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A Luz do Seu Amor
🎶um pouco de espaço🥪
3845 palavras • 21606 caracteres • ⏱ 15 min 23 s

🎶um pouco de espaço🥪

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Já tinham se passado quase 3 anos desde que eu me casei com a minha Rainha, demorou, mas eu consegui fazer muitos “amigos” no meio da corte, e amigos de verdade também, nao era ninguem que eu podia me envolver se eu nao estivesse com meu disfarce do “Sir Luciano”, mas ainda era bom mantê-los por perto.


E com todo esse tempo, eu fui incomodado por milhares de mulheres que queriam manchar minha imagem, elas se jogavam em mim em certas festas, e quando eu dizia “não”, elas  contavam a todos que eu tinha assediado elas. 


Mas depois da reputação que eu montei com o tempo na corte e perto da minha Lady, digamos que a palavra daquelas donzelas não ganhou da minha.


E felizmente, esses episódios com essas donzelas não foi inútil, pelo jeito o povo adorava ver um nobre fiel a sua esposa. 


Claro, esse era o padrão, mas ter histórias sobre um nobre provado, mais de uma vez, inocente de ter traído sua esposa com certeza tornava a história muito real, então eu comecei a ter uma fama bem positiva pelo povo. 


E por mais que eu soubesse que esse amor pudesse ser frágil e que eles podiam começar a me odiar a qualquer momento, eu ainda fiquei bem feliz por ter conquistado ele.


Porque, se tinha uma coisa que eu amava fazer mais do que tudo, era mostrar o quanto eu amava minha Lady, e pelo jeito, as fofoqueiras e os jornalistas também amavam me ver sendo carinhoso com a minha Lady, porque às vezes, parecia que isso era tudo que eles falavam.


Depois de tantos anos de adaptação, cuidado, dedicação e tranquilidade, eu sentia que agora tudo estaria perfeito, mesmo com todas as doideiras que a minha Rainha estava planejando fazer comigo, que tava muito animado para o nosso futuro como Rei e Rainha.


Hehe, era doido pra mim às vezes como era estranho me ver como o marido dela, tinha vezes que eu sentia que nós éramos só namorados, de tão tranquilo que o nosso relacionamento era, e eu tava tentando entender ainda até onde isso era algo bom ou algo ruim.


Mas sinceramente, ela pensava que era muito boa escondendo coisas de mim, mas eu já entendia o que ela tava planejando alguma coisa bem antes dela me contar algo, ela já tinha convivido comigo tempo demais pra eu não notar essas coisas nela. 


Eu só não tinha certeza no que ela tava planejando, mas sabia que seria incrível, bom, isso até que a minha Rainha me chamou pra um canto do castelo, e falou algo que me paralisou, comigo já pensando pelo pior.


Isabely: precisamos de um tempo.


Nossa, eu fiquei paralizado quando ela falou aquilo, eu sabia que foi por muito pouco que meu coração não parou quando ela falou aquilo, mas eu tinha certeza que eu só não tinha entendido direito o que ela falou, então eu só respirei fundo, e falei.


Hades: o que? Como assim?


Eu tentei esconder o medo da minha voz, mas não consegui, e eu tinha certeza que a minha Lady tinha notado isso também, mas mesmo assim, ela continuou falando, bem calmamente.


Isabely: ah, sabe, é que agente andou muito tempo perto um do outro, acho que agente merece dar um pouco de espaço um pro outro, você não acha?


Depois que ela falou aquilo, meu medo mudou totalmente pra confusão, o que me fez só perguntar a ela.


Hades: espaço? Nós somos reis, como agente vai ter espaço?


Isabeli: ah, claro que agente ainda vai ficar junto até demais quando estivermos com a coroa na cabeça, mas e to falando que agente deveria tirar um tempinho pra nós passarmos com nossos amigos, o pessoal fora da corte, amigos que são só amigos, e que nao tem nada haver com essas bobeiras de xadrez 3D que agente tem que conviver todo dia, você não tem isso querido?


