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A Luz do Seu Amor
🤯📖🤯Donun Régis🤯📖🤯
2582 palavras • 14502 caracteres • ⏱ 10 min 20 s

🤯📖🤯Donun Régis🤯📖🤯

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ISABELI


25 anos, eu só tinha 5 anos antes do Hades voltar pra mim, como meu Príncipe consorte, mas antes de aceitá-lo, eu precisava fazer uma coisa primeiro, uma coisa que eu me preparei por anos pra fazer, a ponto que mesmo agora, eu tinha um medo absurdo de passar.


E no dia em que aquilo ia finalmente acontecer, eu acabei ficando com minha mãe, porque ela era uma das poucas de todo o território que conseguiam pentear meu cabelo gigantesco, de uma forma que eu não conseguia entender, não importa o quanto os outros tentassem me explicar a forma que isso funcionava.


Mãe: e ai, ta pronta pra virar uma mulher de verdade?


Isabeli: não fala dessa forma estranha agora mãe, eu vou apenas ler um livro, eu não vou dormir com ninguém. Se bem que não faço ideia como eu vou ler um livro sem conseguir enchergar, mas vamos ver no que vai dar


Mãe: o livro vai dar um jeito, ele nao foi feito por uma pessoa normal


Isabeli: é, eu sei disso mamãe, você tem uma grande mania de me lembrar disso


Mãe: e por um bom motivo.


E depois dela falar aquilo, ela continuou penteando meu cabelo, me deixando tão tranquila que eu quase dormi, mas eu abri meus olhos depois de sentir um creminho sendo passado a minha pele. 


Era um creme de bronzeado instantâneo, e pra minha pele absurdamente branca por baixo desse feitiço de invisibilidade que eu nasci, por de não conseguir que nenhuma luz solar me tocasse, o creme era pra garantir que eu não ficasse sem nenhuma vitamina D.


Mãe: ler o Donum regis não é uma tarefa fácil, você sabe que não ira voltar da mesma forma quando fazer isso


Isabeli: é, eu sei…por isso to tentando não ficar ainda mais nervosa do que eu já tô me sentindo agora…


Eu tentei me manter calma, mas depois de todas as histórias que meus pais contaram, eu tava apavorada de ter meu cérebro derretido e dele vazar pelos meus ouvidos.


Meus pais já tinham me contado histórias o suficiente de pessoas tendo os cérebros literalmente transformados em mingau e escorrendo pelas orelhas  quando tentavam ler o Donum Regis cedo demais.


O conhecimento naquele grimório era pesado demais para pessoas normais aumentarem, eu não era normal, então, na teoria, eu deveria aguentar, mas eu ainda tava com medo.


Isabeli: o papai, como ele ficou depois de ler na vez dele?


Mãe: ele não quis me contar, não parecia algo que ele podia explicar com palavras, por isso só tenta pensar que aquilo vai acabar mais cedo do que você pensa, ta bom?


Isabeli: ta bom mamãe


Mãe: ok, então vamos.


E depois dela falar isso, minha mãe segurou minha mão e me guiou pela casa, o carinho da mão dela era bem diferente do meu pai, no dela, eu sentia um cuidado que ela iria me proteger com o próprio corpo antes de deixar alguém me tocar, junto de uma firmeza que deixava claro que ela nunca deixaria ninguém chegar perto de mim sem que ela deixasse.


E depois de passarmos por alguns corredores diferentes, chegamos à sala que queríamos, a biblioteca particular do papai. Eu me lembrava como ele deixava eu brincar lá dentro quando era criança, ele dizia que tudo aquilo seria eu um dia. 


E quando abri a porta, me lembrei que ele também tinha dito, “claro, só depois de você conseguir ler esse livro”...e nem deu tempo de eu perguntar pra ele, o que ele queria dizer sobre “ler um livro” já que eu era cega. Mas tanto agora quanto naquela época, eu vi ali na minha frente, o Donum regis, ou “presente do rei”.


