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A Luz do Seu Amor
💧 mãos mais preparadas💧
2153 palavras • 12139 caracteres • ⏱ 8 min 37 s

💧 mãos mais preparadas💧

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HADES


Apesar da teimosia, foi fácil de chegar no Zeus, porque ele sempre deixou muito claro o que tava incomodando ele.


Enquanto o Posseidon, era difícil entendê-lo porque ele sempre fez questão de não nos contar o que tava rolando.


E em uma noite específica, o Poseidon não tinha voltado pra casa, e eu e meu pai fomos buscá-lo, no lado mais podre da cidade.


Ou melhor, meu pai estava indo atrás dele, eu apenas com pra cá por que eu insisti que queria falar com meu irmãozinho.


Pai: não precisava ter vindo


Hades: eu sei, mas quis vir mesmo assim.


Nós estávamos na carruagem da família, ela balançava, trotava, e às vezes nos jogava no ar pelas pedras que ela caminhava, mas o maior desconforto que nós sentíamos era o fato de que veríamos o Posseidon daquele jeito de novo.


Eu odiava visitar aquele lugar, pois lá era tão ruim que até os fantasmas tinham virado outra coisa, não eram monstros, mas com certeza pararam de ser pessoas, não por aparência, mas por que eles perderam a muito tempo a consciência para prazeres e alívios fáceis. 


Ver aqueles fantasmas sempre me deixavam com um nó na garganta, por que aqueles fantasmas escolheram acabar daquele jeito, e nao ironicamente, eles não estavam machucando ninguém ali, mas ainda me dava uma dor, pois eu pensava que, eu podia ter salvado eles se tivesse nascido alguns anos antes.


E no meio dos meus devaneios, acabamos chegamos no lugar certo, meu pai abriu a porta da carruagem e falou.


Pai: fique no quarto filho, isso não vai demorar.


Ele nunca demorava quando ia buscar o Poseidon, mas ele sempre fazia questão de me falar aquilo.


E, como sempre, ele levou menos de 1 minuto pra voltar, com um Posseidon muito fraco no ombro pra conseguir resistir.


Hades: aí maninho, o que agente faz com você?


Pai: é, eu sei.


Quando a carruagem começou a andar de novo, ficamos um tempinho em silêncio, com apenas o som dos gemidos do Posseidon para ficar no ambiente.


O "silêncio" acabou sendo quebrado com um gemido bem alto de frustração do meu pai, antes dele falar.


Pai: filho, eu sei que você não vai querer ouvir isso, mas acho melhor nós levamos ele pra casa de reabilitação


Hades: não, agente ainda não tentou o bastante, agente só tem que entender melhor do que ele precisa, não é maninho?


O Poseidon não respondeu, só continuou gemendo de dor e abstinência, até que meu pai colocou a mão no meu ombro, em forma de carinho, e me falou.


Pai: filho, agente já tentou tudo, menos pedir a ajuda dos outros, o que agente ta fazendo nao ta funcionando, vamos tentar ajudar seu irmão deixando que mãos competentes tentem ajudá-lo.


Eu não consegui responder, eu apenas continuei olhando pro Poseidon, não conseguindo acreditar que agente tinha chegado naquele ponto...eu queria falar algo, mas eu apenas consegui chorar, lágrimas que o meu pai não achou estranho nem um pouco, até que eu falei.


Hades: então...agente falhou com ele?


Pai: vamos fazer o oposto de "falhar" com ele, filho, nós vamos deixar que as pessoas certas cuidem dele, um erro seria se nós não deixássemos que ele recebesse ajuda, isso sim nos faria falhar.


Minhas emoções estavam atrapalhando, então não respondi na hora, fiquei um tempinho com os olhos fechados, respirando e tentando entender que aquilo seria a coisa certa a se fazer. Meu pai não teve pressa, ele deixou eu pensar, até que eu falei.


Hades: não, não vamos falhar.


E com um sorriso, que aquele ponto não sabia se era forçado ou não. Eu fiz carinho na cabeça do Posseidon, conseguindo o acalmar um pouco, então falei.


Hades: não se preocupe maninho, você vai pra um lugar melhor daqui a pouco.


Não fazia ideia se algum dia eu voltaria a ver o Posseidon, ou até o Zeus quando eu fosse pro reino Uiruuetê, mas eu sentia que no fim, os dois estariam em boas mãos, não precisava me preocupar muito.


Quando chegamos em casa, decidi deixar meu pai um pouquinho sozinho com o Posseidon e falei.


