Hoje era o dia, eu treinei, me machuquei e me aperfeiçoei por muito tempo, e agora eu estava pronto, pronto para tentar achar meu lugar nos grandes boxeadores, ou pelo menos os grandes o bastante para receberem pagamentos.
O meu primeiro torneio grande era de kickboxe, eu ainda não tinha confiança e nem experiência para tentar uma arte marcial mista, mas talvez eu tentasse em um futuro distante.
Enquanto pensava nisso, eu fui junto com meu pai na carruagem, nós dois não falamos muito, meu pai entendia que eu não queria conversar, e respeitava isso, mas nas poucas palavras que trocamos, eu já consegui me sentir bem melhor.
pai: tá nervoso:
João: muito, mas vou usar esse nervosismo pra ir ainda melhor
Pai: espero que funcione então
João: é, eu também.
Quando chegamos no lugar, tentei não ficar surpreso quando nós tivemos que ir pra um lugar distante do grande mar azul, indo para uma ilha que era digna de um coliseu a roma antiga restaurado em sua gloria, com nada além de uma arena de pedra branca como a neve, para que a carnificina de cada pessoa ali ficasse mais explícita e explicativa possivel.
O torneio era ate bem simples, contando comigo, existiam 12 competidores, eu e o Marcio (um rival meu) estávamos no mesmo lado, enquanto o Ivan estava no outro.
Não me impressionei quando eu tive que fazer um showzinho para a mídia conversando com os outros lutadores, e enquanto eu fazia isso, pensei como eu não imaginava que precisaria ser bom em provocar e irritar pessoas, mas no fim eu fiquei muito bom em fazer promessas pros meus fãs e cumpri-las com a minha vida…
Ainda era doido também pensar que eu tinha fãs, claro, não era uma grande multidão de pessoas, e era ainda menor se eu tirasse minha família dos fãs, mas eram tipo…meus fãs, isso era doido pra mim ainda, comigo pensando que eu não tinha feito o bastante pra ser famoso.
Mas no fim, não consegui pensar nisso por muito tempo, porque logo tive que me focar no meu primeiro oponente.
Durante a batalha, consegui me soltar e me aquecer um pouco um pouco, e com um jab usando uma aura explosiva que eu já conhecia muito bem, eu criei uma grande sequência de socos e chutes explosivos na cara do meu primeiro oponente.
O meu oponente até conseguiu defender, mas com as explosões gigantescas que eu criava com minha aura, ele foi jogado pra fora da arena assim que eu o acertei com um ar que o jogou pra cima, e quando ele caiu na arena, não conseguiu mais se levantar.
O segundo era bem mais rápido e até conseguiu revidar, e me dar um potente jab explosivo de raios bem no rosto, mas eu defendi a tempo, tanto na parte física, quanto na parte mística.
Assim que o punho dele tocou na minha defesa, eu criei uma explosão reversa, onde a minha explosão anulou a dele…não, não apenas anulou, os meus raios defensivos conseguiram o eletrificar a ponto de deixá-lo tonto e desestabilizado.
E com um chute na lateral, joguei meu segundo oponente pra fora da arena.
A cada vitória, eu era levado para os bastidores, onde eu podia me recuperar um pouco e beber um pouco de água, apenas o suficiente para eu conseguir lutar com o meu próximo oponente com tranquilidade, algo que, pros meus 2 primeiros oponentes, não era muita coisa.
E me deixando 0% surpreso, meu Terceiro oponente era Márcio, por ele ser um zumbi, eu não tinha um contato muito grande com ele, mas eu ainda me lembrava muito bem da mão pesada que ele tinha, e o quanto eu queria desafiar aquela mão assassina de novo.
Na minha batalha com o Márcio, deu pra sentir melhor toda a arena onde eu estava, ela era bem simples, uma simples arena de pedra e absurdamente lisa, sem vantagens pra nenhum de nós, mas com o grande brilho que o sol causava no lugar, dava pra sentir o quanto essa arena era sagrada, mesmo que em alguns segundos, ela fosse manchada de sangue de novo.
Quando olhei pra frente, tive uma vista completa do Márcio, ele estava bem maior, mas estava totalmente diferente, com muitos pedaços de corpos diferentes, ele parecia bem desengonçado e absurdamente letal ao mesmo tempo.
Tendo costuras em lugares que não dava pra desviar, músculos que eu tinha certeza que não pertenciam aos corpos originais, e um poder de aura, que fazia ele parecer mais um monstro super inteligente do que um humano.
E essa grande noção de letalidade me fazia levantar meu guarda, já criando minha grande defesa, com caneleiras, luvas, obreiras e até o capacete de boxe, não deixando nada de fora.
Eu não sabia o que estava mostrando pro Márcio com minha postura, mas pela forma como ele olhava pra mim atento, e como ele concentrou uma aura poderosa em seus grandes punhos, sabia que devia no mínimo parecer assustador nos olhos dele.
Nós dois andamos na direção um do outro, sem rodeios, ele era maior do que eu, então me atingiu primeiro, e no meio do ataque, eu vi que o punho dele se incendiou, mas antes daquele punho flamejante me atingir, dei um tapa nele, e eu vi como uma grande explosão de chamas aconteceu nas minhas costas, mas eu logo dei um jab, com um jato concentrado de raios bem na cara dele.
