Com cuidado e o coração acelerado, os\ntrês atravessaram a cerca pela lateral, mergulhando de vez na penumbra que\ncobria o terreno. As sombras da noite os protegiam, mas cada passo parecia\nproduzir um som alto demais no silêncio rural. O capim alto roçava suas pernas\ne a madeira seca do mourão rangeu sob o peso de Beto, que foi o último a\npassar.
A casa estava a uns vinte metros de\ndistância, com sua única janela iluminada no segundo andar. Nela, uma silhueta\nse movia de tempos em tempos, projetando sombras nas paredes. Guilherme\nliderava a caminhada, seguindo rente ao muro lateral, tentando manter-se\nagachado entre os arbustos mal cuidados e uma estrutura de madeira que parecia\nter sido parte de uma antiga construção.
Chegaram à lateral direita do galpão.\nA estrutura era maior do que parecia à distância: blocos de cimento cobertos\npor trepadeiras, tubos de fiação elétrica externa e uma escada de ferro\nenferrujada que levava até o telhado. O lugar exalava um cheiro estranho — uma\nmistura de graxa, ferrugem e o ar parado das madrugadas quentes.
Guilherme se abaixou atrás de uma\ncaixa d’água encostada ao galpão e fez sinal para que os outros se\naproximassem. Manuela encostou atrás dele, ainda ofegante. Beto veio logo em\nseguida, abrindo a mochila em silêncio e puxando a lanterna, que manteve\napagada por enquanto.
— Tem alguma entrada aqui? — sussurrou\nManuela, encarando a parede lisa e sem janelas. Ela parecia calma demais diante\nde uma situação tão fora de seu cotidiano.
— Não... — respondeu Guilherme,\nbalançando a cabeça. — A gente vai ter que dar a volta.
Ele apontou para o outro lado da casa,\npara os fundos, fora do alcance da janela iluminada no segundo andar. Aquela\nera a única parte que parecia segura o bastante para usar a lanterna. Manuela\nassentiu com um suspiro.
Eles se levantaram com cuidado e\nseguiram em fila, curvados, passando por trás de uma moita densa e contornando\na lateral da casa. A escuridão ali era quase completa, e Guilherme fez um gesto\ncom a mão, dando sinal para Beto acender a lanterna. A luz amarelada cortou o\nbreu e revelou o cenário dos fundos. O terreno era mais amplo do que parecia.\nAtrás da casa, o galpão ganhava proporções ainda maiores, reforçado com\nestruturas metálicas e suportes de concreto. E ali, finalmente, uma pista: um\nportão industrial enorme, como o de uma garagem de caminhão. O ferro era grosso\ne velho, mas estava trancado por dentro, impossível de acessar do lado de fora.
Na terra batida diante da garagem,\nmarcas de pneus fundos e largos formavam trilhas nítidas que seguiam por um\npequeno trecho e depois desapareciam floresta adentro, como se um veículo\ngrande tivesse saído dali recentemente.
— Isso é invasão, gente! — disse Beto,\nquebrando o silêncio, num tom ponderado. — A gente deveria voltar aqui de dia e\ntentar conversar como pessoas civilizadas.
Mal terminou a frase e Manuela o\nbeliscou forte no braço. Beto gritou, surpreso com a dor. Guilherme, num\nreflexo, tapou a boca do amigo com a mão, arregalando os olhos.
— Shhh! — sibilou, irritado.
Os três ficaram imóveis por alguns\nsegundos, atentos a qualquer som vindo da casa. Mas nada aconteceu. O silêncio\nse manteve, espesso e tenso como antes. Guilherme soltou Beto devagar.
— Por que você fez isso, Manu? —\nmurmurou Beto, ainda esfregando o braço, confuso.
Manuela deu de ombros, sorrindo com um\nbrilho divertido nos olhos.
— Até que é meio emocionante, não é? É\ncomo se fôssemos as Três Espiãs Demais. Claro, eu tô cheia de carrapicho\ne eu não quero nem pensar em carrapatos, mas... acho que é a coisa mais\nperigosa que já fiz!
