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Caminho da Vitória 🥊 2
🥳🥊😤hora da verdade😤🥊🥳 parte 2
2488 palavras • 13905 caracteres • ⏱ 9 min 57 s

🥳🥊😤hora da verdade😤🥊🥳 parte 2

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Eu tinha apenas alguns minutos antes da minha última batalha começar, e quando eu comecei a respirar fundo, pensei que tava tudo bem agora, eu já tinha feito mais do que o suficiente para conseguir viver disso, seja lá quem visse minha batalha agora, com certeza iria gostar de patrocinar minha vida profissional, comigo vencendo ou perdendo…


Bom, esse foi minha lógica falando, mas eu não era um ser totalmente racional, que podia ser resumido apenas de pura lógica, junto com vários uns e zeros, não, como um ser humano, eu era bem mais complicado que isso. 


E por mais racional que eu desejasse parecer nesse momento, eu olhava pras minhas mãos e pensava que não era apenas o dinheiro e a glória, eu queria o topo, eu treinei tanto, e mesmo que o Ivan tivesse treinado tanto quanto eu, eu ainda queria me provar, mostrar que eu tinha ficado melhor do que ele, e muito mais forte também.


João: não quero nada do torneio que não seja o topo.


E fechando minha mão com força, me levantei e fui novamente para a grande plateia, e mais uma vez fui pego na grande ovação, um barulho imenso, grande brilho, grandes luzes, enquanto eu não saia da minha entrada do palco.


Mas enquanto eu sentia cada uma daquelas coisas, eu via tudo ficando mais simples, tudo ficou branco e borrado, até que nada além da arena, e o Ivan, estivessem me esperando.


Eu andei devagar até lá, nunca desviando meus olhos daquele Lobo doido, haha, era da forma que a Elena falou pra mim outro dia, foi “ódio à primeira vista”, e quando eu cheguei na arena, olhei com bastante cuidado para o grande lobisomem em sua forma antropomórfica, apenas se preparando para lutar comigo com tudo que tinha.


O Juiz deu a partida pra quando tudo começasse, mas nós não nos movemos, nós dois sabíamos que aquilo não era mais uma simples luta e boxe, então ficamos alguns segundos apenas “carregando” nosso poder.


Eu era livre como o vento, então quando eu comecei a carregar minha força, minhas lutas, minhas caneleiras, meu peitoral e meu capacete, cada um deles começou a ficar amarelo, todo espetado, e até começou a apertar meu corpo, me deixando bem longo.


Enquanto a do Ivan ficou brilhante, forte e intocável, como o ferro mais puro e derretido do mundo, ele parecia intocável, indestrutível e inabalável.


E assim que terminamos, fomos direto na cara um do outro, Nossa primeira colisão fez uma grande onda de choque ser feita.


No primeiro instante, tudo ficou lento, criamos um pequeno bolsão de violência e velocidade e experiência concentrado apenas em nós, que o mundo inteiro pareceu ficar mais lento, incapaz de acompanhar nossa velocidade.


No primeiro golpe, o Ivan tentou me dar um jab, mas eu desviei pra dentro do corpo dele e tentei entrar com um aper, mas era uma finta, e ele tentou me dar um peito pé de trás. 


Esse estado do meu corpo era muito estranho pra mim, mas me fazia exalar confiança o suficiente para eu sentir que podia atravessar a perna do Ivan, ficando intangível, algo que, dopado por tantas emoções positivas, eu tentei.


Mas assim eu tentei, aprendi da pior forma como o ferro nas caneleiras do Ivan consegue impedir que eu ficasse intangível, a dor que eu senti com aquele golpe foi tanta, que eu tinha certeza que meu braço fraturou, nem queria imaginar o que teria rolado se eu tivesse deixado minha guarda aberta.


Mas não era hora de me desesperar, era hora de manter a defesa, e impedir com todas as forças que algo realmente importante ficasse fraturado, e aquele foi apenas o primeiro para uma série de golpes intensa. Cruzado embaixo, aper levantando, cobertura, peito com a mesma perna, sem deixar cair, jab cruzado com a mesma mão.


A cada golpe que o Ivan dava, milhares de pedras eram invocadas, parecendo que um deslizamento estava rolando bem na minha cara, e como uma verdadeira nuvem, eu desviei com a maior velocidade que eu tinha, não tentando parecer intangível, mas apenas tentando desviar com a velocidade absurda que ganhei com minha aura exalando por cada parte de mim.


Mesmo encurralado e quase dançando valsa no joguinho dele, eu não deixei barato pro Ivan também, muito, mas muito longe disso na verdade, e em cada oportunidade em que ele deixava eu atacar, e colocar ele na defesa eu o fazia lembrar a letalidade de relâmpagos, pois as pedras dele podiam até aguentar receber um raio na cara, mas até a pedra mais resistente tinha um limite de quantos raios ela era capaz de aguentar sem ser despedaçada.


Eu chutava desejando matar, porque eu sabia que ele aguentaria, giratorio faca, direto em baixo, crusado subindo, uque, joelhada, agarrada, e mais joelhadas, aper, shibarai, lowkik, e muitos, mas muitos chutes faca na cara dele. E a cada defesa bem feita, mais eu sentia pelo olhar dele que o Ivan fazia a mesma coisa.