Segundo o registro, Alaric, uma das pessoas mais inteligentes que já existiu, e um filo-arcano poderoso, havia presenteado o primeiro rei competente que ascendeu ao trono com aquele livro, e aquele livro era tão incrível, que ele até hoje causava dúvidas se o Alaric era realmente humano.


Segundo a lenda, Alaric escreveu aquele livro por 100 dias e 100 noites, sem parar, carregando ele com uma magia arcana tão antiga, que era impossível lê-lo completamente, pelo menos não no tempo normal de pessoas. 


Hoje não era o dia de eu ler o livro inteiro, era apenas um relance, uma pequena espiada no poder imenso que o grande Alaric confiou à família real. Quando eu ficasse mais velha eu o leria de novo, e depois levaria mais um tempo, e o leria de novo. Cada vez sofrendo uma mudança cada vez maior, porque ver aquele livro, literalmente mudava a mente de alguém, de tanto que as pessoas aprendiam. 


Eu repreendi minha mãe por ter comparado aquilo comigo virando mulher, mas eu já tinha ouvido histórias de como o meu pai mudou depois de ler o Donum Régis para saber que, ironicamente, essa comparação não tava tão longe da verdade assim.


Então, ainda com bastante medo, eu respirei fundo, soltei a mão da minha mãe e comecei a andar até o Donum regis. 


Normalmente, eu usava a Bruna, os meus cãezinhos, ou pelo menos meu bastão pra ver onde eu estava indo, mas como uma mosca sendo atraída pela luz, eu conseguia saber onde o Donum Régis estava, mesmo que não conseguisse vê-lo.


Isso porque o livro exalava uma magia tão gigantesca que, mesmo sem enxergar, eu podia presumir onde ele estava, ele estava me repelindo de forma tão forte, que eu levei segundos para encontrá-lo.


Quando toquei nele, eu senti aquele gigantesco poder fluindo dele, um poder que, segundos depois, começou a me guiar de forma proposital, eu sentia como algo parecia estar guiando minha mão, até chegar no começo de uma parte do livro, e quando passei meus dedos naquele ponto que o livro me guiou, eu senti, algumas bolinhas, escrita em braile, mas…como?


Isabeli: meu deus, é como se o livro estivesse vivo


Mãe: é porque ele está.


Eu fiquei bem interessada no que a minha Mãe quis dizer com isso, mas no fim, nao deu tempo de eu pensar muito nisso, por que,quando eu comecei a passar meus dedos no pontinhos em braile, eu senti que eu tinha levado vários choques elétri do livro, e quando me dei por mim, senti o chão se despedaçando abaixo de mim, como se ele, de repente, tivesse se tornado um vidro frágil demais até pra aguentar um peso pena que nem eu.


Eu comecei a despencar, eu nem sabia por onde eu estava despencando, mas não demorou muito pra eu descobrir isso também. 


Primeiro, senti como se uma grande correnteza de ar tivesse me jogando, pra cima, pra baixo, me jogando em alto, e depois me deixando cair, antes de me pegar, e depois pegando meu corpo, e o jogando em uma grande velocidade na direção do chão, sendo que o chão nunca chegava.


Eu me sentia em um espaço infinito, onde não tinha começo e nem fim, apenas uma quantidade infinita de espaço que parecia apenas me ajudar com o processo que eu sentia por todo o trajeto. 


A cada segundo daquela experiência, eu sentia como se meu cérebro tivesse sendo mergulhado numa piscina de conhecimento, onde milhares de informações, dados e análises estavam sendo enviados de forma direta pra minha cabeça.


Como resultado, minha cabeça tava doendo tanto, que eu comecei a gritar, sentindo que ela explodiria a qualquer momento, mas não, ela apenas ficou doendo, doendo, e doendo.


Até que a dor lentamente diminuiu, e quando senti minha consciência voltando, a intensidade da informação jogada pelo livro ficou mais forte de novo, como se o livro estivesse testando até onde eu aguentava aprender. 


