Helena aprendera a medir o fim da tarde pelo modo como a sombra da mata avançava sobre o quintal. A casa onde morava com Jonas e o filho ficava em Jatimane, numa área em que o fundo dos terrenos quase se confundia com a vegetação, e durante anos aquela proximidade lhe parecera apenas parte da vida comum. Caio, aos oito anos, crescera brincando ali, correndo atrás de lagartixas, recolhendo sementes e inventando brinquedos com pedaços de madeira antes de voltar para dentro quando a mãe chamava. Jonas também conhecia aqueles caminhos desde jovem e ainda entrava na mata para caçar de vez em quando, embora Helena dissesse que a cada ano ele voltava mais cansado e com menos motivos para continuar.
Naquela terça-feira, Jonas estava terminando de organizar a espingarda quando Helena viu novamente a senhora que aparecia de tempos em tempos perto de casa. Nunca perguntara seu nome nem exatamente onde morava. Era dessas pessoas que pareciam conhecer todo mundo o suficiente para que ninguém se preocupasse com apresentações, sempre andando devagar e recebendo Helena com o mesmo sorriso tranquilo. Naquela tarde, parou diante do quintal, cumprimentou-a e olhou para Jonas preparando-se para sair. — Vai pro mato de novo?
Helena confirmou. A senhora tornou a olhar para ele. — E o fumo? Levou?
— Ultimamente não está levando mais, não. Diz que isso é conversa dos antigos.
— Pois diga a ele pra não inventar moda com o mato.
A repreensão veio acompanhada do mesmo sorriso, sem gravidade suficiente para parecer ameaça. Caio surgiu correndo nesse momento, e a velha enfiou a mão no bolso do vestido. — Venha cá, menino. Tenho uma coisa pra você.
Entregou-lhe um caramelo embrulhado em papel colorido. Helena balançou a cabeça. — A senhora ainda vai acabar com os dentes desse menino.
— Um docinho não mata ninguém. — A senhora continuou seu caminho enquanto Caio já abria o caramelo com os dentes.
Jonas voltou algumas horas mais tarde sem caça alguma e sem qualquer acontecimento que justificasse a advertência. Quando Helena comentou sobre o fumo, ele soltou uma risada curta. — Se bicho fugisse porque eu não deixei presente no mato, eu nunca tinha trazido nada pra casa.
Helena ainda fez menção de responder, mas deixou o assunto morrer.
Na manhã seguinte, Caio terminou o café depressa e perguntou se podia ir à casa de Gabriel. O amigo morava a uma distância que o menino já fazia sozinho, e Helena permitiu depois de mandar que voltasse antes do almoço. Viu o filho atravessar o quintal, passar pela lateral da casa e desaparecer pelo caminho habitual. Não pensou nele novamente até perceber que já passava do meio-dia. Primeiro sentiu irritação; Caio perdia a noção do tempo quando brincava. Preparou-se para buscá-lo e foi até a casa de Gabriel esperando encontrar os dois distraídos, mas a mãe do menino franziu a testa quando Helena perguntou por ele.
— Caio? Ele não veio aqui hoje, não.
Helena demorou um instante. — Como assim, não veio?
Gabriel apareceu atrás da mãe. — Eu nem vi ele hoje, tia.
O incômodo surgiu primeiro como uma pressão pequena no peito. Helena refez o caminho chamando pelo filho, perguntou a duas pessoas se o tinham visto e voltou para casa cada vez mais depressa. Entrou no quarto de Caio apenas para confirmar alguma coisa que nem sabia definir e encontrou a cama desarrumada, um brinquedo aberto sobre o chão e a roupa que ele usara na véspera jogada sobre uma cadeira. Tudo estava exatamente como deveria estar para um menino que acreditava que voltaria em poucas horas. Foi isso que finalmente transformou preocupação em medo. Jonas foi avisado enquanto fazia um serviço nas proximidades e chegou pouco depois; em menos de uma hora, parentes e moradores já procuravam pelas ruas, caminhos próximos e terrenos onde uma criança poderia ter parado para brincar.
