ISABELI
E depois de longos meses, as viagens para os reinos humanos estavam se aproximando, algo que tava me deixando bem animada.
Visitar os outros reinos humanos era muito mais incrível que visitar os outros reinos Sapiens, mesmo sendo uma visita rápida, ou uma simples reunião, o tipo de coisas que aconteciam comigo nessas viagens sempre eram algo a ser lembrado.
E dessa vez eu estava com meu Rei ao meu lado que ia sentir as loucuras de rada reino diferente pela primeira vez, a empolgação que eu senti só de imaginar as vozes que o Sir Hades iria fazer quando a gente chegasse em cada reino foi o suficiente pra eu acordar no meio da madrugada de empolação.
Eu sabia que ainda era noite porque, além de ainda estar bem fresco, eu ainda conseguia ouvir as corujinhas lá fora.
Eu tentei dormir de novo, mas não consegui, eu quase nunca conseguia dormir de novo quando eu acordava pela primeira vez, e quanto mais tempo eu fiquei acordada, mais tempo eu fiquei pensando nos outros reinos humanos, os outros reinos Sapiens, e antes que eu percebesse, eu já tava acordada demais pra dormir direito.
Os reinos Sapiens, não eram um problema muito grande pra mim, no fim de cada mês, nós fazíamos uma reunião para garantir que tava tudo certo, e mesmo que agente sempre tivesse coisas diferentes pra falar, tipo crise de comida, desastres naturais, problemas com doenças e outras crises rotineiras assim, não havia nada que um pouquinho de preparo não pudesse dar um jeito.
Eu fiquei mais aliviada pelo fato dos reinos Sapiens do continente não me darem dor de cabeça, pelo menos não tanta dor de cabeça quando eu passo com os líderes de família do meu reino.
Eu sempre fiz questão de ter compaixão e de ajudar os nobres que me ouviam e que tentavam me ajudar. Além de sempre recompensar àqueles que seguiam bem as regras, algo que a longo prazo se mostrou bem efetivo
Ao mesmo tempo que sempre tinha um tipo de punição especial pra qualquer um que queria desafiar minha autoridade. Ao mesmo tempo que eu nunca matava eles, eu fazia cada nobre que me desrespeitou entender o erro que cometeram de forma que uma morte rápida nunca poderia fazer.
Um nobre tentou sabotar todos os meus projetos para melhorar uma parte do reino onde a família rival dele estava.
E como punição, eu mandei que aquele nobre tirasse dinheiro do próprio bolso pra ajudar nos próprios projetos.
Eu não podia ver, mas eu conseguia sentir pelo choro daquele nobre que ele teria aceitado bem mais perder a cabeça do que ter que fazer aquilo.
Ai aí, aquela foi uma das melhores ordens que eu já dei, aquela foi uma das primeiras ordens que me fez entender que algumas coisas são piores que a morte ou a dor física.
E considerando que aquele foi o primeiro nome que eu puni, com certeza foi bom eu ter começado por ele.
Outro deles tentou forçar uma jovem garotinha a se casar com ele, e como punição, eu tirei o título de patriarca daquele nobre, e coloquei o irmão mais novo dele no lugar, porque o irmão era mais próximo da idade da garotinha (muito mais próximo mesmo).
E ainda fiz questão que se o irmão mais velho dele fizesse qualquer coisa, era só o novo casal falar comigo.
O ex patriarca se encontrou comigo muitas vezes ainda, ou melhor, ele ousou ficar me encontrando em festas e bailes, sendo só um obre comum, e ao mais um patriarca, algo que me deixou bem feliz, porque ele virou minha caixa de risadas quando tava entediada nos bailes.
Porque ele sempre fazia questão de me mostrar que ele tava naquelas festas, mas não ousava sequer chegar perto de mim, porque ele sabia que ele iria ser parado e preso antes de sequer conseguir me tocar, e até aquele doente mental sabia disso, HAHAHAHAHA.
Outro nobre tentou até ter um caso comigo, bom, tentou, porque eu não dei uma única chance pra ele, e eu sempre deixei bem claro que não queria um caso e que ele devia tentar uma outra garota procurando “aventuras” ao invés de mim.
E como um alívio para nós dois, ele entendeu a dica e foi embora, me impedindo de puni-lo.
Hehe, sério, os livros de fantasia mentiram pra mim.
Eu ainda achava um pouquinho assustador como cada um deles capturou muito bem o quão egoísta muitos nobres “do mal” são, mas diferente do que essas histórias me contaram, eles não eram idiotas, eles não tentavam a sorte, não tentavam continuar insistindo em algo que não tava funcionando, e nem tentavam ataques desesperados depois de serem encurralados ou algo do tipo.
Não, ao mesmo tempo que eram maus, esses nobres eram espertos, assim que eu os “venci”, eles esperavam nas sombras, apenas pra eu abaixar a guarda e eles conseguirem me atacar de novo, e dessa vez, com um ataque crítico de verdade.
Infelizmente pra eles, eu nunca ia abaixar a guarda, eu apenas ia continuar os “observando” de longe, enquanto dava risada dos idiotas que me xingavam e desejavam a minha morte, apenas esperando uma chance de se vingarem que nunca chegaria.
E era graças a esses pensamentos e das situações em que eu sentia uma felicidade tremenda em ver esses nobres idiotas sofrendo que me faziam pensar que era sádica.
