Gabriela tinha nove anos quando aprendeu a reconhecer o homem pelo saco antes mesmo de enxergar seu rosto. Bastava vê-lo dobrando alguma esquina de Ituberá, com aquele volume grande apoiado nas costas, para diminuir o passo ou procurar a mãe. Era velho, magro, caminhava devagar e quase sempre vestia as mesmas roupas gastas. Gabriela nunca soubera seu nome nem o vira conversar com criança alguma, mas isso pouco importava. Numa tarde em que se recusara a entrar em casa, Lúcia apontara para o velho, que passava do outro lado da rua, e avisara que, se continuasse desobedecendo, acabaria dentro daquele saco.
Depois vieram outras ameaças parecidas. Se permanecesse na rua até tarde, o Homem do Saco poderia encontrá-la; se saísse sozinha depois de escurecer, ele a levaria. Quando Gabriela perguntava para onde iam as crianças, a mãe nunca respondia da mesma forma. Às vezes dizia que eram vendidas para gente de longe; em outras ocasiões, que ninguém sabia, porque criança levada pelo Homem do Saco nunca voltava para contar. Gabriela preenchera sozinha o que faltava. Por isso, sempre que encontrava o velho carregando o saco enorme, atravessava a rua, entrava numa casa conhecida ou acelerava o passo até deixá-lo para trás.
Naquela sexta-feira, porém, o medo parecia menos importante que a bola. Gabriela jogava com Breno e outras três crianças numa rua da Prainha 2, perto do campinho de futebol. O calor do fim da tarde diminuía, e a partida já durava tempo suficiente para duas mães aparecerem nas portas chamando os filhos. Mais adiante, além das casas e do campinho, o mangue aparecia em vários trechos. Gabriela conhecia aquela paisagem desde pequena e quase não prestava atenção nela enquanto corria atrás da bola.
A voz de Lúcia veio de casa pouco depois. — Gabriela! Já está ficando tarde!
A menina parou com um dos pés sobre a bola. — Só mais um pouquinho, mãe!
— Um pouquinho nada. Antes de escurecer, dentro de casa.
— Já vou!
Esperou a mãe desaparecer pela porta e chutou a bola de volta para Breno. Ele começou a rir. — Tu é doida. Ela vai acabar vindo te buscar pela orelha.
— Ela nem tá vendo.
— Quando tu chegar, ela vai ver.
Gabriela deu de ombros. — Então eu demoro mais pra chegar.
— Grande ideia.
Continuaram jogando até outra criança ir embora e restarem apenas Gabriela, Breno e um menino menor. A claridade já mudava sobre as casas quando Breno anunciou que aquele seria o último gol de verdade. Gabriela concordou porque ouvira a mãe chamá-la outra vez e fingira não escutar. O menor foi para o gol, Breno tentou passar por ela e chutou forte no instante em que Gabriela estendeu a perna. A bola desviou, atravessou a lateral da rua e desceu por um trecho inclinado em direção a um dos trechos de mangue próximos dali.
— Olha onde tu jogou minha bola! — Gabriela reclamou.
— Eu? Tu meteu o pé na frente.
— Porque tu chutou igual um maluco.
— Ah, agora a culpa é minha?
Breno correu alguns passos, mas parou quando a bola desapareceu entre a vegetação mais baixa. Naquele lado, a luz já era menor. — Deixa aí. Amanhã a gente pega.
— Amanhã nada. A bola é minha.
— Então vai tu.
Gabriela olhou para o trecho por onde a bola sumira e depois para as casas. Ainda ouvia gente conversando, uma televisão ligada e vozes vindas da direção do campinho. Não parecia longe. Se corresse, pegaria a bola e voltaria antes que a mãe percebesse quanto havia escurecido. — Vem comigo, Breno.
— Minha mãe já chamou duas vezes. Eu não vou apanhar por causa de tua bola.
— Medroso.
Breno riu. — Medrosa é tu, que atravessa a rua quando vê aquele velho.
