| ATENÇÃO USUÁRIOS! \n\n
JIGSAW ESTA PRESTES A COMEÇAR! E PARA TODOS OS JOGADORES, DESEJAMOS A MAIOR DAS SORTES! EM BREVE, SEUS PORTADORES DE VOZ, OS MANCIPIUM'S, ESTARÃO PRESENTES PARA APLICAÇÃO DAS REGRAS E INFORMAÇÕES. \n\n
FIQUE ATENTO À JOGATINA, AS ESTRELAS ESTÃO OLHANDO PARA VOCÊS COM ESPERANÇA NOS OLHOS! | \n\n
| ATENÇÃO USUÁRIO V.I.P, A QUARTA PAREDE DE DEUS ESTÁ ATIVADA, E PROCESSESSANDO INFORMAÇÕES... \n\n
PARABÉNS! \n\n
DEVIDO A HABILIDADE PAREDE DE DEUS, VOCÊ TEM ACESSO A ÁRVORE GENEALÓGICA DAS HABILIDADES DE DEUS! |\n\n
| A ÁRVORE GENEALÓGICA DESPERTA. |\n\n
| ATENÇÃO USUÁRIO, DEVIDO AO NÍVEL ABAIXO DO ESPERADO, APENAS ALGUMAS HABILIDADES ESTÃO DISPONÍVEIS INICIALMENTE - SUBA DE NÍVEL E ELEVE SUA ÁRVORE GENEALÓGICA! | \n\n
| HABILIDADES ATIVA: \n\n
• SORTE DE DEUS (NVL.1 - TIPO: ÚNICA) \n\n
• PALMA DIVINA (NVL.2 - TIPO: RARA)\n\n
• VISÃO PLENA (NVL.1 - TIPO: ÚNICA)\n\n
PARABÉNS AO USUÁRIO PELA CONQUISTA! \n\n
ESSE SISTEMA DESEJA SORTE AO JOGADOR! | \n\n
\nJimin sentiu a mente girar.
O vagão comprimido mesclando ao ar pesado fazia cada movimento dos passageiros amplificar o medo latente, o oxigênio diminuiu, é uma falsa sensação de controle rapidamente se esvaio.
O olhar dele varreu o espaço, buscando algo, qualquer coisa que explicasse a agonia estranha que percorria sua espinha. E num ímpeto instintivo, com o olhar atento, mas à frente, notou uma criança sentada nos bancos, observando tudo com muito cuidado também.
Um arrepio de incredulidade percorreu seu corpo. Parecia impossível, mas estava alí, uma pessoa que não deveria existir no mundo real.
O garoto segurava o celular em uma mão e, na outra, um terrário de formigas apoiado no colo, protegido pelo antebraço.
Aquela cena era famíliar, e o garoto, também.
| SORTE DE DEUS DETECTOU UM OBJETO ADEQUADO PARA A PRÓXIMA MISSÃO. \n\n
VISÃO PLENA ESCANEOU O OBJETO "TERRÁRIO DE FORMIGAS" . \n\n
ATENÇÃO USUÁRIO, O OBJETO "TERRÁRIO DE FORMIGAS" PODE LEVÁ-LO A ADQUIRIR PONTOS NA PRIMEIRA MISSÃO JIGSAW! \n\n
SE ESFORCE PARA ADQUIRÍ-LO! |\n\n
\nJimin piscou fortemente com a informação.
A tela azul era como um zumbido persistente invadindo sua mente. Ela ocupava toda sua sua visão a ponto de restringir o que restava de sua sobriedade.
Ele não sabia o que pensar, a cabeça doía em dúvida. As informações continuavam chegando, mas sua mente não parecia se adaptar.
— Que merda é essa? — Hyurin exclamou, olhando para o próprio telefone. Mas ao notar o estado de Jimin, sua preocupação superou o interesse pelas mensagens: — O que foi? Tá passando mal?
Jimin tentou acalmá-la com leves tapinhas nas pernas, como se quisesse dizer “estou bem”, mas a palidez em seu rosto e a respiração trêmula denunciavam que, na verdade, não estava.
— O garoto... — Jimin conseguiu dizer, mas antes que pudesse continuar, um choque abrupto, como se o trem arranhasse os trilhos, jogou os passageiros para frente.
O som metálico ecoou pelos vagões como um grito preso, arrastando consigo o pânico coletivo que brotou em segundos.
O corpo de Jimin foi lançado contra o encosto do assento à frente enquanto Hyurin, por instinto, segurou-se na barra lateral, o coração agora acelerado como nunca.
As luzes piscaram como resultado do choque e o ruído ensurdecedor das rodas se misturava aos gritos confusos dos passageiros.
O o ambiente, carregado de tensão sólida, vinha de um temor emancipado. Se algo voltasse, o que poderia acontecer?