Mas não adiantou muito, já que o Márcio defendeu com a mão ainda na guarda, e aquele foi meu primeiro momento de felicidade, porque o meu golpe foi forte o suficiente para jogá-lo um pouco pra trás, saber que agora eu era igual aquela grande montanha de músculos era algo tão incrível que quase me distrai.
Mas não me permiti sair da luta e voltei a espanca-lo, sequência simples, jab direto, peito, peito, faca, direto, aper, cobertura, jab, jab, faca. E com cada golpe, um grande show de luzes das minhas explosões de raios combatiam as explosões de ataque do Marcio, e em Aura pura, eu vencia ele, mas com a resistência surreal dos zumbis que o Márcio tinha, nós dois ficamos empatados.
E como eu imaginei, era quase impossível atingir as costuras dele, se eu quisesse ganhar dele, teria que ganhar dele a moda antiga, o que me deixava bem alegre que ele melhorou essa “fraqueza” dele antes, hehe.
Depois de uma sequência de peito perna da frente, direto, direto, pêndulo e peito da frente de novo, me senti cansado, e recuei pra recuperar o fôlego, e assim que eu recuei, ele tentou vir atrás de mim, tentando passar pelas brechas criadas pelo meu cansaço.
E por mais que eu tentasse o máximo não deixar brechas, mas era difícil quando minhas mãos ficavam cada vez mais pesadas, e as trocas de defesa constantes, onde uma hora era o rosto uma hora era a lateral do corpo e outra a barriga(um dos pontos mais difíceis e defender).
Não importa o quanto eu tentava, mesmo mantendo a guarda de forma instintiva não valia nada quando o peso das minhas próprias luvas fazia meu rosto ficar exposto, permitindo que um soco saltado cheio de chamas quase me acertasse, seguido por um lowkik que quase me pegou de surpresa, e num ciclo vicioso, quando mais golpes meus punhos conseguiam defender, mais cansados meus braços ficavam.
A única coisa que me fazia ficar calmo era que esse ciclo vicioso valia pro Márcio também, ele tentava manter a guarda no lugar, mas o peso e cansaço do corpo dele (mesmo com ele sendo um zumbi) o traiu, me permitindo chutar a cara dele, mas assim como eu, os reflexos dele o permitam defender coisas como aquela sem problema nenhum.
As explosões de fogo que ele mandava em cada ataque e defesa eram um problema, mas com minha força extra na Aura, eu consegui encurralar bem devagar o Marcio.
E depois de ser espancado um pouco mais com minha guarda alta, assim que ele parou de atacar pra respirar, fui bem fundo na cara dele, tentando um soco, e sendo bloqueado, com meu jato de raios passando por todo o corpo dele e ate desfiando pedaços dos fios dele.
Mas eu só tava começando, em um jab recheado com um poderoso jato de eletricidade também o chute nas costelas com um ura giratório, que mandou a eletricidade pelo corpo inteiro dele, antes de eu parar em pleno ar, sem deixar a perna cair, e dar um chute peito do pé que jogou mais um jato poderoso de eletricidade pelo corpo dele também.
Depois fintei um jab e virei meu corpo de forma perfeita , girando meu quadril, minha cintura, e encaixando o aper de forma perfeita no braço dele, o zumbi defendeu, mas a Aura que se transformou em eletricidade pela perfeição em meu movimento passou por todo meu corpo e o atingiu no cérebro, conseguindo estourar a parte de trás da cabeça dele, a ponto que dava pra ver o ferro fundido que era o novo crânio dele.
Na hora, pensei que a batalha iria parar, mas o Márcio continuou lutando como se nada tivesse acontecendo, e naquele momento, senti que ele apenas aguentou continuar lutando porque ele era um zumbi, mas eu não podia provar isso.
A defesa do Marcio foi perfeita, mas ele ainda foi andando voando, e antes dele chegar no chão, continuei o acertando, explodindo cada vez um pedaço diferente do corpo dele, o deixando cheio de buracos, agora com as minhas explosões elétricas tão concentradas, que meu punho se transformou em uma verdadeira explosão, se expandindo e ficando grande a ponto de atingir todo o corpo do Marcio.
Mas aquilo não adiantou nada, porque os braços do Marcio criaram grandes explosões, não so pra pararem a minha, mas pra jogarem meu corpo pra trás, arrastei meus pés no chão, tentando me manter no lugar, e com a guarda toda torta e meu corpo inclinado pra trás anda, o Márcio tentou me nocautear com um chute frontal em minha barriga exposta, mas eu saltei pra trás e me recuperei o máximo que deu pra aguentar os golpes dele.
E com golpes desesperados, o Márcio tentou passar pelo meu corpo, mas mesmo sendo um Zumbi, a falta de dor quando ele usava a força total do próprio corpo deixou de ser eficaz contra mim, algo que me encheu de felicidade, pensando em como aquele monstro agora era idêntico a mim, me dando muita força pra continuar ainda naquela batalha, mas a força dele, ah, isso era algo que tava claro que eu não podia me esquecer, pelo menos não se eu quisesse vencer.
