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A Luz do Seu Amor
🙂‍↕️👻🤕sombras do passado🤕👻🙂‍↕️
3445 palavras • 19822 caracteres • ⏱ 13 min 47 s

🙂‍↕️👻🤕sombras do passado🤕👻🙂‍↕️

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Apenas com o que ela falou, e tinha uma ideia pra onde nós estávamos indo, mas enquanto os cães da Isabeli a Levavam até a carruagem dela, e depois que nós entramos, e quando a carruagem ganhou velocidade e força o suficiente, minha Lady começou a contar uma história que eu já tinha ouvido falar, mas nunca inteira da forma que eu já sentia que ia ouvir dela agora.


Isabeli: Singularidades, ou Maldições, para os leigos, são problemas causados quando um corpo era forte demais, ou fraco demais em certas partes do corpo, fazendo com que uma magia conseguisse se manifestar de formas diferentes, estranhas, e na maioria do tempo, destruidoras, no corpo dos outros, algumas singularidades são mais físicas, como alguém nascendo com braços a mais, ou com uma pessoa sendo capaz de ver muito, ou alguém nascendo invisível, como é o meu caso.


Já tinha uma ideia de onde a pequena aula de história estava levando, mas não falei nada, não anda.


Isabeli: hoje em dia, essas singularidades nao sao vistas mais como Maldições, eles são chamadas de Singularidades, depois de muitas lutas antigas dos nossos irmãos de alma, mas mesmo assim, existem muitos Singulares que passam por problemas que, a família sozinha não pode cuidar, então, eles são levados para, uma casa de recuperação.


O Lugar que eu fui quando era criança, o lugar que o Zeus foi na infância dele, e o lugar que o Poseidon estava agora, e quando pensei naquilo, a Isa continuou.


Isabeli: as casas de recuperação começaram como um projetinho pequeno, algo mais pra ajudar Singulares com problemas pra resolver as próprias coisas sozinhos, mas com o tempo, eles se tornaram algo pra ajudar pessoas, em geral. Sejam pessoas que, mesmo sem Singularidades, estavam com problemas de saúde graves, pessoas com vícios extremos que não conseguia mais parar sozinhos, e pessoas que perderam toda a noção de realidade, claro que nos separamos elas nesses pontos também, mas não importa o que a pessoa esteja passando, se ela ta com algum problema, de uma forma ou de outra, seja cedo, ou muito muito tarde, ela sempre termina aqui.


E assim que ela falou aquilo, a carruagem parou bem em frente a uma casa de recuperação, e…eu me impressionava com o quão bem protegendo o lugar era, tinha paredes grossas, guardas por todos os lados, e um telhado protegido por grandes redes, mas era uma faca de dois gumes, era um tipo de proteção que impedia qualquer um de entrar, e qualquer um de sair também.


Hades: nossa, tem certeza que essas pessoas estão aqui porque querem?


Isabeli: ah, elas estão sim, é mais uma proteção pra elas próprias, é algumas delas tem Singularidades que faz com que o prédio precise ser super reforçado, sabe, pra eles não acabarem machucando ninguém.


Eu nao entendi de primeira o que ela quis dizer com isso, nós então entramos na casa, e fomos num ponto bem profundo no lugar, a ponto que nós ficamos muito tempo passando por paredes grossas de ferro e barreiras de mágica bem grossas antes de chegarmos no lugar que a Isabeli queria.


Um lugar tão amigável e acolhedor que quase não conseguia combinar com o que nos vimos segundos atrás. Era uma sala mista, onde tinham várias mesinhas ovais, desenhos fofinhos de crianças na parede, vários pufes, vários espelhos que servem como televisões, e muitas prateleiras cheias de livros, separados em categorias diferentes. Tinham até baús cheios de brinquedinhos, aquela sala parecia algo feito pra todo mundo mesmo.


Hades: esse lugar parece onde você iria pra sentar um pouco e refletir sobre a vida


Isabeli: e assim que você o vê? Ótimo, então quer dizer que conseguimos passar exatamente a sensação que queríamos.


Eu vi minha Lady sorrindo quando ela se aproximou de um grupinho de pessoas, que só agora eu percebi que estavam ali. E olha só, antes delas se aproximarem da minha Lady, eu já percebi que tipo de pessoas acabavam nesse lugar.


