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A Luz do Seu Amor
🧐➰👤o grande teste👤➰🧐
2007 palavras • 11332 caracteres • ⏱ 8 min 02 s

🧐➰👤o grande teste👤➰🧐

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Depois de tanto tempo, depois de tantos compromissos, e depois de tanto, de tudo, eu estava finalmente me aproximei do grande templo Sapien dentro do mar vermelho.


O mesmo templo que deu vida longa a todos os Filó-arcanos e sapiens que desejaram encontrar a imortalidade.


E o mesmo templo que possuía feitiços ancestrais tão antigos que ele ficava nas profundezas do mar mais perigoso do mundo.


Chegar lá foi muito difícil, primeiro, nós tivemos que pegar um barco de ferro capas de aguentar o magma do mar vermelho e navegamos no meio de um mar que criava grandes bolhas de magma que estouraram na nossa frente. 


Depois entramos num caminho cheio de crocodilos sinistros, com escamas de pedra pra resistirem ao magma do mar vermelho, junto de megalodontes, e estalagmites no teto, que caiam de forma aleatória e faziam a lava quase nós pegar várias vezes.


E tudo isso combinado com nosso constante cuidado pra ver se nossas máscaras estavam boas, porque aquele ponto do mar vermelho era recheado de gases tóxicos que podem matar até o mais forte dos guerreiros.


Hades: sei que você disse que “se fosse fácil chegar no templo, qualquer um seria imortal” mas isso já é ridículo


Isabeli: tem muitos fantasmas no meio do caminho?


Hades: hummmm, muitos, tantos que tem um devorador de almas no meio deles


Isabeli: ele é um problema?


Hades: não, a menos que você faça sons muito irritantes de crianças chorando perto dele, aí ele entra no seu corpo e devora sua alma, e como agente tá ocupado demais sobrevivendo, não vamos conseguir irritá-lo


Isabeli: bom saber.


E depois de passarmos por tudo aquilo, nós finalmente chegamos em um lugar gelado, eu senti agente atravessando uma bolha de magia que criou um ambiente gelado, principalmente comparado com o lugar que agente estava antes.


Hades: bom, chegamos


Isabeli: me diz, como se parece o templo?


Hades: ele parece uma relíquia gigante, ele é bem antigo, tipo, antigo em um ponto que parece até que ele veio antes dos Sapiens, apesar de tudo dizer que foi escrito por Sapiens…mas ele é tão bem cuidado, limpo, polido e conservado, que ele até parece novo


Isabeli: uma coisa que parece anciã e recém saída da loja ao mesmo tempo? Hihi, desculpa meu Rei, mas não consigo imaginar isso


Hades: tenta imaginar enquanto agente chega até o portão, vem, vamos.


E enquanto caminhávamos até o templo, eu conseguia ouvir o som de duas lanças sendo cruzadas na nossa frente. Ah, eu já sabia o que era isso, ainda bem que eu já tava preparada praquele “teste” também.


Guarda 1: Alto lá, quem deseja entrar?


Isabeli: ah, eu sou a Isabeli, e esse é o Hades, meu marido, queremos entrar


Guarda 2: é necessário um teste para entrar no templo, cada um de vocês o fará de forma individual, vocês aceitam esse desafio?


Isabeli: sim, nos aceitamos…meu Rei, deixa que eu vou primeiro


Hades: já que é o que você quer, minha Rainha.


Eu sorri pro meu Rei, e dei um beijinho nele, antes dele se afastar de mim, e me deixar sozinha com o cavaleiro, porque a Bruna, pela primeira vez em muitos anos, não estava comigo aqui, apenas eu e meu Rei.


Eu estava feliz que meu Rei ganhou a confiança da Bruna a ponto dela deixar meu e fazer algo como isso, porque eu sabia que, com exceção do meu pai e da minha mãe, ninguém, e eu dizia NINGUÉM MESMO, possuía essa confiança da Bruna, em todo o mundo. 


Mas considerando que o Sir Hades era quem eu decidi levar pro grande templo ao invés da Bruna, acho que ela tinha mais que motivos o suficientes pra ter essa visão positiva do meu rei, o que me deixava feliz, mesmo pensando nesse teste que eu iria ter que fazer logo logo.


