Pov - Alexandra
O cheiro de metal sempre me pareceu mais honesto do que perfume.
Perfume podia mentir. Podia esconder suor, podridão, medo. Podia transformar uma corte inteira em algo suportável por algumas horas, desde que ninguém olhasse tempo demais para as rachaduras nos sorrisos. Metal, não. Metal cheirava a lâmina, a armadura, a corrente, a sangue antes mesmo de tocá-lo. Era o cheiro de uma promessa simples: algo seria partido.
Naquela manhã, eu estava na sala de guerra de Moonhart com meu pai.
Valeric permanecia diante do mapa central, as mãos apoiadas sobre a borda da mesa, olhando para Lumiar como se o reino já estivesse morto e só ainda não soubesse. A luz fria que entrava pelas janelas altas tocava os fios prateados de seu cabelo escuro e destacava as linhas severas de seu rosto. Ele não parecia ansioso. Meu pai nunca parecia ansioso antes de uma guerra. Para ele, guerras eram apenas cálculos escritos com corpos.
Eu estava ao seu lado, usando armadura completa pela primeira vez fora dos campos de treinamento. O peso das placas nos meus ombros era familiar o bastante para não me incomodar, mas novo o suficiente para me lembrar de que aquele dia não era como os outros. Minha espada repousava na bainha presa à cintura, fria contra minha coxa. Eu mantinha a postura reta, o queixo erguido, as mãos imóveis.
Seraphine sempre dizia que uma mulher que se move demais revela onde pode ser atingida.
Meu pai não me olhou quando falou.
- Lumiar responderá hoje.
- Então ainda acreditam que têm direito a uma resposta? - perguntei.
Valeric sorriu de canto.
- Todos os reis jovens acreditam em direitos até perderem homens suficientes para aprender sobre consequências.
O nome de August Lumiert pairava naquela sala mesmo sem ser dito em voz alta. O jovem rei de Lumiar. O sobrevivente de uma tragédia familiar conveniente demais. O filho que vestia luto como se a corte inteira não sussurrasse sobre a rapidez com que a morte havia limpado seu caminho até o trono.
Eu não o conhecia.
Ainda assim, já desconfiava dele.
Reis que ascendiam sobre cadáveres raramente eram inocentes. E, se fossem, não permaneciam reis por muito tempo.
As portas se abriram com um rangido pesado. Um mensageiro entrou apressado, mas teve inteligência suficiente para não correr diante de Valeric. Ajoelhou-se a alguns passos da mesa e ergueu uma carta selada com cera clara. No centro do selo, vi o brasão de Lumiar marcado em ouro: linhas elegantes, sol nascente, promessa de luz.
Que ironia adorável.
- Vossa Majestade - disse o mensageiro, a cabeça baixa. - A resposta de Lumiar à sua declaração de guerra chegou.
Meu pai estendeu a mão.
O mensageiro entregou a carta e recuou como se tivesse acabado de oferecer uma lâmina pelo cabo errado. Valeric quebrou o selo com o polegar, abriu o pergaminho e leu em silêncio. Seus olhos percorreram as linhas sem pressa. Então ele riu.
Foi uma risada baixa, curta, quase satisfeita.
- Crianças sempre serão crianças.
Olhei para ele.
- O que o rei de Lumiar respondeu?
Valeric dobrou a carta com calma demais.
- Que choraram seus mortos o suficiente. Agora nos darão cadáveres para enterrar.
A sala ficou silenciosa.
Senti algo se acender dentro de mim. Não raiva. Raiva era quente demais, desordenada demais. O que senti foi interesse. Uma pequena faísca fria, o reconhecimento distante de que talvez August Lumiert não fosse tão frágil quanto sua idade sugeria.
Meu pai pousou a carta sobre a mesa e a empurrou em minha direção.
- Alexandra, prepare as tropas. Amanhã vocês partirão para a guerra.
Não perguntei se ele tinha certeza. Não perguntei por que agora. Não perguntei por que Lumiar precisava ser esmagado naquele momento específico, quando seu rei mal havia ajustado a coroa sobre a cabeça.
