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A Luz do Seu Amor
🤯🐈‍⬛🤯casa carvalho🤯🐈‍⬛🤯
4039 palavras • 22485 caracteres • ⏱ 16 min 09 s

🤯🐈‍⬛🤯casa carvalho🤯🐈‍⬛🤯

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Eu gostei muito de todos os lugares que eu levei o Sir Hades, e como o toque final, eu ia levá-lo para um dos lugares mais especiais que eu tinha, pelo menos quando eu nao tava fazendo o papel de Rainha, indo pra casa de uma pessoa que eu podia chamar de amigo mais do que qualquer outra coisa que ele poderia ser pra mim.


Claro, depois de conhecê-lo por anos, eu sabia que eu não podia apenas aparecer do nada na casa dele, então mandei uma mensagem a ele dizendo que estávamos indo ver ele, então, depois de alguns minutinhos caminhando naquelas ruas lindas, na casa da familia Carvalho, uma família de condes.


Mesmo sem falar muita coisa, eu pude sentir a surpresa do Sir Hades de nos irmos pra aquela casa, afinal, aquela era a nossa folga, e felizmente, ele não ficou com aquelas dúvidas pra ele, e falou comigo de cara.


Hades: achei que agente estava aqui pra relaxar, e não a serviço


Isabeli: e estamos, estamos aqui como amigos e não como as majestades reais, e o nosso convidado sabe disso. 


Uma vez de frente aos portões, os guardas deram uma unica olhada pra mim, riram e falaram.


Guarda: ah, senhorita Bia, é um prazer vê-la de novo, entre, entre.


O Sir Hades com certeza ficou confuso sobre eu ir tanto ali que até os guardas me conheciam, mas eu não senti culpa, e só deixei meus cães me guiarem pelo castelo.


Hades: esse cara deve ser um velho amigo seu, tem certeza que essa viagem não vai acabar sendo um passeio que virou mais um dia de trabalho?


Isabeli: haha, isso não vai acontecer, o nobre que vamos visitar não é alguém que gosta de se envolver em política


Hades: jura? Mal conheço o cara mas já gosto dele


Isabeli: nesse caso você vai gostar muito mais quando o ver, só tenta não ser muito intenso perto dele


Hades: tá bom, eu vou tentar.


E com muito cuidado, guiei o Sir Hades pra dentro da do castelo, porque apesar de ser cega, assim como o meu Reino e a Padaria, eu já tinha entrado e saído daquele castelo tantas vezes que eu reconhecia o lugar a palma da minha mão.


Com uma delicadeza, auxiliada pelos meus lindos cãezinhos, eu guiei o Sir Hades comigo só esbarrando em um mordomo ou outra empregada aqui e ali, e quando me dei conta, já tinha chegado em uma salinha do castelo, que virou meu refúgio a muito tempo. E logo, uma voz bem familiar pra mim, me chamou.


???: Isabeli? A quanto tempo eu nao vejo você


Hades: epa, pera ai, ele pode te chamar assim?


Isabeli: sim, pode sim, não é perigoso ele falar esse nome.


E novamente, o Sir Hades ficou bem confuso com o que tava acontecendo, mas ainda me seguiu pra dentro do lugar.


E assim como eu me lembrava, bem perto de nós, tinha uma casinha, antes com apenas 2 cadeiras, uma pra mim, e para meu anfitrião, mas tinha uma a mais agora, para o meu Lorde.


Quando nós dois nos sentamos, eu sabia que nosso anfitrião estava nervoso, afinal, essa festa do chá era algo muito pessoal nosso, além dele ter muitos problemas com pessoas novas, então o nervosismo dele era bem normal e compreensível. 


Enquanto o Sir haes, depois de, (pelo que eu presumia) olhar o nosso anfitrião com cuidado entendeu quem ele era, e ficou bem chocado com o que viu.