E quando um dos guardas chegou perto de mim, eu ouvi o som de metal batendo em metal, e depois uma magia ancestral pareceu ser feita na minha frente. 


Uma magia que eu calmamente presenciei sendo feita na minha frente, tendo uma sensação familiar nessa magia, assim como parecia ser algo totalmente novo pra mim, igualzinho ao tempo.


E mesmo com um pouco de medo, eu respirei fundo e pensei que tudo ia ficar bem, se iria acontecer o que eu achava que iria acontecer, então eu me sentia preparada pra aquilo, não importa o quão traumático aquilo ficasse no decorrer do tempo.


Então eu ouvi, de onde essa energia familiar vinha, eu também ouvi uma voz, ou melhor, uma respiração ruim, alguém ansioso, que parecia ter medo de ficar perto de mim.


Isabeli: ola?


O ser misterioso não me respondeu, ele apenas ficou ali, arfando, arfando, e arfando, como se tivesse tentando ficar calmo em minha presença, e falhasse. 


Eu sabia o que era aquilo, aquilo era a minha Sombra, meu “eu reprimido”, todos os pensamentos reprimidos que eu guardei pra mim mesma por tanto tempo, encarnados na minha frente.


Esse teste era feito porque, apenas alguém capaz de acalmar a própria sombra era digno de entrar no templo, pessoas com sombras instáveis, e que se recusavam a se unir de novo a eles, eram expulsos do templo antes de sequer entrar nele. 


Eu treinei muito pra conseguir fazer minha sombra me aceitar, então eu tinha certeza que, no fim, tudo ficaria bem, eu apenas precisava “me lembrar do treinamento”, como diziam os generais.


Até que a Sombra finalmente falou algo pra mim.


Sombra: você é um monstro.


Aí, só…aí, eu achei que eu tava pronta pra quando esse momento chegasse, mas eu tava errada, meu coração vacilou bastante quando ela falou aquilo, mas eu me mantive firme, e respondi na hora.


Isabeli: não sou um monstro


Sombra: sim, você é


Isabeli: porque eu sou um monstro?


Sombra: você tortura, mata e estorque pessoas, e você não é um monstro por fazer isso?


Isabeli: eu só estava fazendo meu trabalho. Eu não posso ser uma garota boazinha que não reage a nada e que apenas é gentil e piedosa com pessoas que não merecem, ser gentil com aqueles que não merecem só faz com que eles machuquem ainda mais pessoas no futuro


Sombra: então porque você se sente feliz, sempre que você faz seu trabalho de rainha? AHN!?


Isabeli: porque é divertido machucar pessoas ruins, me diga uma pessoa que não sente prazer quando uma pessoa ruim é punida pela maldade que ela fez?


Sombra: ahn, ahn, ahn


Isabeli: exatamente, ninguém


Sombra: MAS VOCÊ AINDA É UM MONSTRO


Isabeli: e existem pessoas que apenas respeitam monstros.


Eu não falei de forma espalhafatosa, eu não gritei, nem mudei meu tom de voz, mas tanto eu quanto a minha contraparte sombria ficamos quietas pois nós duas sabíamos que o que eu falei era verdade, mas ainda estávamos tendo problemas pra processar isso em nossas mentes, de tão inacreditável que soava falar isso em voz alta.


Isabeli: nós precisamos ser monstros, porque apenas quem realmente nos ama, sabe que não somos monstros


Sombra: mas, mas, mas


Isabeli: lembre-se, nós somos anjos, e não demônios. “Demônios se tornam bonitos para enganar humanos, enquanto anjos se tornam assustadores pra assustar demônios”.


As minhas próprias palavras estavam afetando muito a minha sombra, eu sabia disso pela forma como cada uma daquela palavras estava me afetando pra caramba também.


Isabeli: nós somos assustadoras, medonhas e monstros. Porque nós estamos tentando assustar as criaturas bonitinhas, inofensivas e duas caras. Que tentam tirar tudo o que nossos antepassados criaram de nós. Então…não tenha vergonha de ser um monstro, tenha orgulho.


A sombra ficou bem quieta quando eu falei isso tudo. Eu tava mais que preparada pra discutir um pouco mais com ela, isso até a minha sombra vir até mim, e me abraçar. 


