No dia seguinte, eu acordei bem cedo pra conseguir chegar lá na hora, e como sempre, assim que eu cheguei no coliseu, a Elena estava ali, mas não de forma doce e gentil, ela tava com uma pintura de rosto que era da cor do time, uma blusa oficial vestida e com várias vuvuzelas, que se tocadas ao mesmo tempo, criaram um terremoto. Ela com certeza já tava totalmente pega pelos jogos, diferente de mim, que só tava ali pelo Nilo, e nada mais.
João: bom, lá vamos nós de novo
Elena: acredita em mim querido, isso vai ser incrível.
E quando entramos no coliseu depois de pagar a entrada, nós fomos direto para nossos lugares no meio da plateia, estando bem empolgados pra quando o show começasse.
Tinha um pequeno Show de exibição, junto com algumas falas de patrocínio, e um monte de outras coisas sem sentido e toscas que eu tentava apenas ignorar e apenas focar na pancadaria que deveria rolar logo logo, ah não, pancadaria não, o “show de verdade” é, assim parecia melhor.
E como eu pensei, não durou nem 10 segundos antes do grande time do Nilo aparecer, as Araras Áridas, e olha só, não foi apenas eu que cresci.
Olhando o garoto que tava bem na minha frente, vi o quanto ele cresceu, mas não só fisicamente, mesmo a milhares de quilômetros de mim, eu via como o Nilo também mudou mentalmente, de forma bruta e bem drástica.
Os oponentes deles eram as grandes Aranhas de Rua, e com um cumprimento muito bem feito, o show de verdade, como assim eu dizia, começou.
E depois de uma partida de cara ou coroa, o time preto ganhou a primeira partida, enquanto o time do Nilo, o time verde iria defender.
E novamente, eu olhei pro Nilo e vi que ele não tinha desistido de ser o número 4, ótimo, isso ia deixar mais fácil de perceber quem ele era no meio da confusão que iria rolar daqui a pouco.
E com os dois times preparados, a partida começou, o preto 2 tocou para o preto 5, que tocou pra trás, na lateral preta do campo, perto do gol, onde o preto 7 pegou a bola, e depois tocou pro goleiro preto.
Os verdes 3 e 1 correram pra ir até a bola, mas o goleiro preto chutou a bola pra bem longe, em um ponto da lateral verde onde não tinha ninguém, e o 4 verde correu, chegando junto com o preto 5, e uma grande batalha de dribles começou, onde depois de jogar a bola pra cima, e deixar ela bater em seu próprio ombro, o verde 4 conseguiu controle o bastante pra jogar a bola pro verde 2, que logo a bateu pra frente, pro verde 6, e ele tocou na hora pro meio campo, onde tava o verde 5
O verde 5 estava marcado, mas assim que ele viu a bola chegando, ele correu, porque ela não foi mirada nele, mas um pouco mais distante, o preto 7 até tentou parar o verde 5, mas do meio campo até o canto preto, o verde perdeu a marcação.
Assim que o verde 5 pegou a bola, ele chutou pro verde 3 sem nem tocar nela muito tempo, e assim que o verde 3 pegou a bola, ele chutou com bastante força pro gol, mas o goleiro preto a agarrou com bastante esforço e logo a chutou pra bem longe de novo.
Quando a bola voou pra cima novamente, todo mundo calculou onde iria, e o verde 4 se colocou no caminho do preto 3 dessa vez, com o preto 3 disputando e empurrando para ver quem ficaria no controle, até que o verde 4 empurrar forte o bastante pra jogar o preto 3 pra longe. O dando espaço pra cabecear a bola pro verde 2 de novo.
Assim que recebeu a bola, o verde 2 olhou com bastante cuidado pro campo, e olhando o horizonte, ele viu um verde sozinho, e com um chute equivalente a uma bala de canhão, ele quase jogou a bola pra fora da quadra, mas a bola dele curvou, ido direto para o verde 1.
