A festa de casamento foi bem elaborada, assim como eu esperava, os panos perfeitamente brancos por todo o lado, os pratos finos que agente recebia, os doces, e principalmente, a música, tudo naquele lugar gritava “elegância”, junto com os convidados.
E olha só, eu tava certo, os convidados nobres, naquela festa, pareciam bem menos vivos que os próprios fantasmas ao redor deles.
Mas o que eu mais fiz pelos primeiros 50 minutos da festa foi rir do que os fantasmas faziam com os convidados, sério, a combinação dos fantasmas super brincalhões, zoando com os convidados sem eles saberem, misturado com a “atuação” super séria dos nobres, fazia parecer que eu tava assistindo uma espécie de peça de comédia, e uma muito engraçada por sinal.
Hades: pffhahaha
Isabeli: meu Lorde, por favor, tenha modos, não estamos sozinhos ainda.
Cara, eu tava realmente pego na zoeira dos fantasmas, por que eu nem senti direito o que a Isabeli falou pra mim, e eu apenas respondi.
Hades: desculpa minha Lady, mas os fantasmas da sua casa tem um senso de humor muito bom.
E quando eu falei aquilo, a garota ficou bem quieta, e apesar de todas as trapalhadas dos fantasmas, mais eu finalmente sentia o que eu acabei de falar, fazendo eu ficar vermelho igual a um tomate, fazendo eu pegar uma bebida com gás pra disfarçar a vermelhidão do meu rosto.
Isabeli: TA MEIO TARDE PRA SENTIR VERGONHA AGORA
Nobre 1: nossa, mal se casaram e já estão brigando
Isabeli: NÃO ESTAMOS BRIGANDO
Hades: minha Lady, por favor, não estamos sozinhos.
A minha Lady ficou bem irritada quando eu falei aquilo, mas pra tentar se acalmar, ela pegou um petisco feito de corações de vaca, e pelo jeito esse era um petisco que precisava mastigar com muito cuidado pra não engasgar, algo que eu amei, por que isso deu a ela muito tempo pra relaxar.
Hades: que legal, nossa primeira briga, parece que ardente já tá junto a eras.
E antes de falar, a minha Lady pôs a mão na boca, pra manter a etiqueta.
Isabeli: mas estávamos, agente só fez tudo ficar oficial
Hades: eita é mesmo. Hihihi.
Essa risada, a minha Lady aprovou, porque ela segurou meu braço e o apertou bem forte.
Eu sentia que ela não ia sair de perto de mim pelo resto da noite, tanto pela forma que ela me segurava como pela forma que a Dama de companhia dela e nem os cães dela estavam por perto, então eu seria o bastão de cego dela hoje.
E considerando o quanto todo mundo dava tanta importância a segurança da minha Lady, eu não podia estar mais honrado com algo do que com isso.
E tentando me manter mais atento ao redor, pra garantir que ninguém iria me separar da minha Lady, comecei a me impressionar de novo com o “ato” dos outros nobres ali.
Eles estavam “festejando” de forma tão séria, quando eles conversavam, eles mexiam o corpo de forma perfeita, quando eles comiam alguma comida, eles faziam tudo com uma performance digna de um show de novela, e até quando eles estavam parados, em um canto, não fazendo nada, ainda pareciam uma espécie de ato.
E sem saber nada, eu já tava entendendo como alguns deles não pareciam uma espécie de atuação, pareciam códigos invisíveis, coisas como “ela está vindo”, ou “tira aquele cara daqui”.
Mas a coisa mais elaboradas da festa, foi quanto varias damas vieram ate mim com uma linguagem corporal que perguntava “quer ter um caso comigo?”
Droga, eu não entendia aqueles sinais, e tava na cara que teria que conversar com elas pra mandá-las embora, mas felizmente, minha Lady respondeu elas por mim.
Ela olhou pras garotas, abrindo os olhos e dando o sorriso mais assassino que eu vi alguém fazendo enquanto apertava meu braço com muita força
A mensagem para as adúlteras de plantão era simples, “tentem algo e vocês vão perder suas cabeças”, e para a sorte de todos, nenhuma delas era burra o bastante pra testar a paciência da Lorde Isabeli.