Gabriela fez uma careta. — Eu não corro dele, não.
— Corre sim. Semana passada quase entrou na casa de dona Celina.
— Cala a boca.
— Vai buscar tua bola então.
— Vai embora, chato.
Breno saiu ainda dizendo para ela deixar aquilo para o dia seguinte. Gabriela esperou até ele se afastar e desceu sozinha, empurrando alguns galhos para o lado e procurando o branco da bola entre a vegetação. O chão ficava mais úmido conforme avançava. Conhecia aquele mangue de passar por perto e de ouvir os adultos reclamarem quando alguma criança se aproximava demais, mas raramente entrava. Havia naquele ponto um caminho irregular aberto por quem circulava pela área, e Gabriela tentou permanecer nele, convencida de que não precisaria andar muito.
Encontrou a bola presa entre raízes e folhas. Um lado estava coberto de lama, mas ela continuava inteira. Gabriela a puxou, limpou as mãos na roupa e percebeu que precisava prestar mais atenção para distinguir o caminho de volta. A claridade desaparecera depressa enquanto procurava. Abraçou a bola contra o corpo e retornou pelo mesmo trecho, já ensaiando alguma desculpa para a mãe.
Perto da saída, ouviu passos na rua e diminuiu o ritmo. Entre os galhos, uma figura atravessou o pouco de luz que ainda vinha das casas. Era um homem caminhando devagar, com um volume grande apoiado nas costas. Gabriela reconheceu primeiro o saco; depois o chapéu, as roupas gastas e o jeito cansado de andar.
Abaixou-se e apertou a bola contra o peito. Ficaria escondida até ele passar. A voz da mãe voltou à sua cabeça com as ameaças de sempre. Gabriela tinha ficado na rua depois da hora e entrado sozinha num lugar onde não devia.
Os passos ficaram mais lentos do lado de fora. — Menina? — A voz masculina chegou através da vegetação. Gabriela se encolheu ainda mais. — Ei... tem uma menina aí?
Ela não quis descobrir como ele sabia que havia alguém escondido. Virou-se e correu para dentro do mangue.
Os galhos bateram em seus braços enquanto avançava com a bola. O velho chamou outra vez e, quando a voz entrou no mangue atrás dela, Gabriela teve certeza de que ele a seguia. Correu mais rápido, escolhendo qualquer abertura que encontrasse. O chão molhado prendia suas sandálias, raízes apareciam sob os pés e duas vezes precisou abrir os braços para não cair.
— Menina, não corre desse jeito! — gritou o homem. — Vai acabar se quebrando toda!
Gabriela acelerou. Se ele queria que parasse, era porque pretendia alcançá-la.
Tropeçou numa raiz e perdeu a bola. O objeto bateu no chão e rolou para o lado. Ela ainda virou o corpo para procurá-lo, mas ouviu galhos quebrando atrás de si e desistiu. A bronca pela bola perdida podia esperar; primeiro precisava sair dali.
Um estalo surgiu à esquerda. Gabriela mudou de direção e avançou mais alguns metros antes de perceber que havia algo errado. A voz do velho continuava atrás, distante o bastante para que precisasse gritar, enquanto o ruído à esquerda estava muito mais perto. Ela diminuiu o passo e tentou enxergar entre os troncos.
— Menina! — chamou o velho. — Onde tu foi parar?
Gabriela seguiu devagar, contendo o choro. Se o velho conhecesse outro caminho, podia estar tentando cercá-la. A mãe dizia que gente assim sabia onde criança se escondia.
Um ruído arrastado veio adiante. Alguma coisa atravessou o espaço entre duas árvores, e Gabriela conseguiu ver apenas uma parte: algo que tomou por um braço, comprido demais para a distância em que estava, seguido por um volume escuro que se curvou atrás de um tronco. Ela recuou, convencida de que o velho conseguira passar pela frente.
— Eu vou pra casa! — gritou. — Minha mãe já tá me procurando!