Bom, eu não tinha total certeza se o livro estava vivo ou não, mas eu ia fazer o possível pra não decepcionar meu avaliador nesse teste de resistência e tentei continuar aguentando. 


Mas depois de chegar num ponto onde eu senti que eu ia desmaiar,  comecei a sentir o livro se preparando pra me colocar no chão, e considerando o tanto que eu aguente até aquele caminho, até que eu gostei até aonde eu cheguei.


No meio desse caminho doido onde estava voltando pro mundo real, eu fui muitas vezes, acertada por frutas, ovos, pedaços de grama arrancados, e até baldes gigantes de refrigerantes. Eu não entendi exatamente o que aquilo deveria significar, eu só sabia que, a consistência das coisas me acertando eram isso, e era só o que eu tinha certeza.


Eu tentei mexer meus braços, pra ver se eu já tinha algum controle, mas eu não conseguia nunca tocar em nada, foi só depois que eu parei de lutar contra a correnteza que a ventania ficou ainda mais doida. 


Depois de ser jogada por ângulos que eu nem sabia nomear direito, e ter passado por uma trajetória que era idêntica a de um desenho desengonçado de uma linha que uma criança fez, o caminho insano onde eu tava, sem conseguir ver nada ainda, parecia estar finalmente parando.


E de forma bem lenta e beeeeeeeeem devagar, os ventos poderosos que foram meus motorista por todo o caminho até ali, tiveram a delicadeza de me colocar no chão, que havia magicamente reaparecido, e com cuidado, senti meus pés tocando o carpete felpudo da biblioteca.


Eu resisti muito pra não gritar, cair no chão e fazer um anjo de carpete, eu tentei me controlar porque a tinha minha mão em cima do livro, mas era muito mais por algo bem mais sério do que meu alívio de ter voltado ao mundo real.


Eu senti que eu tinha passado várias páginas hoje, e enquanto tava tentando recuperar meu fôlego depois da doideira que eu passei até agora, eu senti o grande poder do grimório, percebendo muito bem que eu na tinha lido nem 1% do Donum Régis, mas já foi o bastante pra eu conseguir sentir que eu tinha realmente mudado, mas ainda tava cedo pra eu dizer o quanto exatamente eu mudei.


O Donum Régis não me rejeitou, me jogando pra longe assim que acabei de lê-lo, eu que tirei minha mão do livro por conta própria, entendendo já que eu precisava de um tempo pra processar todo aquele conhecimento que foi jogado na minha cabeça.


E naquele momento eu tive uma noção um pouco melhor de como tudo estava a minha volta, respirando fundo, eu me concentrei, e senti que tudo ao meu redor pareciam pequenos vultos agora, e a minha mãe, que tava se aproximando devagar de mim, era uma nuvem bem bonita. Eu sabia que eu sentiria aquilo com mais detalhes depois, e eu tava bem ansioso pra esses momentos chegarem.


Mãe: oi querida, como se sente?


Engraçado, só depois que ela perguntou aquilo que eu senti que meu corpo tava cansado, minhas pernas tava bambas, meu corpo todo tava quente, e eu não pensei que seria possível sentir tanta dor de cabeça quanto naquele momento. Era como uma britadeira bem na minha cabeça.


Isabeli: sinto que eu preciso ficar sentada por alguns minutos antes de voltar a tocar nesse livro de novo


Mãe: já é um bom começo, vem, vamos achar um lugar pra você sentar.


E depois de falar aquilo, minha mãe me colocou em um dos banquinhos da biblioteca, e então eu fechei os olhos, e fiquei ali, tendo apenas minha mãe para me guiar, caso eu quisesse sair ou ir ao banheiro.


Coisa que não fiz, porque eu precisei de bons minutos pra entender tudo que eu aprendi, na minha mente, tinham milhares de fórmulas e técnicas que poderiam deixar possivel que meus feitiços ficassem mais letais. Mas eram feitiços complexos demais para qualquer um que não tivesse uma varinha transformada em cajado, pra aprender.


