Mesmo sem ideias pra nossa próxima parada, ainda me senti alegre em ver o quão largamente o Cadeado tava sorrindo, porque a risada dele era muito, mas muito contagiosa mesmo. E por mais que eu gostasse que o Sonar estivesse mais calmo e tranquilo, eu tinha que admitir,que era bem sinistro ver ele tão quieto.
Hades: Sonar, tá tudo bem?
Sonar: ta tudo ótimo, por que?
Hades: ah, e eu eu nunca vi você tão calado
Sonar: ah, eu só to feliz que você conseguiu usar coisas que eu te ensinei tão bem com a sua Rainha, eu vaguei um pouco pelo castelo, e ouvi os boatos que as pessoas contam sobre voce e sua Rainha, muitos dizem que se sentem vendo uma novela quando olham pra voces
Hades: e sabe qual é a melhor parte: Isso nao é atuaçao, eu apenas amo mimar minha Rainha daquele jeito mesmo
Sonar: hm, eu conheço muitas mulheres que matariam pra ter alguem como voce ao lado delas, vivas ou mortas
Hades: acredito em você
Cadeado: AH, PAREM COM ISSO VOCÊS DOIS!
Na mesma hora, nós dois nos viramos na direção do Cadeado, que tava MUITO irritado agora.
Cadeado: isso devia ser uma tarde só nossa, ninguém alem de nos, mas você continua falando, “Isabeli isso” “Isabeli aquilo”. POR FAVOR HADES, ESTAMOS A ANOS SEM NOS VERMOS, DEDIQUE UM POUCO DA SUA ATENÇÃO AOS SEUS AMIGOS BOLERGEISTS TAMBÉM.
Nossa, eu sabia que tinha negligenciado eles já tem muito tempo, mas pro Cadeado estar com tanta raiva assim de mim, porque o lance era sério.
Hades: sei que você acabou de me dizer pra não pensar na minha Lady, mas quero fazer algo agora, vou ir em uma padaria divina que ela me apresentou, só pra pegar um lanchinho, e assim agente consiga conversar sem termos que ficar andando e andando por aí, ou no caso de vocês, acho que seria “flutuando”, o que acham?
O Cadeado me olhou por um bom tempo, como se estivesse procurando qualquer coisa pra me culpar, e como não encontrou nada, ele só virou pra mim com uma cara emburrada e falou .
Cadeado: ah, ta, faz o que você quiser.
Eu sabia que ele queria o sanduíche, eles nunca foram muito bons em esconder emoções, ou o quanto sentiam falta das sensações de comida que eles conseguiam ter mesmo com os corpos de fantasmas.
Muitas vezes, o desejo de apenas provar uma comida humana de novo era tanto, que até coisas como a raiva do Cadeado eram ignoradas só pra eles conseguirem comer.
E sorrindo, graças a minha vitória, eu fui direto para a padaria que minha Rainha havia me apresentado a muito tempo atrás.
A Padeira daquele lugar era uma doçura de pessoas, e por mais que ela tenha me dado um sustinho na primeira vez que fui lá, só pra garantir que eu não quebraria o coração da minha Rainha, agora eu a conhecia o suficiente pra dizer que nós éramos amigos.
Eu apenas falei um pouquinho com ela, comprei dois sanduíches, um pra mim e um pros meus fantasmas, e depois fui pro parquinho que eu e minha Rainha amamos ir juntos.
Depois de chegar lá, eu me sentei num banquinho, comei a comer o meu sanduíche, e cotei o dos meus fantasmas pela metade, pra eles conseguirem comer sem ter que brigar por ele.
Pelo jeito, fantasmas conseguiam comer sim,mas existia uma “técnica” pra conseguirem comer direito, uma técnica que os meus grandes amigos dominaram já tem um bom tempo.
O Sonar não falou nada, ele apenas comeu o sanduíche, e de forma bem calminha, ele começou a flutuar no ar enquanto mastigava o sanduíche pedacinho por pedacinho, como se comer tivesse virado um dos maiores prazeres da vida dele depois de virar um fantasma, o que nao devia ser uma mentira muito grande, considerando o tipo de coisa que ele deve ter passado depois de me conhecer.
