Capítulo 1 - O Lobo e o Assistente
Amanhã de segunda-feira na Montez Corporation nunca é silenciosa. Não importa o quão cedo eu chegue, trabalho aqui faz 5 meses, sempre há o som das teclas apressadas, o telefone tocando em algum canto e o leve burburinho dos funcionários comentando os últimos acontecimentos da alcateia ou, mais raramente, sobre a vida pessoal do nosso CEO. O engraçado é que ninguém nunca fala dele de forma direta - Dominic Montez é um nome que se pronuncia com respeito... ou com cuidado.
Eu passo meu crachá na catraca e sigo pelo hall principal. É impossível não reparar nos banners de campanhas da empresa, todos com a marca registrada: força, proteção e confiança. Aquelas três palavras não eram apenas slogan. Dominic, como Alpha Lúpus, não liderava apenas a multinacional de segurança; liderava também a maior alcateia do país. E eu, um simples beta, tinha a função de manter sua agenda, seus negócios em ordem... e, mais recentemente, seu humor. Essa última parte era a mais complicada.
Coloco minha pasta sobre a mesa e ligo o computador. Tenho apenas dez minutos antes da primeira reunião do dia, e já sei que ele vai chegar com aquele passo firme, a presença que parece empurrar o ar do ambiente para fora. O relógio marca 7h57 quando a porta de vidro se abre e o cheiro chega antes dele.
Alpha. Amadeirado, cedro, sândalo e patchouli mais selvagem, inconfundível. É o tipo de aroma que desperta alerta no corpo, mesmo quando não se quer. Meu pulso acelera, e eu prendo a respiração por um segundo, tentando manter a compostura.
- Bom dia, Nicolas. - A voz dele é grave, arranhada, mas cheia de autoridade.
- Bom dia, senhor Montez. - Respondo, erguendo os olhos. Ele está impecável como sempre: terno escuro perfeitamente alinhado, cabelo perfeitamente arrumado de um jeito que parece calculado e aquele olhar... predatório. Dominic não apenas olha, ele avalia, mede, pesa. Como se pudesse atravessar camadas de pele e ossos para encontrar exatamente onde você guarda seus segredos.
- Atualize-me sobre a reunião com o conselho. - Ele não perde tempo com amenidades. Apenas se aproxima da minha mesa, e sinto o peso da presença dele. Beta ou não, instinto é instinto.
Abro o tablet com as anotações, mantendo o tom profissional:
- Todos os membros confirmaram presença. O senhor vai apresentar o relatório de expansão no exterior e discutir o novo contrato com as forças de segurança federais. Também há uma nota sobre o caso de infiltração... - faço uma pausa, medindo as palavras - na filial da Nova Zelândia.
O maxilar dele se contrai. - Depois da reunião, quero os responsáveis no meu escritório. - E então, ele inclina levemente a cabeça para mim, os olhos fixos. - Você vem também.
Não é um convite. É uma ordem. E, por algum motivo, meu estômago se contrai como se soubesse que aquilo não seria apenas sobre trabalho.
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O caminho até a sala de reuniões é curto, mas ao lado de Dominic parece durar mais. Ele não fala nada, mas também não precisa. A presença dele é como uma sombra viva, ocupando o espaço e deixando claro para todos que cruzam nosso caminho quem manda ali.
Os funcionários abaixam a cabeça ou desviam o olhar; alguns ômegas até recuam levemente, instintivamente. Eu, sendo beta, não sinto a necessidade física de me afastar... mas o corpo reage de outra forma: a pele arrepia, a respiração fica mais curta e há uma estranha consciência de cada passo que dou.
Entramos na sala. Os diretores já estão à mesa, e o cheiro de dominância de Dominic preenche o ar em segundos. Ele se senta na cabeceira, postura perfeita, mãos entrelaçadas sobre a mesa. Eu me coloco ao lado dele, com o tablet pronto para registrar cada detalhe.
- Vamos começar. - A voz dele corta o burburinho como uma lâmina.
A primeira parte da reunião flui como esperado: números, gráficos, projeções. Dominic não só comanda, ele controla cada detalhe, cada reação. É como assistir um predador brincando com a presa antes de dar o bote.