Isabeli: antes de qualquer coisa, deixa eu apresentá-los de maneira formal, Sir Antonio Carvalho, esse é meu marido, Hades Crowborn, me casei com ele a poucas semanas, mas não se preocupe, eu vim aqui apenas como amiga e não como rainha


Antonio: e assim deve ser


Isabeli: e Hades, esse Senhor a sua frente é Antonio Carvalho, um jovem mago, brilhante, mas que decidiu de manter longe do jogo político por conta das suas condições de nascimento. Ele é casado, e um explorador nato. Mas o que mais me fascina nele, é a sua grande gama filosófica, existem poucos em todo o reino que possuem uma mente mais afiada que a dele, em meus dias mais ruins, eu venho até ele buscar iluminação, e, eu queria que você o conhecesse.


O Sir Hades não respondeu, provavelmente ainda processando tudo o que eu falei, mas era normal, eu falei muitas coisas chocantes em um período de tempo curto demais. E depois de um silêncio desconfortável, onde o meu Lorde parecia estar tentando manter a cabeça no lugar, ele falou.


Hades: espera aí, condições de nascimento?


Antonio: eu tenho a maldição dos super sentidos, de grau baixo


Hades: nossa, que sorte tem alguns, eu nasci sem magia, então, quando eu nasci, tiveram que fazer uma cirurgia em mim, pra colocar um orbe artificial no meu peito, pra eu ter uma pequena chance de sobreviver…eu não tinha nem 10 segundos de vida, mas Deus já queria que eu lutasse por ela


Antonio: ninguem é tratado de forma igual, alguns precisam lutar antes mesmo de nascer, enquanto outros passam por décadas sem levantar um único dedo, mas não é onde as pessoas começam suas jornadas que determina o que elas serão, tudo que importa é onde elas chegam no final


Hades: mas não dá raiva, quando você tem que fazer um esforço absurdo pra conseguir o que você quer enquanto certas pessoas não precisam se esforçar nada pra conseguirem a mesma coisa?


Antonio: claro que dá, mas se reclamar o quanto o mundo é injusto fizesse algo, o mundo nunca pararia de mudar


Hades: então o que eu deveria fazer? Apenas aceitar que eu apenas tive azar de ser uma pessoa que recebeu a grande alegria de nascer sem magia, enquanto todos à minha volta apenas conseguiam fazer magia normalmente?


Antônio: não


Hades: eu devia então só agradecer a Deus por ter problemas da cabeça por causa de todo o cuidado que eu precisei passar quando era criança pro meu núcleo de mana não me rejeitar, e eu acabar me tornando um recluso que só podia ser amigo com fantasmas?


Antônio: na…espera o quê?


Hades: (suspiro) quando eu era mais novo, tinha a chance do núcleo me rejeitar se eu usasse muita mana de uma vez, sempre tem esse risco nos primeiros 15 anos, depois o núcleo se estabiliza e a minha magia fica com uma chance bem menor de ser rejeitada. 


Nossa, eu consegui sentir na tristeza do Sir Hades como ele odiava se lembrar daqueles dias, mas ainda assim, continuou.


Hades: por causa disso, quando eu era moleque, muitas crianças tentaram me chamar pra brincar, mas eu não brinquei com eles porque eu tinha medo, e isso me fez ficar muito mais próximo dos fantasmas do que outra coisa


Antonio: eu não fazia ideia


Hades: e eu nem comecei a falar como a minha magia se desenvolveu mais tarde do que a das pessoas normais


Isabeli: não fala assim, você é normal


Hades: não minha Lady, eu não sou


Antônio: então pessoas sem braços não são normais?


Hades: não fala burrice, é claro que são


Antônio: então por que você não é?


O Sir Hades ficou em silêncio quando ouviu aquilo, mas eu sabia que  Sir Antônio só tava preparando o terreno, eu já estava sentindo a bomba que ele ia jogar nele daqui a pouco.


Antonio: Sir Hades, o que você passou desde o dia em que você nasceu é uma lástima de verdade, mas quando eu olho pra você aqui, na minha frente, eu só consigo pensar que você cresceu no meio dessas dificuldades. Você fez uma grande comparação que você recebeu sua magia mais tarde que os outros, pode brincar mais tarde que os outros e sentiu muitas coisas mais tarde que os outros. 