Beto revirou os olhos, bufando,\nenquanto continuava a massagear o ponto do beliscão. Guilherme soltou um riso\nabafado, mais pela situação absurda do que pelo comentário em si. O ar entre\neles parecia mais leve por um momento, apesar da tensão ainda pulsante no\nescuro.
Sem precisar de palavras, voltaram a\nandar. O destino agora era a porta dos fundos da casa. A lanterna de Beto\niluminava as pedras mal alinhadas no chão e os caibros baixos que delimitavam\nos fundos da casa. O mato era mais baixo ali, e o cheiro de madeira úmida e\nferrugem dominava o ar. Passos cuidadosos os levaram até uma pequena escada de\ncimento, onde uma porta de madeira com pintura descascada dava para os fundos\nda casa. Não havia janela próxima — apenas o breu e o som abafado de grilos e\ndo vento leve entre as folhas.
— Só tem essa entrada — sussurrou\nGuilherme, analisando a maçaneta com os dedos. — A do galpão tá trancada, sem\ncontar que faria barulho demais pra arrombar.
Manuela se encostou na pilastra de\nmadeira e cruzou os braços, encarando a porta com desconfiança.
— Pronto, então agora a gente fica\naqui fora esperando a porta se abrir magicamente. — sussurrou, impaciente e\nirônica.
Guilherme encostou-se na lateral da\nparede, observando em silêncio. Tentou a maçaneta primeiro, torcendo devagar\npara testar a firmeza. Estava mesmo trancada. Ele suspirou, recuando um passo.
— Sai da frente. — interrompeu Beto,\nabrindo caminho entre Manu e Guilherme, enquanto abria a mochila.
Guilherme ergueu uma sobrancelha.\nManuela arregalou os olhos.
— Isso é muito esquisito... —\nmurmurou. — Mas eu quero ver...
Beto se ajoelhou diante da porta,\nsegurando a lanterna entre os dentes para liberar as mãos. Remexeu a mochila\ncom pressa contida, os olhos atentos à escuridão ao redor, enquanto Manuela e\nGuilherme observavam em silêncio, quase prendendo a respiração. Depois de\nalguns segundos, puxou um alicate, uma chave de fenda média e um pequeno\nmartelo de cabo curto — ferramentas gastas, que pareciam ter sido arrancadas de\numa velha caixa de ferramentas doméstica. Ajoelhou-se diante da porta de\nmadeira antiga, iluminando com a lanterna a maçaneta enferrujada e a lingueta\nda fechadura. Seu olhar ficou fixo ali por um instante, calculando o próximo\nmovimento ─ parecia ponderar muito sobre o quão certo e ético era aquilo, mas\nao mesmo tempo examinava como se já tivesse feito aquilo antes — ou, pior, como\nse soubesse exatamente o que estava fazendo.
— Isso aqui é tranca de mola\nsimples... — explicou em voz baixa. — Provavelmente foi instalada nos anos\nnoventa e nunca trocada. O parafuso guia da lingueta tá visível… com um pouco\nde força e jeito...
Ele encaixou a chave de fenda entre a\nlingueta e o batente, pressionando com cuidado. Depois, com o martelinho, deu\nleves batidinhas controladas na haste da chave, empurrando devagar o mecanismo\ninterno.
Tec, tec...
Nada.
Beto se recostou, respirou fundo e\nmudou o ângulo da ferramenta.
— O segredo é criar tensão no lado\noposto do fecho. — Ajustou o alicate em um ponto de apoio lateral da maçaneta,\nforçando discretamente a lingueta contra o batente ao mesmo tempo que repetia o\nprocesso com a chave de fenda e o martelo.
Mais duas batidas, um estalo agudo... clic.
A maçaneta girou sozinha, como se\ntivesse desistido da resistência.
— Pronto.
Manuela o encarou, surpresa. Depois\nlançou um olhar para Guilherme, arregalando os olhos com um misto de admiração\ne desconfiança. A boca tão aberta que era possível ver sua úvula mesmo no\nescuro.