Eu já sabia a resposta.
Meu pai não queria apenas vencer uma guerra.
Queria construir um império.
Inclinei a cabeça.
- Como desejar, Vossa Majestade.
Valeric finalmente me olhou. Havia orgulho em seus olhos, mas não ternura. Orgulho, para ele, era a única forma de afeto que não parecia uma doença.
- Não manche meu nome com hesitação.
- Nunca manchei.
Seu sorriso aumentou.
- Então vá.
Virei-me sem dizer mais nada e deixei a sala de guerra.
Os corredores do castelo pareciam mais estreitos naquela manhã. Criados se afastavam antes que eu precisasse ordenar. Guardas endireitavam a postura. Nobres que fingiam conversas interrompiam as frases quando minha sombra tocava o chão perto deles. Eu sentia os olhares nas minhas costas, sentia os sussurros querendo nascer e morrendo antes de ganhar coragem.
A princesa de Moonhart marcharia.
E, quando eu marchava, homens morriam.
O campo de treinamento ficava abaixo das muralhas internas, grande o bastante para comportar fileiras inteiras de soldados, cavalos, armas e máquinas de cerco. Quando cheguei, o céu estava carregado de nuvens escuras, e o vento puxava os estandartes negros de Moonhart para o leste, como se até eles já apontassem para Lumiar.
Os soldados estavam posicionados em formação. Centenas de homens e mulheres usando couro, malha, placas de ferro, rostos jovens demais, velhos demais, assustados demais. Alguns já tinham visto batalha. Outros ainda carregavam nos olhos aquela esperança idiota de que a guerra fosse apenas glória coberta de hinos.
Eu caminhei diante deles.
A conversa morreu.
Cassian Draeven estava à frente do batalhão principal, montado em um cavalo escuro. Meu vice-general não precisava erguer a voz para impor presença. Tinha rosto severo, ombros largos, cicatrizes antigas e uma forma de olhar para o mundo como se já tivesse decidido quais partes dele mereciam sobreviver. Quando me viu, desceu do cavalo e inclinou a cabeça.
- Alteza.
- General.
Subi na plataforma de pedra usada para discursos e observei o exército reunido.
Eles olharam para mim.
Alguns com lealdade.
Alguns com medo.
Ambos serviam.
- Hoje, Moonhart deixa de esperar - comecei. Minha voz atravessou o campo com clareza, fria o bastante para calar até o vento. - Lumiar recebeu nossa declaração e escolheu responder com arrogância. Amanhã, marcharemos contra eles.
Vi fileiras se endireitando. Punhos apertando lanças. Capacetes se voltando na minha direção.
- Não vou prometer glória - continuei. - Glória é uma palavra bonita usada por nobres que não pisam em lama. O que prometo é mais simples: sangue, fome, frio, dor e morte. Alguns de vocês não voltarão. Alguns voltarão sem partes do corpo que trouxeram consigo. Alguns voltarão com pesadelos que jamais aprenderão a nomear.
Ninguém se moveu.
Bom.
- Mas aqueles que permanecerem de pé verão Moonhart avançar sobre Lumiar como uma lâmina atravessando carne macia. Estamos indo tomar poder. Estamos indo quebrar um rei que acredita que juventude é o mesmo que força. Estamos indo mostrar ao continente que desafiar Moonhart não é coragem. É suicídio.
O silêncio que se seguiu tinha peso.
Apoiei a mão sobre o cabo da espada.
- Espero que estejam prontos para dar a vida pela vitória de nossa nação. Mas ouçam bem: se eu descobrir traição, deserção ou covardia deliberada, não mandarei carrascos fazerem o serviço por mim. O corpo do traidor será levado à praça, diante dos aldeões e diante da própria família, e eu mesma terminarei o que a falta de honra começou.
Um tremor passou pelas fileiras.
Não de movimento. De entendimento.
- Tenham coragem. Não corram. Não implorem. Não desperdicem aço. Matem como quem entende que uma besta morta não morde pela segunda vez.