Antonio: e cada uma dessas coisas construiu 3 coisas dentro de você, 3 coisas que fizeram você chegar até aqui em sua jornada, (levanta dedo) um desejo imenso de conseguir o que lhe foi negado quando você era jovem, (levanta segundo dedo) uma valorização imensa para cada coisa que você conseguiu (levanta terceiro dedo) e principalmente, uma sensação de conquista, sempre que você conseguiu cada uma das coisas. 


Antonio: sim, você levou bem mais tempo pra conseguir essa magia que os outros, mas esse tempo atrasado fez a sua magia ser diferente deles, não apenas em questao de poder, mas em questao que voce usa cada pedaço de sua magia como se fosse um troféu, enquanto todos os outros a usam como algo normal na vida deles.


Antonio: uma diferença sutil, mas e esse tipo de diferença que separa bolas de fogo comum, pra bolas de fogo especiais


Hades: o que você tá dizendo? Que a minha magia é especial?


Antônio: nao, nao é a sua magia que é especial, é você que fez essa magia ser especial


O Sir Hades tentou responder o Sir Antônio, mas o contra ataque do Sir Antonio calou o Sir Hades melhor do que qualquer fita poderia fazer.


Antonio: sobre você não brincar com crianças na sua idade, e viver isolado por tanto tempo, apesar do quão triste isso tambem e, isso também lhe fez aprender como conhecer as pessoas de outra forma, como você não podia se enturmar da forma convencional, você se enturmou com outros de uma maneira não convencional,  afinal, fantasmas são humanos também uma maneira que, se eu entendi direito, foi algo que você apenas conseguiu por causa da condição em que você nasceu, não é?


Hades: eu só consegui ver fantasmas por causa da operação que eu fiz no nascimentos, então, sim, é isso mesmo


Antonio: e principalmente, tudo que você passou foi algo essencial para que você pudesse sentir empatia pelos seus cidadãos e por todos a sua volta, porque, por mais que ser ensinado a empatia na prática ajuda muito também, sentir na pele o que a empatia pode causar realmente muda a visão de mundo de alguém. 


Antonio: e seja uma condição parecida com a minha, a sua ou da Isabeli, ou seja apenas um problema que alguém Asingular está passando. Receber ato de compaixão não é um agrado, é uma necessidade, e quando essa necessidade é cumprida, uma empatia incrível e criada dentro de nós.


Antonio: Sir Hades, não estou dizendo que você devia só agradecer por nascer nessa condição, nem que você deveria amaldiçoar os céus por ter nascido dessa forma. Estou dizendo que você deveria dar parabéns a si mesmo por ter chegado tão longe mesmo com tudo que aconteceu com você. 


Antonio: porque no fim, não importa qual tipo seja, Singularidades são isso no final, elas não são bênçãos nem maldições, elas são apenas partes de nós, e como qualquer parte de nós mesmos, elas nos causam problemas. 


Antônio: muitas pessoas tem esses problemas, mas não conseguem lidar com eles, e elas preferem morrer, enquanto tem outras que, mesmo que doa, tipo, que doa muito mesmo, elas conseguem lidar com esses problemas, e você, Sir Hades, com certeza se encaixa no último tipo. Alguém que reclama, mas no fim do dia, sempre lidou com os próprios problemas.


O silêncio que se seguiu depois disso foi devastador, não era um silêncio desconfortável, era aquele silêncio que falava mais que qualquer palavra. 


Eu podia sentir como o Sir Hades tava registrando na própria alma tudo  que o Sir Antônio falou, até que ele falou, com uma voz muito leve e tranquila, como se ele tivesse acabado de sair da terapia.


Hades: como? Como você entendeu todas essas coisas sobre mim?


Antonio: essa é uma das vitórias que eu tenho como um Singular dos Super Sentidos. Quando eu era criança, eu não entendia os sentimentos das pessoas, eu não conseguia entender por que os outros ficavam com raiva de mim, ou com nojo, ou tristes. E pra consertar isso, dediquei toda a minha vida a entender o sentimento dos outros…(sorri) e pelo rosto que você tá fazendo, eu acho que consegui.


