Os\nportões da escola nunca aparentaram ser tão grandes quanto naquele momento para\nGuilherme. Atravessou a saída meio atordoado com as palavras do professor\nMarcos em sua cabeça. O calor do asfalto subia como ondas invisíveis, turvando\na calçada diante dele. As paredes da fachada escolar pareciam mais vivas que o\nmundo ao redor — ou talvez fosse só o eco do que ainda martelava dentro de sua\ncabeça.
"Cuidado.\nNão se dá para voltar no tempo."
A\nfrase de Marcos se repetia em sua mente como uma engrenagem emperrada. Tinha\nsido dita com voz calma, quase sussurrada, mas carregava um peso incômodo, como\nse houvesse algo que o professor sabia e não estava dizendo. Guilherme tentava\nentender se aquilo era só uma metáfora... ou um aviso.
Pisou\nna calçada como se estivesse pisando em nuvens espessas. Nem viu quando passou\npelo meio-fio. Nem ouviu Manuela, que o chamou ao longe, do outro lado da rua.
Foi\nentão que deu um passo adiante — direto para o meio da avenida.
— Ô,\nmoleque! — gritou o motorista, furioso.
Uma\nbuzina rasgou o ar como um tiro. O som foi seguido por outro, e outro. O ranger\nsúbito de pneus no asfalto queimado preencheu os ouvidos de Guilherme antes que\nele pudesse entender o que estava acontecendo. Instintivamente, deu um passo\npara trás, os braços erguidos num reflexo inútil. Um carro amarelo passou rente\na ele, com os retrovisores quase roçando sua camisa. O vento do veículo\nbalançou seus cabelos e o cheiro de borracha queimada se misturou ao da poeira\nquente.
— Tá\nmaluco?! Quer morrer, porra?! — gritou um motoqueiro que desviou por pouco.
Guilherme\nrecuou até o lancil e sentou-se ali, a respiração entrecortada, o coração\npulsando no pescoço. Só então percebeu que a mão tremia. As mochilas dos outros\nalunos passavam apressadas ao seu redor, o som dos passos voltava a se\ndestacar, o burburinho da saída de sexta-feira retomava forma — e ele estava\nali, parado, como se tivesse saído de um sonho ruim.
Aos\npoucos, o mundo voltava a ter cor, som, peso.
"Cuidado.\nNão se dá para voltar no tempo."
Guilherme\nengoliu em seco. Talvez Marcos soubesse mais do que aparentava. E talvez ele\nmesmo tivesse menos tempo do que pensava.
—\nGuilherme?! — o grito de Manuela veio atravessando o ar abafado.
Ele\nergueu o olhar e a viu correndo pela calçada, os cabelos soltos balançando com\no vento e a mochila rosa saltando nas costas. Logo atrás vinha Beto, ofegante,\ncom a testa suada.
—\nPorra, menino, o que foi isso?! — gritou Beto, já se abaixando ao lado do\namigo.
Manuela\nnem perguntou — ajoelhou-se de frente para Guilherme, segurando seu rosto com\nas duas mãos. Os olhos dela estavam arregalados, o peito subia e descia com\nrapidez.
—\nVocê quase foi atropelado! — disse ela, tentando manter a calma, mas a voz\ntremia. — Você... você nem olhou pra rua! Tá maluco?
Guilherme\nnão respondeu de imediato. A sensação do carro passando por ele ainda vibrava\nem seus ossos. Piscou algumas vezes, tentando se localizar no agora, tentando\nse lembrar de que estava vivo.
—\nEu... eu tava distraído — disse por fim, com a voz arranhada.
Beto\nsentou-se ao seu lado no meio-fio, ainda sem fôlego, e passou as mãos nos\njoelhos para secar o suor.
—\nDistraído, Guilherme? Você quase foi parar no necrotério! Tá mais branco do que\njá é! — comentou, com mais alívio do que bronca.