Cassian me observava sem expressão, mas seus olhos estavam atentos.
- Amanhã, marcharemos - declarei. - Hoje, preparem-se. A guerra não perdoa os lentos.
Desci da plataforma.
Só então o campo explodiu em movimento.
Ordens começaram a cruzar o ar. Ferreiros correram para revisar lâminas. Escudeiros ajustaram correias, soldados conferiram aljavas, cavaleiros levaram montarias para serem alimentadas. Os estandartes foram separados. Carroças de suprimentos alinhadas. Máquinas desmontadas para transporte. Eu passei o resto do dia designando batalhões, escolhendo oficiais, dividindo médicos, organizando tendas, alimentos, armas e vigias.
A guerra começava muito antes do primeiro grito.
Começava no cálculo.
No fim da tarde, quando as nuvens já escureciam o horizonte, Cassian se aproximou com uma lista nas mãos.
- O terceiro batalhão está pronto. O quinto também. Os arqueiros pediram mais flechas.
- Negue metade do pedido.
Ele ergueu os olhos para mim.
- Metade?
- Se tiverem flechas demais, alguns vão atirar sem pensar. Quero precisão, não desespero.
Cassian pareceu considerar. Depois assentiu.
- Sim, alteza.
- E os curandeiros?
- Distribuídos entre as companhias.
- Não todos.
- Alteza?
- Mantenha um grupo protegido no centro da marcha. Se os colocarmos espalhados demais, serão os primeiros alvos quando Lumiar tentar quebrar nossa formação.
O canto da boca dele quase se moveu. Quase.
- Está pensando como general.
- Eu sou general.
- Sim - disse ele. - Está.
Não respondi.
Na manhã seguinte, partimos antes que o sol terminasse de nascer.
Os portões de Moonhart se abriram sob o som de tambores. O exército avançou pelas estradas de pedra, serpenteando para fora da capital como uma sombra armada. Atrás de nós, o castelo permaneceu no alto da colina, escuro, imenso, observando. Meu pai assistia de uma varanda, pequeno pela distância, mas ainda assim impossível de ignorar.
Não acenei.
Ele também não.
Cassian cavalgava ao meu lado, seu cavalo acompanhando o ritmo do meu. Atrás de nós, as fileiras marchavam em disciplina pesada, lanças eretas, armaduras rangendo, rodas de carroça cortando a lama. Durante horas, o mundo foi feito de cascos, ferro e respiração.
Não havia hinos.
Eu não permiti.
Hinos faziam soldados pensarem em glória. Eu precisava que pensassem em sobrevivência.
Ao entardecer, quando o céu começou a se manchar de violeta e cinza, ergui a mão. A marcha desacelerou até parar.
- Acamparemos aqui.
A ordem correu pelas fileiras.
As tendas foram erguidas em círculos estratégicos, não em desordem confortável. Arqueiros ficaram nas extremidades. Cavalos protegidos ao norte. Suprimentos ao centro. Curandeiros longe o suficiente das fogueiras para não se tornarem alvo óbvio. Designei vigias para cada intervalo da noite, mandei tochas serem colocadas em pontos irregulares para confundir observadores distantes e proibi qualquer soldado de se afastar sozinho.
Quando a primeira estrela apareceu, entrei na tenda de estratégia.
Cassian veio logo atrás, seguido por três generais escolhidos para comandar os batalhões principais.
O mais velho era Maeron Halvek, um homem de barba grisalha, rosto marcado por campanhas antigas e orgulho demais preso nos ombros. A segunda era Daria Voss, uma general de olhos escuros e postura firme, conhecida por sobreviver a cercos que teriam matado comandantes menos pacientes. O terceiro era Torren Kael, mais novo que os outros dois, mas com uma mente rápida e uma crueldade prática que eu apreciava quando bem direcionada.
O mapa de Lumiar estava aberto sobre a mesa, preso por adagas nas pontas. Pequenas peças representavam muralhas, estradas, rios e possíveis postos de vigia.
Apontei para a capital inimiga.