O verde 1 estava sozinho na lateral preta, junto do goleiro preto, ele não tinha sido marcado porque ninguém achou possível que alguém passasse a boa pra alguem que tava tão perto o gol, mas o verde 2 conseguiu.
E tecnicamente, o verde 1 né pegou a bola, ele se preparou para fazer o chute mais desolador do mundo, e o goleiro se preparar para pegá-la, mas o chute do verde 1 foi fraco, tão fraco que a bola rolou no chão até fazer o primeiro gol da noite…com um rolamento que pareceu quase um chute de criança.
E depois de ver isso, todo o ponto de torcida das Araras gritou de alegria, e os fogo de artifício, que cada vez mais eu tava conseguindo aceitar perto de mim, e eu gritei junto com a Elena soprando a vuvuzela como se fosse uma corneta do fim do mundo pela força que ela tava soprando aquela coisa.
João: AGORA EU, EU EU.
E com aquilo ela me entregou a vuvuzela e eu a assoprei ela com tanta força que eu apenas parei porque eu tava com medo de ter feito ela quase quebrar na minha mão, mas não, ela estava inteirinha, e com um sorriso divertido, ela assoprou a vuvuzela com ainda mais força, e com uma grande salva de aplausos, o jogo continuou.
Depois daquilo, os pretos começaram de novo, e dessa vez, o preto 4 e preeto 2 começaram, e depois do preto 4 receber de volta, o preto 2, 4 e 6 começaram uma investida sinistra, até eles bateram de frente com o verde 2, 4 e 6.
O trio preto tentou enganá-los, tocar as bolas entre si, mas os verdes conseguira se distribuir, e quando uma bola ia pro outro, o verde marcando aquele devido preto pegava a bola, de uma forma tão sinistra que era difícil pensar que era a primeira vez que eles se enfrentavam.
E no pior tipo de combinação, o preto 2 tocou a bola por preto 6, mas quem tava marcando aquele preto era o verde 2, e depois de uma disputa sinistra pela bola, o verde 2 tentou jogar a bola pra longe, mas assim que tentou, a bola foi parada por uma cabeçada do preto 5.
A cabeçada do preto 5 jogou a bola bem na direção do gol, mas ninguém ficou preocupado, mesmo com a força acumulada na bola, o goleiro verde pegou a bola com apenas uma mão, sem nem mostrar um esforço facial, algo que todos os fas verdes se acostumaram bem rapido, mesmo sendo ainda bem maneiro quando ele fazia isso e depois chutava a bola pra bem longe, assim como agora.
Hehe, eu via que a arquibancada das Aranhas estava chocada com o que viu, e com uma risadinha, Elena até chegou a falar pra mim.
Elena: o apelido que o time do Nilo começou a ser conhecido, você já ouviu falar?
João: não, sou um leigo em tudo que não seja boxe
Elena: fortaleza
João: uuuuh, legal, pensei que fosse algo simples como, muralha
Elena: eles até queriam botar isso, mas já tinham pego esse apelido.
E um pouco tristinha, a Elena e eu voltamos a ver mais jogadas, o ataque das Araras(time verde) não era tão forte, mas pra compensar, nada conseguia passar da defesa deles, no primeiro tempo inteiro, ficou apenas como um 1 a 0, pras Araras, e quando o segundo tempo começou, mas uma sequencia de golpes começou.
Os pretos, pegos pelo desespero, até tentaram uma investida suicida, eles jogaram a bola deles direto para o goleiro preto, e todos, dos zagueiros até os atacantes, correram para a lateral verde, em uma investida quase suicida, e quando o goleiro preto chutou a bola, uma grande tempestade caótica de preto e verde foi feito.
Muitos gritos, rostos, sapatos e mãos foram colocados no lugar, com a bola sendo o centro daquela grande tempestade.
