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Coroa de Sangue
Capítulo 2
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Capítulo 2

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Pov - August 


Eu estava sentado no trono de Lumiar havia apenas três dias quando aprendi que o luto ficava melhor em mim do que a inocência.


O salão inteiro estava vestido de preto. Cortinas escuras cobriam as janelas altas, abafando a luz dourada da manhã, e as chamas das velas tremiam em castiçais de prata como se também fingissem tristeza pela morte da família real. Havia nobres de cabeça baixa, damas com lenços pressionados contra os olhos, conselheiros em silêncio respeitoso e guardas imóveis junto às colunas. Todos pareciam mergulhados em uma dor solene, cuidadosamente educada, dessas que se exibem diante de um trono para provar lealdade aos mortos e utilidade aos vivos.


Eu observava tudo do alto da cadeira que, até poucos dias antes, pertencia ao meu pai.


O trono era frio. Mais desconfortável do que eu esperava. Talvez porque poder, quando finalmente conquistado, nunca fosse tão confortável quanto os tolos imaginavam. Ou talvez porque ainda houvesse manchas invisíveis demais sobre ele. Sangue não precisava permanecer no tecido para continuar ali. Algumas mortes se agarravam ao mundo com mais teimosia do que outras.


Inclinei o rosto, permitindo que a sombra da coroa recém-colocada caísse sobre meus olhos. Meus dedos repousavam no braço do trono, imóveis, elegantes, controlados. Eu sabia como pareciam. Sabia exatamente o que todos viam quando olhavam para mim.


Um rei jovem demais.


Um filho devastado.


Um irmão sobrevivente.


Uma vítima da tragédia.


A última luz de uma linhagem quase apagada.


Que bela mentira.


Edric Valecourt estava alguns passos abaixo do trono, à minha direita, usando preto como todos os outros, embora sua expressão carregasse uma espécie de diversão tão bem escondida que somente eu seria capaz de reconhecê-la. Edric sempre soube onde posicionar o rosto certo. Era uma habilidade rara e, por isso, eu o mantinha por perto. Homens sinceros demais morriam rápido nas cortes. Homens como Edric aprendiam a sorrir apenas com os olhos quando a boca precisava parecer respeitosa.


Uma duquesa idosa chorou alto demais diante de mim. Um conde murmurou que Lumiar jamais se recuperaria de tamanha perda. Outro nobre jurou que minha dor era a dor de todo o reino.


Quase ri.


Minha dor.


Ah, sim.


Aquela era a parte mais engraçada.


Apoiei uma das mãos sobre o peito e baixei a cabeça com a exatidão de um homem esmagado pelo sofrimento.


- Meu irmão Florian era íntegro - eu disse, e minha voz saiu suave, rouca no ponto certo, como se a tristeza tivesse arranhado minha garganta durante a noite. - Teria sido um grande rei se os deuses não o tivessem chamado tão cedo.


Algumas pessoas fungaram. Outras abaixaram ainda mais a cabeça. A rainha viúva de um ducado menor levou a mão à boca, comovida pela generosidade de minhas palavras.


Generosidade.


Florian teria rido se ainda tivesse ar nos pulmões. Ele nunca acreditou que eu fosse capaz de generosidade. Também nunca acreditou que eu fosse capaz de vencê-lo. Foi seu segundo maior erro. O primeiro foi beber o vinho que eu lhe ofereci com as próprias mãos.


- Lumiar perde um príncipe digno - continuei, olhando para a multidão como se cada rosto diante de mim importasse. - E eu perco um irmão que jamais poderá ser substituído.


Edric inclinou a cabeça.


- Vossa Majestade é de uma piedade admirável - disse ele, com voz baixa, perfeitamente respeitosa. - Todo o reino lamenta seu sofrimento.


Ninguém percebeu a lâmina escondida naquelas palavras. Ninguém além de mim.


Piedade admirável.


Sofrimento.


Quase deixei o sorriso aparecer. Quase.