Se eu contasse isso pra qualquer um que eu pudesse chamar de “amigo” eles com certeza falariam “ah Isa, para com isso, você nunca seria sádica”.
Mas era difícil pra mim pensar assim, a alegria que eu sentia sempre que eu via um daqueles nobres nojentos ficando assustados e caindo da grande montanha de ego que eles criaram pra si mesmos era grande demais para uma pessoa que não é sádica.
E o mais estranho em tudo isso era como eu não sentia remorso do que eu fazia, só medo, medo desse sadismo acabar afetando a pessoa errada, mas remorso eu não sentia pelo menos não mais.
Eu não sentia culpa de cada nobre que eu punia, eles fizeram isso consigo mesmos.
Da mesma forma que você não culpa um urso de atacar um Sapien que chegou perto demais dele, eu não me culpava por atacar um Nobre que me atacou primeiro, era o princípio básico da autodefesa.
Além, é claro, dos meus deveres, os deveres de Rainha que eu tinha, deveres que deveriam ir antes de tudo. “Você é uma rainha antes de ser a Isabeli, nunca se esqueça disso”. Essa era a primeira frase que eu me lembrava sempre que eu sentia que os meus sentimentos estavam atrapalhando meu julgamento e pelos meus 10 anos de rainha, esse lema tem me ajudado muito bem até agora.
Como Rainha, eu tinha o dever de fazer o que era melhor pro meu povo, mesmo que não fosse o melhor pra mim.
Ao mesmo tempo, eu também sentia que, o que eu fazia era necessário, eu tinha um dever como rainha, o dever de proteger cada um dos meus cidadãos.
Nenhum general, Psicomago, curandeiro, ou qualquer outro cidadão era mais importante que eu, porque eu era que os comandava, eu era que os faziam ir pra fora, para proteger seus semelhantes, e fazer com que as pessoas não tivessem medo.
Minha palavra era lei, cada decisão que eu fazia poderia salvar ou destruir milhares de vidas, pessoas clamavam meu nome quando estavam em perigo e outras amaldiçoavam meu nome por ter impedindo elas de lucrarem em cima da morte das pessoas.
Era um poder solitário, onde mal podia confiar na minha própria sombra, não era atoa que meus pais esperaram eu completar 20 anos para passar a coroa, só uma garantia pra ter certeza que eu não ia perder o controle.
E com um poder tão importante nas minhas mãos, eu não tinha o direito de ser fraca, eu não tinha o direito de ser submissa, eu não tinha o direito de recuar, quando eu era vista com a coroa na minha cabeça, eu não pedia, eu mandava, e eu não podia sentir culpa por isso, porque a culpa iria dar a chance dos idiotas da corte me manipularem, e eu não podia permitir isso.
E com essa espiral de pensamentos chegando em mim, eu acabei endurecendo meu coração pras pessoas que eu punia, chegando a conclusão que, no fim, eles mereciam, e com isso, acalmei meu coração violento.
Mas com o endurecimento do meu coração, também veio o medo, um medo profundo, que, se eu acabasse endurecendo demais meu coração, eu acabaria deixando de me importar com o meu povo, de tudo que aconteceu em toda minha vida até agora, isso era o que eu tinha mais medo.
O medo cresceu dentro de mim até eu sentir uma não me abraçando por trás, ah é, eu ainda estava na cama, eu quase me esqueci disso, meu Rei ainda tava dormindo do meu lado, então era quase como se ele só tivesse sentido que eu tava mal, o que me deixou mais feliz e impressionada e aliviada do que o normal.
E com aquele abraço na cama, eu fiquei mais calma, pensando como não tinha forma de eu acabar perdendo minha empatia, não com o meu Rei e com todos os meus aliados da corte do meu lado.
Isabeli: voce pode não saber disso, mas você e os outros são a única coisa me impedindo de virar uma tirana
Hades: isso não é verdade, e você sabe disso.
Apesar de eu amar muito a fé que o Sir Hades tinha em mim, eu não conseguia ter essa mesma fé em mim mesma, pra mim, eu só precisava de um dia ruim pra me tornar uma tirana cruel, por isso eu tentava tanto me manter segura, quanto mais tempo demorasse pra esse dia ruim chegar, melhor seria pra todos.
E mesmo com esses últimos pensamentos, eu ainda consegui pelo menos ficar calma o bastante para dormir, quase, porque antes de dormir, eu tive um último pensamento, um que confirmou pra mim mesma dentro da minha mente que eu era mesmo sádica.
Isabeli: (murmura) ser gentil tem hora e lugar, e quando a frente a frente com pessoas tentando te diminuir, roubar do povo e pessoas que mandam assassinos até você, não é uma dessas horas
Hades: (murmúrio) eu concordo
Isabeli: (murmúrio) é normal gostar de ver gente ruim sofrendo, todo mundo ama ver o grande vilão da vez sofrer as consequências dos próprios atos (sorri) eu não sou…estranha, por gostar disso
Hades: com certeza não.
Eu dei uma risadinha do que o Sir Hades falou, se eu era sádica, então o Sir Hades com certeza era um psicopata, agente realmente era perfeito um pro outro.
Esse foi meu ultimo pensamento antes de apagar de ves, pensando apenas no próximo dia incrível que eu teria, ainda tinha uns dias para ir a viagem, mas eu teria coisas incríveis o bastante pra ficar entretida por um bom tempo.