Foi uma adolescente algumas casas adiante quem deu à busca outra direção. Assim que viu Helena passando, chamou-a. — Eu vi Caio mais cedo.
Helena segurou seu braço. — Onde? Onde você viu ele?
A garota apontou para uma passagem próxima da vegetação. — Indo praquele lado.
— Ele estava sozinho?
Ela hesitou. — Não... tinha uma mulher com ele.
Helena sentiu o corpo endurecer. — Mulher? Que mulher?
— Sei não. Uma moça.
A descrição era simples demais para ajudar: jovem, cabelos escuros, roupa clara. Mesmo assim, alguma coisa incomodou Helena. Dois ou três dias antes, enquanto recolhia roupa no quintal, notara de longe uma jovem parada perto da vegetação. Não reconhecera o rosto e presumira que fosse alguém procurando caminho ou visitando parentes. Quando tornara a olhar, ela já não estava ali. Na ocasião não dera importância. Agora aquela lembrança mudou de significado.
A hipótese de que alguém tivesse levado Caio espalhou-se rapidamente. Perguntaram por carros desconhecidos, avisaram pessoas de outras partes da comunidade e comunicaram o desaparecimento. Ao mesmo tempo, os primeiros grupos entraram na mata porque a garota insistia que vira Caio seguindo naquela direção com a mulher. Jonas entrou com alguns homens, enquanto Helena acompanhou outro grupo, chamando pelo filho até a garganta começar a arder. Encontraram pequenas marcas de sandália num trecho úmido e seguiram-nas por alguns metros até desaparecerem sob folhas secas, sem qualquer indicação de retorno. Um cachorro levado por um morador farejou uma camisa de Caio e puxou a guia com tanta força que reacendeu a esperança de Helena, mas, depois de vários minutos, parou e começou a andar de um lado para outro. Em seguida girou quase no mesmo lugar, farejando o chão e choramingando como se tivesse perdido não apenas o cheiro, mas a direção de onde viera.
Ainda assim, nada daquilo era impossível. Cheiros se perdiam, crianças desviavam de caminhos e a mulher poderia estar escondida em algum ponto adiante. Foi Helena quem a viu primeiro, parada entre duas árvores talvez cinquenta metros à frente. A distância não permitia distinguir seu rosto, mas ela reconheceu os cabelos escuros e a roupa clara da figura que vira perto de casa dias antes.
— Ei! — gritou Helena. — Moça! Espere!
A mulher permaneceu imóvel. Jonas, que retornara para encontrar o grupo, olhou na direção indicada pela esposa no momento em que a jovem se virou e entrou na mata.
— É ela! — Helena gritou, começando a correr. — É a mulher!
Jonas passou por ela pouco depois. Galhos batiam em seus braços enquanto os dois avançavam, e a mulher surgia ocasionalmente mais adiante, sempre longe o suficiente para impedir que a alcançassem. Helena gritava perguntando por Caio, mas nenhuma resposta vinha. Em determinado momento, porém, a distância pareceu diminuir; ela conseguiu enxergar a jovem atravessando um trecho mais aberto e sentiu a certeza de que finalmente a alcançariam. Jonas acelerou e a mulher passou atrás de uma árvore larga. Quando chegaram ao tronco, não havia ninguém do outro lado.
Jonas continuou correndo. — Ela está aí na frente!
Helena foi atrás. Pouco depois, a roupa clara surgiu novamente muito mais adiante, numa posição que teria exigido que a jovem atravessasse dezenas de metros em poucos segundos. Helena percebeu a impossibilidade, mas a imagem de Caio sendo conduzido por aquela mulher não lhe permitiu parar para pensar nela.
Em determinado ponto, Jonas mandou que ela diminuísse o passo e continuou sozinho. Helena tentou acompanhá-lo, perdeu os dois de vista por alguns segundos e ouviu alguém chamando atrás; eram moradores do grupo que haviam chegado por outro lado. Ela virou apenas para responder e, quando tornou a olhar, Jonas também desaparecera entre as árvores.
