"Por que choras?"
Perguntei-me várias vezes,
e nunca obtive respostas.
Aqui dentro há uma dor.
Eu não a percebo,
Eu não a reconheço,
mas sinto que dela sou culpado,
sinto que sou o causador deste pranto.
"O que é e o que causa esta dor?"
— Não consigo entender,
mal sei responder,
e não sei se saberei esconder.
Posso até tentar responder,
só que o que eu disser
incoerente vai ser,
ridículo vai parecer.
Tudo e todos causam esta dor.
Até eu causo este dissabor.
Luto com ela em grande terror,
ela deixa-me num horror.
E nem posso a ninguém culpar,
porque quando tive de me levantar e lutar
não consegui posicionar-me para batalhar.
E agora sinto o martírio a ser provocado
quando no escuro estou aprisionado,
quando com ninguém estou conversando,
quando com a solidão estou me conectando.
Sinto que a ele estou destinado,
que dele nunca vou me libertar,
que com ele vou sempre estar,
até que um dia seja enterrado.
Também sinto uma persistente dúvida.
Aparece no final de um choro ocasional,
reaparece no meu âmago como um sinal,
como a resposta que eu procuro,
como a peça faltando no puzzle do céu escuro.
Ela é incompreensível, que absurdo.
Tento responder os miseráveis porquês,
mas nem os consigo compreender.
E acabo por perguntar de novo por quê:
"não compreendo o que se passa dentro de mim por quê?
Causam a minha dor por quê?
Sofro, e não sei os motivos por quê?
Por quê?..."
Talvez eu não saiba porque choro,
talvez nada caiba nesta questão,
talvez não haja nenhuma noção,
deixa calar então.
E sofrer — mesmo que seja em vão.
Mas vou do mundo esta dor esconder.
Talvez sobre ela apenas vou escrever.
Mas ninguém nunca irá saber,
porque talvez eles também não irão entender,
talvez possam até querer com ela me entristecer.
Então quando perguntarem por quê
saibam já o que vou responder:
"eu não sei por quê".