E mais uma vez, silêncio, novamente um silêncio que falava muito mais que qualquer discurso poderia falar, e novamente o Sir Hades voltou a só tentar registrar em sua alma tudo o que o Sir Antônio falou. 


E enquanto o Sir Hades estava pensando, eu e o Sir Antonio ficamos tranquilinhos no silêncio enquanto tomávamos xícaras de achocolatado bem quentinho. 


Nós dois já havíamos tido uma cota de conversas o bastante para o silêncio entre nós não ser desconfortável, e com tudo que o Sir Hades tava passando, mal dava pra perceber que ele tava ali.


Então nós só nos deliciarmos com o chocolate quente feito pelo patriarca enquanto esperávamos o meu Lorde acabar de pensar naquela conversa absurda que os dois tiveram a alguns segundos atrás.


O irmão mais velho do Sir Antônio, o mais novo patriarca da família Carvalho, era um especialista em chocolates quentes, se o Sir Pedro não tivesse acabado bem como Patriarca, ele podia facilmente ter virado um cafeteiro famoso sem problema nenhum. 


O silêncio durou um bom tempo. Até que o Sir Hades começou a rir, era uma risada bem…natural, não era aquelas ensaiadas de palco que ele dava naqueles bailes de festas todos ensaiados, não, aquela risada era tão real que o Sir Antônio também riu, contagiado pela alegria do Sir Hades, e no fim, e ri também, te tão contagiosa que o riso deles tava.


Antonio: hahaha, qual a graça?


Hades: você fala igualzinho a Perséfone…me dá um pouco de alívio que ainda tem pessoas como ela por aí


Isabeli: quem?


Eita, minha voz saiu com num tom mais sinistro do que eu pretendia, eu pensei que só estava curiosa, mas aquele tom na minha voz, será que eu tava com ciúme? Ah não, isso não podia ser, não precisava ter ciúmes, não do Sir Hades, ele não faria isso comigo…SAI DO MEU CORAÇÃO CIÚMES, SHO, SHO, SHO.


Hades: você se importa se eu te explicar depois?


Eu ouvi cada centímetro do medo na voz do Sir Hades, e depois de todas as coisas que eu fiz, todas as ameaças e o tom que a minha voz tava naquela hora, não me culpava por estar com medo de mim, então eu fechei os olhos, respirei bem fundo, e falei, com a voz menos ciumenta que eu podia fazer.


Isabeli: relaxa, pode me contar os detalhes depois, podem continuar a conversa de vocês


Hades: certo, obrigado minha Lorde.


Eu ainda não tinha certeza, mas eu já estava começando a perceber que o Sir Hades sempre me chamava de “minha Lorde” quando estava com medo, mas eu não tinha ouvido ele me chamar assim vezes o suficiente pra ter certeza.


Bom, enquanto eu pensava nisso, o Sir Hades falou algo pro Sir Antonio.


Hades: eu pensei que, Singulares dos super sentidos não eram de falar muito


Antonio: e não somos, porque pra nós, a maioria das conversas não vale a pena, mas graças a certas pessoas, eu consegui falar das coisas que eu gosto, então aprendi a ouvir as coisas que eles gostam também, e quando me dei por mim, eu já estava falando por varias e varias horas, assim como eu fiz com voce


Hades: sério? A Lady Isabeli me disse que você tem um dos conhecimentos mais avançados desse reino, então estou curioso pra saber o que você pode falar


Antonio: sou todos ouvidos…a Isabeli me falou muito de você, estou curioso pra te conhecer melhor. 


E assim as duas pessoas mais importantes da minha vida, sem contar meu pai é claro, começaram a conversar. 


Eu achava engraçado isso, o Sir Hades foi ensinado e doutrinado pra ser meu cônjuge desde bem cedo, então fazia sentido ele despertar tanta alegria em mim, mas o Sir Antônio foi algo que me pegou de forma desprevenida. 


O Sir Antônio era apenas…muito bom de ter por perto, a forma como ele falava, a forma como ele agia, era tão diferente de todas as pessoas da corte.


Eu gostava tanto de falar com ele que visitar ele acabou virando um dos meus maiores alívios em todo o reino, sempre que eu me sentia fraca, eu buscava forças com ele, claro, quando ele permitia também. 