Mas a calmaria dura pouco. Quando o assunto da infiltração na filial da Nova Zelândia surge, a atmosfera muda.
- Descobriram quem foi? - Ele pergunta, olhando para o diretor responsável.
- Ainda não temos um nome, mas sabemos que foi alguém interno. - O homem tenta manter o tom firme, mas sua voz falha no final.
Dominic se inclina para frente, e o ar parece ficar mais denso. - Um traidor dentro da minha empresa e vocês ainda não têm um nome? - O "minha" não se refere apenas à Montez Corporation. Ele fala como alfa lúpus, como líder de alcateia.
Eu sinto o instinto dele como uma pressão física, quase palpável. Não é direcionado a mim, mas ainda assim, meu corpo entra em estado de alerta.
- Quero um relatório completo até o fim do dia. E se descobrir que estão escondendo algo de mim, não vai ser a segurança corporativa que vai cuidar do assunto... vai ser eu. - A ameaça não é figurativa.
O diretor engole seco e anota algo apressado. Dominic se recosta na cadeira, mas o olhar continua afiado.
A reunião termina vinte minutos depois. Assim que a porta se fecha e ficamos sozinhos, ele se levanta.
- Venha comigo. - Novamente, não é um pedido.
O escritório dele é amplo, com uma parede inteira de vidro revelando a vista da cidade. A porta se fecha atrás de mim, abafando qualquer som do corredor. Dominic caminha até a mesa, mas não se senta.
- Esse caso da Filial em Nova Zelândia não é apenas sobre negócios, Nicolas. - Ele me encara, e por um momento, parece que está decidindo até onde pode me deixar entrar. - Tem a ver com a alcateia.
Meu corpo fica rígido. Não é comum um alpha de alto escalão misturar negócios humanos com assuntos de alcateia, muito menos com um beta.
- E o senhor... quer que eu me envolva? Eu não faço parte da sua alcateia, Senhor.- Pergunto, cauteloso.
Um canto da boca dele se ergue, mas não é exatamente um sorriso. - Quero que você fique perto. - Ele se aproxima, e meu instinto grita que "perto" não significa apenas proximidade física no trabalho. O cheiro dele fica mais forte, madeira e algo quente, quase como eletricidade no ar. - Há pessoas que podem tentar te usar para chegar até mim. E não vou permitir isso.
Eu engulo seco. - Não sou exatamente alguém que chama atenção...
- Engano seu. - Ele está próximo o suficiente para que eu sinta o calor que emana. - Você chama a minha.
As palavras ficam suspensas no ar por um segundo longo demais. Eu desvio o olhar, não por submissão - betas não sentem essa obrigação -, mas porque manter contato visual agora é perigoso para a minha sanidade.
Ele dá um passo para trás, quebrando a tensão. - Prepare os documentos para a reunião com os federais. E Nicolas... - Pausa. - A partir de hoje, vai andar comigo nas áreas externas também.
Saio do escritório com a estranha sensação de que algo foi marcado ali, invisível, mas presente como uma marca no ar.
A manhã se arrasta com uma sequência de telefonemas, contratos para revisar e mensagens que parecem nunca parar de chegar. No meio de tudo, a lembrança da frase dele - Você chama a minha atenção - insiste em voltar como uma música irritante que se repete.
No horário de almoço, eu desço até o café no térreo da empresa. É um espaço moderno, cheio de vidro e plantas, onde funcionários conversam em grupos pequenos. Eu costumo usar esses minutos para respirar, ficar longe do peso que é estar perto de um alpha lúpus.
Hoje, no entanto, não tenho essa sorte.
- Nicolas. - A voz dele vem de trás, e sinto antes mesmo de virar: o cheiro, o calor, a energia.
- Senhor Montez... - Tento manter a voz neutra.
- Almoce comigo. - Ele fala como quem afirma um fato, não como quem convida.
Eu poderia inventar uma desculpa, mas a verdade é que recusar Dominic não é algo que muita gente faz. Caminhamos lado a lado até o restaurante anexo à Montez Corporation. É reservado para clientes de alto escalão, políticos e, claro, o próprio CEO.
Assim que entramos, percebo os olhares. Não apenas por ele - Dominic atrai atenção por onde passa - mas porque estar ao lado dele significa, automaticamente, ser alvo de curiosidade.