Quanto mais golpes chegavam em todas as direções, e a minha vez de bater chegava, mais claro ficava que eu precisava passar pela defesa dele se quisesse ter algum progresso, mas assim que eu terminei a minha própria sequência e ele começou a dele, vi que isso seria difícil, nos dois eramos meticulosos para apenas deixar uma brecha um no outro.
Nenhum cansaço era forte o suficiente para que nossas guardas abertas pelo cansaço não fossem fechadas em segundos antes de um golpe realmente nos atingir.
Até agora, o máximo que conseguimos fazer foi através da aura, o fogo dele queimava minha pele até o terceiro grau, me fazendo gritar de profunda dor, e os meus raros queimaram ele por dentro e o desestabilizavam na hora.
E sem fraquezas aparentes, decidi eu mesmo criar uma nele.
Eu não desviei, dos golpes do Marcio, enquanto eu o olhava nos olhos, sentia uma urgente necessidade de jogar meu corpo com tudo nos golpes dele, e em toda a oportunidade que e tinha, eu dava um chute peito, faca e frontal no mesmo ponto, no fim, o Márcio não tinha mesmo um ponto fraco, mas eu mesmo o fiz ter um.
Depois de treinamentos intensos, eu cheguei num ponto onde eu não piscava mais enquanto defendia milhares de golpes defendidos na cara, um fato que me permitia ter uma visão bem mais aberta, uma visão que me permitia ver uma abertura no rosto dele pelo braço cansado, e sem pensar duas vezes, dei um chute peito, rápido com um relâmpago no rosto dele.
Um golpe dado no calor do momento, ao mesmo tempo, calculadamente planejado, e vendo como ele aguentava eu puder, não me contive e joguei todo o meu poder na cabeça dele, colocando todo o meu desejo de violência em um único chute, e por um segundo, eu tive certeza que eu vi milhares de rostos risonhos na minha perna, mas deve ter sido só minha imaginação.
Sem a defesa perfeita, minha explosão de aura atingiu o rosto inteiro do Marcio, sem nada para deixá-la mais leve, eu fiz tanta força que eu decapitei o Márcio, jogando a cabeça dele pra longe…
Se eu tivesse desfeito uma costura, não teria ficado tão sinistro, mas não, o pescoço do Márcio estava inteirinho, então eu não apenas desfiei ele, eu rasguei a carne da garganta dele fora, assim como quebrei os ossos do pescoço dele, criando um som tão sinistro que toda a plateia ficou em silêncio com o que eu fiz.
E apenas pelo som do que eu fiz eu agradeci que o Marcio não sentia muita coisa por ser um zumbi, porque aquilo com certeza devia ter doido muito.
WOW, eu fiquei impressionado com o que eu fiz, e com o corpo do Marcio caindo no chão, e não esguichando nenhum sangue eu agradeci ao Deus do Sol pelo Marcio ser um zumbi, senão as coisas poderiam ter acabado bem ruins pra mim.
Apresentador: OLHA SÓ ISSO, MUITOS DIZEM QUE RAIOS NÃO CAEM DUAS VEZES NO MESMO LUGAR, MAS COM O GRANDE MARCIO MURALHA TENDO O RAIO CAINDO 10 VEZES EM CIMA DELE REALMENTE MOSTRA O PODER DO GRANDE JOAO RELÂMPAGO AGORA VEREMOS SE O GRANDE IVAN DE FERRO AGUENTARA O GRANDE RELÂMPAGO, FIQUEM LIGADOS PARA A GRANDE BATALHA QUE TERÁ.
Apesar do quão empolgado a plateia estava, e o quão maneiro era sentir todo esse poder em minhas mãos, eu também tava bem nervoso de ter sentido essa força em minhas mãos novamente, não fazia ideia que eu podia fazer aquilo, senti o poder que eu tinha em minhas mãos agora era tão maneiro que eu apenas fechei minhas mãos, bem empolgado estava pra ir pro próximo round.
Quando voltei pros bastidores, onde eu poderia me aprontar para a próxima luta, o meu Mestre estava ali comigo.
Mestre: você foi incrível ali, mas não fique muito convencido, tente ficar com o olho no prêmio, você ainda tem que vencer um
João: é, eu sei.
Eu apertei bem forte minhas mãos, a partir de algumas horas, eu iria lutar com o Ivan, um lobisomem que eu considerava meu maior rival, eu sucesso o fazia melhorar, e vice versa.
João: eu já to empolgado pra ver como ele melhorou desde a última vez, e com certeza ele deve estar empolgado também
Mestre: então não o decepcione, tente ficar o mais tranquilo que consiga, pra não estragar tudo quando for pro palco
João: sim mestre.
Uma última batalha, eu não ligava se não vencesse, eu já tinha feito o suficiente para conseguir um bom patrocinador, não era mais sobre dinheiro, era sobre a alegria de vencer, e naquele momento, ninguém conseguia me dar uma batalha tão divertida quanto o Ivan, e eu iria aproveitar esse momento o máximo que desse.

