Uma Carta Para Você;
" Olá, querido leitor.
Eu sou Alexandra Moonhart.
Antes de começar, preciso lhe avisar de uma coisa: não espere encontrar aqui um conto de fadas.
Eu nunca fui uma princesa de histórias bonitas.
Cresci entre espadas, cadáveres e sangue. Aprendi muito cedo que o mundo não recompensa os fracos e que uma coroa não permanece sobre a cabeça de alguém que não está disposto a lutar para mantê-la.
Muitas guerras são travadas por poder.
Outras, por conquista.
Algumas começam por orgulho.
A minha começou por todos os três.
Mas, no fundo, eu nunca lutei apenas por um reino.
Eu lutei para sobreviver.
E, se para sobreviver eu precisasse arrancar algumas cabeças, então arrancaria.
Sem hesitar.
O carinho nunca foi uma escolha para mim. O amor sempre me pareceu uma maldição disfarçada de bênção. Fui ensinada desde criança que amar alguém era entregar a essa pessoa uma arma capaz de destruir você.
Então aprendi a não amar.
Aprendi a não confiar.
Aprendi a matar antes que alguém tivesse a oportunidade de me matar.
Foi assim que me tornei quem sou.
A mulher que meus inimigos chamaram de monstro.
A princesa que o meu próprio povo aprendeu a temer.
A mulher que um dia seria conhecida como a Ceifadora Sangrenta.
Mas existe uma parte dessa história que talvez você ache curiosa.
Porque, em algum momento, apareceu um homem.
August Lumiert.
Ele é um homem bastante interessante.
Irônico.
Excêntrico.
Arrogante.
Cruel.
E, para minha infelicidade, inteligente demais.
Ele também tem um pequeno defeito.
Não sabe reconhecer quando perdeu.
Talvez por isso tenhamos levado tanto tempo para perceber que estávamos lutando a mesma guerra.
Ou talvez tenhamos percebido desde o começo.
Não sei.
Ainda não decidi qual versão da história prefiro contar.
Então sente-se.
Leia com atenção.
E não acredite em tudo o que ouvir sobre mim.
Afinal...
todo mundo gosta de chamar uma mulher de tirana quando ela se recusa a ajoelhar.
Agora me diga, querido leitor...
a sua história é realmente mais interessante que a minha? "