Hades: eu fiz muitos amigos…mas acho que todos eles estão relacionados com a realeza de alguma forma…e os que não são, bo, digamos que eles não tão perto a ponto da gente se ver num dia livre qualquer mesmo.


Eu tinha feito muitos amigos, mas só amigos, no reino, e vivos, acho que esses eu não tinha nenhum. A vergonha que eu senti nisso foi tanta que eu comecei a rir, e mesmo sem usar maquiagem, eu pude ver como a minha Lady ficou muito triste quando eu falei aquilo, mas então eu falei.


Hades: ah, não se preocupe Minha Rainha, vou tentar usar esse meu tempo livre pra encontrar um amigo pra mim, o Sir Antonio que você me apresentou outro dia se mostrou um ótimo ouvinte, e eu sinto que eu e o irmão dele temos muito em comum, então você pode ficar tranquila e passe um tempinho com suas amigas, que eu passo um tempo com os meus futuros amigos


Isabeli: hihihi, “futuros amigos”? Sério, meu Rei, tem momentos que eu queria ter seu otimismo


Hades: você quer meu otimismo amor, eu empresto, só não garanto que ele vai grudar em você


Isabeli: não precisa grudar, só ter ele um tiquinho em mim vai ser o bastante pra eu me divertir mais com minhas amigas


Hades: jura? Ha, se meu otimismo um pouquinho em você vai te divertir com suas amigas, isso significa que eu vou ter rios de amigos com meu otimismo todo


Isabeli: hum, talvez, otimismo é um equilíbrio delicado, sabe, tem tanto otimismo em você, que talvez você afaste todo mundo através de atrair


Hades: o truque é só equilibrar com pessimismo, ai amor, me empresta um pouco do seu?


Agente riu da minha piada ruim, agente riu de forma bobinha, até agente relembrar que, por mais que agente brincasse, agente olhou um pro outro com o olhar um pouco mais sério, e minha Lady, comigo tendo certeza que ela tava sorrindo agora, mesmo invisível, ela falou.


Isabeli: espero que se divirta, meu Rei


Hades: você também, minha Rainha.


E mesmo depois de nós combinarmos isso, ainda levou algum tempo para conseguirmos um tempo só pra nós, porque assim como eu imaginei, mesmo nos querendo um tempo separados, nós ainda éramos Rei e Rainha, então nós precisamos ficar juntos pra cuidar de vários assuntos do reino de forma constante até demais.


O nosso alívio, é que nós gostaríamos de ficar perto um do outro, e por mais que nós ficássemos cansados na maioria do tempo, com o passar dos dias, agente conseguirá guardar um pouco mais de energia para conseguiremos ficar sozinhos, ou melhor, com nossos amigos.


Interessante como levou quase 1 semana pra conseguirmos fazer o que queriamos, mas considerando que agente iria passar tempo com amigos que nós não víamos a séculos, eu tenho certeza que a minha Lady e eu nao iremos nos arrepender nem um pouco de dar um espacinho um pro outro.


Uma vez que nós tivemos um tempinho pra ficarmos sozinhos, decidi que hoje não era o dia de fazer amigos novos, era hora de revisitar novos amigos, mesmo que eu tivesse certeza que pelo menos um deles já acendeu, de tanto tempo que eu os deixei esperando.


Eu não saí de casa, pelo menos não imediatamente, primeiro eu fui pra um quarto onde não tinha ninguém além de mim, mas com uma reverberaçao de fantasmas ali para eu saber que aquele era um ponto de encontro das aparições, e depois chamei eles.


Hades: Cadeado, Sonar, vocês ainda estão aí?


Uma parte de mim já estava mentalment se preparando pra possibilidade deles não aparecerem pra mim, seja por eles terem ascendido aos céus depois de terem decidido que o assunto mal resolvido deles  já estava resolvido comigo. Ou por eles não quererem me ver depois de eu tê-los ignorado por tanto tempo.