Foi uma dúvida que se respondeu após um minuto de silêncio, quando o trem indicou que havia parado definitivamente — é que as pessoas começaram a reagir.
— Hyurin...? — Jimin chamou, mas alguém próximo, ele não prestou atenção em quem, o ajudou a se levantar.
— Você tá bem?
— Minha amiga... — Jimin se recompôs, mas antes que algo pudesse ser dito, Hyurin apareceu em sua frente como se a invocasse.
Os olhos sutilmente trêmulos pelo susto foi aos poucos suprimido pela preocupação.
— Eu tô aqui! Você se machucou? — Jimin negou mais ela ainda buscava com os olhos qualquer reação que denunciasse o contrário.
— Isso foi perigoso... O que vocês acham que aconteceu? — o mesmo garoto que ajudou Jimin voltou a dizer, e só então, ambos amigos notaram que ele ainda estava alí.
O rapaz bagunçou os cabelos castanhos e olhou para o outro lado. Suas bochechas estavam um pouco coradas, já que sentia ter sido ignorado, mesmo tentando ajudar.
Jimin sorriu, tão levemente, que não poderia dizer que ele o fez.
— Obrigado pela ajuda.
— Ah...
— E quanto a você? Está bem? — foi Hyurin quem perguntou, fazendo os olhos dele ir em sua direção.
— Estou bem [...] Não parece que alguém se feriu. — eles olharam ao redor, as pessoas se ajudavam, enquanto outras tentavam comunicar os órgãos responsáveis.
Apesar disso, Jimin continuava a observar os passageiros. Tudo parecia normal, mas ele se voltou novamente para o rapaz que o havia ajudado.
Apenas Hyurin percebeu a expressão de intriga que surgia em seu rosto, tão fria e contida quanto de costume. A gentileza oferecida ao garoto agora não fazia sentido ser considerada.
— A propósito, qual é o seu nome? — Jimin questionou, seu olhos fixos em sua aparência quase como se o analisasse.
Um sorriso gentil e amigável. Corava quando alguém falava, ou olhava para ele. Óculos quadrados e olhos inofensivos, como o de um cão que perdeu o dono num dia chuvoso.
Ele é...
— Oh' Wang Jin... Prazer em conhecê-los! — Jimin franziu o cenho, e depois os olhos.
Num ímpeto inicial, mas contido, ele agarrou Hyurin e a jogou para trás de seu corpo, que se punha como um muro entre eles.
— Hm' entendo, estamos indo agora... Boa sorte. — com isso, se virou levando consigo a amiga, que um pouco surpresa, ainda teve ânimo para caçoar da situação.
— Eu não sabia que você era do tipo ciumento. — Jimin soltou a mão dela quando estavam do outro lado do vagão e ignorando sua última fala, ele voltou a procurar algo.
Ou alguém...
— Fique longe dele, ele não é uma boa pessoa. — Hyurin o imitou, como se também soubesse o que o amigo fazia.
— É só um adolescente.
— Isso não insenta ninguém de ser ruim.
Ela não entendia muito bem o que estava acontecendo, e ou porque de Jimin agir assim de repente. Mas o brilho em seu olhos era mais do que o suficiente para fazê-la acreditar em suas ações.
— Vocês se conhecem?
— Não.— Jimin parou e pensou:
" Na verdade, posso conhecê-lo, mas não diria que é o mesmo para ele..."
— Entendi... — murmurou a amiga, enquanto seus olhos se fixavam em uma criança de cabelos dourados, escorridos como se fosse feito de mel, na altura dos ombros.
Então, lembrou-se das últimas palavras de Jimin antes de tudo acontecer e sussurrou, apontando:
— É aquele garoto que você está procurando? — no instante em que o fez, um clarão surgiu do outro lado do vagão, abrupto, obrigando todos a fechar os olhos.
Quando Jimin piscou, o mundo parecia ter se curvado de maneira errática. A luz se dissipou e, entre o brilho residual, uma criatura surgiu pairando sobre os assentos como se ignorasse completamente a gravidade.
Era pequena, do tamanho de um filhote de cabra, com pelagem branca impecável, mas o contraste vinha dos olhos vermelhos, profundos, que brilhavam como brasas, e de um sorriso largo e grotesco, que denunciava prazer em algo que apenas ele entendia.
— Olá, humanos. — A voz era aguda, quase infantil, mas carregava uma ironia tão cortante que fez a espinha de Jimin arrepiar. — Vamos começar nossos jogos em breve...
— O que diabos é...? — alguém perguntou sem pensar, e a criatura, que até então parecia se divertir com as expressões assustadas, encarou-o com desdenho.