Nenhuma resposta veio daquele lado, mas atrás dela o homem tornou a chamar: — Menina! Responde pra eu saber onde tu tá!
Gabriela virou a cabeça. A voz vinha claramente de trás. Quando olhou novamente para a frente, alguma coisa ainda ocupava o espaço entre as árvores.
Uma mão apareceu sobre um tronco. Dedos compridos fecharam-se devagar na madeira, enquanto o braço desaparecia numa sombra que Gabriela não conseguia separar do restante do mangue. Ela recuou. A mão sumiu, e um novo movimento veio da direita.
Dessa vez Gabriela correu sem tentar descobrir o que tinha visto. Já não sabia se seguia para dentro ou para fora. Passava pelos trechos em que seu corpo cabia, afastava galhos e evitava olhar por muito tempo para qualquer sombra. O som acompanhava seus movimentos sem ficar numa direção só; surgia atrás e, pouco depois, adiante ou ao lado. Gabriela começou a chamar pela mãe, mesmo sabendo que já estava longe demais para ser ouvida.
Foi assim que encontrou o velho novamente. Ele apareceu alguns metros à frente, segurando o saco com uma das mãos e tentando enxergá-la entre a vegetação. Gabriela gritou e desviou dele.
— Ô menina, para! — ele chamou. — Eu não vou te pegar, não!
Ela entrou num trecho mais fechado, passou abaixada sob um galho e percebeu tarde demais que o terreno terminava numa parte tomada por água e lama. Tentou voltar, mas o velho já vinha pela única passagem que conseguia reconhecer.
Atrás dela, a vegetação se moveu. Alguma coisa grande atravessava o espaço devagar, curvada para passar sob os galhos. Gabriela viu uma perna fina surgir entre as raízes e desaparecer antes que conseguisse entender onde o corpo continuava.
O velho também viu, deixou o saco no chão e estendeu a mão. — Vem cá, menina. Vem logo. — Gabriela recuou, mas ele manteve a mão estendida. — Não fica aí, não. Vem!
Outro movimento surgiu atrás dela. Gabriela atravessou os poucos passos que a separavam do homem e agarrou sua camisa. Ele a colocou atrás de si. De perto, tinha apenas um rosto cansado, marcado pelo tempo, e cheirava a suor, terra e farinha. O saco aberto no chão também não guardava criança alguma. Gabriela enxergou pacotes embrulhados, uma lanterna, um pedaço de pano e ferramentas comuns.
Um barulho baixo veio da vegetação. O homem pegou a lanterna e acendeu. A luz atravessou raízes e folhas até alcançar alguma coisa curvada alguns metros adiante. Gabriela viu parte do corpo recuar rápido demais para que conseguisse entendê-lo inteiro. Não conseguiu decidir se aquilo tinha rosto; acima dos ombros havia uma região mais escura que desapareceu quando a luz chegou.
— Fica aqui atrás de mim. Aqui, menina — disse o velho, empurrando Gabriela um pouco mais para suas costas.
Ela agarrou a camisa dele. — Que coisa é essa?
O homem estreitou os olhos para a vegetação. — Sei lá... Bicho-Papão, talvez. Tem gente que chama assim. Não sai daí.
Antes que Gabriela perguntasse mais, o velho apanhou uma ferramenta curta que carregava e bateu com ela num tronco próximo. O som seco atravessou o mangue. A criatura se moveu para o lado, e ele virou a lanterna naquela direção.
— Vai embora daqui! — gritou.
A luz encontrou dedos fechando-se numa raiz e logo os perdeu outra vez. Gabriela apertou a camisa do velho. — A gente não pode correr?
— Correr pra onde? — ele respondeu sem olhar para ela. — Tu nem sabe mais por onde entrou.
— Eu quero ir pra casa.
— E eu tô tentando te levar pra casa. Então fica perto de mim e para de sair correndo.
O olhar do velho passou pelo saco aberto no chão. Gabriela acompanhou. — Nem pense.
— Menina...
— Eu não vou entrar aí.