A corte inteira via um rei enlutado. Edric via o menino bastardo que havia crescido nas bordas da família real, aceito apenas quando era conveniente, lembrado apenas quando era necessário humilhar alguém. Ele via o filho de uma empregada que meu pai nunca deixava esquecer a origem. O príncipe menor. O erro escondido sob sedas caras. O irmão que Florian tratava com desprezo polido e Cedric com uma compaixão tão ofensiva que às vezes doía mais do que o deboche.


Pobre August.


Doce August.


Gentil August.


Eles acreditaram tanto nessa farsa que morreram abraçados a ela.


E talvez fosse isso que tornasse tudo tão satisfatório.


Quando a cerimônia terminou e a corte foi dispensada, o salão esvaziou-se em murmúrios, passos discretos e perfumes caros. Permaneci no trono até que os últimos nobres saíssem. Um rei de luto não se apressava. Um rei de luto deixava que todos vissem o peso que carregava. Só quando as portas se fecharam e os guardas ficaram a uma distância segura, permiti que meus dedos relaxassem.


Edric subiu os degraus devagar.


- Foi uma bela atuação - disse ele.


Olhei para o salão vazio.


- Acha?


- Quase chorei.


Dessa vez, eu ri.


Não alto demais. Não como um louco, porque loucura era vulgar e homens vulgares eram fáceis de derrubar. Ri baixo, com a mão ainda apoiada no braço do trono, deixando a diversão escapar como veneno entre os dentes.


- Florian teria detestado meu discurso.


- Florian detestava qualquer coisa que não fosse sobre ele.


- Verdade.


- Cedric teria acreditado em cada palavra.


Meu sorriso diminuiu.


Cedric sempre acreditava.


Era a pior qualidade dele.


Levantei-me do trono e desci os degraus lentamente, sentindo o peso da coroa sobre minha cabeça como uma vitória que ainda precisava ser defendida. A morte da minha família não havia sido um acidente, nem uma tragédia, nem uma sucessão cruel de doenças e ataques vindos dos deuses. Havia sido trabalho. Planejamento. Paciência. Um tipo de arte que nenhum deles havia sido inteligente o bastante para admirar.


Meu pai foi o primeiro.


O rei Alaric Lumiert morreu em meus braços, o que deu à corte uma história tocante para repetir. O filho renegado encontrando o pai ferido. O príncipe bondoso gritando por socorro. O herdeiro improvável tentando salvar o homem que nunca o amou.


A verdade era menos bonita.


Eu ainda lembrava do calor do sangue dele escorrendo sobre meus dedos. Lembrava do modo como seus olhos se arregalaram quando entendeu que não havia assassino algum fugindo pela janela. Não havia inimigo mascarado, não havia invasor, não havia complô estrangeiro dentro de seus aposentos.


Havia apenas eu.


Seu filho.


O filho que ele jamais chamava de filho quando podia evitar.


Ele estava caído contra o tapete escuro, a mão pressionada contra a ferida que eu mesmo havia aberto. O orgulho ainda resistia em seu rosto, mesmo enquanto a vida escapava dele. Meu pai sempre fora teimoso. Até para morrer parecia querer fazer disso um julgamento.


- Sua... - ele tossiu, e o sangue manchou sua barba grisalha. - Sua escória...


A palavra quase me fez sorrir.


Escória.


Era impressionante como algumas pessoas só encontravam sinceridade quando estavam perto do fim.


Ajoelhei-me ao lado dele, cuidadoso para não sujar mais a roupa do que seria convincente. Inclinei-me até seu ouvido, como um filho desesperado oferecendo uma última palavra de conforto.


- O senhor sempre me olhou com desprezo - murmurei. - Sempre me tratou como uma mancha porque minha mãe usava avental em vez de coroa. Mas veja só, pai... no fim, foi essa mancha que aprendeu a segurar a faca.


Ele tentou erguer a mão contra mim. Fraco. Patético. Quase triste.