Claro, eu tinha transformado minha varinha em um cajado desde os 12 anos, mas mesmo assim, era complicado eu usar aqueles feitiços sem cuidado.


Gostei que minha mãe viu que e tava mal, porque eu senti que devia ter ficado pelo menos uns 50 minutos, no mínimo, parada ali, antes dela ir falar comigo, de novo.


Mãe: e ai, tá ansiosa pra ter seu consorte em seus braços?


E ela, de alguma forma, conseguiu me deixar com mais dor de cabeça, mais vermelha, e mais trêmula do que qualquer coisa que ler o Donum reis poderia causar.


Isabeli: você não faz ideia mamãe, eu sonhei tanto tempo por isso, que eu comecei a pensar que no fim, tudo não ia passar de um sonho de criança…até agora, tava acontecendo de verdade.


Eu falei aquilo enquanto enrolava uma mecha de cabelo no meu dedo, desde que conheci o Sir Hades, a mais de 5 anos, nós mantivemos contato através da conexão de grimórios de uma forma que não consegui fazer com qualquer outro pretendente além dele.


E pro melhor e pro pior caso, meu pai, e até os outros pretendentes entenderam bem rápido que eu já tinha feito minha escolha. E enquanto alguns já parabenizaram de antemão, alguns já conspiravam pra ver como podiam usar meu amor contra mim, e quando pensava aquilo, comecei a sentir que iria precisar fazer os nobres doidos ficarem quietos de novo.


Mãe: mas não esqueça, querida, você ainda precisa tomar cuidado, mesmo que ele não queria machucar você, você precisa se lembrar que muitos podem usar seu amor pra prender, manipular, e até calar vocês, entendeu?


Isabeli: sim mamãe, e não se preocupe, eu não me esqueci disso também.


Não podia perder meu foco, era bom sonhar com uma vida perfeita, um casamento perfeito e um amor que era apenas restaurantes, chocolates caros e trocas de amor na cama à noite. Claro, tudo aquilo poderia ainda rolar, mas o motivo principal dessa união não poderá ser esquecido, jamais.


E não ironicamente, isso me fez ver também como eu tinha escolhido o cara certo pra ficar do meu lado, porque o Sir Hades recebeu muitas propostas e muitos acordos dos nobres do meu reino. 


A maioria deles só queriam manipular e usar o Sir Hades nos próprios esquemas deles, mas meu consorte era esperto o bastante para saber quando tinha algo errado no que um nobre falava, e sempre os rejeitavam, pois ele queria entender tudo por mim antes de fazer qualquer decisão.


Eu sabia disso porque ele me contou isso em uma das nossas conversas dos grimórios.


Isabeli: sabe mãe, as vezes eu nem sei se mereço um homem como o Sir Hades, ele é carinhoso, inteligente e bonito, o pacote completo. Às vezes, parece que to recebendo muito e não dando nada em troca


Mãe: ah querida, você tá sendo ridícula, é claro que você merece o amor do Sir Hades, você é tão bonita, tão inteligente e tão carinhosa quanto ele, talvez até mais, calma aí, como você sabe que ele é bonito?


Isabeli: (toca nos ouvidos) eu ouço como as mulheres suspiram quando ele passa, um homem feio nunca ganharia suspiros como esse.


A minha mãe ficou sem falar nada por alguns segundos, apenas processando o que eu falei, e depois ela falou.


Mãe: me desculpa querida, mas às vezes você me dá muito medo


Isabeli: eu ouço isso mais vezes do que queria admitir


Mãe: fico me perguntando quais outros truques você guarda nessa sua cabecinha


Isabeli: bom, isso é o que acontece quando você não consegue enxergar, você começa a usar seus sentidos pra fazer outras coisas.


E com uma risadinha confortável, senti a minha mãe me abraçando, e pelos próximos segundos, me senti no lugar mais seguro do mundo, bem ali, nos braços da minha criadora.


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