— Tu prefere ficar do lado de fora com aquilo?
Os olhos de Gabriela se encheram de lágrimas. — Minha mãe falou que você bota criança nesse saco.
O velho olhou para ela, depois para o saco, e tornou a vigiar a vegetação. — Ah, então foi isso. Tua mãe falou besteira e tu acreditou. Agora vem, que depois vocês duas resolvem isso.
— Eu não vou.
Alguma coisa pesada bateu na lama atrás deles. O velho se abaixou depressa, tirou os pacotes de farinha e as ferramentas do saco e abriu a boca do tecido. — Menina, escuta aqui. Se eu quisesse te levar, já tinha levado. Entra, fica quietinha e não sai daí por nada. Eu volto pra te buscar.
Ela encarou aquele espaço escuro. Durante anos imaginara o que existia dentro do saco e para onde iam as crianças colocadas ali. Agora via farinha e ferramentas, sentia o cheiro de terra e não encontrava nada parecido com o que sua mãe descrevera. A vegetação estalou novamente, muito perto.
Gabriela entrou.
O tecido grosso raspou em seus braços e pernas, e o cheiro de farinha se misturou ao de terra úmida. O velho não amarrou a abertura; dobrou parte do saco e deixou espaço suficiente para o ar. Antes de se afastar, repetiu em voz baixa: — Fica quieta. Mesmo que escute barulho aqui do lado.
O saco foi arrastado por uma distância curta e deixado no chão. Gabriela levou as duas mãos à boca enquanto os passos do homem se afastavam. Do lado de fora, ouviu uma pancada em madeira e depois a voz dele chamando alto, já mais distante.
Veio um estalo, seguido por movimento sobre a lama. Gabriela fechou os olhos, embora ali dentro isso não fizesse diferença. Pensou na mãe, em Breno e na bola abandonada. Durante muito tempo imaginara crianças chorando naquele saco enquanto eram carregadas para longe. Agora estava exatamente onde mais temera estar e só queria que o velho voltasse.
Um ruído surgiu perto demais. O tecido afundou junto à sua perna, e Gabriela quase gritou. Encolheu-se e mordeu a própria mão quando alguma coisa pressionou o saco outra vez, como se dedos corressem pelo lado de fora.
— Aqui! Ei! Aqui! — A voz do velho veio de mais longe.
A pressão desapareceu. Gabriela ouviu movimento na água rasa, passos pesados e alguma coisa batendo contra madeira. Depois os ruídos começaram a se afastar. Ela perdeu a noção de quanto tempo ficou encolhida até escutar passos retornando.
O saco se mexeu. Gabriela fechou os olhos com força, mas a abertura se levantou e a luz da lanterna atingiu seu rosto. — Pronto. Sai daí devagar.
Era o velho, que precisou ajudá-la a se levantar. Assim que ficou de pé, Gabriela procurou a criatura entre as árvores e não encontrou nada.
— Foi embora?
O homem recolheu a ferramenta que deixara no chão. — Acho que sim. Mas bora sair daqui antes que eu descubra que tô errado.
Gabriela caminhou atrás dele por alguns passos, ainda olhando para a vegetação. — Mas era Bicho-Papão mesmo?
— Eu falei que podia ser.
— Mas você já viu um?
— Menina, eu vi uma coisa feia andando atrás de tu no mangue. Já tá bom pra mim. Vamos embora.
O velho começou a guardar novamente o que retirara do saco. Gabriela observou os pacotes de farinha desaparecerem dentro dele junto com o pano e as ferramentas.
— Então é farinha que você leva aí?
Ele olhou para ela de lado. — Tu achou que era o quê?
Gabriela não respondeu logo. — Criança.
O velho parou, depois soltou uma risada curta pelo nariz enquanto colocava o saco no ombro. — Criança eu só boto aí quando resolve entrar no mangue de noite e me dá esse trabalho todo.