Sejam de crianças a adultos, todos que foram na direção da minha Lady carregavam um colar de girassol no pescoço, alguns deles eram mais fáceis de entender, alguns tinham o corpo transparente, a ponto de conseguirem ver os órgãos deles de forma perfeita. Outros tinham um corpo tão grande que eles tinham problemas pra se mover. Outros tinham partes do corpo petrificadas, e não conseguia movê-las, e por aí vai.


Claro, também tinha aqueles que não dava pra saber o que tinha de cara, provavelmente por eles terem singularidades mais mentais.


Mas minha Lady abriu os braços, e acolheu todo mundo em seu carrinho tranquilo, que acalmou cada um dos pacientes lá dentro.


Ok, eu tinha que admitir, era muito sinistro como a minha Lady conseguia trocar tão fácil entre ser uma Rainha implacável e cruel e depois voltar a ser uma rainha tranquila e fofinha de novo, me fazia questionar que tipo de coisas ela teve que passar pra conseguir fazer isso. 


Mas no fim acabei parando de pensar isso é só olhei como cada paciente dali olhava pra minha Lady, e olha só, os pacientes variaram de crianças de 6 anos até idosos de cabelo branco, mas todos eles olhavam pra minha Lady como se ela fosse um anjo. 


Ser visitado pela Rainha em si já devia ser algo que faria todos eles se sentirem mais que especiais, mas a forma que cada um olhava pra minha Lady, mostrava que não era a primeira vez que ela veio ali, além de mostrar como ela e um raio de luz no meio e tantas pessoas, algo que me fez sorrir, por eu acabar me lembrando da Perséfone de novo.


Os cãezinhos da Isabeli nunca saíram do lado dela, eles eram a última linha de defesa, pra garantir que a minha Lady não estava passando por nenhum perigo.


Mas no fim, aquela proteção apenas foi mais uma garantia, porque dava pra ver de cara como nenhum daqueles Pacientes era perigoso pra ela, e enquanto eu contemplava aquele fato, vi minha Lady se aproximando de um Paciente, e começando a conversar com ele.


Paciente 1: Princesa Isa, eu ganhei um adesivo de 100 dias sem surto, eu consegui


Isabeli: nossa Tania, que legal, mas você deveria me chamar de Rainha agora, eu não sou mais a princesa, lembra?


Paciente 1: ah é, eu tinha esquecido…hmhmhm, Rainha, hihihi, aaaaaah, eu to conversando com a rainha.


Eu já sabia que a minha Lady era popular, mas não sabia que era tanto assim. 


Ela era tão popular, que muitos boldergaists que acompanhavam as crianças também gostavam muito dela.


Ah, que coisa, eu conseguia ver, muitos daqueles boldergeists estavam cuidando das crianças, provavelmente eram um parente que tinham a mesma coisa que eles ou coisa parecida, mas que entenderam tarde demais o que tinham, antes de morrer.


Infelizmente, aquela era uma imagem bem comum, porque, mesmo que muitas pessoas já tenham entendido que Singularidades não eram Maldições, ainda existiam muitas Singularidades que não foram totalmente descobertas pelos magos, e por causa disso, tinham muitas Singularidades que possuíam “buracos faltando” na hora do diagnóstico.


E muitas pessoas são ditas como “Asingulares”, sendo que elas apenas não tinham os sintomas de Singularidade delas registrados.


E tudo isso também contando aqueles tipos de pessoas que diziam “Singularidades não existem”, e algo irônico era que, na maioria das vezes, pessoas assim eram Singulares que nunca fizeram o teste, e quando o resultado do teste era colocado na frente deles, essas mesmas pessoas diziam “é, isso até que explica muita coisa”.


Eu sabia disso, porque mesmo no centro curandeiro que eu ia, eu já vi aquilo acontecendo, mais vezes que eu achei que seria possível.


Todo mundo tá fazendo o melhor que pode, os magos pesquisadores, os Singulares, e pelo jeito, minha Lady também, por que eu podia ver muito bem, pela forma que ela sorria pra casa um deles como ela amava passar esse tempinho com seus irmãos de condição.


E colocando minha mão em cima do meu colar de girassóis, eu lembrei que, eles eram meus irmãos de condição, e eu nunca podia me esquecer disso.


E enquanto eu tava totalmente engolido pelas próprias doideiras da minha cabeça, eu fui tirado da minha espiral de pensamentos quando  minha calça foi puxada por um garotinho, ele olhou pra mim com um olhar inocente, e perguntou.