Manuela\nse abaixou ao lado dele e passou um dos braços pelas costas de Guilherme, num\ngesto firme e protetor. Beto, ainda respirando fundo, se inclinou também e\nenvolveu o ombro de Guilherme com o outro braço, unindo-se ao apoio.
Por\num breve momento, ficaram os três ali, sentados no meio-fio, como uma pequena\nmuralha contra a cidade que não parava. Guilherme manteve os olhos no chão,\nsentindo o peso do silêncio. O calor da pele dos amigos ao seu lado era como um\nlembrete de que ele ainda estava presente — ainda era alguém ali, e não uma\nsombra flutuando no espaço.
—\nQue merda foi essa? — ela sussurrou. — O que tá acontecendo com você?
Guilherme\ndemorou a responder. Quando se afastou um pouco, viu Beto ainda atento, os\nolhos escuros sérios, como se também soubesse que aquilo não era só distração.
—\nFoi o Marcos... — disse, enfim, quase num sussurro. — Ele falou umas coisas...\nque mexeram comigo.
Manuela\nfranziu a testa.
— O\nprofessor de Física? O que ele disse?
Guilherme\nolhou para a rua, onde os carros passavam como se nada tivesse acontecido. Como\nse o tempo continuasse seu curso indiferente às vidas que quase arrastava.
—\nEle me disse pra ter cuidado... que não dá pra voltar no tempo.
Houve\num instante de silêncio, que não veio carregado de mistério — veio de\nincredulidade.
Beto\nsoltou uma risada abafada, balançando a cabeça.
—\nAh, pronto. O Marcos é completamente louco, e você quase virou estatística por\ncausa de uma frase pronta?
Manuela\nse afastou ligeiramente, os braços cruzando o peito com força.
— É\nsério isso, Gui? — disse, em tom mais agudo. — Eu achei que você tava assim por\ncausa do seu pai. Que tava nervoso, ansioso, sei lá! Mas você quase foi\natropelado porque ficou ruminando uma frase vaga de professor de ensino médio?!
Guilherme\ntentou responder, mas Manuela já se levantava, sacudindo a mochila e engolindo\no que parecia ser um xingamento.
—\nIsso é... — ela parou, respirou fundo, e soltou com a voz trêmula de irritação\n— isso é ridículo, Guilherme. De verdade.
Beto\nficou em silêncio, olhando de um para o outro, tentando medir o quanto aquela\ntempestade ia durar.
—\nVai lá, Beto. Vai com ele... — disse ela, já caminhando para o outro lado da\nrua. — Eu não vou mais. Que vocês dois se divirtam com os surtos filosóficos do\nprofessor surtado e com o pai maluco e sumido dele.
—\nManu... — Beto chamou, se levantando também, mas ela já havia acelerado o\npasso.
— Me\npoupe, vocês dois! — gritou por cima do ombro, sem olhar para trás. — Quando\nele resolver pensar com a cabeça e parar de se jogar na frente de carros por\ncausa de besteira, a gente conversa!
Ela\ndesapareceu entre as pessoas que passavam, os cabelos balançando como um lençol\nao vento. Guilherme se levantou, sem saber se corria atrás ou se deixava que o\nsilêncio cuidasse daquilo. Beto se aproximou e deu um leve tapa nas costas\ndele.
—\nEla só ficou assustada, só isso. Dá um tempo pra ela. — Depois fez uma pausa e\ncompletou: — Mas, olha... você vai mesmo querer ir ver o seu pai depois disso?
Guilherme\nficou em silêncio por um momento. O barulho da cidade voltava ao normal, como\nse nada tivesse acontecido. Mas dentro dele, alguma coisa já tinha mudado.
—\nSim... vambora — respondeu Guilherme, enxugando as mãos suadas no jeans e\najeitando a mochila nas costas, como quem precisava se mover para não afundar\nnos próprios pensamentos.
