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A Luz do Seu Amor
😁📖um tempo entre amigas📖😁
2249 palavras • 12532 caracteres • ⏱ 8 min 60 s

😁📖um tempo entre amigas📖😁

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Depois de falar aquilo pro meu Rei, eu achei que o nosso dia como Rei e Rainha normal ia ser estranho, mas não, meu Rei fez a parte dele de forma normal. Acho que se tinha algo estranho naquele momento, tava vindo apenas de mim.


O meu Rei podia não admitir, mas pela calmaria que ele estava enquanto nós estávamos fazendo nossas obrigações juntos, me fazia ter certeza que ele queria aquilo tanto quanto eu, talvez até mais.


Mesmo que eu tivesse certeza que ele não tinha muitos amigos, pela forma que ele reagiu quando nós conversamos antes.


Mas acreditando que meu Rei ia conseguir fazer uma boa amizade com o charmezinho natural dele, me desliguei da minha preocupação dele por um tempo, e apenas fui à biblioteca particular do meu pai, junto com a Lady Bruna.


E depois dela me ajudar a sentar em uma poltrona super confortável, ela foi buscar um livro na estante cheia de livros sinistros e com efeitos perigosos, até que ela riu de forma debochada e falou.


Bruna: eu não acredito que você falou isso pra ele


Isabeli: bom, eu acredito, e você devia acreditar, no que voce vai ler a fábula de Gracieli pra mim logo logo.


A Bruna ficou alguns segundos sem dizer nada, mas eu já conseguia imaginar que ela tava vermelha como um tomate por eu ter a lembrado disso.


Bruna: eu nao entendo no que você vê na fábula dela


Isabeli: ah, você tem que admitir, que a fábula dessa Filo Arcana é bem interessante de ler, além dela ser uma das que você mais ama interpretar as palavras pra mim


Bruna: ah, e que se eu vou ser obrigada a ler quero pelo menos te dar a imersão completa né?


Isabeli: eu não to mandando você ler a história pra mim como Rainha. Eu to te pedindo como uma amiga, lembra?


Bruna: uma amiga que eu não posso dizer “não”, você é cega Isa, e levando em conta que você não tem amigos tão íntimos quanto eu, duvido que mais alguém poderia ler essa história pra você com tantos detalhes quanto eu.


Ainda bem que ela não conseguia ver o quão vermelha eu fiquei quando ela falava aquilo, até que eu ri um pouquinho, e falei.


Isabeli: e, é por essa e mais outras que você é minha melhor amiga, mas ainda sinto que você gosta de interpretar essa história pra mim mais do que quer admitir


Bruna: não sei não, eu sempre fui mais chegada a fábula do Filo Arcano Jean, esse sim sabia como curtir a vida adoidado


Isabeli: ah, o Filo Arcano Jean, eu sempre me pergunto como o Sir Antônio nunca o mencionou, sendo que ele sempre parece tão ligado as lutas


Bruna: ah Isa, você devia sabe disso mais do que ninguém, o Sir Antônio por ser um devorador de livros, mas quando o assunto é combates, ele se torna o tipo de Cavaleiro que gosta de aprender na prática


Isabeli: hihihi, pior que é mesmo…


Ah, eu senti falta disso, nada de homens, nada de deveres da realeza, nada de compromissos, nada de pensamentos sinistros, nada de romancezinho, nada de uma responsabilidade gigantesca tentando me esmagar. 


Assim como antes de eu virar Rainha dentro daquela sala, não existia nenhum problema ou preocupação me esperando, e aqui dentro tinham apenas duas nobres damas, passando o tempo juntas, e depois de falar isso pra mim mesma por tanto tempo, eu comecei a realmente acreditar nisso. 


Eu sempre gostei que a Lady Bruna conseguisse ficar perto de mim dessa forma, de uma maneira de amizade e totalmente pessoal quando estávamos sozinhas.


Tudo, até ela se sentar em uma poltrona bem na minha frente, e abrir o livro, eu ouvi o bastante atenção as páginas do livro sendo folheadas com cuidado, até que ela se preparou pra ler em detalhes extras cada palavra constrangedora do conto da Filó-Arcana Graciele.


Isabeli: você não faz ideia como isso me deixa feliz, sabe


Bruna: isso o que?


Isabeli: isso.


Eu falei aquilo, enquanto eu levantei meus braços pro ar, tentando simbolizar que toda aquela cena nostálgica em geral na minha cabeca que eu tava com muita saudade.


Isabeli: faz um século que agente nao tem um tempinho só pra nós duas, fico feliz que você e eu pudemos ter essa chance


Bruna: jura? Então porque a sua voz tá tão, estranha Isa?


Isabeli: estranha como?