O Ivan era tão teimoso quanto eu, porque ele defendeu tudo, fazendo o possível para eu não o acertaram, até que eu consegui, com muito esforço, acertar um cruzado limpo na cara dele, eu queria tanto arrancar os dentes dele, mas a luva não deixou, e eu odiei a luva por aquele breve momento.


Até que eu vi que, mesmo sem arrancar os dentes, a luva desorientou o Ivan, e eu aproveitei pra encurtar e ficar coladinho nele, mas o Ivan tentou me parar com um soco na cara. Vendo que não ia dar pra defender, dei um passo pra trás e joguei minha cabeça pra frente, defendendo usando a atesta.


Claro que ainda doeu muito, mas impedi a mim mesmo de ser nocauteado de vez, e mesmo assi, precisei ficar de guarda alta de novo, e com um chute frontal na barriga, o Ivan tentou me mandar pra longe, e mesmo que ele tivesse me arrastado um pouco, eu consegui defender com meus braços, e com os braços queimando pelo esforço e dor do impacto, olhei pro Ivan.


Cada golpe dele inchava meu rosto, e alguns socos eram tão fortes que passavam pela minha defesa e me davam golpes limpos no rosto, e no meio daquilo, tudo que eu conseguia pensar era, “eu não to piscando”, quando fui derrubado no chão pelo lobão de novo, bem tonto, só consegui ficar feliz depois de perceber que eu não tava piscando, e consegui, eu realmente consegui.


E quando voltei de volta a pancadaria, senti minha Aura ficando bem instável, e não ligando praquilo tanto quanto na teoria eu deveria ligar, eu respirei fundo, e vi ele dar mais uma sequência matadora de golpes na minha cara, minha defesa mudou bastante, rosto, barriga, lateral do corpo, frente do rosto, e isso sem contar as fintas, onde eu tinha quase que adivinhar onde o ataque realmente estava indo, até que ele parou o movimento dele, e logo eu tinha que ir até ele.


Eu fiquei bem pertinho dele, o impedindo de ir pra muito longe de mim, ele tentou me empurrar pra longe, mas eu me mantive grudado e dei um cruzado, um aper, e qualquer outro golpe de curso alcance, e cada golpe era com um grande raio, testando o grande monumento de pedras que era a montanha do Ivan.


Um golpe, um raio, mais montanhas destruídas, mais um golpe, mais uma montanha destruída, mais um golpe, mais uma montanha destruída. Até que o Ivan me deu um chute frontal bem na barriga…eu senti tarde demais o impacto, mas eu senti tintim por tintim o quanto o chute dele afundou na minha barriga, e empurrou meu estômago, a ponto dele ficar tão fino que se minha barriga tivesse cheia de comida, eu teria vomitado ate meus intestinos pra fora.


Meu diafragma foi a segunda vítima do mesmo golpe, sendo atingida a ponto de que respirar até o menor dos ares ficou tão doloroso quanto fumar pela primeira vez.


E a própria dor em si foi tão intensa que senti vontade de gritar, mas eu tava fraco demais até mesmo pra gritar com todos os meus pulmões.


Mas o que eu mais senti naquele momento não foi dor, foi raiva, raiva de mim mesmo, EU SOU MITO BURRO, POR QUE EU DEIXEI UM GOLPE OBVIO DESSE CHEGAR ATE MIM, POR QUE EU SOU AO IDIOTA?


E na grande espiral de auto-depreciação que eu me encontrava, consegui encontrar a força para aguentar cada resquício da dor em mim, e mesmo com meu jogo de respiração jogado pelos ares, continuei aguentando o quanto eu podia. 


A cada soco que o Ivan dava que eu não conseguia defender direto, minha raiva aumentava, e de forma contraditória  eu melhorava, pelo menos o suficiente pra continuar lutando.


Isso até o Ivan me atingir de novo na barriga, foi um chute bem mais fraco que o anterior, mas somado com o último, ficou quase impossível de me mover, tentei me manter no jogo, mas eu perdi totalmente meu jogo de respiração com aquele golpe, então eu fiz um plano suicida, decidi não respirar pelo resto da partida, mas o Ivan percebeu em segundos o que eu tava fazendo e me sufocou com os golpes dele, literalmente.


Quanto mais eu tentava respirar, mais eu era encurralado por ele, até que ele me deu um chute peito, um chute que…eu teria aguentado bem normalmente…mas que agora eu estava fraco demais pra aguentar.


Pensando naquilo, eu me lembrei daquela vez que eu lutei contra aqueles 100 guerreiros de uma vez só, é, o cansaço e falta de força no corpo era igual, a dor era totalmente diferente, mas com apenas aquelas duas igualdades, tinha certeza que podia criar um plano para lidar com esse sufoco supremo que o Ivan me colocou. 


E pela forma como o Lobo me olhava, eu tinha certeza que ele tava impressionado e empolgado pra caramba com o que eu ia fazer.