Hyurin engoliu em seco, sentido o que estava por trás daquilo. Algo semelhante nos acontecimentos aos poucos despertava sua memória, e segurando o braço de Jimin, ela sussurrou calmamente, também com medo de chamar a atenção daquela coisa:
— Nós vamos morrer? — Jimin a ouviu, mas ao invés de permanecer atento ao desenrolar daquela situação, ele a segurou pelas mãos novamente e a levou em direção ao garoto de antes.
A criança de cabelos castanhos a quem Hyurin apontara recuou instintivamente ao perceber a aproximação dos desconhecidos.
Com os olhos arregalados, essa criança apertava o terrário contra o peito. Ele não sabia se queria proteger o objeto ou apenas a si mesmo — Jimin percebeu isso imediatamente e considerando a situação, escondeu o senso de urgência por trás de um sorriso amigável.
— Com licença... — O garoto os encarou, os olhos escuros baixos, como se temesse encara-los diretamente.
A franja cobria boa parte de seu rosto e por não poder vê-lo de cima, Jimin se ajoelhou, levando a amiga a fazer o mesmo, uma vez que ela mesma não quis largar sua mão.
Quando finalmente estavam na mesma altura, Jimin voltou a cumprimentar.
— Oi, me chamo Jimin. Park Jimin. — ele rondou as roupas do garoto e voltou a sorrir ao ver o nome costurado em branco, abaixo de um brasão de urso. — Taehyung, não é? É um nome muito bonito. — o garoto de repente arregalou os olhos e o fitou como se tentasse entender o que aquele homem queria, logo em seguida, olhou para a mulher atrás dele, que dividia seu olhar entre o ser que surgiu recentemente, e a conversa que tinham.
— Taehyung? Esse não é... — Jimin olhou pelo canto dos olhos quando Hyurin resolveu falar.
O que foi o suficiente para ela engolir o que pretendia dizer e sorrir profissionalmente.
O garoto ainda não sabia o que estava acontecendo, mas não era uma criança cujo o discernimento basico estava em falta.
Taehyung rapidamente percebeu que a situação era incomum e perigosa. Mas ele não tinha nada a oferecer e sabia disso, logo, não entendia porque dois adultos iriam até ele aleatoriamente.
Há algum tempo vinha reparando como aquele homem parecia procurá-lo com pressa, algo que só começou a fazer sentido quando ele se aproximou “sem motivo aparente”.
Sua mãe costumava dizer para ficar longe de pessoas que pareciam querer se aproveitar de você, mas dessa vez, essa pessoa parecia não querer esconder isso, e o sorriso, embora forçado e não automático fosse como uma máscara, ele ainda era severamente gentil.
— Mas que porra você está nos dizendo?! — isso veio do outro lado, entre as pessoas e aquela coisa.
— Porque você continua me perguntando a mesma coisa?! Eu já expliquei: todos vocês são usuários do nosso sistema. Jogar é necessário para sobreviver.
— E por que deveríamos aceitar isso?! Não queremos jogar nada, nos deixe em paz!
— Oh, humanos... — a voz saiu doce, mas havia gelo por baixo — tantas estrelas os observam e vocês ainda hesitam? — o riso abriu seu rosto peludo como uma fenda. — É a chance de ter aquilo que sempre cobiçaram. Libertem suas almas. Agora têm permissão para tomar o poder que lhes foi negado.
— Essa coisa continua falando... Isso é alguma pegadinha? — bufou um outro alguém.
— Se é, então está perdendo a graça! Eu preciso chegar em casa logo ou minha mulher vai me matar. Apenas pare com isso e nos deixe ir! — dessa vez, um homem vestido num terno azul foi quem falou.
Mas além dele, havia outras pessoas que também não acreditavam no que estava sendo dito e que começavam a se exaltar, deixando claro o descontentamento em suas vozes e ações.
Jimin percebeu o suposto Mancipium erguer as patas a testa, como se sentisse dor de cabeça.
Na novel, as pessoas também continuaram debatendo contra ele. Uma reação comum, que ironicamente, custou algumas vidas inicialmente.
Mancipiums não tinham muita paciência e quase sempre, leis sociais não se aplicavam a eles. Matar e impor como se a vida pouco valesse era algo simples porquê a morte ou a vida estava abaixo deles.
Os humanos não possuiam poder de escolha, ou livre arbítrio aqui, e uma apresentação violenta, seria mas do que o suficiente para dizer isso a eles. Os Mancipiums sabiam disso, e brincavam com esses sentimentos de medo e dúvida.
A quantidade de vítimas cresceria conforme se rebelassem, e antes de se entender o jogo, o vagão seria inevitavelmente banhado em sangue de pessoas que não se deram conta do novo mundo em que estavam.
Jimin respirou fundo, quase incapaz de acompanhar os pensamentos. Ele apenas precisa evitar que acabassem sendo levados juntos nessa bagunça.
Antes que pudessem fazer a pequena criatura perder a paciência, Jimin largou a mão de Hyurin e se levantou, num ímpeto, caminhou em direção ao Mancipium.