Porque é, ela era a Lorde de todos agora, e ela parecia bem ansiosa pra deixar claro pra todo mundo que ela era a Lorde, não eu, eu era um parceiro, mas a Lorde com certeza era ela.
E depois de ver aquilo, fiquei impressionado como a linguagem corporal da minha noiva era tão boa.
Hades: wow, eu já tava esperando que eu precisaria refinar minha etiqueta da realeza, mas não achei que seria tanto assim
Isabeli: ah, você vai pegar tudo rapidinho, você não faz ideia do quanto eu fiquei com raiva quando eu descobri que a minha própria corte tentou criar uma linguagem que eu não conseguia perceber
Hades: você executou alguém?
Isabeli: não, mas eu fiz todos eles borrarem as calças quando viram que eu entendia o que eles estavam falando, de todos os momentos que eu queria ter visão, acho que nunca foi em um momento tão grande quanto no dia em que eu os impressionei, mostrando que conseguia entender como a linguagem corporal deles.
Hades: hahaha, devia ter sido um dia bem engraçado mesmo, mas me fala, como você aprendeu isso?
Isabeli: te explico quando irmos pra um lugar um pouco mais privado.
Ai ai ai, eu casei com uma louca, do jeitinho que eu gosto.
Isabeli: a propósito, sei que é egoísta, mas tenta não falar “wow” pra outras garotas, me faz sentir especial que você só fala isso comigo
Hades: pode deixar comigo.
Seria bem fácil pra mim cumprir aquela promessa, afinal, acho que aquela foi a primeira vez na vida que eu já falei “wow” pra alguém, e também sentia que nunca falaria isso com outra pessoa, mesmo se ela deixasse, é, não acho que mais alguém ia conseguir me fazer falar aquilo, de jeito nenhum.
Pensar aquilo me deixou com um sentimento bem feliz e alegre no meu estômago, e com esse sentimento, tentei só curtir a festa e me acalmar, e eu realmente curti a festa, mas ficar calmo foi bem mais difícil de fazer
Isso porque, enquanto os convidados eram tão sérios, tão formais, é tão cuidadosos com o que faziam, os fantasmas que haviam invadido a festa eram o ápice da loucura.
Os fantasmas derrubavam comida e bebida na cara dos convidados, beijavam outros, cospiam dentro dos copos dos convidados, e outros até se esfregavam em alguns pratos.
Eu podia pelo menos agradecê-los por não se esfregarem no banquete inteiro, só nos pratos de convidados aleatórios.
Aquela festa foi o lugar mais fácil de diferenciar quem era real e quem era fantasma, então tentei lembrar dos rostos de todo mundo ali, pra não cometer erros em festas futuras.
Me focando principalmente nos fantasmas que tentavam se passar pro humanos, porque, é, os que ainda tentavam se disfarçar ainda eram muito bons nisso.
Eu me segurei tanto pra não rir naquela situação que eu só fiquei mais focado em impedir que uma bebida ou comida suja pelos fantasmas fosse pega pela Isabeli.
Eu cheguei até a tirar um prato da mão dela, e dando pra um nobre aleatório.
O problema é que os fantasmas perceberam isso, e começaram a implicar comigo, fazendo caretas, jogando pratos em mim, e até fazendo alguns eventos serem jogados na minha direção, mesmo nós estando dentro de uma casa.
Mas o pior com certeza foram os momentos onde os fantasmas me mostravam as brincadeiras que eles tavam fazendo e me motivam a impedir.
Tudo isso porque só tinha uma coisa que fantasmas gostavam de fazer mais do que implicar com pessoas: implicar com alguém que conseguia ver eles.
Isabeli: hihihi, os fantasmas tão te infernizando?
Hades: pff, os fantasmas de lugares novos sempre implicam comigo em festas, eu só preciso chegar num acordo com eles que logo fica tudo bem
Isabeli: quer uma ajuda?