Já o Cadeado? O Cadeado deu uma mordida, já não esperando nada desse sanduíche novo, e assim como eu esperava, ele fez um estardalhaço escandaloso assim que ele sentiu o sabor daquela padeira carinhosa.
Cadeado: AAAAAAAAH, ISSO PARECE QUE FOI FEITOS PELAS MÃOS DE UM ANJO!
E depois de declarar isso, o Cadeado voou pra cima, ate chegar nas nuvens, para o maior limite que a minha conexão com ele permitia, e ficou ali, tentando manter as sensações que ele tinha a cada mordida apenas pra ele, e sabendo que tipo de sensações aquele sanduíche conseguia causar nos outros, eu não culpava ele por querer um pouco de privacidade.
E depois de comermos por mais algum tempo, eu logo falei.
Hades: então, onde vocês sugerem que nós devemos ir depois daqui?
Sonar: sei lá, tem poucos fantasmas aqui, acho que esse Reino tem um ótimo trabalho em cuidar dos próprios assuntos mal resolvidos
Hades: hehe, pois é.
Eu queria muito mesmo saber aonde eu poderia ir, tipo, eu queria mesmo, mas eu não conseguia pensar em nenhum lugar, eu fiquei tanto tempo apenas junto da minha Rainha que eu não fazia ideia de onde me divertir sem ela perto de mim.
Sonar: ah, não faz essa cara Sir Hades, lembre-se, você é um amante de relíquias, o que acha de nós irmos a um museu de relíquias antigas?
Ah, é por esse tipo de coisas que eu amava o Sonar, ele falava pouco, mas quando falava, falava bonito.
Hades: quer saber, tem razão…hehe, cara, eu não toco nas minhas relíquias a eras
Sonar: você não fala com agente e nem toca nas suas relíquias a eras, você tem muito o que pegar pra voltar a ser o Hades que eu conheci, ou pelo menos se assemelhar um pouco mais com ele
Hades: é mesmo, não é…mas o que eu posso fazer, ser Rei não é mole não
Sonar: por isso sua Rainha pediu pra vocês darem um tempo? Ela queria um tempinho pra você se lembrar que era alguém além de um Rei, mas que também era alguém além de um namorado.
Eu tava ouvindo tintim por tintim tudo que o Sonar estava dizendo, até que eu terminei meu sanduíche e o joguei no lixo, antes de me levantar e falar.
Hades: vai ser difícil, eu só fui Rei por tanto tempo que nem sei se posso ser outra coisa, acho que o único amigo vivo que eu tenho aqui que nao ta ligado a politica é o Sir Antônio, mas foi a minha Lady que apresentou ele pra mim, então ele não conta
Sonar: por isso nós temos que voltar a nos concentrar em coisas que você gosta, vem, vamos dar uma olhada nas relíquias
Hades: tem mesmo um museu de relíquias aqui?
Sonar: sim, eu olhei.
Ah é, como eu tava ignorando eles por todos esses anos, eles devem ter matado o tempo explorando o lugar todo e conhecendo os fantasmas legais da região.
E considerando que o alcance que eles conseguiram voar pra longe de mim antes de serem puxados de volta era enorme, eu com certeza não me impressionaria se eles conhecessem alguns lugares certos do reino também.
Hades: quantos lugares secretos vocês descobriram?
Sonar: 20, mas só quando estávamos realmente procurando, ah, e não se preocupe Hades, nos descobrirmos mais do que lugares o suficiente pra você conseguir passar o tempo longe da sua Rainha.
“Passar tempo longe da minha Rainha”, eu passei tanto tempo tentando ser apenas um bom marido, que eu quase esqueci como essa frase podia ser legal.
CAPÍTULO HADES
Ok, eu não ia bancar o hipócrita, sim, eu tinha amigos vivos, mas nenhum deles estava no reino, na verdade, entre os bailes de reinos vizinhos, me encontrei com muitos humanos que poderiam ser meus amigos, mas nenhum deles estava perto daqui pra eu conseguir fazer uma viagem com eles.