Paciente 2: oi Moço, você é o marido da Rainha?


Hades: ah, sou sim


Paciente 2: qual é a sua Maldição? Eu vi que você tem um colar.


Ah não, aquela palavra horrível, mas não fiquei com raiva do garoto, na idade dele, eu também tinha problema pra pronunciar tudo de forma certa, então eu apenas falei.


Hades: eu tenho a Singularidade do olho fantasma, eu consigo ver espíritos que os outros não conseguem


Paciente 2: você consegue ver um deles aqui agora?


hades: tem um na sua cabeça


Paciente 2: jura? E quem é?


Fantasma: espera, o que? Você consegue me ver?


Hades: (olha o garoto) um minutinho, vou perguntar a ele, (olha o fantasma) sim, eu consigo, qual seu nome, senhor?


Fantasma: eu me chamo Eliot, sou o avô por parte de mãe do garotinho que você está conversando, um garotinho que tem a mesma Maldição que o meu irmão tinha, e que eu não acreditei que ele tinha, até que foi tarde demais…


O fantasma se contorceu bastante quando falou aquelas últimas palavras, tanto de forma normal, quanto pela forma espiritual dele se tremendo todinha, como se apenas lembrar do próprio erro tivesse destruindo ele por dentro.


Eliot: o meu irmão me pediu ajuda, e eu não acreditei nele, eu pensei que ele tava fingindo, querendo chamar atenção, ou fazendo birra…até que ele, pulou de uma torre pra fazer a dor parar.


WOWOWOW. ESPERA, O QUE, aquela história ficou sombria absurdamente rápido, mas ele não tinha parado, nem pensar, ele tava só começando.


 Fantasma: eu nunca me perdoei pelo que eu fiz, então depois da minha morte, eu vaguei pela casa da minha família por um bom tempo, para garantir que esse erro não ia se repetir, e o pequeno Daniel aqui, tem a mesma coisa que meu irmão tinha, eu não vou partir feiz até que eu tenha certeza que ele vai sair bem desse lugar.


Nossa, não era à toa que tinha tanta energia positiva aqui, mesmo sendo uma casa de recuperação. 


Eu podia ver muitos fantasma em volta dos pacientes em volta da minha Lady, e vendo ela lá, tive certeza que a Isabeli fez muitos fantasmas terem os assuntos mal resolvidos, resolvidos, sem saber. 


E quando um fantasma tinha seu assunto mal resolvido, resolvido, quando ele partia, o que ficou da alma dele no mundo terreno sempre deixava um lugar mais alegre, amigável e gentil, pois aquele se tornava o lugar onde ele descansava de forma definitiva.


Mas saindo do meu devaneio, eu olhei pro garotinho, que ainda tava esperando a minha resposta.


Paciente 2: então, quem é?


Hades: é um moço chamado Elliot, você o conhece?


Paciente 2: o papai não gosta de falar dele, ele me disse que ele foi uma pessoa muito ruim


Eliot: culpado, eu não tratei bem meus filhos, não é surpresa ele me apresentar assim pros meus netos.


Ok, agora eu tava ficando um pouco confuso, então com cuidado, eu me sentei na cadeira, e pedi pro garotinho e o fantasma irem até mim.


Hades: ok, olhem pra mim com cuidado, e falem devagar, eu quero que vocês me contem toda a história que vocês sabem, ou eu não vou conseguir ajudá-los.


E depois de eu falar aquilo, o garotinho e o avô foram até mim, e começaram a contar em detalhes toda a história, e quanto mais eu escutava, mais eu já pensava em qual solução seria melhor para aqueles dois. 


E quanto mais tempo eu gastava tentando entender as duas histórias, mais difícil ficava eu entender o lado do fantasma, e mais preocupado eu ficava com a condição do garotinho. 


Pelo visto, a Singularidade dele era algo “simples”, ele tinha singularidade da cabeça das nuvens, uma singularidade que fazia pessoas terem uma dificuldade absurda pra se concentrar, em algo que pessoas que não entendiam essa Singularidade, podiam fazer alguém que a tinha passar pelo verdadeiro inferno.


Afinal, uma Singularidade como essa não faria o garotinho vir pra cá, mas a forma que os outros o tratavam com certeza podiam ter o levado pra cá.


Hades: deixa eu adivinhar, falam que você é preguiçoso na escola, não é?