— Eu não quero nem saber como você\naprendeu a fazer isso...
Guilherme apenas bufou em silêncio. Ela\ntirou as palavras da minha boca, pensou, mas manteve a resposta para si. Mais\ntarde eu pergunto.
Com cautela, ele empurrou a porta para\ndentro. Ela rangeu baixinho, revelando uma pequena área de serviço. O piso era\nde cimento cru. Havia uma pia com marcas de ferrugem, panos velhos jogados em\num balde e um armário de madeira rachada cheio de produtos esquecidos. O cheiro\nde sabão mofado e óleo queimado invadiu o ar.
Lá dentro, a escuridão era densa, mas\nlogo adiante havia uma porta entreaberta. Provavelmente levava à cozinha.
— Devagar... — disse Guilherme. — Um\npasso de cada vez. E nada de barulho.
Eles entraram, um a um. Guilherme foi\no último, fechando a porta atrás de si. Por um segundo, o som do trinco\nvoltando ao lugar pareceu alto demais. Mas nenhum movimento veio da casa. O\nsilêncio do interior era tão espesso quanto a escuridão. E algo ali, naquele ar\ndenso e abafado, fazia parecer que eles estavam prestes a descobrir muito mais\ndo que queriam.
As lanternas tremeluziam em suas mãos,\nlançando sombras que se alongavam pelas frestas do chão e escorriam pelas\nparedes como dedos invisíveis. Guilherme caminho na ponta dos dedos pelo\nambiente onde, horas antes, havia escutado seu pai contar segredos que ainda\npulsavam em sua mente. Agora, aquele mesmo cômodo parecia outro — vazio,\nsombrio, quase hostil.
— E se tiver alguém aqui no escuro? —\nsussurrou Manuela, mais para o próprio medo do que esperando resposta.
Guilherme apenas balançou a cabeça.\nEra como se aquele silêncio estivesse atento demais, escutando tudo o que\ndiziam. Beto passou à frente, apontando a lanterna para a bancada da pia. Um\nprato e três copos ainda estavam ali, como se tivesse sido largado às pressas.\nDo outro lado, a geladeira emitia um zumbido fraco e constante, um som mecânico\nque parecia ainda mais estranho dentro daquela quietude quase total.
— Ele está lá em cima — murmurou\nGuilherme. — Aparentemente.
Manuela estremeceu ao ver uma xícara\nquebrada no chão, perto do fogão. As bordas de porcelana refletiam a luz da\nlanterna como cacos de um espelho torto.
— Isso estava aqui antes? — perguntou.
— Não — respondeu Guilherme, depois de\npensar. — Não lembro disso.
Eles avançaram mais alguns passos,\natentos a qualquer ruído, a qualquer sinal. A cozinha se abria para uma porta à\nesquerda. A mesma de onde, mais cedo, viera a luz azul e onde Gabriel se\nposicionara para bloqueá-la de forma quase ameaçadora.
Agora, a porta estava entreaberta.
— É ali! — disse Guilherme. — Foi dali\nque veio o clarão.
— Mas por que raios o seu pai tem um\ngalpão acoplado a cozinha? — Beto perguntou em voz baixa.
— Talvez ele seja traficante? —\narriscou Manuela, tentando aliviar o peso da tensão com uma piada ácida. Mas\nsua risada morreu na garganta.
Guilherme foi o primeiro a se\naproximar. Desviou cuidadosamente da geladeira, com os olhos fixos na porta.\nEstendeu a mão devagar, hesitante, e tocou a maçaneta com a ponta dos dedos. O\nmetal estava gelado. Fez pressão lentamente, abrindo a porta centímetro por\ncentímetro, como se qualquer rangido pudesse acionar um alarme invisível.
O som da madeira ecoou baixo, mas\nagudo o bastante para arrepiar seus braços. Os outros dois contiveram a\nrespiração atrás dele.
