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Atravéz do Olhar
Prologo
876 palavras • 5382 caracteres • ⏱ 3 min 30 s

Prologo

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19 anos atrás


Do lado de fora, podiam ser ouvidos sons de batalha e explosões por todo o lado. Em um dos aposentos imperiais, a imperatriz segurava seu bebê nos braços após o parto. Sua voz trêmula e chorosa rompeu o caos que tomava conta do castelo.


— Tirem meu bebê daqui agora! — gritou a imperatriz.


— Mas, Vossa Majestade...


— Sem mais! Tire a Samantha... — Ela olhou uma última vez para a filha e a entregou nas mãos de Edmund. — Leve-a para um lugar seguro, o mais longe possível deste reino...


Uma explosão foi ouvida do lado de fora do castelo.


— AGORA, EDMUND!


Edmund obedeceu imediatamente.


Saiu correndo em meio à multidão, desviando de soldados, criados e pessoas desesperadas que tentavam fugir do castelo. Protegia Samantha contra o próprio peito enquanto avançava sorrateiramente até conseguir alcançar a floresta.


Assim que entrou entre as árvores, Edmund continuou correndo o máximo que suas pernas permitiam. Ao seu redor, os sons da batalha ainda podiam ser ouvidos: espadas se chocando, gritos de socorro, explosões e o estrondo de construções desabando.


Samantha chorava em seus braços.


— Calma, minha princesa... — murmurou Edmund, tentando controlar a própria respiração. — Eu vou proteger você.


Foi então que ouviu vozes atrás de si.


— Ali! Tem alguém fugindo!


Edmund olhou por cima do ombro e viu alguns soldados inimigos entrando na floresta.


— Droga...


Ele apertou Samantha contra o peito e continuou correndo, mas os soldados se aproximavam cada vez mais.


Quando percebeu que não conseguiria escapar deles carregando a criança, Edmund parou.


Com cuidado, ajustou Samantha em um dos braços e puxou sua espada com a outra mão.


Os soldados o cercaram.


— Entregue a criança e talvez deixemos você viver.


Edmund ergueu os olhos para eles.


— Enquanto eu estiver vivo, ninguém tocará nela.


Um dos soldados avançou.


Edmund desviou do golpe e contra-atacou imediatamente. Sua espada cortou o ar em movimentos rápidos e precisos. Mesmo carregando Samantha, lutava com toda a habilidade de um guardião imperial.


Um soldado caiu.


Depois outro.


Mas eram muitos.


Edmund bloqueou um golpe vindo pela lateral, girou o corpo e atingiu o inimigo à sua frente. Nesse instante, sentiu uma lâmina atravessar sua lateral.


Ele perdeu o equilíbrio por um segundo.


O sangue começou a escorrer por sua roupa.


Edmund olhou para Samantha.


Ela ainda estava segura em seus braços.


— Não... — sussurrou ele.


Com as últimas forças que possuía, Edmund segurou firmemente a espada e avançou contra o último soldado.


Um único golpe.


O homem caiu.


O silêncio tomou conta da floresta.


Edmund permaneceu imóvel por alguns segundos, até finalmente cair de joelhos. Cravou a espada no chão para conseguir se sustentar e continuou segurando Samantha com força contra o peito.


Sua respiração estava pesada.


Seu corpo inteiro doía.


Mas a criança estava viva.


Era tudo o que importava.


Depois de alguns instantes, Edmund se obrigou a levantar novamente.


Ele sabia que não poderia permanecer ali.


Precisava continuar.


Precisava levar Samantha para um lugar onde ninguém jamais pensaria em procurá-la.


E assim continuou sua fuga.


Durante dias, atravessou a floresta sem saber exatamente para onde estava indo. Dormia pouco, alimentava-se quando encontrava alguma coisa e seguia caminhando mesmo quando suas feridas começavam a enfraquecê-lo.


Até que, certo dia, entre as árvores, Edmund avistou algo que não esperava encontrar.


Uma casa.


Era simples, mas aconchegante. Parecia completamente afastada dos conflitos que destruíam seu reino.


Edmund se aproximou lentamente e observou o interior por uma das janelas.


Não havia soldados.


Não havia símbolos de nenhuma família nobre.


Apenas uma casa tranquila.


Segura.


Edmund olhou para Samantha, que dormia em seus braços.


Por alguns segundos, não conseguiu se mover.


Sabia o que precisava fazer.


Com cuidado, colocou Samantha diante da porta e ajeitou o cobertor ao redor dela.


Então se ajoelhou.


— Minha querida princesa... eu retornarei para proteger você.


Edmund beijou delicadamente a cabeça da bebê.


Seus olhos ficaram marejados.


— Mas, no momento, preciso voltar. Preciso ajudar sua mãe... a imperatriz.


Ele se levantou e apertou a campainha.


Por um instante, permaneceu parado diante da porta.


Então se virou.


E voltou a correr para dentro da floresta.


Momentos depois, uma mulher abriu a porta e encontrou a bebê no chão, chorando.


Olhou para os dois lados, mas não viu ninguém.


Então se abaixou, pegou a criança nos braços e a observou com preocupação.


— Meu Deus, minha querida... te deixaram aqui? Vamos ver...


A mulher percebeu algo escrito no cobertor.


— Samantha... — murmurou, surpresa. — Hmm... O que devo fazer com você, pequena?


Sem saber que aquela criança carregava o sangue da família imperial, a mulher entrou em sua casa com Samantha nos braços.


Alguns metros dali, escondido entre as árvores, Edmund observava em silêncio.


Precisava ter certeza de que a pessoa encontraria Samantha e a aceitaria.


Quando viu a mulher entrar na casa com a criança, finalmente sentiu o peso que carregava sobre os ombros diminuir.


Ela estava segura.


Era tudo o que precisava saber.


Edmund então se virou e começou a caminhar novamente pela floresta.


Precisava retornar ao reino.


Preci


sava descobrir o que havia acontecido com a imperatriz.


E, acima de tudo, precisava cumprir sua promessa.


Ele voltaria para Samantha.


19 anos depois...


Samantha...


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