Hades: precisando, eu vou estar no quarto.


Algo engraçado sobre o corpo humano, é que o meu corpo às vezes não percebia o quão cansado, nervoso ou estressado ele ficava até que eu tivesse em um "lugar seguro", por exemplo: meu quarto.


Por mais que eu amasse minha família, apenas trancado no meu quarto, eu me sentia no direito de relaxar, e desabar no chão, pensando no quanto tudo que eu fazia era desgastante. 


Caído no chão, eu sentia meus músculos doloridos, como se eu tivesse feito dez sessões completas de exercícios intensos. 


Meu corpo queimava de esforço, se recusando a fazer qualquer movimento que não fosse absolutamente necessário; minha respiração parecia lutar pra me manter vivo, como se até o ar tivesse ficado mais pesado com tudo que eu aguentei; e meu cérebro parecia estar debatendo comigo se era melhor eu ficar consciente ou apenas desmaiar pra relaxar de vez, um debate em que "ficar consciente" acabou ganhando.


Bom, pelo menos eu não tava com dor de cabeça, isso, isso eu tinha certeza que era graças a minha Psicomante particular. A dor de cabeça foi a primeira coisa que nós consertamos, porque, por mais que o corpo doesse, ele podia esperar enquanto eu cuidava da minha mente.


Por que esse estresse, misturado com a minha Singularidade de nunca parar de ver fantasmas, se eu não tivesse ajuda, eu já teria perdido a cabeça de vez a muito tempo.


E depois de um tempo que eu nem sabia direito quanto se passou, eu me alonguei um pouco, a ponto de estalar meu corpo e comecei a revisitar algumas das minhas antigas pesquisas.


Eu já tinha 20 anos, a minha época de rever a Isabeli, e dessa vez como um noivo, estava chegando, então tinha que me preparar.


E pra começar, decidi ler um dos meus livros de Psicomantes, pra manter minha cabeça fresca.


Eu amava como aqueles livros usavam um humor meio meta, do tipo que tudo parecia fantasioso demais, ao mesmo tempo que também era "real" demais em alguns momentos.


Tinha um livro onde o protagonista literalmente se tornava uma barata gigante, e a primeira coisa que ele pensa quando percebe isso é "como eu vou conseguir trabalhar?" Era hilário essas coisas...ao mesmo tempo que tinha um humor e cenas ácidas nele, que eram reais demais que apenas com o absurdo aquelas cenas podiam ficar suportáveis.


O tipo de coisa que eu aprendia nesses livros era surreal, mas enquanto estava desfrutando um desses livros, a porta do meu quarto abriu, e de cara, eu soube quem era quando vi aqueles olhos pretos de novo na minha direção. Era o Zeus.


Meu irmãozinho veio até mim, enquanto eu ainda tava lendo deitado na cama, e subi nela, pra me dar um abraço bem forte.


Achava engraçadinho como ele ainda conseguia ficar deitado comigo na cama, mesmo ele já tendo 15 anos, ele parecia bem melhor do que na época que descobrimos a Singularidade dele, e ele parecia bem melhor do que naquele dia do incidente da floresta, mas eu ainda conseguia ver algumas sequelas pelo jeito que ele agia perto de mim.


Eu pensei que ele queria falar algo comigo, mas não, pra variar, ele só queria passar um tempo com seu irmão mais velho, e depois da gente ficar deitado junto, por um tempo que eu nem conseguia falar direito, eu acabei ficando com sono e dormi com ele no meu lado, e quando acordei, falei com o Zeus.


Hades: então maninho, o que quer me contar?


Zeus: bom, eu vim te pedir uma ajuda numa coisa maninho...como eu faço pra esconder minhas emoções


Hades: esconder suas emoções?


Zeus: todo patriarca deveria saber fazer isso, então eu vim aqui pra conversar com você, já que você é o melhor nisso.


E me sentindo incrivelmente feliz, fiz carinho na cabeça do Zeus, e comecei a ajudá-lo a entender melhor, como falar com as pessoas sem demonstrar emoções.


Claro que algo assim era complicado demais pra eu ensiná-lo em uma tarde, mas quando saímos do meu quarto de novo, nós dois estávamos bem felizes com a nossa conversa.


E antes de eu voltar a estudar, aproveitei que já tava meio distraído pra ir falar com o Posseidon. Eu bati no quarto dele duas vezes, e quando ele não respondeu, só entrei.