Ao ver que não havia ninguém ali por\nperto, Guilherme respirou fundo e apontou a lanterna para o fundo do corredor.\nO feixe de luz tremia levemente cortando a escuridão, mas iluminava o caminho\nestreito — paredes fechadas, piso empoeirado, pegadas desorganizadas. A tensão\nno ar parecia mais espessa agora, como se algo ali estivesse à espreita.
Eles caminharam lentamente até a porta\nseguinte. O silêncio, até então constante, foi interrompido por um barulho\nfraco. Um tilintar, como vidro sendo tocado. Guilherme parou. Manuela\nencostou as costas na parede, e Beto apontou a lanterna para cima, como se\nesperasse algo cair do teto.
O barulho cessou.
— Deve ter sido o vento... — sussurrou\nGuilherme.
— A casa tá toda fechada! — rebateu\nBeto.
— Então talvez tenha sido alguém.
Ninguém riu dessa vez.
Guilherme esticou a mão e empurrou\ndevagar a porta dos fundos do corredor. O rangido que se seguiu pareceu\narranhar os ouvidos dos três. Ao adentrarem e darem apenas três passos adiante,\no galpão, até então mergulhado na escuridão, se iluminou repentinamente. Luzes\nfrias e azuladas se acenderam sozinhas, espalhadas pelo teto metálico e pelas\nlaterais como sensores automáticos. A claridade não era intensa como a de mais\ncedo — parecia apenas a iluminação normal do lugar —, mas o suficiente para\nfazer os três se encolherem de susto.
Instintivamente, apagaram as\nlanternas. Guilherme segurava a própria respiração, os olhos varrendo tudo com\ncuidado. Beto se virou e fechou a porta devagar, quase sem ruído, tentando\nimpedir que a luz escapasse. Mas Manu foi mais esperta: segurou a maçaneta\nantes que ela se encaixasse totalmente.
— Melhor deixar uma fresta… vai que a\ngente precise sair correndo — sussurrou, num tom rápido, mas firme.
O local parecia um laboratório\nimprovisado, quase clandestino. Um canto inteiro era ocupado por computadores —\nalguns empilhados, outros ainda ligados, com telas escuras esperando por um\ncomando. Havia fios espalhados como raízes por todo o lugar, emaranhados entre\nmonitores, rádios antigos e placas-mãe expostas. Em outro canto, um amontoado\nde ferro-velho se erguia como uma colina de sucata: motores enferrujados,\npedaços de antenas parabólicas, tubos metálicos, carcaças de micro-ondas,\ntelevisores e rádios antigos.
Em uma das paredes, telas retangulares\nexibiam gráficos, imagens de satélite e algumas linhas de código em movimento —\ntudo congelado, como se tivesse sido interrompido no meio de uma execução. Ao\nlado do portão industrial que haviam visto do lado de fora, algo ainda mais\nimpressionante: um centro de comando semicircular, repleto de botões,\nalavancas, painéis luminosos e uma tela maior ao centro com um relógio digital\nzerado. Tudo com acabamento rústico, funcional, como feito por alguém que sabia\nmuito — mas com recursos limitados.
No meio do galpão, roubando toda a\natenção, havia uma plataforma redonda, levemente elevada, marcada por círculos\nconcêntricos de LED azul. Uma rampa de ferro ligava a plataforma ao chão. E\nsobre ela, repousava um Jeep Willys 1976, amarelo, imponente, como uma\nrelíquia. O carro estava impecável — reluzente, sem um risco sequer, como se\ntivesse acabado de sair da fábrica, mesmo carregando quase cinquenta anos de\nhistória. Seu capô brilhava sob a luz azul, e os pneus pareciam ter tocado o\nchão pela última vez há pouco tempo.
Eles caminharam com passos curtos, os\nolhos arregalados como se estivessem dentro de um filme de ficção científica\nbarato — e maravilhoso. Guilherme passou os dedos por uma das alavancas do\ncentro de comando. Beto olhava para os cabos, encantado. Manuela parou de\nrepente.