E quando toda a confusão pareceu se acalmar, mesmo que só um pouquinho, a bola saiu voando, bem na direção do goleiro, e quando ele estava prestes a pegar a bola sem esforço, o preto 7 apareceu e chutou a bola pra direita de forma limpa, uma defesa quase impossível, quase porque o goleiro defendeu…
Não, ele não apenas defendeu, ele segurou a bola que foi chutada a queima roupa do gol como se não fosse nada.
Quando todos viram que a bola estava com ele, todo mundo ficou em silêncio, os pretos ficaram com medo, e logo depois, começaram a correr com tudo para a lateral preta.
Infelizmente, pra eles, o goleiro verde chutou a bola com toda a força contida dentro dele, e em meio a todos os pretos e verdes, o verde 5 se destacou na corrida, ele correu até que ele ganhou uma diferença de 2 metros pra todo mundo.
Mas ele não chutou a bola pro gol, na teoria, indefeso, não, quando ele pegou a bola, ele chutou ela pro lado, um lado onde o verde 1 estava…e quando todos os jogadores entenderam o que tava acontecendo, já era tarde.
O chute do verde 1 era girado, o goleiro quase o pegou, e então, um dos movimentos mais doidos que eu já vi aconteceu, quando a bola bateu no chão, ela desviou pro lado onde o verde 1 a fez girar, como a porcaria de uma bola de pingpong.
A bola entrou no gol sem problema nenhum, o goleiro preto não conseguiu se recuperar e um movimento tão inesperado como o verde.
E apesar do quão feliz, não apenas eu, mas todo mundo ali presente estava de mais um gol ser marcado, todo mundo, dos vencedores ate os perdedores, dos jogadores até apenas os telespectadores, todos tinham a mesma pergunta na cabeça.
João: é possível mesmo fazer isso com uma bola de futebol?
Elena: eu não tenho certeza, mas pelo que parece, é sim.
Todo mundo tava muito maravilhado para entender por completo o que acabou de acontecer, mas o juiz, um profissional que com certeza já passou por coisas como aquelas em uma cota grande o bastante pra não ficar nem levemente incomodado com aquela cena, assoprou seu som apito nos fazendo acordar da bizarrice do gol e logo começamos a comemorar, mesmo que nós ainda não tivéssemos uma ideia muito grande do que aconteceu.
Foi apenas mais um gol, um 2 a 0, e naquele momento, a moral dos pretos diminui, muito, mas eles não desistiram, eles continuaram lutando, lutando e lutando com toda a força que tinham, e mesmo assim, eles não conseguiram passar pela fortaleza imensa dos verdes que tinha se tornado quase impenetrável, depois que o desespero dos pretos bateu.
Ao mesmo tempo, eles conseguiram manter uma resistência, a ponto de que nenhum outro gol foi feito, foi bem complicado perder numa diferença de 2 a zero, mas desistindo de atacar, e focando em defender, eles conseguiram manter a dignidade de perderem apenas com 2 pontos.
E quando o jogo acabou de vez, todo mundo tava cansado, e pra variar, o time do Nilo estava feliz, eles gritaram de alegria, se abraçaram e até tiraram a camisa e começaram a rodar elas no meio do campo, e considerando o que foi preciso pra chegar naquele ponto, ate que fazia bastante sentido.
E depois do choque daquele lindíssimo gol passar, a plateia ficou bem fervorosa também…até que eu vi, o jogador verde número 4, o Nilo, ali, no meio do campo, olhando pra mim.
Da distância da arena pro palco, ele era apenas um bonequinho no meio daquele imenso campo, e tendo milhares de pessoas ao redor de mim, deveria ser quase impossível me achar, mas quando ele olhou naquela direção, ele olhou pra mim nos olhos e se curvou em respeito, fazendo meu corpo ficar todo feliz e quentinho por dentro.
A plateia ficou alvoroçada quando viu aquilo, mas eu sentia que aquilo era especial, como se fosse apenas eu ali e mais ninguém…e pensando no que aconteceria agora, eu apenas consegui sair do grande coliseu, já me preparando para quando ele chegasse ali.