Segurei seu pulso com delicadeza.


- Eu faria de novo - sussurrei. - Mil vezes, se fosse necessário.


Seus olhos se encheram de algo que talvez fosse horror. Talvez decepção. Talvez, finalmente, reconhecimento.


Aproximei minha mão da ferida dele e pressionei.


Ele arfou.


- Agora morra.


E ele obedeceu.


Assim que seu corpo cedeu, eu inspirei fundo. Havia um silêncio estranho no quarto, denso, quase sagrado. Por alguns segundos, fiquei apenas observando o rosto do homem que havia governado Lumiar por décadas, reduzido a carne fria sob minha mão. Todo o medo que eu havia sentido dele durante a infância pareceu ridículo naquele instante. Reis sangravam. Pais morriam. Deuses não desciam para salvar aqueles que os invocavam tarde demais.


Então ajeitei minha expressão.


Abri a porta dos aposentos com violência suficiente para parecer pânico.


- Socorro! - gritei, deixando a voz quebrar. - Socorro! O rei foi atacado! Meu pai está ferido! Chamem um curandeiro, rápido!


Os guardas correram. Um deles saiu em disparada pelo corredor. Outro entrou no quarto e empalideceu ao ver o rei caído. Eu me joguei ao lado do corpo como se minhas pernas tivessem falhado de dor. Quando o curandeiro chegou com sua maleta de couro, ajoelhou-se junto ao meu pai, examinou a ferida, tocou o pescoço, abriu as pálpebras já imóveis e então olhou para mim com a tristeza cuidadosa dos homens que sabem que uma notícia ruim pode custar a própria cabeça.


- Vossa Alteza... - ele disse, quase sem voz. - O rei morreu.


Soltei um som que poderia ter sido um soluço.


Abracei o corpo do meu pai, encostei o rosto em seu peito e sorri onde ninguém podia ver.


- Não... pai, não... - murmurei, com a voz embargada. - Não nos deixe. Volte. Por que partiu tão cedo?


O curandeiro pousou uma mão em meu ombro. Pobre homem. Ele acreditou no sofrimento que eu ofereci a ele. Todos acreditaram.


Florian e Cedric chegaram minutos depois.


Lembro-me bem da expressão dos dois na porta. Florian paralisado, o rosto branco demais, os olhos indo de mim ao corpo de nosso pai. Cedric com uma das mãos sobre a boca, tentando segurar um choro verdadeiro. Ele sempre chorava de forma verdadeira. Era uma de suas muitas fraquezas.


- O que aconteceu, August? - Florian perguntou.


Sua voz estava tensa, mas havia suspeita ali. Pequena. Inútil. Tarde demais.


Ergui o rosto molhado de lágrimas falsas.


- Eu não sei - respondi. - Quando cheguei, papai já estava no chão. Havia um homem no quarto. Ele pulou pela janela antes que eu conseguisse alcançá-lo. Desculpe, irmão. Eu devia ter sido mais rápido. Devia ter sido mais forte.


Florian veio até mim.


Ele me abraçou.


Foi um abraço rígido, político, cheio de cálculo. O tipo de gesto que herdeiros oferecem quando sabem que todos estão olhando. Ele não me confortava. Ele representava conforto. Ele já estava pensando em como conduziria o reino depois do funeral. Já estava pensando na coroa. No trono. Na própria imagem.


Eu encostei a testa em seu ombro e deixei que acreditasse em sua superioridade por mais alguns dias.


Cedric abraçou nós dois logo depois. Tremia como uma criança, embora já fosse homem. Murmurava que ficaríamos bem, que precisávamos permanecer juntos, que a família deveria se proteger.


Família.


A palavra quase me deu náusea.


Depois do enterro, Edric e eu começamos a segunda parte do plano.