— Espera… — disse baixinho, franzindo\nas sobrancelhas. — Vocês estão ouvindo isso?
Ambos pararam. Por alguns segundos,\nparecia ser apenas o silêncio, quebrado aqui e ali por um zumbido de\neletricidade.
Mas não era.
— Tem… tem gente falando? — perguntou\nGuilherme.
— Não — Manuela respondeu, se concentrando.\n— Não é conversa. É uma música. Bem baixinha…
A\nmúsica vinha de cima. Suave, quase como um lamento instrumental atravessando as\nvigas e os cabos do galpão. Não era conversa, nem barulho mecânico — era\nmelodia. Algo antigo, cheio de reverb, como se tocasse de dentro de um rádio\nvelho esquecido num sótão. Guilherme apontou com o queixo para a parede de onde\nparecia vir o som, e os três se aproximaram com cautela.
Manuela\nencostou o ouvido e franziu o cenho, tentando captar melhor.
—\nVem da casa — sussurrou. — Do andar de cima.
Guilherme\nia perguntar se tinha certeza quando, de repente, a música aumentou. Muito.\nComo um susto sonoro. As caixas de som no teto, antes imperceptíveis,\nexplodiram a melodia abafada em volume médio, preenchendo todo o galpão com\nacordes vibrantes.
“Irgendwie, irgendwo,\nirgendwann, Die Zeit ist reif, für ein bisschen Zärtlichkeit...” ♪
Os\ntrês pularam. Manuela se agachou instintivamente, Guilherme deu um passo para\ntrás e Beto quase deixou a mochila cair.
—\nE agora? — sussurrou Manuela, desesperada.
—\nDesliga isso! — cochichou Beto, olhando ao redor sem saber para onde correr.
Mas\nnão deu tempo.
A\nporta que levava à casa se abriu com um rangido firme. E por ela surgiu\nGabriel.
Ele\nestava sério, a sombra da casa cortando-lhe o rosto ao meio, mas sua voz veio\ncalma, contida como a de alguém que já sabia o que encontraria:
—\nO que vocês estão fazendo aqui?
Os\ntrês ficaram imóveis. O som da música parecia zombar do silêncio que os paralisou.\nGuilherme tentou falar, mas nada saiu. Beto olhava para os lados, como se\nesperasse uma saída mágica surgir. Manuela apenas fitava Gabriel, o maxilar\ntravado.
Foi\nGuilherme quem, finalmente, deu um passo à frente.
—\nO que é tudo isso? — perguntou com a voz firme, embora seu coração martelasse.
Gabriel\ncruzou os braços. A expressão se manteve fria.
—\nNão tenho nada que explicar. — Ele pausou, os olhos pesando sobre os três. —\nVocês não deviam ter visto nada disso. Não deviam... ─ O nervosismo começou a\ntomar conta de seu semblante. ─ Agora... fazem parte...
—\nFazem parte do quê? — perguntou Beto, assustado, recuando meio passo.
Manuela,\ncomo sempre, reagiu com o instinto de defesa:
—\nEu não faço parte de nada, não, meu filho! Tô só de acompanhante aqui. O rolê é\ndeles!
Guilherme\nnão tirava os olhos do pai. Estufou o peito, firme, e andou até o centro do\ngalpão. Subiu na plataforma circular, passou por trás do jeep amarelo reluzente\ne se acomodou no banco do piloto como se fosse dele.
Olhou\npara os amigos, depois para o pai. Um botão azul-piscante chamava atenção em\nmeio ao painel.
—\nEntão, se fazemos parte, pode ir começando a contar. — E ergueu o dedo sobre o\nbotão.
—\nGUILHERME, NÃO! — gritou Gabriel, dando um passo brusco à frente, com o braço\nestendido.
Guilherme\ncongelou, mas não desceu.
—\nVai contar ou não?
Gabriel\nrespirou fundo, o rosto tenso. Os olhos saltavam do botão para o rosto do\nfilho, depois para os amigos.
—\nTá bom — disse enfim, o tom derrotado, baixo. — Eu conto.