Encontraram-no quase quarenta minutos depois, sozinho, ofegante e furioso. Assim que viu Helena, apontou para dentro da mata. — Ela estava na minha frente. Eu estava vendo ela.
— Pra onde ela foi?
— Eu não sei. Eu só fui seguindo.
Um dos homens olhou ao redor. — Jonas... você sabe onde a gente está?
— Eu vim sempre pra dentro.
O homem apontou para uma fita vermelha amarrada num tronco próximo. Era uma das primeiras marcações feitas naquela manhã, poucos minutos depois de entrarem.
Jonas ficou olhando para ela durante algum tempo. — Não. Eu não voltei pra cá.
Ninguém respondeu, e a busca continuou até anoitecer sem encontrar Caio nem a mulher. A primeira noite foi a pior que Helena já atravessara. Gente entrava e saía de casa trazendo café, lanternas e notícias que nunca eram notícias, enquanto alguns grupos continuavam procurando até tarde. Jonas mal falava e repetia de tempos em tempos que tinha visto a mulher; não fora sombra nem confusão, ela estava ali. Helena acreditava porque também a vira. Pouco depois da meia-noite, quando finalmente ficaram alguns minutos sem ninguém entrando pela porta, foi até o quarto do filho e sentou-se na cama. Tentou imaginar onde Caio estaria dormindo, se tinha comido, se estava com frio ou se aquela mulher ainda permanecia com ele. A ideia de alguém observando seu filho enquanto ele chorava foi pior do que tudo que havia imaginado durante as buscas.
Helena levantou-se quando começou a ouvir ruídos demais vindos do fundo do quintal: folhas mexendo, um galho curto quebrando, alguma coisa pesada o bastante para deslocar vegetação. Abriu a porta dos fundos e permaneceu ali por alguns segundos, encarando a mata transformada numa parede escura além do terreno. Não chamou pelo filho. Ficou apenas escutando, até perceber que os ruídos haviam parado e que também não ouvia inseto algum vindo daquele lado. O silêncio pareceu avançar até a porta onde estava. Helena a fechou.
Na manhã seguinte, as buscas recomeçaram em áreas mais distantes, perto de trechos de água e caminhos que uma criança dificilmente alcançaria sozinha. Um grupo voltou dizendo que caminhara quase uma hora na mesma direção e terminara diante de uma árvore marcada por eles próprios; outro encontrou pegadas pequenas que acabavam subitamente num terreno onde não havia pedra, água ou qualquer coisa que impedisse novas marcas. A possível sequestradora também parecia não existir fora da mata. Ninguém reconhecia a descrição, sabia dizer onde morava ou de que família era, e Helena começou a sentir que procuravam duas pessoas que, de alguma maneira, não deixavam rastros suficientes para serem encontradas.
No meio da tarde, a voz de Caio veio de dentro da vegetação. — Mãe!
Helena correu antes de pensar. — Caio!
— Mãe!
A resposta veio mais adiante. Helena seguiu desviando de raízes e galhos, chamando pelo filho. O som não voltou, mas ela continuou na mesma direção, convencida de que o encontraria depois da próxima abertura, até avistar uma fita vermelha presa num tronco e reconhecê-la imediatamente. Passara por ali quase meia hora antes.
Parou e olhou para trás, tentando reconstruir o caminho, mas não lembrava de ter feito curva alguma. Durante alguns segundos, a mata ao redor pareceu diferente não porque alguma coisa tivesse mudado, mas porque Helena já não confiava na própria capacidade de atravessá-la. Tentou localizar pelo som as pessoas que deveriam estar procurando não muito longe e percebeu que não ouvia ninguém: nem vozes, nem passos, nem o cachorro. Apenas as folhas se moviam no alto, embora o ar junto ao chão permanecesse parado.
Quando retornou à casa, sentou-se ao lado de Dona Zefa, uma das mulheres mais velhas que ajudava a preparar comida para quem participava das buscas. Helena permaneceu em silêncio por algum tempo antes de perguntar:
— Dona Zefa... por que tem gente que leva fumo quando entra no mato?
A mulher parou o que fazia e olhou para ela. — Quem foi que lhe falou disso?