Ele tinha uma noiva, e era um aventureiro nato, então não era sempre que eu podia vê-o, mas sempre que dava, eu me sentia totalmente renovada, e eu tava muito feliz que o Sir Hades conseguiu ter um gostinho do que eu tive por muito tempo.


E depois de ter a primeira conversa contra o Sir Antonio, eu percebi que o Sir Hades estava bem mais alegre e feliz do que quando entrou.


A conversa durou uma hora inteira, com aqueles dois nunca parando de falar, e agente só voltou pra casa porque já tava escuro demais pra nós ficarmos lá mais tempo, e eu sabia disso porque eu já tava ouvindo o som das corujas, e outros animaizinhos noturnos pela janela.


Com calma, eu segurei a mão do Sir Hades, ele ficou um pouco surpreso de eu pegar a mão dele, mas ele logo não viu problema em nós irmos embora.


Isabeli: meu Looooordeeee, vamos pra casa, temos lugares pra ir amanhã


Hades: ah, claro, claro, já tá de noite, (vira pro Antônio) foi um prazer te conhecer Sir Antonio, espero poder encontrá-lo de novo


Antônio: ah, por favor, pode me chamar de Tony, não estamos em nenhuma festa chique ou algo assim


Hades: ok então, até a próxima…Tony, hehehehehe.


HADES


Em toda a minha vida, nunca conheci alguém tão bem em uma única conversa, o Sir Antonio me deu várias explicações sobre o porque ele era assim, e porque ele era tão bom com as palavras. Ele só não me explicou por que ele era tão divertido, mas essa pergunta, eu meio que guardei pra mim, então, não conta.


Outra coisa que reforçava meu pensamento era que em uma conversa eu entendi completamente porque aquele Homem era especial pra minha Lady, o que ele falou, tudo que ele fez, com certeza não era algo que qualquer um podia fazer.


Mas por algum motivo, o que eu mais consegui me focar foi na aparencia dele, a pele escura, quase como um carvalho super negro (talves dai venha o nome da familia); os cabelos encaracolados e pretos que iam ate os ombros dele; Uma altura absurda, tipo, ele era muito alto mesmo; Um rosto jovem demais pra um home com 30 anos; um rosto que demonstrava juventude, mas sem parecer infantil. 


E os olhos, os olhos dourados que ele tinha o fazia parecer um anjo, e até o ponto em que nós conversamos, minha mente já tinha aceitado que ele era realmente um anjo.


A roupa dele era bem simples, ele apenas tava usando uma blusa com desenhos nela e uma bermuda super espaçosa por baixo.


E mesmo antes de conversar qualquer coisa com o Sir Antonio, eu já tinha que agradecer a minha Lady por nos apresentar, porque aquela foi a primeira vez que eu vi um homem ser tão adorável, e ainda parecer um cara sério.


Era quase contraditório, mas ao mesmo tempo que eu via o Sir Antônio como alguém fofo, também conseguia ver alguém poderoso no meio daquela fofura, como um tigre ou um puma, fofinho mas mortal.


E quando estávamos quase saindo, a Minha Lady ainda levantou pra ele e falou.


Isabeli: manda um beijao pra Dandara por mim 


Antonio: claro, vou me garantir isso.


Ah é, ele tinha uma esposa, bom, com uma língua de prata como a ele, estranho seria se ele não tivesse. E quando estávamos saindo daquela salinha, dei uma última olhada para ele, não sabia se ele conseguia ler minhas expressões, mas naquele momento curtíssimo enquanto a porta ainda estava aberta, desejei aos céus que essa não fosse a última vez que nos encontrássemos.


ISABELI


Eu gostei muito de ver aqueles dois se dando bem, porque sem contar o meu pai e meu irmão, eles eram os dois homens mais importantes da minha vida, eu queria que eles se dessem bem


E apesar de eu conseguir escutar nitidamente a tristeza na voz do Sir Hades, eu também conseguia ouvir a tranquilidade e o relaxamento na voz dele, a ponto de que não fiquei nem um pouco assustada quando sai da cada do Sir Antonio, mesmo estando tão tarde.