Claro, tinham muitos fantasmas e empregados que eu tinha feito uma espécie de amizade, mas eu não queria ficar no castelo, esse era pra ser um momento apenas pra mim, não queria ter o “azar” de me encontrar com minha rainha sem querer enquanto eu estivesse tendo um tempo só pra mim.
Eu tinha certeza que, tendo uma Dama de Companhia como a Lady Bruna, a minha Lady devia estar tendo bem mais facilidade em passar um tempo só pra ela do que eu.
Mas eu tentei não pensar muito nisso, eu estava com meus amigos mais antigos, eles estavam comigo desde que eu era uma criança, ok, eles podiam ser muito mais velhos que eu, tipo, absurdamente mais velhos, mas era ainda interessante passar um tempo com eles, principalmente em momentos como esse, onde eu estava frente a frente ao cofre de relíquias do reino.
Eu ainda fiquei impressionado com a quantidade de coisas inacreditáveis que tinham nos reinos de vez em quando, mas considerando que a maioria desses prédios você só encontra quando está literalmente procurando por eles, acho que faz sentido eu não ter ouvido falar deles até agora.
Era um prediozinho bem simples, que parecia uma mistura interessante de um museu, laboratório e uma espécie de armada militar, tudo em um único lugar. A aparência do prédio me empolgou um pouco, então eu entrei ali dentro, claro, depois de passar por uma segurança bem forte.
E depois que eu entrei, milhares de relíquias diferentes entraram no meu campo de visão.
Existiam dois tipos de reliquias, reliquias criadas através da concentração de energia positiva, guardada dentro do objeto que pertenceu a um fantasma, fazendo o objeto ter habilidades especiais.
E também tinha as relíquias artificiais, criadas por mãos humanas, e que eram criadas com propósito e objetivo específicos. A maioria das relíquias criadas por humanos se diferenciam de outros artefatos tecnológicos por um único motivo, a magia dentro das relíquias artificiais são muito mais poderosas que as normais, mesmo que o efeito delas seja ultra específico pra compensar isso.
Por exemplo, enquanto andava por todo o hall, acabei sendo atraído para um patinho de borracha, que estava no meio da sala, sim, ele era um relíquia criada por humanos, mais especificamente, por fadas, e a descrição do artefato, me fez rir um pouquinho.
Hades: hmhmhm, o “pato da perfeição: qualquer líquido que esse pato for colocado irá instantaneamente se transformar em uma banheira de água na temperatura perfeita, nem quente, nem fria demais”
Cadeado: hahaha, é sério que fizeram uma relíquia assim, nossa, e eu achando que os fantasmas tinham muito tempo livre
Sonar: ele tem um efeito único, e ainda consegue ser fofinho, é, o cara que criou esse patinho tava inspirado no dia que fez ele
Cadeado: só não sei porque essa defesa toda?
O Cadeado falou aquilo enquanto agente olhava o patinho, e víamos que ele tava dentro de uma gaiola de vidro, a segurança parecia simples, mas tava dando pra ver milhares de efeitos secundários no vidro, feitiços que deixava claro que se alguém tentasse pegar o pato, ele iria no mínimo, perder um braço no processo, era bem interessante, ao mesmo tempo que era muito assustador. Uma proteção de primeira linha, que o Cadeado não conseguia entender.
Cadeado: sim, o patinho é fofinho, mas não sei porque alguém iria querer roubar ele.
Hades: simples, o patinho é multi uso seja pra entrar em uma poça de piche pra pegar um item valioso, ou transformar um caldeirão fervente de uma bruxa em um simples banho gentil e quentinho, ou fazer um ataque de água a queima roupa de um mago de gelo se transformar num jato de água quentinha assim que tocou no seu pato, não tem herói ou vilão no mundo que não queria um patinho desses
Cadeado: sinistro, mas com certeza você deve ter algo melhor que isso no seu armário de relíquias
Hades: ah, com certeza eu tenho, mas eu vou aproveitar esse lugar todo primeiro.