Bruna: você parece com saudades.


Ah, ela percebeu isso? É, eu tinha ensinado ela um pouco dos truques de som que aprendi ao longo dos anos, mas so agora percebi que a ensinei bem até demais.


Isabeli: (suspiro), é mais uma coisinha que eu to trabalhando também, é, o Hades, sabe


Bruna: ja ta com saudade dele? Vocês só ficaram separados por um dia. E acho que nem conta como “separados” já que vocês ainda foram o Rei e Rainha o dia inteiro


Isabeli: SEU SEI, NÃO É DOIDEIRA…(respira fundo e solta) o que eu sinto pelo Sir haes, sei que nao vou sentir por mais ninguém, mas sinto que se ficássemos perto um do outro por mais tempo, agente ia, se sabe, entrar  numa fase bem doentia da nossa relação, eu nao fico meio metro de distância do Sir hades, é sinistro


Bruna: vocês são casados, trabalham juntos, moram juntos, e acima de tudo você é cega, então você literalmente se apoia muito nele pra andar, nao tem nada de sinistro que você sempre ta grudada nele, na verdade, voces são bem fofinhos juntos


Isabeli: é, tem razão, e com certeza tem muitas empregadas no castelo que concordam com você, acho que eu só to tentando achar uma justificativa pra ter me afastada dele


Bruna: e você achou uma?


Isabeli: sim, eu queria só me lembrar como é ser apenas “eu”, e não “nos”. Sei que, em vida de casal deve ser assim, mas em algum momento, a minha vida parou de ser “eu” e começou a ser “nós” pra tudo, nossa coroa, nossos amigos, nosso plano. Sei que é egoísmo meu, mas eu queria ficar um pouquinho afastado dele, pra me lembrar que eu tenho uma amiga, (põe mão no peito) minha amiga, não dele, não nossa, minha.


A Lady Bruna ficou um bom tempo em silêncio, como se entendesse bem até demais o que eu queria dizer, até que ela riu um pouquinho e falou.


Bruna: você queria um pouco de espaço e ele te deu isso, você devia estar tentando ficar feliz com o que ele te deu


Isabeli: é, eu sei, mas acho que vai demorar um pouco até minha cabeça só começar a entender que não é tão ruim eu ficar longe dele…haaaaaaaaa, da ultima vez que conversamos direito, ele me falou que não tinha muitos amigos vivos, ou que moravam perto do reino, você acha que ele está bem?


Bruna: ah com certeza, na verdade, uns velhos amigos dele estão mais do que felizes nem de aproximar dele de novo depois do “pedido de espaço” que você deu a ele


Isabeli: o que? Tá falando dos fantasmas?


Bruna: é, eles mesmo


Isabeli: como você…


Bruna: relíquias Isa, relíquias.


Bom, eu já sabia que em questão de relíquias, meus ancestrais já inventaram tudo que podia se imaginar, então imaginar que alguém criou uma relíquia capaz de ver fantasmas não era um pouco estranha pra mim, então só aceitei que a Bruna conseguiu ver fantasmas de alguma forma, e só fui pro meu próximo questionamento.


Isabeli: pensei que fantasmas assombram casas, como ele fes bons amigos tão bons entre os fantasmas daqui?


Bruna: ah, eles são os fantasmas amigos dele, lá da terra natal dele, e sobre a sua pergunta, sim, fantasmas que assombram casas, mas os amigos do Sir Hades são fantasmas que conseguem ser ligados a ele ao invés de casas, e bem fascinante pra se dizer o mínimo


Isabeli: fantasmas que conseguem se ligar a pessoas ao invés de casas, eles são realmente fascinantes pra se dizer o mínimo, mas quando você teve chance de conhecer eles?


Bruna: digamos que eu tive o prazer de me aproximar deles enquanto você e o Sir Hades estavam ocupados bancando o casalzinho perfeito


A Lady Bruna ficou bem quietinha por alguns segundos depois de dizer aquilo, mas eu conseguia imaginar porque, agente tava naquele tipo de silêncio onde parecia que a Lady Bruna estava contemplando o horizonte de forma tranquila enquanto tinha um flashback dos dias em que eu tava perto demais do Sir Hades e ela provavelmente matou o tempo livre dela conhecendo melhor os fantasminhas camaradas do meu Rei.


Bruna: não foi apenas os dois fantasmas que ficam sempre perto do Sir hades que eu me aproximei, claro, a ideia a princípio era essa, mas quando eu continuei usando os óculos e os fones fantasmagóricos, eu acabei conversando com alguns outros fantasmas…e eu tenho que admitir uma coisa, o Sir Hades tem razão, os mortos são bem mais divertidos do que os vivos


Isabeli: sério? E que tipo de fantasmas tem aqui em casa?