Hades: sim, me mostre quem eu preciso evitar da corte primeiro
Isabeli: quem você precisa evitar? Tem certeza?
Hades: sim.
E mesmo não entendendo meu plano, a Isabeli me levou pras pessoas ruins do lugar.
E, foi algo bem simples, a família Birched, uma família conhecida por um grande histórico de assassinatos não registrados, além de ser bem conhecida pelo seu puritanismo, desejando por tudo no mundo conseguir o controle do reino para exterminar os gigantes, e todos que eles consideravam não serem “humanos” como eles.
Isabeli: o meu pai se refere a eles como “um vírus que não pode ser exterminado, não importa o quanto nós tentamos” e desde que a coroa ficou na minha cabeça, eu entendi direitinho por que ele os referia dessa forma.
Pelo jeito muitos ancestrais da minha Lady estavam tentando exterminar essas pragas ao longo da história, mas eles sempre conseguiam sobreviver.
Hades: quer ser a primeira da família a conseguir exterminá-lo?
Isabeli: eu quero, mas é melhor não ficarmos muito nisso agora, temos um reino pra ajudar, não lidar com uma vingança boba de criança
Hades: haha, verdade.
A próxima foi a família Kukulair, conhecida por ter conseguido influência através de casamentos arranjados, casamentos arranjados que a família real fez questão de sempre encerrar, pelos problemas que os cônjuges passavam.
Isabeli: ela já foi uma família poderosa, mas quando os cavaleiros guardiões infantis foram criados, foi necessário só uma visita pra uma investigação detalhada ser feita, uma investigação onde nós encontramos vários relatos de maus tratos não apenas com as crianças, mas com os cônjuges também, eu não posso dizer que depois dessa, a brigada dos guardiões infantis ficou bem mais popular e forte depois dessa, e a família Kukulair ficou a beira da extinção
Hades: e por que eu tenho que tomar cuidado com eles?
Isabeli: porque eles têm uma reputação bem ruim, e depois de tantos anos de ódio pela forma que eles tratavam seus cônjuges, a família acabou mudando, mas a confiança das pessoas, ainda é algo que eles ainda precisam conquistar de volta
Hades: bom, no fim, acho que eles conseguiram ter um pouco de redenção, afinal, o nome deles ainda está vivo
Isabeli: isso porque eles tentaram mudar, acredite querido, quando a brigada de guardiões infantis foi criada, e por tabela, a brigada de guardiões matrimoniais foi feita, teve uma verdadeira “limpeza” no reino
Hades: com certeza muita gente chorou na época que tudo ficou pronto, tanto de tristeza quanto alegria quanto ódio
Isabeli: você não faz nem ideia meu lorde, nem ideia.
Aaaah, depois de ouvir aquilo, eu fiquei com muita pena deles, e eu tentei fazer questão que os fantasmas não os aceitassem.
Mas pela forma que os fantasmas perto de nós começaram a chorar incontrolavelmente depois de ouvir o que nós falamos, eu sinto que isso não seria um problema.
Depois veio a família Peabrain, uma família reconhecida pela sua liderança feminina, mas que também era famosa por doar seus filhos homens a nobres que não conseguiam ter filhos.
Isabeli: apesar de eu odiar aquela família pela forma que ela trata os homens da família dela, eu ainda tenho que admitir, que respeito elas por não maltratarem os filhos e só darem eles pra alguém que realmente vai amá-los
Hades: e como você sabe que elas realmente não maltratam os filhos antes de doá-los pra alguém?
Isabeli: nós fizemos uma investigação, elas tão limpas, podem ser pessoas horríveis, mas não horríveis a ponto de merecer extermínio.
Ok, a família Peabrain realmente me deu uma espiral de pensamentos, onde eu não sabia se elas mereciam ser zoados pelos fantasmas.
Mas assim nos aproximamos delas, e conversamos por bobagens como, sei lá, qual era o melhor cavalo do reino. A matriarca e suas acompanhantes não fizeram questão alguma de esconder o nojo que elas sentiam de mim.