Florian era inteligente demais para ser morto de forma óbvia, mas vaidoso demais para desconfiar de um cuidado vindo de mim. Cedric era fácil. Bastava adoecer perto dele para que sua compaixão corresse na direção da armadilha como um cão fiel. Envenená-los não foi difícil. Difícil foi esperar.


O veneno precisava agir como doença. Febres intermitentes. Fraqueza. Tosse. Tremores. Um declínio triste o suficiente para comover a corte e lento o bastante para parecer natural. Lumiar mergulhou em orações, médicos foram chamados, sacerdotes queimaram incensos, nobres enviaram cartas de pesar antecipado. Eu permaneci ao lado dos dois como o irmão dedicado que todos acreditavam conhecer.


Segurei a mão de Cedric durante sua última noite.


Ele me pediu desculpas.


Até hoje não sei pelo quê.


Talvez por não ter me defendido mais. Talvez por ter permitido que Florian me humilhasse tantas vezes. Talvez por sempre ter confundido pena com amor.


- Você vai ficar bem, August? - ele perguntou, a voz fina, quase infantil.


Apertei sua mão.


- Vou.


E fui.


Florian morreu amaldiçoando a febre. Cedric morreu confiando em mim.


Dois tipos diferentes de fraqueza.


Ambas enterradas no mesmo mausoléu.


E agora eu estava ali, no trono pelo qual todos eles foram gentis o bastante para morrer.


- A coroa lhe cai bem - Edric disse, trazendo-me de volta ao salão vazio.


Passei os dedos pelo metal frio sobre minha cabeça.


- Melhor do que caía em meu pai.


- Seu pai tinha uma cabeça grande demais para qualquer coroa.


Olhei para ele.


Edric abriu um sorriso pequeno.


- Perdão. Luto me deixa poético.


Antes que eu pudesse responder, as portas do salão se abriram com força.


Um mensageiro entrou quase tropeçando, encharcado de chuva, as botas sujas de lama, o cabelo colado à testa. Os guardas se moveram no mesmo instante, mas ele ergueu um cilindro de couro selado com cera escura.


O brasão gravado sobre o selo fez o ar do salão mudar.


Uma lua atravessada por espinhos.


Moonhart.


O mensageiro caiu de joelhos diante de mim, ofegante.


- Vossa Majestade... uma carta do rei Valeric Moonhart.


Edric parou ao meu lado.


Meu bom humor morreu antes mesmo que o selo fosse rompido.


Peguei a carta.


A cera partiu entre meus dedos. O pergaminho se abriu com um ruído seco, e li as palavras uma vez. Depois outra. Não porque não as tivesse entendido, mas porque meu corpo se recusou por um momento a aceitar a audácia contida nelas.


Moonhart declarava guerra a Lumiar.


Valeric Moonhart, aquele velho abutre coroado, escolhia aquele momento, exatamente aquele momento, para avançar sobre minhas fronteiras. Enquanto Lumiar ainda vestia preto. Enquanto a corte ainda fingia não sentir o cheiro de sangue sob os tapetes. Enquanto minha coroa ainda estava quente da cabeça dos mortos.


Por um instante, o salão ficou silencioso demais.


Então sorri.


Não foi meu sorriso público. Não aquele sorriso sereno que fazia damas idosas suspirarem e conselheiros relaxarem os ombros. Foi algo mais estreito. Mais frio. Uma rachadura na máscara antes que eu pudesse recolocá-la.


Edric percebeu.


- August - murmurou.


Baixei a carta devagar.


- Como ele ousa?


O mensageiro empalideceu.


Subi novamente os degraus do trono, não porque precisava me sentar, mas porque todos precisavam lembrar de onde vinha minha voz agora. De cima. Sempre de cima.


- Como Valeric Moonhart ousa manchar minha ascensão com sua guerra miserável?


Ninguém respondeu.


Sábios.


Apertei o pergaminho na mão até amassá-lo.