Depois de falar aquilo, eu admirei o patinho por um bom tempo, joguei conversa fora com o Cadeado e o Sonar, e principalmente, vi como muitas pessoas estavam olhando pra mim e rindo, mas não era uma risada que eu já tava acostumado, dos idiotas que não sabiam o que eu tinha.
Nao, aquelas risadas que me davam eram risadinhas bem gentis, como se eles conseguissem ver o Cadeado e o Sonar, e estivessem rindo mais de um bando de amigos fazendo bobeiras do que de um SIngular falando sozinho.
Mas logo eu entendi o porque, eu vi como todo mundo que ava feliz, tranquilo, e entendia bem o que e tava passando, eram pessoas que tinham um grande par de óculos no rosto, um par de óculos com a espiral preta e branca, me fazendo entender que, eles tavam realmente vendo eles.
Hades: WOW, eu sabia que iam existir relíquias que iam permitir que vissem voces, mas nao achei que seriam tantas assim
???: exitem algumas relíquias que podem ser feitas em massa.
Eu não reconhecia a voz, mas parecia amigável, pelo menos nesse primeiro momento, onde nós estávamos prestes a nos conhecer.
Quando eu me virei pro lado, vi um nobre rapaz de cabelos ruivos, um sorriso de olhos azuis, e uma gigantesca mancha de nascença preta cobrindo o olho até a bochecha esquerda dele.
Tudo com uma barba por fazer que dizia como, no mínimo, ele era alguns anos mais velho que eu. Não sabia se era um funcionário ou um visitante, mas eu já gostei da forma que ele falou comigo, então baixei minha guarda um pouquinho.
???: eu sou o Hefesto, algumas das minhas criações estão aqui, é um prazer conhecê-lo
Hades: eita, hefesto, nome de responsa ein
Hefesto: pois é, tento viver por ele, e você, qual nome você recebeu?
Por muito pouco, eu não falei meu nome de verdade, mas me lembrando de cara como era muito importante que eu não ficasse falando pra todo mundo que eu era Hades, o Rei deles, eu acabei me lembrei do nome falso que minha Lady me deu.
Hades: sou o Luciano, mas pode me chamar de Luci
Hefesto: deixa eu adivinhar, foi sua namorada que te deu esse apelido?
Hades: pois é, não tenho amigos o suficiente pra ter apelidos, então peguei com força o primeiro que eu recebi
Hefesto: assim é que é bom.
Agente riu um pouquinho das nossas piadas bombinhas e ruins, até que eu me lembrei porque eu estava ali pra início de conversa.
Hades: desculpa Hefesto, não sei se você consegue ver, mas eu to meio ocupado aqui
Hefesto: relaxa, eu consigo ver sim.
E como uma reiteração do que ele acabou de falar, o Hefesto mexeu nos olhos dele, e pela forma que ele olhou diretamente pro Cadeado e o Sonar, eu sabia que ele tava vendo eles, então o Hefesto deu um sorriso e falou.
Hefesto: nossa, eles são fantasmas bem antigos, tem sorte deles terem gostado tanto de você
Hades: você não faz ideia, olha, gostei de conversar com você, você parece um cara legal, mas sério, não dá mesmo pra gente conversar agora, preciso tirar um tempo pra ficar com meus velhos amigos antes de me concentrar nos novos
Hefesto: ah, então, eu sou seu novo amigo?
Hades: exatamente, só se você não quiser
Hefesto: EU QUERO…(tosse) quer dizer, é, eu quero sim, até a próxima, Sir Luci.
Eu tentei não rir do jeito que ele falou meu nome falso, mas com ele falando daquele jeito, tornava tudo quase impossivelmente difícil. Mas eu ainda consegui segurar enquanto o Sir Hefesto ia embora.
Cadeado: nossa, aquele Sapien é feio que doi.
Hefesto: EU OUVI ISSO
Cadeado: O QUE!? ELE TEM TAPA OUVIDOS TAMBÉM?