Depois de ver aquilo, e ver também que a Matriarca tava se contendo só por que a Isabeli tava ali comigo, a dúvida que eu tava sentindo com elas acabou, e eu bem na hora já tava pensando em pedir prós fantasmas capricharem na tortura com aquela ali.
Hades: tem certeza que elas não merecem extermínio?
Isabeli: bom, elas ajudam na parte financeira, são as primeiras a sempre notar quando tem algo errado no território, e elas foram responsáveis por impedir que 3 reis fossem mortos por usurpadores, acredite Sir Hades, eu não queria que elas e esse pensamento doentio delas se espalhe, mas elas são valiosas demais pra terem o nome desfeito
Eu tava me preparando pra chamar os fantasmas, mas antes de eu fazer isso, uma dúvida se formou em minha cabeça, uma dúvida grande demais pra ignorar.
Hades: espera, o que? Eu pensei que elas odiassem homens, por que elas iriam salvar 3
Isabeli: elas odeiam homens, mas não são idiotas, as 3 usurpadoras que tentaram matar o Rei, apesar de tudo que prometeram, as Peabrain sabiam que nada de bom viria dos usurpadores, como você acha que elas sobreviveram a tanto tempo? Fazendo as escolhas certas, você acha que foi apenas por minha causa que elas não gritaram com você? Não, aquelas garotas são inteligentes demais pra fazer algo idiota como isso, mas eu tomaria cuidado ainda, nunca se sabe o que elas podem acabar fazendo no futuro.
Hades: anotado.
Nossa, depois de ouvir tudo aquilo, eu fiquei na dúvida por alguns segundos se eu devia realmente chamar os fantasmas, mas depois de alguns segundinhos, eu acabei pensando “ah, que se dane, vamos fazer isso” e chamei uns fantasminhas pra perto de mim.
Hades: (sussurra) ai, vocês tão ai?
Fantasma: sim, nós estamos, e você ta acabando com a nossa diversão, mano
Hades: você quer saber quem vocês podem implicar?
Fantasma: você vai deixar agente fazer pegadinhas agora?
Hades: deixar? Eu vou ajudar vocês, mas só com os alvos que eu deixar, então por favor, só ataquem pras pessoas que eu vou mostrar
Fantasma: é claro, pode liderar tudo.
Eu tava com medo de ser enganado pelos fantasmas, por que isso era sempre uma possibilidade, mas pelo jeito, eu me preocupei atoa, pra varias.
Quando eu fiz alguns sinais e até ofereci alguns dos pratos contaminados para os nobres que eu deixei eles implicarem, os fantasminhas ficaram bem felizes, e começaram a fazer pegadinhas mais sinistras, como, por exemplo, deixarem algumas estátuas caírem em certos convidados.
Isabeli: isso foi eles?
Hades: foi sim, devo mandá-los parar?
Isabeli: tá tranquilo, todo mundo é mago aqui, por enquanto ainda é uma pegadinha, inofensiva, claro, contanto que eles não tentem acertar crianças.
Bom, pro alívio de nós dois, não tinha uma única criança na festa, então mais estátuas caíram, e com o tempo, todo mundo começou a dar risadinhas aqui e ali.
E depois de fazer pegadinhas em um certo número de nobres, cobri minha mão, pra rir sem ser deselegante.
Isabeli: nossa, a pegadinha tá tão boa assim?
Hades: você não faz ideia, ainda tenho um longo caminho pra ir, mas acho que tive um começo bom com eles
Isabeli: vindo de você, meu Lorde, claro que confio 100% nisso
Hades: é, tem mesmo, eu tenho sorte de ser seu consorte
Isabeli: nem tivemos nossa lua de mel ainda, tenta não cantar vitória cedo demais.
Eu já tava cantando vitória desde que ela me escolheu pra ser o consorte dela, era meio tarde pra me pedir isso.
Muitos convidados não entendiam do que eu estava rindo, mas quando viram meu colar de girassóis, eles meio que entenderam que devia ter algo com minha Singularidade, e de certa forma, era mesmo, hehehe.
Isabeli: tá pronto pra conhecer o pessoal confiável agora?
Hades: nada me deixaria mais feliz.