Nos sentamos numa mesa afastada. O garçom se apressa em vir anotar o pedido, e Dominic nem precisa abrir o cardápio. - O de sempre. - Ele me olha. - E para você?
- O mesmo. - Respondo, mais para não prolongar o momento.
Enquanto esperamos, tento puxar um assunto neutro:
- Sobre a filial... acha mesmo que pode ser alguém de dentro da alcateia?
- Tenho quase certeza. - O tom dele é frio, mas os olhos não deixam dúvidas de que há raiva ali. - E se for, não vai escapar.
O garçom retorna com as bebidas. É nesse momento que um homem Alfa, provavelmente um executivo de alguma empresa parceira, se aproxima da mesa. Ele sorri para Dominic, mas seus olhos... estão em mim.
- Montez! - Ele estende a mão para o alfa, que a aperta rapidamente. - E este é...?
- Meu assistente. - Dominic responde, curto.
O homem sorri, e de forma nada sutil, deixa o olhar descer e subir por mim. - Muito competente, imagino.
Não sei se é a forma como ele diz, mas há um peso incômodo na frase. Antes que eu possa responder, Dominic se inclina levemente para frente, o cheiro dele ficando mais denso, quase palpável. Territorial.
- Extremamente. - Ele afirma, e há um tom de aviso. - E ocupado.
O outro parece perceber algo, porque se despede rápido e se afasta. Eu solto o ar que nem percebi que estava prendendo.
- Não precisava... - começo a dizer, mas ele me interrompe.
- Precisava. - Ele me encara por um instante longo, até que o garçom traz a comida e a tensão se dissipa um pouco.
O resto do almoço segue em silêncio, mas um silêncio carregado, cheio de coisas não ditas.
Quando voltamos para a empresa, já é quase hora da reunião com os federais. Ainda sinto o peso daquela intervenção dele, o jeito como deixou claro - para o outro homem e para mim - que não gostava de ver atenção indesejada voltada para mim.
E, de alguma forma, isso é mais perturbador do que qualquer ameaça direta que ele já tenha feito.
Quando Dominic disse que queria que eu o acompanhasse nas áreas externas, imaginei algo simples: visitas a clientes, inspeção de filiais, talvez uma reunião em algum prédio governamental. O que eu não imaginava era estar dentro de um carro blindado, com vidros fumês, enquanto dois SUVs da segurança particular nos escoltam pelas ruas de Seattle.
- Para onde exatamente estamos indo? - pergunto, ajeitando o cinto de segurança.
- Para encontrar alguém que diz ter informações sobre a infiltração. - Ele olha pela janela, a expressão fechada. - Mas é território neutro.
Território neutro. Em linguagem de alcateia, significa lugar onde acordos frágeis mantêm a paz entre grupos que, no fundo, não confiam uns nos outros. Não é o tipo de ambiente onde eu, um beta sem treinamento de combate, costumo estar.
Chegamos a um prédio discreto, fachada comum, mas com seguranças armados na entrada. Dominic sai primeiro, e imediatamente sinto o instinto dele se expandir. O cheiro se intensifica, madeira e calor, um alerta silencioso de que está em modo alfa protetor.
- Fique ao meu lado. - Ele ordena, sem me olhar, mas a mão pousa brevemente nas minhas costas para me guiar. É um toque rápido, mas firme, como se quisesse marcar que eu estava sob proteção dele.
Entramos num corredor estreito que leva a uma sala ampla. Um homem nos espera, sentado a uma mesa com dois copos de água. Ele se levanta e cumprimenta Dominic com um aceno.
- Montez. - A voz é áspera. - Tenho pouco tempo.
O diálogo começa direto: nomes, suspeitas, informações sobre movimentações estranhas na filial de Santos. Eu anoto tudo no tablet, mas meu foco é constantemente puxado para a postura de Dominic. Ele está atento a cada detalhe - não só o que é dito, mas cada mudança no tom de voz, cada movimento do homem à nossa frente... Até a porta lateral se abrir e dois sujeitos entram.
O cheiro chega primeiro. Alfa. Forte, cortante, e carregado de uma arrogância que não se disfarça. Dois homens entram, e o que está na frente tem um sorriso preguiçoso, como se já tivesse ganho alguma disputa que eu nem sabia que estava acontecendo.