Eu fiquei bem surpresa quando ela fez isso, mas depois de alguns segundos, eu apenas aceitei o arco, ficando tão feliz que por alguns segundos, eu me esqueci porque eu tava tendo essa conversa com minha Sombra pra começar.


Eu fiquei um pouco surpresa com o abraço, mas não a empurrei pra longe, apenas a abracei de volta, com tanto amor, conforto e carinho quanto eu mesma iria gostar.


Ah, minha Sombra era tão pequenininha, facilmente poderia ser uma criança, então eu a segurei no colo, algo que foi o suficiente pra ela dormir encostada no meu peito, e bem devagar, minha Sombra se desfez em fumaça, e entrou em meu coração, e nesse momento, eu me senti mais completa do que nunca.


Isabeli: graças a Deus que você leu meus diários antes de virmos, meu Rei


Hades: é, também acho, agora venha comigo, minha Lady, agora é a minha vez.


E com bastante delicadeza, o meu Lorde me segurou, fez uma cadeirinha pra mim através das rochas perto do lugar, e foi fazer o teste dele.


Mais uma vez, eu ouvi o som de metal batendo em metal, e logo depois, eu ouvi a Sombra do meu Rei conversando com ele.


Sombra: então, por mais quanto tempo você vai fingir


Hades: fingir o que?


Sombra: que você não tem medo dela.


O meu coração, antes leve, começou a ficar pesado de novo, mas antes do peso do meu coração ficar pesado demais para suportar, meu Rei falou.


Hades: do que você tá falando? Sim, eu tenho medo dela, mas é um medo irracional


Sombra: irracional? Ela consegue falar coisas super sinistras como se fosse algo normal, ela matou, cortou e assassinou milhares de pessoas, e você fala que seu medo é irracional?


Hades: sim, ele é irracional porque, a minha Lady é simplesmente tão boa em seu trabalho, que quando eu vejo fazendo isso, me dá um pouco medo.


O meu Rei parou de falar por alguns segundos, segundos que eu tinha certeza que ele olhou pra mim e sorriu, antes de continuar.


Hades: mas eu não tenho medo dela, pelo menos não mais


Sombra: ela vai te descartar quando você não for mais útil, ela vai te trocar como se você nem tivesse importado pra ela.


Aquilo pareceu acertar meu Rei bem onde dói, pela demora que ele teve pra responder sua Sombra, aquilo me afetou bastante de certas formas também, e a resposta do meu Rei a essa fala de sua Sombra não me deixou muito mais calma do que antes.


Hades: é, você tem razão…então é melhor eu fazer tudo que posso pra continuar sendo útil.


A própria sombra parecia não esperar que o meu Rei respondesse daquele jeito, mas depois de muito tempo em puro silêncio, a Sombra respondeu meu Rei.


Sombra: e o que você vai fazer se isso não adiantar no final?


Hades: acho que só vou aceitar meu destino, entendendo que não fui o que a minha Rainha precisava, e partir pra outra


Sombra: você acha que vai ser tão fácil assim?


Hades: claro que não, afinal, nós dois amamos ela, caso ela nos troque, vai ser difícil, muito difícil…mas não impossível.


Eu não sabia o que sentir, a Sombra e o meu Rei estavam falando tantas coisas que mecham com meus sentimentos de uma forma rápida demais pra eu acompanhar como eu deveria me sentir.


E eles continuaram com aquele papo por várias e várias horas sem parar.


Até que a Sombra do meu Rei ficou sem argumentos, o que me aliviou bastante, pois, mesmo não sendo o avô daquelas falar, eu fiquei com muito alívio de não precisar adivinhar mais o que eu deveria estar sentindo o tempo todo.


E, nossa, o meu Rei realmente tinha muita coisa guardada, principalmente em relação a mim, mas com o tempo, o meu Rei conseguiu amolecer aquela Sombra persistente, e logo, a Sombra parou de falar, e pelas risadas que a mesma Sombra deu depois disso, ela provavelmente estava sendo rodopiada no ar enquanto se desfazia em fumaça bem nos braços do meu Rei e ia para seu coração.


Eu não podia ver aquela cena se desenrolando, mas apenas imaginá-la na minha cabeça me fez ficar com o coração feliz e quentinho com aquela cena rolando.


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