Mas pelo jeito, minhas duas assumpções estavam erradas, porque em segundos, os dois apareceram pra mim, o Sonar parecia feliz de me ver, mas o Cadeado parecia muito irritado em ver a minha cara de novo, e eu meio que já imaginava o porquê.


Cadeado: ora ora, olha quem finalmente veio falar com agente, depois de 2 ANOS


Hades: e, é bom ver você também, Cadeado


Cadeado: isso é tudo que você tem a dizer em sua defesa?


Hades: nao tenho nada a dizer em minha defesa, eu usei vocês no primeiro ano que fiquei aqui, e nos dois anos seguintes, eu fiquei tão ocupado que não consegui falar mais com voces, nao tem mais a dizer, nao em justificativa, eu so tava ocupado demais pra falar com voces direito.


O Cadeado ficou impressionado com minha sinceridade, claro que ele devia estar esperando que eu, no minimo do minimo, tentasse me justificar, ou pelo menos me desculpar.


Hades: vocês querem um pedido de desculpas? Nesse caso: me desculpa por ter ignorado vocês por tanto tempo, mas eu quero que saibam que não vou justificar nada, eu ignorei vocês e isso não tem perdão, então, se quiserem ascender e me deixar sozinhos, eu vou entender.


Os dois fantasmas ficaram em silêncio por alguns segundos, até que o cadeado falou.


Cadeado: AH, PARA COM ISSO HADES, NÃO FOI TÃO GRAVE ASSIM!


Sonar: menos de 10 minutos de reencontro e você já me lembrou porque eu decidi ser um fantasma por mais algum tempo do seu lado


Hades: sei que isso é uma hipocrisia, depois do que eu acabei de falar, mas vocês sabem que não foi por opção que eu conversei com vocês, se eu tive tempo pra respirar nesses 3 anos, foi muito.


O Sonar então fiz uma cara de superioridade, mas não pra mim, foi uma pro Cadeado, logo depois, ele falou


Sonar: e, agente sabe, não é Cadeado?


O Cadeado ficou voando no ar por um tempo, com um rosto que mostrava que ele entendeu meus motivos, mas que queria sentir raiva por mais algum tempo, pra justificar o vácuo que eu dei a eles por tantos anos.


Sonar: Cadeado?


Cadeado: OK, EU ADMITO, ELE PASSOU POR MUITA COISA…(calafrio) eu ficava cansado só de olhar pra você as vezes, cara, acho que torturas seriam mais fáceis do que você passou nesses 3 anos


Hades: você não faz ideia Cadeado, você não faz Ideia.


A carinha toda amarela do Cadeado ficou feliz assim que eu falei isso, pelo menos até ele se lembrar que devia ficar irritado comigo, e voltou a ficar cheio de raiva, então ele falou.


Cadeado: ok, isso não importa agora, porque você tá aqui?


Hades: eu to com um tempo livre, depois do que pareceu uma eternidade, me dizem, tão a fim de irem pra algum lugar?


Sonar: nos leva de novo para aquele teatro que você foi com sua Rainha na outra vez


Hades: ah, então vocês estavam lá


Sonar: claro que estávamos, lembra, nós somos boldergists, nao fantasmas


Hades: bom, eu não sei se tem um músico lá agora, mas considerando que aquele lugar nunca parece fechar as vezes acho que vale a pena dar uma olhada pra ver como o lugar tá, vamos.


Eu falei “vamos”, mas os dois mal saíram do lugar, eles esperaram eu me afastar o suficiente, e então eles começaram a ser puxados para mim. Porque aqueles dois não eram fantasmas, eles eram boldergaists, ou seja, eles não assombram casas, eles assombram pessoas, ou melhor, eu.


E apesar deles serem fantasmas, eu fiquei impressionado que a aparência deles não mudou muito, porque apesar de muitos fantasmas continuarem iguais até eles resolverem o assunto mal resolvido que os prendia na terra. 