— Ninguém. Quer dizer... já ouvi os mais velhos falando.
Dona Zefa tornou ao que fazia. — Tem gente que não entra sem levar, não.
— Mas pra quê?
— Pra não ser enganado.
As mãos de Helena ficaram frias. — Enganado como?
Dona Zefa demorou um pouco antes de responder. — Andar e não chegar. Procurar saída e acabar no mesmo lugar. Essas coisas.
Helena contou sobre Jonas, sobre os grupos e finalmente sobre a voz de Caio. Dona Zefa ouviu tudo sem interromper e, quando ela terminou, segurou sua mão.
— Se ouvir de novo, escute primeiro. Mãe conhece a voz do filho, mas quando a cabeça da gente está desse jeito... — Ela apertou a mão de Helena. — A gente corre antes de pensar.
Pegou então um pequeno pedaço de fumo, embrulhou em papel e colocou na palma dela. — Minha mãe dizia também pra dar um nó na roupa quando o caminho começasse a se embaralhar.
Helena fechou os dedos sobre o embrulho. — Isso tem nome?
Dona Zefa ficou em silêncio por um instante. — Eu aprendi como Caipora.
A palavra não respondeu nenhuma das perguntas de Helena; pelo contrário, fez surgir outras que ela não queria formular.
— E a mulher? Aquela moça?
Dona Zefa desviou os olhos para a mata. — Nem sempre aparece do mesmo jeito.
A segunda noite chegou sem Caio, e Helena não dormiu. Pouco antes das quatro da manhã levantou, colocou uma calça, prendeu o cabelo e guardou o fumo no bolso. Jonas despertou quando ela abriu a porta.
— Onde você vai?
— Procurar Caio.
Ele se sentou. — Agora? Você vai entrar sozinha?
— Ontem entrou gente demais lá e ninguém achou ele.
— Helena...
— Eu vou buscar meu filho.
Jonas ficou olhando para ela por alguns segundos. Depois pegou a faca que costumava levar para a mata e estendeu-a. — Então leva isso pelo menos.
Helena não pegou. — Se for aquela mulher, eu não sei se isso ajuda. Se for o que Dona Zefa falou... ajuda menos ainda.
Entrou quando o céu começava apenas a clarear. Na beira da vegetação encontrou um toco e colocou o fumo sobre ele, sentindo vergonha do gesto por poucos segundos, até lembrar que o filho estava desaparecido havia duas noites. Depois continuou. A mata parecia comum, e era justamente isso que mais a incomodava.
Àquela hora, a luz chegava fraca entre as copas, transformando troncos conhecidos em formas mais largas e os espaços entre eles em corredores escuros. Helena ouviu algumas aves quando entrou, mas os sons diminuíram conforme avançava. Depois de certo ponto, passou a reparar nos próprios passos com uma clareza desagradável: folhas secas quebravam sob seus pés, sua respiração parecia alta demais e, algumas vezes, teve a impressão de que outro ruído acontecia logo depois do seu, como se alguém pisasse no mesmo tipo de folha alguns metros atrás. Quando parava, o segundo som também cessava. Olhou para trás poucas vezes e nunca encontrou ninguém.
Helena tentou decorar árvores, raízes e troncos caídos. Depois de algum tempo passou por uma árvore larga com raízes expostas e, cerca de vinte minutos mais tarde, encontrou-a novamente. Parou, escolheu outra direção e continuou, mas a mesma abertura surgiu à frente pouco depois. Dessa vez não tentou racionalizar. Abaixou-se e amarrou um nó apertado na barra da camisa.
Quando voltou a caminhar, a voz do filho veio da direita. — Mãe!
Todo o corpo reagiu antes que pudesse pensar, e Helena chegou a dar dois passos naquela direção.
— Mãe!
A voz veio mais perto. Ela fechou os olhos, sentindo as lágrimas descerem, mas lembrou da fita vermelha, dos caminhos repetidos e da advertência de Dona Zefa. Não respondeu. Continuou em frente, e a voz não chamou uma terceira vez.