Gabriela não chegou a rir, mas permaneceu quase colada a ele quando começaram a voltar. O velho conhecia o caminho melhor que ela e seguiu com a lanterna acesa, enquanto Gabriela olhava para trás toda vez que alguma folha se mexia. Em um trecho de lama encontraram a bola. Ele a pegou e entregou.
— Então foi essa danada que te trouxe até aqui?
Gabriela abraçou a bola. — Foi Breno que chutou.
— Sei.
— Foi mesmo. Eu só desviei.
— Sei.
— Você não acredita em mim.
— Eu acredito que tu entrou no mangue atrás dela. Já dá pra saber quem vai ouvir bronca quando chegar.
Gabriela apertou os lábios e continuou andando. Quando alcançaram a rua da Prainha 2, havia gente procurando por ela. Algumas pessoas estavam perto do campinho, outras se espalhavam pelas ruas próximas. Gabriela reconheceu a voz da mãe antes de enxergá-la e correu. Largou a bola no chão e se jogou contra Lúcia, que a apertou com tanta força que doeu.
— Onde foi que você se meteu, menina? Breno disse que você entrou perto do mangue atrás dessa bola! Eu mandei você entrar em casa!
Gabriela tentou explicar, mas as palavras saíram misturadas com o choro. Falou da coisa que a perseguira, do velho que a encontrara e de ter ficado escondida no saco. Lúcia demorou alguns segundos para perceber quem estava parado atrás da filha.
O homem esperava a poucos passos, com o saco novamente sobre as costas. — Ela me viu e correu de mim. Quanto mais eu chamava, mais ela entrava no mangue.
Lúcia olhou para o saco e depois para a filha. — Eu dizia pra ela que... — Parou, sem terminar. — Era só pra meter medo. Pra ela entrar quando eu chamasse.
O velho balançou a cabeça. — Pois ela acreditou direitinho.
— Eu nunca pensei que ela fosse...
— Também não tô reclamando. Só não diga mais que sou eu que carrego criança por aí, não. Já basta o peso da farinha.
Lúcia baixou os olhos. — Me desculpe. E obrigada. De verdade.
— Tá tudo certo. — Ele ajeitou o saco no ombro e apontou de leve para Gabriela. — Só explique pra ela que mangue de noite não é brincadeira. Hoje eu tava por perto. Outra vez pode não ter ninguém.
Gabriela olhou para o velho. Pela primeira vez, aquele saco não lhe deu vontade de fugir.
Lúcia agradeceu novamente. O homem se despediu e seguiu pela rua com o mesmo passo cansado de sempre, passando perto do campinho antes de desaparecer entre as casas. Gabriela acompanhou-o com os olhos até não conseguir mais vê-lo.
Naquela noite, Lúcia não precisou mandar a filha deitar. Gabriela foi para o quarto cedo, mas demorou a conseguir dormir. A mãe passou duas vezes pela porta e, na segunda, sentou-se ao lado dela. Gabriela contou novamente o que vira no mangue: a mão agarrada ao tronco, o corpo curvado, os dedos tocando o saco e o nome que o velho usara.
Lúcia ouviu até o fim. — Filha, você estava assustada, já estava escuro... A gente pode enxergar coisa onde não tem.
— Mas ele viu também. Ele acendeu a lanterna. Ele falou que podia ser Bicho-Papão.
Lúcia passou a mão pelos cabelos da filha. — Eu sei que você ficou com medo. E aquele senhor trouxe você de volta. Agora o resto... eu não sei, filha.
Gabriela não insistiu. Quando Lúcia apagou a luz e saiu, ficou algum tempo olhando para a janela. Pensou no velho caminhando pelas ruas da Prainha 2 e percebeu que já não sentia medo ao imaginá-lo com o grande saco nas costas. Talvez, quando o encontrasse outra vez, perguntasse seu nome. Gabriela fechou os olhos. Alguma coisa raspou sobre as telhas.
Gabriela tornou a abri-los e ficou imóvel, escutando enquanto o som atravessava devagar uma parte do telhado até parar exatamente acima de seu quarto.