Os\ndois seguiram pelo quarteirão até a praça central, onde o movimento era intenso\nnaquela hora do dia. Entre conversas de pessoas no celular, o som dos pombos\nvoando entre os bancos de madeira e a sinfonia abafada do trânsito, esperaram\nno ponto de ônibus sob a sombra rala de uma árvore. O sol refletia nos azulejos\nescuros das fachadas comerciais, deixando tudo com um brilho estourado demais,\ncomo se a cidade estivesse hiper exposta.
O\nônibus chegou com atraso, e eles entraram sem dizer muito. Guilherme se sentou\nà janela, apoiando o braço no parapeito de borracha gasto e o rosto na mão.\nFicou olhando a cidade passar — os prédios altos se rendendo a casas mais\nbaixas, os muros grafitados dando lugar a cercas vivas, os postes de luz sendo\nsubstituídos por árvores espaçadas. Aos poucos, a cidade se diluía, e o\nconcreto dava lugar à terra batida e à vegetação que crescia de forma mais\nsolta, menos domesticada.
Durante\nparte do percurso, Guilherme permaneceu em silêncio. Os pensamentos ainda\ngiravam em torno do que Marcos havia dito, mas agora tudo parecia mais difuso —\ncomo um sonho do qual ele tentava lembrar, mas que escorregava entre os dedos.\nEventualmente, Beto comentou algo sobre o professor, tentando entender por que\naquela frase havia afetado tanto o amigo. Discutiram por alguns minutos, mais\ntentando se ouvir do que convencer um ao outro. Mas logo o assunto escorregou\npara o que Guilherme sabia sobre o pai, e a tensão se rearranjou em forma de\ncuriosidade.
Ele\ncontou a Beto o pouco que sabia — as histórias desencontradas da mãe, as\nlembranças fragmentadas de infância, as mensagens recentes trocadas com o primo\nque o ajudara a encontrar o endereço. Nenhum dos dois sabia exatamente o que\nesperar. Era como se estivessem indo ao encontro de uma ideia — ou de um\nespelho mal colocado do passado.
Com\no tempo, o clima foi se diluindo. Beto, como sempre, acabou puxando conversa\nsobre alguma teoria da conspiração absurda que vira na internet — algo sobre o\ngoverno esconder contatos alienígenas ou uma seita secreta que controlava o\nmundo através de aplicativos. Guilherme riu. Riu de verdade. Aquela risada que\nvem antes da lógica, como uma descarga de alívio. E Beto, ao perceber isso,\nintensificou a palhaçada, como se sua missão fosse quebrar o peso que ainda\npairava.
Quando\no ônibus finalmente se aproximou da zona rural, o ar parecia mais leve, e a\ntensão da manhã havia se transformado em uma espécie de expectativa silenciosa\n— o tipo que antecede o desconhecido.
O\nônibus seguiu adiante, desaparecendo em meio à estrada de terra e deixando para\ntrás uma nuvem espessa de poeira laranja, que dançava no ar seco antes de se\nassentar lentamente sobre os tênis e as calças dos dois garotos. O chão era\nquente, rachado, de terra batida, com marcas antigas de pneus e pegadas de\nanimais. Não havia mais asfalto — só o som esporádico de pássaros escondidos no\nmato, vacas mugindo ao longe, e um vento preguiçoso que balançava as folhas da\núnica árvore ao lado do ponto de ônibus.
A\ncerca de arame farpado separava a estrada do que parecia ser um grande campo de\npasto irregular, cortado por trilhas secas e arbustos esparsos. Ao fundo, uma\ncasa antiga de alvenaria, com paredes amareladas pelo tempo, erguia-se de forma\ndiscreta, cercada por um gramado amplo mal cuidado e um galpão mais recente,\nconstruído com estrutura metálica e telhado que fervia a vista a luz solar —\ndestoando levemente da rusticidade do restante.
Guilherme\nse adiantou, os passos firmes, quase ríspidos, e abriu a porteira de madeira, que\nrangeu alto com o esforço. Do outro lado, o latido de cachorros invisíveis\ncomeçou a ecoar, denunciando que a presença deles já era percebida. Ele\natravessou sem hesitar, sentindo o calor do sol bater direto no rosto, e\ncontinuou a caminhar pelo caminho de terra batida.