Bruna: ah, ninguém muito importante, apenas alguns nobres que foram assassinados aqui dentro, muitos idosos que morreram de velhice, algumas empregadas que tiveram acidentes de trabalho e morreram de formas idiotas, até mesmo pobres pessoas que morreram por doenças incuráveis na época deles. E isso só contando aqueles que são os mais fáceis de explicar.


Assassinato, doenças incuraveis, e condiçoes de trabalho onde epessoas podiam morrer por burrisse. Ai, eu sabia que a minha casa não era perfeita, mas ouvir aquele tipo de coisa sempre fazia meu estômago revirar um pouquinho.


Isabeli: nossa, e eu achando que a minha asa era segura de todos esses fantasmas deprimidos e tristes, mas pelo jeito eu estava errada


Bruna: hum, é impossível existir uma casa sem fantasmas, até a casa mais inocente do mundo, tem pelo menos um fantasma, pelas formas mais diversas do mundo…pelo menos os fantasmas da sua casa nao sao sinistros


Isabeli: é mesmo?


Bruna: é, enquanto eu tava nas minhas ferias, eu andei um pouco pelo continente, e sabe aqueles lugares com pessoas… “indesejáveis” pra eu não falar algo pior, viviam?


Isabeli: é, como os Galdinos, né?


Bruna: isso ai, bom, eu visitei o lugar, e pelo que parece, tem uma quantidade de fantasmas bem sinistros por lá, a ponto que alguns ceifadores estavam lá pra mantê-los contidos, é uma doideira, e deixa eu te contar uma coisa, os fantasmas dos Reinos em geral não são nada comparados aqueles monstros pontos isolados do mundo. Claro, os fantasmas daqui também tem seus problemas, mas eles conseguem lidar com eles bem melhor que fantasmas que nem percebem que tinham um problema pra começar


Isabeli: ok, entendi, é que eu to tentando falar pra mim mesma que não é tão estranho assim pra você gostar tanto de fantasmas assim como o Sir Hades, você também foi sempre uma Lady que não gostava de ficar na companhia de muitas pessoas


Bruna: eu posso ainda gostar de me maquiar, e de bonecas, e de vestidos, mas depois que você passa pelas coisas que eu passei…e depois que eu vi certas coisas depois de andar muito com você Isa, fica meio difícil só falar de papos como “nossa, você viu como aquele nobre é bonito:” “eu acho que to apaixonada pelo bardo genérico numero 37”, “nossa, eu queria que alguem me sequestrasse que nem nessas histórias super fetishisadas”. Sei lá, sabe, fica estranho ter esses papos com outras Ladys quando eu treinei tanto, só pra proteger você


Isabeli: e eu sou mais do que grata por você fazer isso


Bruna: em comparação com isso, os papos que eu tenho com os fantasmas são bem variados, posso falar de todo tipo de doideira com eles e eles falam todo o tipo de doideira pra mim. Tem um fantasma aqui que chegou até chegou a ter uma fazenda de centrosaurus e oviraptors quando ainda estava vivo, então ele veio pra cá e acabou morrendo de gripe, vai entender?


Isabeli: sim, e isso é algo bem mais comum do que as pessoas pensam, as pessoas subestimam muito o poder das doenças


Bruna: e isso foi só uma das histórias doidas dos fantasmas aqui, não é atoa que o Sir Hades tem tanto problema em falar com pessoas vivas, depois que você passa um tempinho com esses caras, falar com um vivo que é muito “copia e cola” um do outro, é muito complicado


Isabeli: nossa, esse papo todo tá me dando vontade de passar um dia com minhas amigas.


A Lady Bruna riu um pouquinho quando eu falei aquilo, então falou.


Bruna: a doidinha 1 e doidinha 2. É claro, eu to com uma saudade tão grande delas, é, vamos ver elas


Isabeli: ah não, não agora, vamos terminar o livro que eu te pedi pra ler primeiro


Bruna: ta legal, ta legal, sua mandona.


Era apenas quando estávamos sozinhas que a Lady Bruna conseguia ser solta assim comigo, fora dessa sala, ela sempre tentava atuar com a Dama de Companhia/guarda perfeita. 


O que era bem util contra todos que queriam me matar, mas eu sempre gostava desses momentos tranquilinhos que ela tinha comigo, me fazia sentir que ela era mais que um soldado a mando do meu pai pra me proteger.


Esses momentos simples e calmos, me faziam vê-la como minha amiga, e pela felicidade que eu ouvia na voz dela sempre que tínhamos esses momentos tranquilinhos, eu sabia que ela sentia a mesma coisa.


Bruna: haaaaaa, capítulo 1.


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