Existia uma regra universal que, depois de um fantasma ficar na terra depois de um certo tempo, ele começava a mudar e se deformar, alguns mudaram para monstros completos, que precisavam ser caçados por ceifadores, enquanto outros podiam mudar de aparência, mas conseguiam manter a sanidade. E o Cadeado e o Sonar eram essa segunda opção.


Depois de pensar tudo isso, enquanto andava, eu tirei um tempinho pra olhar com cuidado para eles, pra me lembrar de como eles eram. 


O Cadeado estava da mesma forma que eu lembro, com um pijama listrado, uma pele completamente amarela, olhos totalmente pretos, e com um zíper quebrado na boca, eu nao lembrava se essa última parte estava certa, mas eu fiquei tranquilo em ver como a maioria das coisas estava igual.


Já o Sonar, eu nao tava tao impressionado que nao mudou muita coisa, dos dois, ele sempre foi o que tinha mais cabeça dos dois, ele usava um terno ultra chique, com luvas pretas, com a cabeça dele ainda sendo um grande megafone, sendo uma das poucas coisas que entregavam que ele era um fantasma, como sempre.


E no meio desses meus devaneios, eu mal notei quando o cadeado veio bem pra minha frente e perguntou.


Cadeado: você vai andando?


Hades: o que posso fazer? Peguei gosto por andar depois de conviver muito com a minha Rainha


Sonar: hmhmhm, aquela mulher tá te mudando, mano


Hades: pro melhor, eu espero


Sonar: pra muito melhor, mas é melhor tomar cuidado com certas coisas que ela tá mudando em você


Hades: vou manter isso em mente.


Depois que eu falei aquilo, eu dei um pequeno suspiro para olhar ao seu redor, e como eu já esperava, tinha muita gente olhando pra mim, porque eu conseguia ver o Cadeado e o Sonar por causa da minha Singularidade, mas pra todo mundo ali, eu só tava falando sozinho, mas eu até gostava desse olhar, porque ele se transformava principalmente quando eles viam o meu colar de girassóis.


Era incrível pra mim o quanto aquele colar era importante pros Sapiens, esse tipo de coisa acontecia desde a minha cidade natal, esse colar de girassóis me acompanhou desde que eu vi meu primeiro fantasma, e desde que eu pus em meu pescoço, parece que muita gente começou a ser mais compreensiva com o que eu passava, o que sempre me fazia dar um sorrisinho por conseguir usar esse colar.


Cadeado: hipócritas


Hades: por que os chamados de Hipócritas?


Cadeado: tavam te olhando você como se você fosse uma espécie de aberração, e depois ficam mansinhos quando viram seu colar


Hades: esse colar é uma garantia, pra muitos significava muita coisa, mas pra mim, significa “ei, eu não sou louco, a minha magia só é um pouco diferente da sua” cada um aqui tem sua própria forma de ver esse colar, e pelo rosto de todos aqui, gosto de pensar que cada um aqui tem uma visão bem gentil dele, vocês não acham?


Sonar: é mesmo.


O Cadeado parecia prestes a falar alguma coisa, mas logo ele foi calado pelo Sonar, o que eu agradeci ao fantasma, porque, por mais que eu amasse o Cadeado, às vezes ele falava coisas desnecessárias demais pra mim.


E pro meu alívio, nós estávamos chegando onde eu queria, era bom conversar com eles, mas o que agente iria ver logo logo, foi algo que a minha Lady me viciou quando ela me levou pra ver pela primeira vez, ou melhor, ouvir: concertos.


Dentro do grande teatro, não tinha nada super impressionante, tinha apenas um palco com uma cortina imensa em volta. E a frente do palco, tinham milhares de cadeiras, e milhares de pessoas, que já mostravam o quanto as pessoas realmente amavam essa arte, incluindo eu.