- Montez. - Ele fala o nome como se fosse um desafio. - Não sabia que traria... companhia.
Os olhos dele pousam em mim. É um olhar que percorre, mede, e embora não haja nada sexualmente explícito, há algo de invasivo, como se ele estivesse decidindo se eu sou útil ou descartável.
Dominic se vira lentamente para encará-lo. A mudança é imediata: os ombros se alinham, a postura fica mais larga, o cheiro dele se intensifica e se sobrepõe ao dos outros. Madeira, calor e um peso que parece preencher todo o espaço.
- Ele está comigo. - As palavras são calmas, mas não neutras. Há um tom baixo, quase um rosnado, que sinto mais do que ouço.
O segundo alfa, que ficou próximo à porta, dá um meio sorriso. - Só um beta. - Ele fala como se fosse uma constatação banal, mas carrega veneno nas entrelinhas.
Eu já abro a boca para responder, mas Dominic dá um passo à frente. Não rápido, mas de um jeito que muda a pressão no ar.
- Complete essa frase. - Ele diz, e a calma na voz só deixa a ameaça mais evidente. - E vamos ver se você ainda consegue falar depois.
O primeiro alfa dá um riso breve, mas sem humor. - Sempre protetor, Montez.
Dominic não sorri. - Sempre no meu território, mesmo quando estou fora dele. - Ele se inclina levemente para frente, e eu sinto o cheiro de pura dominância. - Lembre-se de que territórios mudam.
Os dois trocam um olhar rápido, e algo não dito passa entre eles. O homem com quem estávamos reunidos até então pigarreia, tentando retomar o controle:
- Acho que já discutimos o que precisava...
- Discutimos? - Dominic pergunta, sem tirar os olhos dos alfas recém-chegados.
O silêncio que segue é denso. Eu não sei se é impressão minha, mas parece que havia algo mais que deveria ter sido dito ali - e que foi deliberadamente deixado de fora.
Finalmente, o primeiro alfa dá um passo para trás, abrindo espaço. - Vamos continuar essa conversa outra hora. - Ele fala como se fosse um convite, mas soa mais como uma promessa.
Saímos da sala, e Dominic não diz nada até chegarmos ao carro. Mas eu percebo. O maxilar dele está travado, e os dedos, fechados em punhos. O cheiro dele não está mais apenas protetor - está irritado, tenso, como se tivesse visto uma ameaça real.
- Eles... fazem parte da alcateia? - pergunto, tentando quebrar o silêncio.
Ele olha pela janela, o reflexo dele sobreposto à cidade passando rápido. - Não. Mas já foram.
- Então... são inimigos?
Ele não me encara quando responde:
- Vamos dizer que eles sabem demais. E o problema de quem sabe demais... é que nunca esquecem.
O resto do caminho é feito em silêncio, mas um silêncio que não é vazio. É um silêncio cheio de lacunas, de perguntas que eu sei que ele não vai responder agora.
E, no fundo, tenho a sensação de que, a partir de hoje, eu também faço parte desse jogo que ele não está disposto a explicar totalmente.
O trajeto de volta para a sede da Montez Corp é rápido, mas carregado. Dominic mantém o olhar fixo na janela, e a cidade parece desfilar como um borrão cinza.
Ele não fala, mas o cheiro entrega: ainda está em estado de alerta. Madeira quente e algo mais áspero, como fumaça depois de uma faísca. É um aroma que denuncia irritação, mas também... preocupação.
Eu finjo estar revisando minhas anotações no tablet, mas na verdade estou observando. Ele está imóvel, mas cada músculo parece pronto para reagir.
Quando chegamos à garagem privativa da empresa, os seguranças fazem a checagem de rotina. Dominic agradece com um aceno quase imperceptível e segue para o elevador. Eu acompanho no mesmo passo, tentando não ficar para trás.
Assim que as portas se fecham, o silêncio fica ainda mais espesso. Então, ele se inclina levemente para frente, apoiando as mãos nas laterais do painel, como se estivesse respirando mais fundo para se controlar.
- O senhor ficou calado o caminho todo. - Minha voz soa mais suave do que eu planejei. - Tá tudo bem.