Hades: é melhor você tomar cuidado com o que fala por enquanto, Cadeado
Hefesto: eu ouviria seu amigo se fosse você, Cadeado.
E dando uma última olhada pro Cadeado, o Hefesto desapareceu entrando em outro corredor, dando espaço para o Sonar falar.
Sonar: obrigado por decidir passar seu tempinho com os velhos amigos, ao invés de perder um pouco de tempo com os novos
Hades: eu meio que devo essa a você, depois de todo o gelo que eu dei a vocês ultimamente, e também, a gente ainda tem muitas relíquias pra ver.
Os dois se animaram quando eu falei aquilo, e nós começamos a andar pela casa de relíquias por um bom tempo, até encontrarmos uma relíquia distribuída pra todos, que chamou muito a minha atenção. Era um óculos, parecido com o que o Sir Hefesto usou pra ver os fantasmas, mas pela cor azul e vermelha dos óculos, tava bem na cara que aqueles óculos eram diferentes.
Tinha um carinha distribuindo os óculos, e eu peguei um, e quando eu olhei pra plaquinha de explicação do óculos, meu queixo quase caiu no chão.
Hades: “óculos infravermelhos: óculos capazes de ver o mundo através da temperatura, veja o mundo através dos olhos de cobras e certos insetos, e consiga ver até mesmo, aqueles invisíveis a luz”
Cadeado: ah, nem pensar mano, um óculos que vai te fazer ver a sua Rainha? Quais as chances de uma coisa dessa existir na mais pura coincidência?
Snar: ué? Não foi você quem disse que ele precisava parar de pensar um pouco na Rainha dele?
Cadeado: isso é diferente, pensa comigo, quais as chances de algo que é exatamente o que ele precisa pra ver a própria Rainha por coincidência existe nesta nessa sala de relíquias? Vocês não acham isso nem um pouco suspeito?
Hades: não, suspeito seria se não tivesse uma relíquia específica pro meu caso aqui no meio das relíquias.
O Sonar pareceu entender na hora o que eu quis dizer, mas pelo jeito, o Cadeado precisaria de um pouco mais de contexto pra entender o que eu disse.
Cadeado: como assim?
Hades: eu com certeza não sou o primeiro cara que se casou com uma garota invisível, alguém teve a ideia de ver a própria esposa ou marido através desses óculos primeiro que eu.
Eu falei aquilo enquanto segurei com cuidado aquela relíquia considerada “comum” na minha mão e continuei.
Hades: esses óculos devem ter ajudado muuuuuita gente antes de mim, eu só vou ser mais um que o criador de óculos doidinho ajudou, hehe, vou fazer um bom uso da criação dele
Sonar: dela, na verdade, segundo a placa, foi uma maga que criou o óculos
Hades: e, faz sentido.
Eu falei aquilo enquanto eu paguei pelos óculos e coloquei ele no meu bolso. E enquanto sorria, ouvi o Cadeado perguntar.
Cadeado: mas você meio que não consegue ver sua Rainha com maquiagem?
Hades: é diferente, ela precisa ficar trabalhando por horas, ficar concentrada pra não suar muito, ficar com uma maquiagem que parece pinicar muito, quase o tempo todo, além de outros problemas que eu garanto, que se ela pudesse não usar maquiagem, ela com certeza não usaria.
O Cadeado entendeu na hora o que eu quis dizer, e terminando meu ponto, eu levantei o óculos, como se ele fosse a prova final que eu precisava pra encerrar o caso, e falei.
Hades: e essa belezinha aqui, é apenas colocar, e tirar o óculos, é simples, prático e tranquilo. Mesmo minha Rainha ainda tendo que se maquiar muitas vezes por causa dos bailes, acho que ela vai ficar bem feliz em ver que eu consegui esse óculos, só pra poder vê-la melhor.
Eu ache que, depois disso que eu falei, eles iam ficar felizes por eu ter conseguido pensar em uma surpresa tão legal pra minha Lady, mas ao invés disso, o Sonar colocou a mão fantasmagórica dele no meu ombro, e falou.