Beto\nse atrasou um pouco, ocupado em fechar a porteira com jeito para não deixá-la\nsolta demais. Ao terminar, olhou para frente, respirou fundo e soltou um grito\nforte:
— Ô\nde casa!
Guilherme\nparou bruscamente e se virou com os olhos arregalados.
—\nCara?! — disse num tom meio desesperado, baixo e irritado. — Que porra foi\nessa? Não precisava disso!
Beto\nergueu os ombros como quem sabia que tinha feito a coisa certa.
—\nUé, vai que tem alguém com uma espingarda ali dentro?
Guilherme\nbufou, sem paciência.
—\nVocê vê filme demais.
Mas\nantes que o clima virasse piada ou discussão, um rangido alto interrompeu a\nconversa. A porta da frente da casa se abriu com um som grave, lento, que\ncortou o ar como uma vírgula em meio à tensão. Ambos se calaram, os olhos fixos\nna figura que começava a surgir no vão escuro da entrada.
Ambos\nestreitaram os olhos, tentando enxergar melhor contra a luz forte que vinha de\ntrás da casa. Instintivamente, levaram a mão à testa, formando uma aba com os\ndedos para se proteger do brilho incômodo do sol e poder distinguir a silhueta\nque agora preenchia o vão da porta.
A\nfigura masculina deu dois passos lentos para fora, fazendo as tábuas do\nalpendre rangerem sob seu peso. Seu porte era firme, sólido, como o de alguém\nacostumado a trabalhos manuais. Vestia um jeans gasto, com manchas de óleo e\nterra, e uma camisa preta suja de tinta, colada ao corpo pelo suor. Nos pés,\nbotas encardidas de couro pisavam com a confiança de quem conhece bem o\nterreno. Na mão direita, uma luva marrom de mecânico, rasgada em dois dedos,\ncontrastava com a pele dos antebraços expostos — marcada de cortes antigos,\nsujeira e sol.
O\nrosto, quase inteiro coberto por uma barba densa e desalinhada, escondia parte\ndas expressões, mas não o olhar. Os olhos escuros e fundos, como poços\nsilenciosos, atravessaram os dois garotos com uma mistura de desconfiança e\nalerta. Os cabelos longos e escuros, levemente ondulados, caíam até os ombros,\ngrudados em parte pela poeira e pelo calor.
Ele\nse adiantou mais um pouco, agora de frente para eles, e parou com os braços\nsemiabertos ao lado do corpo — postura de quem está pronto para afastar\nestranhos.
— O\nque vocês estão querendo aqui? — a voz saiu rouca, arrastada, como de alguém\nque passou muito tempo em silêncio. Era ameaçadora, não por gritar, mas pelo\nmodo lento e calculado como foi dita — como se a intenção fosse mais afastar do\nque entender.
Guilherme\nsentiu a garganta secar, mas respirou fundo e deu um passo à frente. O coração\nparecia bater nos ouvidos, mas ele manteve o olhar firme.
—\nEu... meu nome é Guilherme Soares. A gente veio porque...
Não\nterminou de falar. Não sabia como continuar. Beto, que permanecera um passo\natrás, segurou seu ombro com força, como quem pede para ele pensar duas vezes\nantes de continuar. O toque foi leve, mas o gesto carregava tensão.
Um\nsilêncio denso caiu sobre os três, preenchido apenas pelo som das folhas secas\ndançando com o vento e pelo latido distante de um dos cães, agora mais calmo.
O\nhomem, parado a poucos metros deles, continuava olhando, como se esperasse algo\n— ou como se já soubesse. Não esboçou qualquer expressão — nem surpresa, nem\ndúvida, nem culpa. Apenas observou Guilherme por um instante e disse, com a\nmesma voz áspera de antes:
—\nVocê cresceu.
