrante”: 


João: o vale sussurrante? não é no território dos ogros?


Patrocinador: o próprio, você terá 3 batalhas por semana,  e em um mês, você tera a chance de enfrentar o campeão regional, e se você impressionar o suficiente, posso garantir que darei um jeito de conseguir uma briga com Dragões pra você.


AAAAAAAAH, lutar com dragões!? nossa, aquilo parecia absurdo, Dragões eram alucinadamente poderosos, mas todo lutador que realmente desejava ser o mais forte queria lutar contra um…mas eu ainda me segurei, olhei pro Mestre, tentando ver se esse patrocinador era realmente confiável, e com um sorriso e uma simples confirmação na cabeça, eu vi que seria o melhor pra mim, mas eu então olhei pra ele, e falei com a voz mais calma que meu corpo permitia agora.


João: ta, eu aceito


Patrocinador: ótimo.


E depois que tudo foi resolvido, me sentei no chão por um momento, respirando bem fundo, e com o Mestre do meu lado.


Mestre: e ai campeão, com se sente?


João: cansado, você acha que esse acordo vai ser bom?


E fazendo carinho em minha cabeça, meu mestre garantiu…


Mestre: para alguém famoso ao seu ponto, esse é apenas o melhor


João: mestre…você pode me deixar sozinho um minuto?


Mestre: é claro.


E quando meu mestre saiu, eu tirei um pequeno tempo pra sentir tudo, toda a dor dos golpes que eu aguentei, todo o orgulho das coisas que essa dor me fez conquistar, e principalmente a culpa por todas as pessoas que eu ignorei todo esse tempo, meus pais, meus amigos, até a Elena, não me lembro da ultima vez que eu fiz alguma coisa que e gostava com a garota…


Mas com cada arrependimento que eu sentia dentro de mim, um deles se destacou de todos, a culpa de não ter aparecido para o próximo torneio do Nilo, e pensando naquilo, eu comecei uma chamada de mensagens através do meu grimório.


(COMEÇO DA TRANSMISSÃO)


João: oi Nilo


Nilo: oi João


João: olha, desculpa por nao ter ido ver seu torneio, mandou mal demais


Nilo: bom eu tambem nao fui ver seu torneio o torneio que fara você finalmente trabalhar como boxeador, então nós estamos quites


João: não Nilo, não estamos não, eu traí sua confiança e…


Nilo: na verdade, nao, voce nao traiu minha confiança


Parei de digitar no meio do caminho, bem impressionado com o que ele falou.


Nilo: sei o quão importante esse torneio é pra você, assim como você sabe que esse torneio é muito importante pra mim, mas não se preocupe, era apenas as eliminatórias ainda, podia ter perdido, sim, podia, mas se tem algo que eu quero que você veja é a final, porque eu irei para as finais sem nenhum problema, me promete que vai me ver nas finais


João: eu prometo


Nilo: sem hesitação, é assim que se fala, e olha, é sério, não se preocupa, eu tô bem.


O Nilo parou de digitar depois daquilo, mas mesmo não olhando pra ele, eu sentia que ele estava se segurando para não se explodir de raiva, porque por mais que ele dissesse estar calmo, algo em mim me dizia que ele tava com raiva, e como um teste, eu perguntei pra ele.


João: e sobre o nosso plano de falar as coisas pros seus pais?


Nilo: ah, sobre isso, acho melhor agente apenas contar pra eles quando agente chegar nas finais, acredite em mim mano, quando agente chegar para as finais, os meus velhos com certeza vão entender o quão sério eu estou sobre essa “brincadeira de bola” como eles mesmos me falaram antes.


O Nilo parou de digitar por um tempo, como se a próxima digitação fosse difícil de colocar.


Nilo: ainda é bizarro pra mim como eles não levam o Luca a sério, mesmo 3 anos depois, daqui a pouco não vai ser apenas eu que vou esconder segredos deles


João: ah, mas essa parte eu já tenho certeza, parceiro


NIlo: mas enfim, apenas fique tranquilo, vai tudo se resolver, apenas descansa


João: você que manda.


(FIM DA TRANSMISSÃO)


Eu fechei meu grimório, coloquei ele em um lado, e descansei, eu iria fazer aquilo mesmo se ele não falasse nada, porque além do meu cansaço, eu precisei de mais algum tempo para respirar e pensar em todas as doideiras que eu passei até agora, porque por algum motivo, respirar e pensar virou privilégio pra poucos ultimamente.


Esse torneio foi…incrível, não foi apenas a minha vida como boxeador que mudou, agora eu entendia melhor o que eu precisava fazer, as pessoas que eu precisava visitar, os lugares que ainda precisava ir, as coisas que eu precisava aprender, outras coisas que eu precisava ensinar pros outros, e várias seções que eu tinha que ter, não apenas com o Guaracy, mas com a Jacy também, e talvez eu tivesse ate que me encontrar com o grande Tupã em algum momento, mesmo que tudo em mim dissesse que era bem improvável que eu chegasse nesse extremo.


Nossa, tinha tanto o que fazer ainda, mas eu ainda sentia que enquanto os deuses estivessem do meu lado, tudo iria ficar tranquilo. E unindo meus braços em uma oração, eu rezei.


João: (respira fundo) grande Jacy, obrigado por me permitir descansar, pensar e me aperfeiçoar no escuro onde você domina, Grande Guaracy obrigado por apresentar todo o processo que desenvolvi no escuro, a revelando pro mundo e todo o brilho carregado em suas mãos. 


E assim que eu iria falar sobre o todopoderoso, minhas palavras se entalaram na garganta, não por não ter nada a dizer, mas porque eu tinha tanto a falar que a minha garganta entalou de tantas palavras.


João: e o todo poderoso Tupã, obrigado por educar os deuses menores para eles não se corromperem com a maldade dentro deles, pois como seres criados à imagem de Deus, a maldade que habita em nós, também habita nos Deuses, mas como “seres superiores”, ninguém em todo o planeta entende como lidar com elas como vocês.


Tupã era considerado o Deus supremo, o senhor dos raios, e o criador do mundo, em algumas versões ele criou o mundo junto com o Guaracy, mas não dava pra ter certez. 


Tupã, era mais conhecido como o “pai” dos deuses, ele os educou para cuidar dos planetas que eles criaram, na maioria das vezes, ele não interferia em nada, porque seus filhos eram mais do que o suficiente para ajudar os outros…


E quanto mas eu pensava no grande Deus Supremo das Tempestades, mais eu ficava interessado se eu chegaria em um ponto onde eu me encontraria com o Deus no futuro, mas uma coisa de cada vez, eu ainda tinha muito o que fazer.


E no momento em que eu iria chegar na saída, eu me lembrei do que o Guaracy falou.


João: “se alimentando de segredos, conhecimentos antigos e amor” haha, é, eu realmente me alimentei dessas coisas, (põe mão no peito) mas existe uma coisa que meu ser se alimenta bem mais do que as outras coisas…(aperta a mão no peito) violência…(aperta o peito ainda mais forte) joão, e eu ainda tô cheio de fome.


Sozinho naquela sala, eu falei aquilo mais pra mim mesmo do que pra outra pessoa…eu aprendi bem cedo o quão diferente era vou pensar em algo e falar essa mesma coisa em voz alta…e sentindo com um sorriso sinistro tava se criando em meus lábios, eu agradeci que ninguém estava aqui comigo, por que eu com certeza deveria estar parecendo um demônio agora.


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