Uma vez que chegamos no grande teatro, foi fácil encontrar os nossos lugares, ou melhor, meu lugar. Eu só tinha pago pra mim, mas ninguém nunca pegava os acentos que ficavam onde eu sentava, por algum motivo, então quando eu sentei, o Cadeado e o Sonar pararam de flutuar, e se sentaram nas cadeiras vazias perto de mim, o que me deixou bem feliz.


E mais uma vez, os dois pareciam bem interessados em falar comigo, mas eles sabiam que eu não respondia quando estávamos numa peça, não importa o quão irritantes, barulhentos ou brincalhões eles fossem. 


Além de que depois de tanto tempo vendo aquelas peças comigo, eles começaram a gostar de ver aqueles concertos e começaram a ficar bem quietinhos também.


Apesar de eu sentir um verdadeiro amor pelos concertos que a minha Lady dizia ser uma “poesia musical”, eu tinha um apego bem especial pelos concertos que eram apenas músicas mesmo.


É diferente do pianista da primeira vez que eu e minha Lady fomos lá, agora era uma equipe inteira, mas não era grande o bastante a ponto de precisar de um maestro, eu já tinha visto vários concertos deles pra eu saber o nome deles.


Hades, Cadeado e Sonar: ARRASEM OVERCLOWDS!


E depois de nós, e mais algumas pessoas gritarem os nomes da banda, agente se sentou, bom, eu nunca liguei pra decorar os nomes deles, eu apenas os conhecia pelos instrumentos, mas ao ver a cortina se abrindo, eu já fiquei bem animado pro grande show que iria rolar.


E quando as cortinas se abriram, 4 músicos apareceram, um violinista, um baterista, um baixista e um tecladista. Nenhum instrumento novo, mas que já mostraram mais de uma vez pra mim como até os instrumentos mais simples podiam fazer sons milagrosos.


Assim como eu gostava, tudo começou com uma nota longa de tom grosso do violino, sendo seguida por uma segunda nota, levemente mais fina, mas só o suficiente para conseguir diferenciá-la da primeira nota. Tudo enquanto o baixo discretamente acompanhava dando dedilhadas calmas para preencher bem nos pontos onde o som do violino parecia “vazio” demais.


O violino fez essa sequência 10 vezes antes dele ir um pouco pra trás e deixar que a bateria entrasse.


Assim que a bateria entrou, uma sequência insana foi criada pelo grande baterista. Primeiro ele deu 10 batidas rápidas no Tum 1, e depois fez  ele trocou do Tum 1 pro Tum 2. Com o Tum 1 sendo acertado 4 vezes, enquanto o Tum 2, apenas 2 vezes, tudo finalizando com uma única batida na caixa, como uma finalização, e assim continuou, 1, 1, 1, 1, 2, 2 caixa. 1, 1, 1, 1, 2, 2 caixa.


Tudo isso apenas com uma baqueta, enquanto a segunda mantinha um ritmo constante, se concentrando apenas nos pratos, tentando ao máximo criar um ritmo para fazer as batidas dos tambores funcionarem. 


E é claro, tudo isso com o Bumbo nunca perdendo o ritmo em nenhum momento, sendo a parte mais forte, mais grossa, e ironicamente, também a mais precisa de todo o instrumento, chegava a ser fascinante de várias formas.


E no momento onde tudo parecia perfeito, o tecladista entrou, só pra mostrar que existem coisas que podem melhorar muito antes de sequer pensar em falar sobre perfeição.


Ele entrou no ritmo da música com umas notas simples e quase imperceptíveis, como se ele tivesse timidez de entrar na música, mas eu sabia muito bem que não era isso, nem de longe. 


Então, colocando um pouco de teclas grossas, mas que pareciam tímidas comparado a todos o som que estava à volta do teclado, o ritmo do tecladista parecia finalmente estar aparecendo naquela música doida.


Até que cada vez mais, o som do teclado adentrou e se misturou no ritmo da música, como se estivesse se aliando a cada nota em uma espécie de escalada até o topo de importância musical.