Paciente 2: é…


Então ele ficou sem falar nada por alguns segundos, não por que tinha perdido o que falar, mas parecia que ele tinha sido mandado ficar calado por tanto tempo que ele não conseguia dizer nada.


Bom, depois que eu fiquei um bom tempo só esperando ele falar, ele ganhou força para gritar.


Paciente 2: MAS NÃO É PREGUIÇA, EU NÃO CONSIGO ME CONCENTRAR, EU LITERALMENTE NÃO CONSIGO ME CONCENTRAR, NÃO É MINHA CULPA!


Apesar de eu ter me surpreendido pelo garoto ter gritado, eu ainda consegui manter a calma pra falar.


Mas tive que deixar minha fala pra depois, pois ali, ele começou a chorar, e eu abri os braços pra receber ele num abraço.


Paciente 2: NÃO É MINHA CULPA, NÃO É MINHA CULPA, NÃO É MINHA CULPA.


Ele ficou repetindo aquilo, de novo e de novo, enquanto chorava horrores, eu achei interessante como o garotinho ficou tão confortável em um moço que era completamente estranho pra ele.


Mas talvez o fato de que eu sabia o que ele tinha, que o acalmei, e apenas ouvi cada grito dele sem me importar nem um pouquinho com isso devia ter ajudado também.


Eu conseguia sentir naquele choro como ele deve ter recebido bronca de muita gente, que pensavam que ele era preguiçoso, mas a Singularidade da cabeça nas nuvens estava longe de ser preguiça.


Hades: tem razão, não é sua culpa.


Quando ele ouviu aquilo, o garotinho se afastou do meu abraço, limpou o rosto nas roupas, olhou pra mim, e perguntou.


Paciente 2: moço, você é um novo Psicomago?


Hades: não, você mesmo disse, eu sou o marido da Rainha


Paciente 2: aaaaaah.


Eu falar aquilo foi o bastante pro garoto parar de perguntar coisas pra mim, então sorrindo, eu falei.


Hades: mas sabe, mesmo que você se desconcentrar não seja sua culpa, você ainda consegue ficar bem melhor se você se concentrar de verdade no que quer fazer. De todos os lugares, acho que você pode aprender bastante sobre como lidar com a sua Singularidade enquanto ainda está aqui


Paciente 2: eu sei, eu fiz muita coisa enquanto eu ainda tô aqui, quer ouvir o que eu fiz?


Hades: mas é claro


Paciente 2: bom, pra começar, eu descobri que eu me concentro bem melhor nas coisas quando eu tô ouvindo música


Hades: música consegue deixar tudo mais fácil, não tem erro


Paciente 2: não, pera ai, pera ai, tem mais


Hades: eu sou todo ouvidos.


E rindo, o garotinho falou o que ele aprendeu naquele centro de recuperação, por bastante tempo.


E eu também gastei um bom tempo tentando fazê-lo entender que ele devia falar “Singularidade”, e não “Maldição”, até que ele me perguntou algo que eu já tava me coçando pra ele perguntar mesmo.


Paciente 2: mas por que eu devo dizer Singularidade, não Maldição?


Hades: porque “maldição” é a forma errada de se referir a essa palavra. Pessoas que falavam “Maldição” antigamente, eram pessoas que pensavam que as “maldições” eram punições do diabo, e que as pessoas Amaldiçoadas precisavam ser mortas para serem purificadas.


Depois que eu falei aquilo, eu vi os olhos do garoto se arregalando tanto, que parecia que iam saltar das órbitas dele.


Hades: e é claro, nunca, jamais, em hipótese alguma, um Amaldiçoado deve ser mantido vivo, apenas a morte pode libertá-los do destino horrível de carregar essas maldições.


E depois dos olhos, a boca do garotinho se abriu tanto de surpresa que a mandíbula dele caiu no chão, pra depois ele pegar no chão e colocá-la no ligar.


Hihihi, eu sempre achava engraçado que a magia podia deixar agente fazer aquelas coisas de desenho animado, me fazia sentir mais leve, principalmente em momentos como esse.


Mas não querendo perder o fio da meada, eu continuei.


Hades: Enquanto a palavra “Singular”, foi criada por aquele que mais queria que Singulares e Asingulares(não singulares) se entendessem. Alaric, o filo-arcano.