Guilherme\nmanteve o olhar fixo, o rosto firme, mas por dentro a frase o atingiu como uma\nmarreta. Ele queria que aquele fosse um começo, mas soou mais como uma\nconstatação indiferente.
Beto\ncontinuava em silêncio, ainda com a mão no ombro do amigo, o maxilar tenso,\ncomo se soubesse que não era seu lugar intervir.
O\nhomem então soltou um leve suspiro, sem emoção, e continuou:
— Eu\nestou pagando a pensão certinho. Sua mãe não precisa ficar ligando. Está tudo\nresolvido, não precisava mandar você até aqui.
E,\ndito isso, virou-se com naturalidade, como se a conversa estivesse encerrada.\nDeu as costas aos dois, em direção à porta, pronto para desaparecer mais uma\nvez — como fizera a vida inteira.
Mas\nGuilherme deu um passo à frente, quase num impulso, com a voz firme embora\nbaixa:
— Eu\nnão vim aqui por causa da pensão!
O\nhomem parou, ainda de costas. Guilherme aproveitou o momento de hesitação e\ncontinuou, engolindo o choro que se acumulava na garganta:
— Eu\nvim aqui porque queria te conhecer e você vai me ouvir! Eu tenho dezessete\nanos. Vivi a vida inteira ouvindo versões diferentes de você. Ouvi que você não\nprestava, que era fraco, que não se importava. E ouvi o contrário também. Mas\nnunca ouvi a sua voz. Nunca ouvi nada vindo de você. Você nunca ligou em nenhum\naniversário. Não apareceu na formatura do maternal. Não sabe nada sobre meus\namigos. Nunca viu um desenho meu, não sabe se eu gosto de futebol ou se eu sou\nalérgico a alguma coisa. E mesmo assim, tá dizendo que tá tudo certo!
Fez\numa pausa, e quando voltou a falar, a voz já tremia:
—\nTudo que eu queria era um pouco de presença. Nem que fosse agora, tarde demais.\nNem que fosse só pra dizer que você tentou. Porque... mesmo que eu diga que não\nme importo, eu me importo, sim. E muito! Eu sei que não deveria e que talvez\nseja uma perda de tempo estar aqui, mas pelo menos eu estou tentando e esperava\nque você também fizesse o mesmo!
Beto,\nao lado, permanecia estático, sem palavras. Não imaginava que aquilo aconteceria\n— não assim, não com tanta intensidade. Guilherme parecia menor agora, mais\nvulnerável do que ele jamais tinha visto, mas sua atitude era grande, madura\ndemais para sua idade, apesar da rebeldia nas palavras.
Por\nalguns segundos, tudo ficou em silêncio. Só o vento e os galhos secos batendo\nuns nos outros. E então, sem se virar, o homem disse:
—\nAcabei de fazer macarrão. Tem Coca-Cola na geladeira.
Entrou\nem casa e deixou a porta aberta atrás de si, como quem joga um anzol e não olha\nse alguém vai morder a isca.
Guilherme\nficou parado, olhando o vão da porta. Os cães tinham parado de latir. A poeira\nno ar havia baixado. A cena parecia suspensa, como se o tempo estivesse\nesperando sua decisão.
Beto\nquebrou o silêncio, hesitante:
—\nVocê... tem certeza que não é melhor a gente voltar outro dia?
Guilherme\nnão respondeu.
Simplesmente\ncomeçou a andar, cruzando o limiar da casa com passos firmes, como quem aceita\num convite que pode ferir, mas precisa acontecer.
Beto\nficou ali, parado, olhando a porta aberta. Coçou a nuca, incomodado.
—\nIsso não vai ser bom... — murmurou para si mesmo, muito mais tenso do que\ndeixaria transparecer. Mas, depois de um breve suspiro, também deu dois passos,\naproximando-se do alpendre, onde o cheiro de molho quente começava a se\nespalhar pelo ar.