Ele ergue os olhos para mim, e por um segundo, o olhar não é só de chefe para funcionário. É algo... mais cru.
- Porque não estou acostumado a explicar certas coisas. - Ele pausa, como se decidisse se vale a pena continuar. - Aqueles dois... eles não estavam ali por acaso.
- E o que eles querem?
- Depende. - Ele se afasta do painel, postura retomando o controle. - Às vezes, querem só lembrar que ainda existem. Outras vezes... querem provocar uma reação.
- E hoje?
Ele segura o meu olhar por um instante longo demais. - Hoje, eles queriam ver se você era um ponto fraco.
A afirmação me pega desprevenido. - E sou?
Ele mantém meu olhar um pouco além do que o normal, como se estivesse buscando algo que eu não consigo decifrar.
Fico na dúvida se ele espera uma resposta ou se apenas está testando limites.
Sem avisar, ele se inclina um pouco para frente - o espaço entre nós parece diminuir sem que eu tenha percebido - e seu cheiro fica mais intenso, quente, uma presença quase física que me envolve.
Não diz nada, só fica ali, próximo, e o silêncio pesa no ar.
Eu respiro fundo, tentando não demonstrar o impacto daquela proximidade, quando ele finalmente fala, com uma voz grave que parece acariciar e avisar ao mesmo tempo:
- Você não é fraqueza.
O tom é baixo, quase um segredo sussurrado, e no mesmo instante, sinto que aquilo não é só uma promessa... é uma marca.
No resto do dia, Dominic mergulha em reuniões e telefonemas, mas percebo que a tensão não se dissolve completamente. Até nos momentos em que está rindo com algum diretor, há uma rigidez nos ombros.
E quando ele passa perto de mim no corredor, o perfume dele parece mais carregado - como se, inconscientemente, ainda estivesse demarcando um perímetro invisível ao meu redor.
No fundo, tenho a sensação de que aquele encontro de hoje não foi apenas um acaso. E que, de alguma forma, estou agora dentro de uma disputa que começou muito antes de eu entrar para esta empresa.
O relógio marcava quase oito da noite quando finalmente fechei meu laptop, exausto. O dia tinha sido intenso, cheio de tensão e aquele cheiro constante de Dominic que parecia grudar em mim, mesmo quando ele não estava por perto.
Peguei minha bolsa, me preparando para sair. A ideia de chegar em casa e finalmente desligar tudo era a única coisa que me animava.
- Vai sozinho? - a voz grave e firme de Dominic soou atrás de mim no corredor.
Virei-me, meio surpreso. Ele estava encostado na porta do escritório, com aquele olhar penetrante que não dava espaço para desculpas.
- Sim, senhor. - respondi com um sorriso contido. - Já é tarde, mas vou pedir um carro por aplicativo.
Ele franziu a testa, desconfiado.
- Você não tem carro? - perguntou, com um tom de curiosidade misturado com reprovação.
- Não, não tenho. E, para ser sincero, não gosto de dirigir. - admiti, um pouco envergonhado.
Dominic deu um passo à frente, o cheiro quente e dominador dele me envolvendo.
- Então vai comigo. - disse firme. - Meu motorista vai te levar. É o mesmo que me leva todos os dias. Você não vai sair sozinho nesse horário.
- Ah, não precisa, eu já vou chamar um carro por aplicativo. - tentei argumentar, pegando o celular no bolso.
- Não. - ele interrompeu, com a voz baixa e autoritária. - Você não vai. Ponto final.
Fiquei sem palavras, percebendo que, quando Dominic decide algo, é melhor não insistir.
- Tudo bem, senhor. - disse, rendendo-me com um sorriso.
Ele fez um aceno quase imperceptível, satisfeito, e virou para sair.
Enquanto o seguia, não pude deixar de pensar como, mesmo nas pequenas coisas, ele já começava a marcar território - e eu não estava certo se isso me assustava ou me fascinava.
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💬 Nota da autora:
Então, pessoal, espero que estejam gostando da leitura! Essa é minha primeira história, então quero muito saber o que vocês estão achando. Não esqueçam de votar e comentar, tá? Beijinho nos corações dos meus anjinhos! 💖