O quarto do Poseidon estava num estado perfeito, diferente do meu irmãozinho, que estava deitado na cama, ainda bem afetado pela ressaca, cheirando a peixe fresco e com um rosto que mostrava que, mesmo perfeito depois de ser cuidado pelas empregadas. 


A ponto que ele não tinha barba, e possuía um cabelo perfeitamente cortado e roupas perfeitamente bem cuidadas. Mas por baixo dessa casca de bons cuidados, eu conseguia ver o que estava por baixo de tudo. 


Ele ainda estava com olheiras absurdas nos olhos, uma pele branca como o fantasma, e olhos fundos, daqueles que já abandonaram a esperança a muito tempo. Além disso, é claro, um corpo claramente doente, depois de tudo que ele fez consigo mesmo por tanto tempo.


Olhar o maninho naquele estado, me fez entender que, querendo ou nao, ele tava certo, o que agente tava fazendo nao tava funcionando,em certo grau, só tava fazendo tudo piorar, e mesmo assim, só pra ter certeza, com cuidado, eu me aproximei dele, e falei.


Hades: oi maninho, como vai?


Ele não me respondeu, ele não olhou pra mim, ele sequer se moveu...mas eu podia ver no olhar dele que tinha algo errado, mas assim como meu pai, minha mãe, e todos que tentaram entendê-lo conseguiam ver: Era claro que tinha algo o incomodando, mas ele não queria dizer o que era.


Ele tava tentando enterrar a própria dor nas entranhas dele, mas a magia dele tava fazendo questão de lembrar que essa dor existia, e ela nao ia parar até que o Poseidon entendesse que, não dava pra só enterrar esses problemas dentro de si mesmo, mesmo que ela precisasse destruí-lo pra ele entender isso.


Mas nós não iríamos permitir que isso acontecesse, mesmo que precisassemos abrir mão dele pra ajudá-lo.


Hades: maninho, so queria te avisar que o papai vai te mandar para uma casa de reabilitação, então se você não quiser ir lá, você pode me pedir ajuda quando quiser, só precisa falar alguma coisa.


E novamente, silêncio, a maior diferença daquilo na minha frente pra posição de antes, era que agora ele se mexeu, e virou o olhar vazio pra mim, me mostrando que, no fim, isso seria o certo a se fazer mesmo.


Entendendo que seria inútil falar com ele mais, fui pra porta do quarto dele, e antes de sair, virei pra ele e perguntei.


Hades: qualquer coisa?


E de novo, nada além do olhar vazio dele, me encarando, e enquanto eu tava na porta, o Sonar voou na minha direita, e falou.


Sonar: ele não vai te contar nada hoje Hades, uma hora ele vai, mas não hoje.


E com uma grande tristeza no olhar, olhei o Posseidon uma última vez, antes de aceitar que dá próxima vez que o visse, ele estaria com um macacão de paciente.


Mas era como o Sonar falou, ele até poderia falar o que tinha de errado comigo algum dia, mas não seria hoje.


E um pouco triste, voltei pro meu quarto, pensando em como eu já ajudei o Zeus, então pelo menos um dos meus irmãos iam estar bem quando eu partisse.


E enquanto meu rosto ficava cada vez mais melancólico, o Cadeado voou na minha direita, já bem triste pelo que tava acontecendo, quase estando tão triste quanto eu, quase.


Cadeado: foi mal por ser um inútil 


Hades: (suspiro beeeeeeeeem longo) tudo bem Cadeado, não é a sua culpa, é que eu só tenho mais um ano aqui...eu só queria ter certeza que eles estariam bem sem mim


Cadeado: você é paranóico demais, se tem alguém nesse reino que é capaz de ajudar o Posseidon, esse alguém são os pais de vocês


Hades: hehe, é, quando tiver meus herdeiros, espero conseguir passar um terço da sabedoria deles pras crianças


Sonar: você vai conseguir, vamos garantir que você transmita tudo do jeito certo além disso


Hades: não podia pedir por menos.


Hehe, é, não podia esquecer que meus pais não eram idiotas, eu só queria ajudar um pouco mais meus irmãos também. 


Eles cuidaram da minha Singularidade, me ajudaram a entender quais fantasmas era melhor ter por perto, e quais era melhor não manter. 


E principalmente, foram eles que me ajudaram a ter o conhecimento que me permitiu pedir a mão da Lady Isabeli, uma Princesa que antes, não era diferente das outras pra mim, mas que agora, e sentia que ela era o amor da minha vida.


Eles conseguiriam ajudar meus irmãos, eu só precisava confiar um pouco mais neles.


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