Hehe, eu sorri de forma divertida pro Ivan, enquanto ele continuava me pressionando, até que eu o acertei bem na mandíbula, que irônico, eu estava me chamando de diota pro deixar um golpe tão óbvio me acertar, mas o Ivan não foi muito diferente também.


Eu tava muito fraco, mas pela grande confiança que o Ivan tava, eu acertei golpes na cabeça dele o suficiente para deixá-lo tão fraco e tonto quanto eu, fazendo ele estar em uma situação tão ruim quanto eu.


E tentando nos recuperar um pouco, eu andei levemente pra tras, tentando aguentar a dor violenta da minha barriga, e no fim, precisei usar toda a força que tinha da minha Aura para me curar. 


Algo que o Ivan não precisou se preocupar tanto, ele ainda tinha Aura o suficiente para exalar pedras para todos os lados, e enquanto chegava perto de mim, ele jogou mais uma vez uma grande avalanche de pedras em mim, em formato de jab, aper com a mesma mão, e faca peito com o mesmo pé, sem deixar cair no chão. 


E depois de lutar com ele por tanto tempo, percebi que ele deixava uma abertura sempre que atacava, enquanto eu rodava minha cintura, senti aquela dor abdominal do chute. 


Senti minha comida revirado de dentro do meu corpo, junto doi meu cérebro considerando desmaio, mas pensando que aquele seria o último golpe, eu estava disposto a aguentar, mas quanto mais esforço eu fazia, mais a dor abdominal voltava.


Meu esforço foi tão surreal que meu rosto deveria estar igual como uma máscara sinistra de tanto que eu tava forçando a cara, tudo por um único chute ura giratorio. Um chute que atingiu o Ivan bem no rosto, destruiu os dentes dele, e o arremessou no ar com uma violência que eu mesmo não esperava.


O pior é que o Ivan não simplesmente caiu, ele foi jogado no ar, o corpo dele quicou no chão duas vezes como se ele fosse uma bola, e depois de arrastar o corpo no chão na terceira vez, o corpo inteiro dele caiu no chao, então ele ficou ali, caído no chão.


E eu…tava fazendo o possível para não desmaiar enquanto respirava bem devagar, mas com respirações curtas, eu mal conseguia me mexer, se o Ivan conseguisse levantar depois daquele golpe, eu iria desistir, claro, isso se eu conseguisse falar a palavra “eu desisto”, algo que eu duvidava conseguir fazer agora…


Mas ele não levantou, eu…ganhei…eu ganhei…eu queria tanto comemorar, mas eu sabia que se eu me movesse muito agora, eu iria provavelmente desmaiar e ia acabar em empate, então fiquei ali, parado por muito tempo, até que mãos cuidadosas me tiraram da arena, e meu cansaço nem me permitiu ver quem era, no estado que eu estava apenas agradeci ao meu misterioso benfeitor.


Uma vez sentado nos bastidores, descansado, e depois de beber um copo de agua pela metade e jogar a outra metade na minha cara. Fiquei bom o suficiente para sentir por completo a dor do meu corpo. E CARAMBA! A MINHA BARRIGA TAVA DOENDO MUITO! NÃO APENAS A MINHA BARRIGA! MEUS BRAÇOS, MINHAS PERNAS, MEUS OMBROS, TUDO EM TODO O MEU REDOR DOÍA TANTO QUE EU NEM CONSEGUIA COLOCAR EM PALAVRA SIMPLES.


João: cara, isso vai doer muito amanhã, e depois de amanhã, e depois de amanhã, e depois de amanhã também


Mestre: é, os maiores campeonatos são assim mesmo


João: quando vai ser a premiação:


Mestre: daqui a uma hora, relaxa, o Guaracy não é sádico, ele vai te dar o tempo que precisa pra se recuperar


Joao: legal


Mestre: é, porque isso me da tempo o bastante pra falar o quanto voce foi um idiota


João: eu sei.


Apesar do Mestre não estar com muita raiva de mim, conseguia ver o cuidado de um mentor estampado no rosto dele, exalando uma genuína preocupação de eu ter me machucado de verdade ali.


Mestre: você baixou sua guarda, você podia ter defendido aquele chute


João: é…eu sei…


Eu falei aquilo enquanto tocava na minha barriga, ainda sentindo a dor nela.


João: não vou cometer esse erro de novo


Mestre: se a sua barriga está doendo tanto quanto eu penso que está, acredito em você


João: ah Mestre, eu tenho certeza que minha barriga tá doendo muito mais do que parece.


Depois de tudo que eu fiz, todo o treinamento, todos os “serviços” com a minha especialização em pinturas que eu fiz aqui e ali, todas as técnicas que eu desenvolvi, todas as pessoas que eu lutei, todas as pessoas que eu lutei, ajudei, aprendi e ensinei. Tudo me levou até esse momento, então eu perguntei.


João: ai Meste, você pode me ajudar a, se sabe, encontrar um bom patrocinador:


Mestre: claro João, agora descansa, você vai precisar de toda a força que você tiver pro que vai acontecer depois disso.


Hehe, sabia que o Mestre nunca blefava, então eu fechei os olhos, respirei fundo, e tentei cochilar um pouco pelo maior tempo que eu podia.


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