O teclado fez uma sequência de notas finas, que o alinhou na hora com o violino, e num dueto silencioso, onde a constância da bateria e do baixo foi mantido, o teclado acompanhou o violino, enquanto o ritmo do violino pareceu escapar dele.


Pareceu que os dois instrumentos estavam brigando de tão intenso que o acompanhamento do teclado estava, mas no fim, o teclado conseguiu acompanhá-lo, e o violino foi quem diminuiu o ritmo primeiro.


E logo depois, o tecladista começou a acompanhar a bateria, e diferente do violino, o teclado acompanha à risca a bateria, fazendo um ritmo insano e pegando um pouco de carona na batida nova da bateria. 


Nesse novo ritmo, o baterista foi agressivo, trocando de forma frenética entre o Tum 1, 2, a caixa e o surdo, deixando as baquetas do lado na hora, tentando o máximo possível criar um ritmo agressivo, quase como se o baterista estivesse tentando quebrar a própria bateria e falhasse no processo. 


Esse tipo de ritmo sempre me deixava extasiado de um milhão de formas diferentes, era como se a violência tivesse sido colocada dentro de um ritmo, e a violência dentro de mim ressoasse com ela.


Enquanto isso, o teclado tocava notas grossas segundos antes da bateria fazer os sons mais agressivos, como se estivesse tentando pegar impulso no som da bateria, essa manobra era bem arriscada, parecendo que a bateria iria anular o som do teclado, mas foi bem o contrário, aquela mistura de sons fazia o som do teclado deslizar pelo ritmo da bateria de formas que eu só conseguia acreditar ouvindo mesmo.


O teclado acompanhou a bateria por um bom tempo, até que em uma decaída bem devagar, o som não apenas da bateria, mas de todos os instrumentos diminuíram bastante, até deixarem apenas o teclado num som alto. 


Então, em uma sequência absurda de técnica, o teclado fez um grande show, onde ele fez um solo bem complicado em que ele misturou as notas grossas com as finas, em um ritmo agitado e frenético, como se ele estivesse tentando transformar o teclado em uma guitarra.


E pela tranquilidade que eu sentia em meus ouvidos, junto com a empolgação que sentia com aquele ritmo na minha frente, podia dizer que ele havia conseguido.


E ainda depois, os outros instrumentos ficaram bem fortes de novo, e o mesmo ritmo da música se repetiu mais 3 vezes. E na quarta vez, o tecladista fez uma sequência diferente, era o mesmo ritmo de teclado que misturava de forma perfeita notas grossas com notas finas, mas era um ritmo bem mais tranquilo e silencioso, como se ele estivesse preparando toda a plateia, pra quando o show se encerrasse. 


E com os outros instrumentos acompanhando e fortalecendo esse sentimento de calmaria que o teclado estava tentando criar, todo mundo ficou bem mais tranquilinho, até que a música lentamente ficou mais fraca, até que ela parou de vez.


Houve 3 segundos de silêncio, antes de todos levantaram, quase ao mesmo tempo, e começaram a aplaudir, comigo incluído.


Eu já sabia que aqueles dois fantasminhas doidos que eu chamava e amigos gostavam daquele lugar tanto quanto eu, mas ainda me dava muita alegria de ver eles dois lá no alto, rindo e batendo palmas graças ao excelente show que viram, me fazia realmente pensar que eu tava realmente colocando minha alegria nos lugares certos, hehehe.


Todo mundo aplaudiu por um bom tempo, até que os músicos vieram pra frente, e se curvaram em uma reverência, antes das cortinas se fecharem de vez.


Depois do Show, todo mundo se arrumou e saiu, e, como sempre, eu me encolhi um pouco, e fiquei um tempinho no banco, só esperando o grande mar de pessoas acabar, e quando todo mundo saiu e eu nao tive mais o risco de ser pisoteado até a morte, eu me levantei, e saí do teatro, completamente sem ideias de onde eu poderia ir agora


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