Falar o nome do Filo-arcano realmente atiçou a curiosidade do garoto, porque o Alaric foi praticamente o Singular mais importante que já pisou no plano terreno.


Ele era o responsável por existirem tratamentos, cuidados, e casas pras os Singulare. 


Ele criou sozinho toda a escola de estudo da Psicomancia.


Existiam estátuas, homenagens, feriados, e histórias infantis o bastante para até um garotinho de 6 anos que nem ele, sabia quem era o Alaric.


 Além do garotinho também saber o quanto as minhas próximas palavras eram pesadas


Hades: a palavra “Singular” foi criada para tentar desfazer todo o mal que a palavra “Maldição” causou, enquanto a palavra “Maldição” tenta dizer que o que nós temos é algo horrível, e que temos que destruí lo, rejeitá-lo e até preferir a morte a tentar viver com isso. 


Eu recebi um “dano emocional” bem forte quando falei aquilo, me fazendo parar de falar no meio do caminho. 


E pela forma que o garotinho também recuou um pouco pra trás, ele com certeza sentiu aquilo também. Mas querendo muito falar o resto, pra recuperar tanto ele quanto eu, eu respirei fundo e falei.


Hades: a palavra “singular” foi feita pra nós entendermos que, nós temos algo único, e nós podemos escolher fugir dessa coisa pelo resto da nossa vida, ou, aprender a conviver com ela, e crescermos muito mais fortes, mesmo com essa pequena diferença que nós conseguimos no nascimento, em comparação aos outros.


O garotinho parou de falar depois daquilo, por que ele chegou num estado, como se estivesse mais focado em sentir por completo tudo que eu tava falando do que reagir o que acontecia ao nosso redor de verdade.


Hades: e épor isso que sempre é bom, falar Singular ao invés de Amaldiçoado, anda, vai, você consegue, Singular, Singular, Singular.


Eu realmente esperava que não tivesse passando do limite o incentivando assim, mas pelo jeito não, porque logo depois, o Garotinho falou, mesmo ainda sendo bem tímido sobre isso.


Paciente 2: Singular


Hades: é assim que se fala


???: oi moço


Hades: ah?


E quando eu olhei, mais um paciente, um que tinha mais de 10 fantasmas ao redor dele, foi ate mim.


Eu tava prestes a falar ao novo convidado pra esperar a vez dele porque eu ainda tava conversando com o garotinho, mas quando olhei pra esquerda, vi que o garoto tinha se afastado de mim, pra pensar no que eu tinha acabado de flaar pra ele.


Algo que, ao mesmo tempo que me deixou feliz, também me deixou de consciência limpa sobre tentar falar com o próximo garoto.


Hades: sim, o que quer falar meu jovem?


Paciente 3: bom, é que eu queria que você me contasse como eu posso me acalmar numa crise


Hades: claro, claro, senta aí que eu te dou algumas dicas.


E depois daquele garoto, apareceu outro, e outro, e outro, e quando me dei por mim, eu me tornei o centro das atenções daquelas crianças, idosos e adolescentes também. 


Comigo fazendo um mix de de falar tanto com os fantasmas quanto os pacientes, sempre ouvindo os dois lados.


Muitas vezes eu ainda me usava de telefone, pra transmitir o que os fantasmas estavam falando, algo que foi maneiro pra caramba de ver.


E como eu pensei, os fantasmas que ainda tavam ali ainda tinham seus assuntos mal resolvidos pra cuidar, algo que eu não consegui resolver naquele dia.


Mas eu tava de boas disso acontecer, eu sempre soube que não seria um trabalho de só um dia.


Pelo menos, quando aquela gigantesca multidão de pessoas saiu de perto de mim, eu vi que eles estavam bem mais felizes do que antes, mesmo que eu sentisse que eu perdi uns bons anos de vida pela quantidade de tempo que eu fiquei interagindo com aquela pequena multidão, minha garganta tava doendo muito, meus olhos estavam doendo, e eu tava com um stress absurdo de ficar conversando com tantas pessoas por tanto tempo. 


E quando olhei ao meu redor alguns minutinhos, vi que a minha Lorde não estava lá, mas eu nem liguei, eu tava cansado e esgotado demais pra ligar.


Tentando me manter calmo, eu me sentei numa cadeirinha e comecei a respirar bem devagar, tentando recuperar meu fôlego, e rezando pra que a Rainha não tivesse me esquecido daquilo.


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