A amiga contínuou chamando seu nome durante o processo, mas vendo como ele não vacilou, ela rapidamente se voltou para criança.
Superficialmente, sabia que Taehyung era importante, então o carregou junto após explicar que seria mais seguro ao lado deles. E ele só concordou porque Jimin era o único ali que não tremia, ou parecia assustado.
— Você disse que vamos jogar, mas não disse o tipo de jogo. — Jimin questionou, testando, observando cada movimento da criatura. — Acredito que todos aqui merecem uma explicação minimamente descente, não pode dizer que vamos ser jogadores do seu sistema e simplesmente esperar que acreditemos nisso. — a criatura estreitou os olhos, de repente, voltando a sorrir com diversão.
Num estalo, fez com que uma tela azul de todos no vagão surgissem.
Jimin sabia exatamente o que ela diria, mas queria fazer com que os outros entendessem sobre sua própria situação.
— O que vocês veem à frente é o perfil de cada um: habilidade, dinheiro, patrocínio, inventário... — a criatura fez uma pausa curta, saboreando a reação alheia — absolutamente tudo sobre o progresso de vocês neste jogo está nessa tela. — Os passageiros se entreolharam; alguns engoliram em seco, outros remexeram no ar, examinando o desktop flutuante.
— Irado, é como jogos online! — Wang Jin exclamou, movimentando os dedos no ar.
— Exato, humano! — exclamou. — Esse perfil é particular, apenas vocês podem enxergar o próprio desktop, mas é claro, com o passar do tempo, talvez vocês encontrem algumas habilidades que burlem esse sistema. É pura sorte. — explicou. — Dito isso, vamos falar sobre as moedas. Essa é a coisa mais importante nesse jogo, então atenção!
Jimin conhecia o sistema como ninguém. Cada missão principal distribuía moedas, experiência e, às vezes, relíquias capazes de alterar radicalmente o progresso.
O prestígio das estrelas funcionava como outra forma de moeda, permitindo elevar o nível de habilidades únicas concedidas pelos patrocinadores.
Entre tudo, porém, as relíquias eram o mais perigoso e valioso recurso depois das próprias moedas: podiam salvar vidas... ou tirá-las.
O terrário de formigas, aparentemente inocente, era considerado uma relíquia rara. Na primeira missão, que era um teste secreto sobre a ética humana, poderia ser a diferença entre a vida e a morte de todos naquele vagão.
Era também o momento em que as estrelas avaliavam quem patrocinariam.
A primeira impressão sempre é mais verdadeira quando não se conhece o que está por trás da intenção. E é, onde sua vida é colocada em risco, que o verdadeiro potencial do ser humano em ser mal surgi.
Estrelas amavam um drama, esperavam portanto sempre a primeira missão ser concluída antes de decidir à quem patrocinar.
— As moedas podem ser gastas na loja de aptidão — explicou a criatura. E Jimin assentiu como se já não soubesse.
A loja era, na verdade, um mercado de habilidades, atributos e relíquias, disponível apenas duas horas por dia. Cada investimento precisava ser calculado; perder a oportunidade podia significar fraqueza irreversível diante dos desafios.
No início, muitos jogadores se perdiam nisso, principalmente os que jamais haviam jogado jogos online.
Não entender a importância de investir em atributos era fatal.
Força, agilidade, resistência, inteligência e magia eram essenciais, mas cada decisão tinha consequências. Alguém com potencial para magia investindo em força podia desperdiçar chances valiosas; priorizar atributos errados podia significar derrota.
As escolhas se tornavam ainda mais delicadas quando se considerava que uma estrela poderia oferecer uma habilidade única como patrocínio.
Ninguém, além de Jimin, sabia que essa concessão vinha com limitações ocultas: depender demais do poder do patrocinador podia reduzir drasticamente a liberdade de usar outras habilidades. Mas também era a melhor forma de ficar mais forte, logo no começo do jogo.
As "estrelas" gostavam de mimar seus protegidos como se disputassem entre si o título de uma riqueza vazia. O dinheiro vinha fácil, e o crescimento que poderia ser significativo, se bem investido, era a maior vantagem deles.
— Agora que sabem como JIGSAW funciona, podemos começar! — a criatura anunciou, e as palavras ainda ecoavam quando o trem deu um tranco seco, desencarrilando.
Segundos depois estavam em movimento outra vez, mas algo novo brilhava diante de cada um: uma notificação que se abriu na visão de todos.
| ATENÇÃO USUÁRIOS — A PRIMEIRA MISSÃO DE JIGSAW COMEÇA!\nOBJETIVO: MATE UM OU MAIS SERES VIVOS.\nPENALIDADE: MORTE.\nTEMPO: 5 MINUTOS |\n\n