- Preparem as tropas - ordenei. Minha voz já não tremia de luto. Já não carregava suavidade alguma. - Convocarei cada comandante, cada casa juramentada, cada homem capaz de segurar uma lâmina. Moonhart quer guerra? Então terá guerra.


Um conselheiro avançou meio passo, imprudente o suficiente para tentar existir.


- Majestade, talvez seja prudente considerar uma resposta diplomática antes de-


Olhei para ele.


A frase morreu.


- Diplomacia é o nome que homens covardes dão ao tempo que pedem antes de perder - eu disse. - Não me peçam tempo. Me tragam exércitos.


Ele abaixou a cabeça.


- Sim, Vossa Majestade.


- E enviem uma resposta ao rei Valeric - continuei. - Digam que Lumiar recebeu sua declaração. Digam que choramos nossos mortos o suficiente. Agora daremos a ele novos cadáveres para enterrar.


As ordens se espalharam pelo salão como fogo em cortinas secas. Guardas correram. Mensageiros foram chamados. Edric permaneceu onde estava, me observando com aquela expressão de quem enxergava as engrenagens por trás do ouro.


- Isso foi imprudente - disse ele, baixo o bastante para que somente eu ouvisse.


- Foi necessário.


- Ele escolheu bem o momento.


- Eu sei.


- Então sabe que isso talvez não seja apenas uma guerra.


Olhei para a carta esmagada em minha mão.


Sim. Eu sabia.


Valeric Moonhart não era um velho rei tomado por capricho. Homens como ele não moviam exércitos por ofensa simples. Se havia escolhido atacar agora, era porque vira uma rachadura em Lumiar. Vira a morte do rei, dos príncipes, a juventude do novo soberano, os nobres ainda inseguros, os soldados ainda jurando lealdade com olhos curiosos demais.


Ele me viu como vulnerável.


Foi esse o erro dele.


Deixei o salão pouco depois, antes que minha raiva se tornasse espetáculo. A corte podia ver minha dor quando ela era útil. Podia ver minha fúria quando ela era política. Mas havia partes de mim que ninguém, exceto Edric, deveria testemunhar.


Meus aposentos ficavam na ala oeste do palácio, longe o bastante do salão para que os gritos não viajassem com facilidade. Assim que as portas se fecharam atrás de mim, arranquei a coroa da cabeça e a arremessei contra a parede.


O metal bateu na pedra com um som terrível.


Depois veio o vaso.


Depois a taça.


Depois o espelho.


O reflexo quebrou antes que eu pudesse encará-lo por tempo demais.


Respirei com força, os punhos cerrados, olhando os cacos espalhados pelo chão. A máscara havia caído. Ali, longe dos olhos do reino, não havia rei gentil. Não havia filho enlutado. Não havia irmão sobrevivente.


Havia apenas eu.


O menino que aprendeu cedo demais que a família era o primeiro inimigo.


O bastardo que se recusou a continuar ajoelhado diante de sangue mais puro.


O homem que matou três Lumiert para se tornar rei - e agora via um Moonhart tentando transformar sua vitória em cinzas.


Aproximei-me da janela. Lá embaixo, no pátio, os soldados começavam a se mover. Pequenos pontos de metal e pressa, correndo sob a chuva. Lumiar acordava para a guerra antes mesmo de terminar o luto.


Meu olhar foi para o leste.


Para Moonhart.


Para Valeric.


- Você vai pagar por isso - murmurei, a voz baixa, quase tranquila. - Juro pela coroa que tomei. Pela família que enterrei. Pela mentira que fiz todos engolirem.


Toquei o vidro frio da janela com os dedos.


- Se quer guerra, velho rei, então venha. Eu destruirei seus exércitos, queimarei seus estandartes e farei seu nome ser lembrado apenas como o homem que confundiu juventude com fraqueza.


A chuva escorria pelo vidro como veias abertas.


Sorri de novo.


Dessa vez, não havia ninguém para quem fingir.


- Moonhart aprenderá que Lumiar não está de luto - sussurrei. - Está faminto.


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