Poucos minutos depois, viu a jovem. Era a mesma mulher, imóvel entre duas árvores, com os cabelos escuros e a roupa clara. Helena sentiu uma mistura de medo e raiva tão forte que por um momento esqueceu tudo que ouvira.
— Cadê meu filho?
A mulher não respondeu.
Helena deu um passo à frente. — O que você fez com ele?
Nenhum movimento veio até que a jovem simplesmente se virou e começou a caminhar. Helena permaneceu parada. Durante dois dias perseguira aquela mulher acreditando que ela havia sequestrado Caio; agora sabia apenas que todos os que tentaram segui-la haviam perdido o caminho. Ainda assim, quando a jovem continuou andando, Helena decidiu ir atrás.
Não conseguia diminuir a distância. Quando acelerava, a mulher permanecia igualmente longe; quando reduzia, ela também parecia reduzir. Passaram por árvores que Helena não reconhecia e por um trecho baixo onde a terra permanecia úmida, enquanto o nó na camisa roçava sua perna a cada passo. Em determinado momento, Helena olhou para o chão e viu as próprias marcas nitidamente impressas na terra molhada. Mais adiante, onde a mulher acabara de passar, não encontrou nenhuma. Ergueu os olhos imediatamente e continuou andando, sem decidir se aquilo significava o que parecia significar.
A jovem desapareceu atrás de um tronco largo, e Helena correu até lá. Do outro lado, Caio estava sentado junto à base de uma árvore.
Ela não soube se gritou o nome dele ou apenas tentou; caiu de joelhos e puxou o menino contra o peito com tanta força que ele reclamou. Estava sujo, com arranhões nos braços e o cabelo grudado à testa, mas estava vivo. Sua pele parecia fria, embora não de um modo que lembrasse doença, e Helena passou as mãos pelo rosto, pelos braços e pela cabeça como se precisasse comprovar várias vezes que nada faltava.
— Onde você estava, meu filho?
Caio olhou ao redor. — Aqui.
— Aqui onde?
O menino tornou a olhar em volta. — Aqui...
Helena segurou seu rosto entre as mãos. — Faz quanto tempo que você está aqui?
Caio franziu a testa. — A gente chegou agora.
Alguma coisa afundou no peito dela. — A gente quem, Caio?
Ele não respondeu imediatamente, e foi então que Helena percebeu o pedaço grosso de orelha-de-pau entre seus dedos.
— Quem lhe deu isso?
Caio olhou para o que segurava. — A moça.
Helena levantou a cabeça, mas não havia ninguém entre as árvores. — Você veio com ela?
O menino confirmou com a cabeça. — Ela falou que eu podia ir.
— Ir pra onde?
Caio deu de ombros. Não sabia.
Lembrava de ter ficado cansado e de chorar porque queria voltar, mas não conseguia explicar onde dormira ou o que comera durante aquele tempo. Disse apenas que, quando chorou demais, a mulher lhe dera aquilo que agora segurava. Para Caio, aparentemente, dois dias não tinham acontecido, e Helena não tentou fazê-lo compreender.
Encontrar a saída foi mais fácil do que deveria. Em menos de meia hora Helena reconheceu um trecho procurado no dia anterior e, pouco depois, ouviu vozes. Jonas apareceu correndo entre as árvores e abraçou os dois antes mesmo de perguntar qualquer coisa.
Caio voltava para casa na terceira manhã.
Nas semanas seguintes, respondeu às perguntas sempre da mesma maneira incompleta. Helena contou apenas que o encontrara dentro da mata e evitou falar da mulher, enquanto Jonas nunca tornou a rir quando alguém mencionava os costumes antigos. Na primeira vez em que voltou a preparar a espingarda, Helena o observou abrir uma gaveta da cozinha e retirar um pedaço de fumo. Nenhum dos dois comentou. Jonas atravessou o quintal, parou diante do velho toco e deixou o fumo antes de entrar na mata.
Quando retornou
naquela tarde, chamou Helena. O fumo havia desaparecido.
Sobre o toco havia apenas um caramelo.