- Deem-me ideias de como podemos invadir o reino deles.
Maeron foi o primeiro a falar.
- Um ataque frontal ao amanhecer. Se marcharmos antes que estejam preparados, podemos romper os portões com aríetes e força bruta.
Cassian não pareceu satisfeito.
- E perder metade dos homens antes do meio-dia - respondeu, seco. - As muralhas deles foram construídas justamente para resistir a esse tipo de orgulho.
Maeron estreitou os olhos.
- Orgulho vence guerras quando há coragem para sustentá-lo.
- Orgulho enche covas - disse Cassian. - Coragem sem inteligência só muda o nome da derrota.
Antes que a discussão crescesse, Daria inclinou-se sobre o mapa e apontou para a parte oeste da cidade.
- Há registros de túneis antigos sob essa região. Aquedutos abandonados, talvez esgotos. Uma pequena tropa poderia entrar durante a noite e abrir um dos portões por dentro.
Torren cruzou os braços.
- Arriscado.
- Menos do que jogar soldados contra flechas - ela respondeu.
- Eu sugiro cerco - disse Torren, aproximando-se da mesa. - Cortamos suprimentos, bloqueamos estradas, impedimos reforços. Em alguns dias estarão com fome. Em algumas semanas, estarão implorando.
O silêncio caiu sobre a tenda.
Observei o mapa por alguns segundos.
Um ataque rápido custaria sangue. Um cerco custaria tempo. A infiltração custaria poucas vidas se desse certo, mas poderia condenar todos se falhasse. Nenhuma vitória vinha limpa. Nenhum comandante digno fingia o contrário.
Daria respirou fundo antes de falar novamente.
- Há outro ponto, alteza.
Olhei para ela.
- Fale.
- Se entrarmos massacrando todos, venceremos uma batalha e perderemos o reino. Mas se anunciarmos que civis, curandeiros e crianças serão poupados, talvez o próprio povo nos ajude a derrubar seus governantes.
A tenda ficou imóvel.
Maeron pareceu ofendido pela palavra poupados. Torren ficou pensativo. Cassian apenas me observou.
Passei os olhos pelo mapa, mas minha mente já não estava somente nas muralhas. Estava nas ruas. Nas casas. Nas pessoas que não seguravam espadas, mas que ainda assim seriam esmagadas se eu permitisse.
Meu pai chamaria aquilo de fraqueza se ouvido pela boca de outra pessoa.
Mas não era fraqueza.
Era domínio.
Um povo morto não paga impostos. Uma cidade em ruínas não produz pão. Uma criança assassinada se torna o tipo de mártir que cresce dentro da memória de uma mãe até virar rebelião.
Ergui o olhar.
- Então será assim - declarei. - Nenhum civil será morto. Nenhuma criança será ferida. Curandeiros serão poupados, mesmo que estejam tratando homens do outro lado. Quem desobedecer a essa ordem responderá diretamente a mim.
Maeron abriu a boca.
Fechei os olhos sobre ele.
Não precisou mais do que isso.
- Estamos indo tomar um reino - continuei, fria o bastante para que todos me ouvissem sem ousar interromper. - Não transformá-lo em um cemitério.
Cassian sustentou meu olhar por um breve segundo. Havia algo diferente em sua expressão. Não surpresa. Talvez respeito.
- Uma rainha que mata todos os seus futuros súditos governa apenas ruínas - disse ele, com a voz baixa. - Mas uma rainha que mostra misericórdia antes da vitória pode fazer o próprio povo abrir os portões.
Rainha.
A palavra ficou entre nós por um instante.
Eu ainda não era rainha. Era princesa. General. Herdeira.
Mas Cassian sabia, assim como todos naquela tenda deveriam saber, que títulos eram apenas coroas esperando o momento certo de tocar a cabeça correta.
Voltei-me para os generais.
- Então está decidido. Amanhã marcharemos até a primeira fortificação de Lumiar. Faremos uma distração pelo leste, onde eles esperam força bruta. Enquanto olham para nossas bandeiras e aríetes, uma tropa menor avançará pelo oeste, usando os túneis indicados por Daria. Quando abrirmos um dos lados da cidade, os anúncios serão feitos.