Sonar: vamos trabalhar mais na sua independência
Hades: eu concordo.
É, depois de ficar alguns segundos quieto, e apenas absorvendo o que eu acabei de falar, eu percebi o quão dependente eu era da minha Rainha, o que em um lado era bom, porque só mostrava o quanto nosso amor era forte, mas no outro era ruim, porque parecia que eu não conseguia fazer nada sozinho.
E quando eu pensei nisso, eu olhei em volta, e vi que tinha um tempo bem grande que eu não mexia nas minhas relíquias. Ah não, elas estragariam se não fossem cuidadas da forma certa, nao, eu nao podia deixar isso acontecer.
E pensando daquela forma, eu voltei pro castelo imediatamente, eu nao tava mais com medo de encontrar a minha Lady, minhas relíquias eram a prioridade.
E olha só, assim que eu cheguei em casa, eu me encontrei com ela no corredor, e o que eu achei que seria um encontro emocionante onde agente ia ficar grudadinho um no outro por mais algum tempo, e consolidando ainda mais o quão dependente um do outro agente era, só se tornou um simples olhar, seguido de um sorriso, um aninho pra mostrar que nós dois tínhamos visto um ao outro, e depois cada um seguiu o seu caminho.
Ok, isso machucou um pouco, ao mesmo tempo que foi legal, como eu pensei, a Lady Bruna parecia estar mantendo minha Rainha ocupada, e enquanto eu andava pelos corredores do castelo, tentei me lembrar onde eu coloquei minhas relíquias.
Até que eu me lembrei, elas estavam em um grande armário no sótão, porque relíquias gostavam muito de ambientes assombrados. Uma vez que eu cheguei no sótão, na mesma hora eu verifiquei o estado das relíquias, e…eu não aguentei, eu tive que olhar pro lado.
É, as relíquias tavam num péssimo estado, mas pelo menos, nenhuma delas quebrou. E como se meu humor não pudesse ficar pior, o Sonar e o Cadeado foram na minha direita e esquerda, apenas pra ver melhor as relíquias, então, o Cadeado falou.
Cadeado: nossa cara, qual foi a última vez que você tocou nas relíquias?
Hades: acho que desde que eu me casei
Sonar: parece contraditório, mas todo o carinho e cuidado que você tve com as relíquias antes de você vir pra cá, fez esses 3 anos que você ficou sem cuidar delas direito quase uma fichinha pra elas resistirem, se bobear, acho que essas relíquias podiam sobreviver sem seus cuidados por mais 7 anos
Hades: felizmente, não vamos precisar pensar nessa possibilidade, porque agora que eu tenho tempo livre, eu vou dar a cada uma dessas relíquias, o carinho e o respeito que elas merecem
Cadeado: eu disse que valia a pena agente continuar sendo bouldergeist dele, não disse
Sonar: é, te devo um favor.
Ok, eu nem prestei muita atenção no que o Sonar e o Cadeado estavam discutindo, porque agora, tudo que eu me importava era uma relíquia eu iria restaurar primeiro, seria um processo delicado, perigoso, beeeeeeeeeem sinistro, más que eu faria com prazer, porque a única coisa que eu gostava tanto quanto fantasmas eram relíquias.
Hades: só posso agradecer por vocês estarem aqui comigo, aqui em cima ficaria muito chato sem vocês dois por perto
Sonar: nao se preocupe H, nós não vamos a lugar nenhum
Hades: ah não, vocês ouviram isso?...nossa, é como eu pensei, parece soar melhor com o um amigo, não como namorado
Sonar e Cadado: agente sabe
Cadeado: ok, agora chega de lembranças, e vamos começar a cuidar das relíquias.
E com um sorriso, eu peguei a primeira relíquia, e comecei a mexer nela bem devagar, me sentindo como uma criança de novo, hahaha, eu esperava que ter um tempo pra si mesma esteja fazendo tão bem pra minha Rainha quando está sendo pra mim.