Quando saimos pra fora, o Sir Hades tava do meu lado, tdo tranquilo e calmo, rindo como um idiota, e ate batendo em algumas coisas pelo caminho de casa, varias vezes.


E aquilo foi o suficiente pra eu agradecer de ter dois cachorros, porque logo em seguida eu tive que dar um dos meus cães pra ele, de tanto que ele tava esbarrando nas coisas. 


Mas eu não fiquei irritada com ele, ter esses papos pela primeira vez sempre era algo que mexia na cabeça dos outros mesmo.


Hades: aaaah, isso foi divertido


Isabeli: ótimo, porque eu quero entender tudo sobre a Senhoria Perséfone quando chegarmos em casa.


E depois deu falar aquilo, o Sir Hades parou de rir, e com o rosto um pouco mais sério, mas ainda com a calmaria daquela conversa, ele falou pra mim.


Hades: querida, olha, eu vou te contar tudo, mas podemos fazer isso outro dia, hoje foi um dia bem cheio


Isabeli: (suspiro) por mais que eu queria saber em detalhes quem essa Perséfone é, sei que voce não vai fazer nada idiota, então acho que posso esperar alguns dias até voce me contar todo os detalhes, então fica tranquilo.


Hades: obrigado amor


Isabeli: eu espero que você tenha encerrado seus assuntos com ela


Hades: infelizmente sim, querida, infelizmente sim.


E a tristeza na voz dele quase destruiu a alegria que ele tinha conseguido, aquela foi minha deixa pra parar, e eu a peguei com todas as forças que eu tinha. 


Eu entendi na hora que tinha entrado em um tópico sensível, mas quando a dor e tristeza desfez quase por completo a alegria que ele tava a alguns segundos atrás me fez ver que já era tarde, e que eu tinha passado muito do limite.


Isabeli: ela, se foi?


Hades: sim…mas não é só isso, como eu falei, te conto os detalhes depois.


E antes do clima ficar ultra pesado, nós tentamos aproveitar a beleza da noite na nossa caminhada de volta.


A essa hora, não tinham muitas pessoas além de apreciadores de estrelas, mercadores de coisas brilhantes, artistas de rua e principalmente guardas patrulhadores, pela rua. 


Mas o que eu mais gostava nas ruas do território a noite era como tudo ficava mais tranquilo, mais calmo, a essa hora, os gatos saiam pra fazer a  festa, junto das corujas e principalmente os corvos. 


Cada animal daqueles tinham uma bela relação comigo, então eu esperava que pelo menos um deles fizesse o SIr Hades se sentir melhor enquanto nós íamos pra casa.


Hades: eles são tão manhosos


Isabeli: e claro que são, eles são dos donos das ruas, e digamos que nossas leis não são leves sobre maus tratos com animais


Hades: tem alguma lei no seu reino que não seja severa?


Isabeli: não sei, não lembro todos de cabeça


Hades: se você se lembrar de alguma lei leve do território, me fale por favor.


Ai, que alegria, os animaizinhos fizeram o trabalho deles, eu queria dar um tapinha nas costas pra mim mesma, por ter conseguido fazer algo como aquilo, assim que nós entramos no castelo, ninguém fez perguntas, ninguém perguntou onde estávamos, apenas deixou que nós entrássemos.


E depois de comer, tomar banho e ir deitar, deixei minha mente me levar pra maior das fantasias no meu mundo dos sonhos, hoje foi um dia tão satisfatório e relaxante, que com certeza me daria forças pra aguentar as confusões do território por mais alguns dias, claro, isso contando o Hades também.


Eu ainda tava muito curiosos pra saber quem era a Lady Persefone, mas depois de saber que ela faleceu, eu me sinto idiota demais pra perguntar qualquer coisa pra ele, então eu so ia ficar quietinha, pelo menos ate ele me contar, se ele me contasse, acho que eu nao sentiria culpa de querer saber os detalhes.


Mas com certeza dava pra ver que aquilo não ia ser algo que iria pra ouvir hoje, porque hoje, agente só ia dormir.


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