Torren franziu o cenho.
- Anúncios?
- Sim. Todo civil que permanecer em casa viverá. Toda criança será protegida. Todo curandeiro poderá trabalhar sem ser tocado. Mas qualquer homem ou mulher que pegar em armas contra Moonhart será tratado como combatente e morto como tal.
Maeron inclinou a cabeça, rígido.
- E se o povo se revoltar?
- Então aprenderá a diferença entre misericórdia e permissão.
Ninguém respondeu.
- Dispensados.
Os três generais se curvaram e saíram. Cassian permaneceu por um momento a mais, olhando para o mapa como se ainda calculasse caminhos invisíveis.
- Algo a dizer, general?
Ele ergueu os olhos.
- Apenas que seus soldados lutarão melhor por uma comandante que sabe a diferença entre conquista e massacre.
- Cuidado, Cassian. Isso quase soou como elogio.
- Talvez tenha sido.
- Então está ficando imprudente.
Pela primeira vez naquela noite, ele quase sorriu.
- Boa noite, alteza.
Ele saiu.
Fiquei sozinha.
A tenda pareceu maior sem vozes dentro dela. Do lado de fora, o acampamento respirava em sons baixos: passos na lama, cavalos inquietos, metal sendo polido, soldados fingindo dormir. A guerra tinha um tipo próprio de silêncio. Não era ausência de barulho. Era espera.
Sentei-me diante da mesa, tirei a espada da bainha e peguei a pedra de amolar.
O som da lâmina contra a pedra preencheu a tenda.
Lento.
Preciso.
Repetitivo.
Afiar uma espada exigia paciência. Força demais estragava o fio. Fraqueza demais não fazia diferença. Era como governar. Como matar. Como sobreviver.
Passei o dedo próximo à lâmina, sem tocar de verdade.
Queria que cada corte fosse limpo. Cada golpe necessário. Cada soldado de Lumiar que cruzasse meu caminho entenderia que sua última escolha havia sido permanecer diante de mim.
O tecido da entrada se abriu de repente.
Um mensageiro entrou pálido, ofegante, os olhos arregalados de terror.
Levantei o rosto devagar.
- General...
A mão dele tremia.
- Fale.
- Um dos batalhões foi envenenado.
A pedra de amolar parou.
O mundo pareceu estreitar-se ao redor daquela frase.
- Repita.
Ele engoliu em seco.
- Não sabemos como aconteceu. Vários homens caíram depois da refeição. Os curandeiros estão tentando conter o veneno, mas... - sua voz falhou. - Encontramos algo no fundo dos copos.
Levantei-me.
- O quê?
O mensageiro estendeu a mão trêmula. Sobre a palma, havia um pequeno disco metálico, fino como uma moeda, manchado de vinho e resíduo escuro.
Peguei o objeto.
Mesmo sob a luz fraca da tenda, reconheci o símbolo gravado ali.
O sol nascente de Lumiar.
Por um instante, nada em mim se moveu.
Depois arremessei a espada.
A lâmina passou ao lado do rosto do mensageiro e se cravou no poste de madeira atrás dele, cortando uma linha rasa em sua bochecha. O homem ficou imóvel, branco como os lençóis usados para cobrir cadáveres.
Aproximei-me o suficiente para que ele sentisse minha respiração.
- Da próxima vez que trouxer uma notícia dessas, não trema como se já estivesse morto. Isso me dá ideias.
- S-sim, general.
Arranquei a espada da madeira.
Do lado de fora, vozes começavam a subir. Passos correndo. Ordens perdidas no escuro. O cheiro de medo entrou na tenda antes mesmo de eu sair.
Prendi a lâmina na bainha e caminhei em direção à noite.
Se August Lumiert queria que eu soubesse que ele podia matar sem se aproximar, então a mensagem estava recebida.
Agora eu lhe enviaria uma resposta.
Uma que gritasse.

